Se ocorre um acidente automóvel e morre uma pessoa, poderíamos explicar este dizendo que o fulano entrou na curva a 90km/h; a força centrípeta, x; a resistência do pneu, y; do metal, z. Viria o médico explicando como o volante no tóxax cortou o coração e a circulação. Essas seriam explicações científicas.
Isso serve para o acidente dos outros.
O homem não se contenta em ter uma explicação do que ocorre. Ele quer ter o sentido do que ocorre, do porquê da existência.
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Para refletir sobre os limites da ciências materiais contra a filosofia e a teologia. O ser humano é transcendente, espiritual, não pode ser explicado só do ponto de vista material.
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O ser humano é, indubitavelmente, um ser de
transcendência. A palavra transcendência vem do latim "trans" (além de) e
"ascendere" (subir), de modo que sua etimologia dá-nos a ideia de uma
transgressão de limites, de um ultrapassar, enfim, de uma saída de uma
posição dada, uma subida em direção a. Com efeito, à diferença dos
brutos, o ser humano não se contenta com o que está dado, mas deseja
sempr
e alcançar o que julga lhe faltar, e
isso indefinidamente. Experimenta uma ausência, que o coloca em
movimento à procura de plenitude, à procura do infinito. Bem ao
contrário, os animais ditos irracionais não experimentam ruptura com o
que está dado, já que o instinto encarrega-se de lhes garantir
satisfação plena. Vivem plenamente aconchegados no mundo da natureza.
Qual seria a razão da ruptura do homem com o que está dado, com o mundo
da natureza? Ao longo da história do pensamento humano, várias foram as
doutrinas que se candidataram a responder a tão intrigante questão,
desde aquelas que veem no homem um animal doentio por causa do
afrouxamento dos instintos até aquelas que lhe reconhecem uma dignidade
ímpar entre os seres, a dignidade do espírito. É a esta corrente,
reconhecedora do espírito, que nos filiamos. Só o espírito é homólogo ao
ser como tal em sua infinitude e absoluta universalidade.
Como
quer que seja, é fato incontestável que o homem transgride o mundo
natural, e, na medida dessa transgressão, constrói cultura, faz
história. A religião, a arte, a filosofia, as ciências e as técnicas
compõem o grande arco da história humana e, como tais, estão a
testemunhar que o ser humano é capaz de transcender-se, de
ultrapassar-se. Já constatava sabiamente Blaise Pascal que “o homem
ultrapassa infinitamente o homem”.
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