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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Por que estudar latim atualmente?

Há uma tendência mundial de revalorização do ensino/aprendizagem do latim. Reunimos aqui uma série de links que tratam do assunto:

 Curso de Latim online, clique aqui.

 Por que um estudante de 2013 deveria ainda estudar Latim? A resposta é que o Latim serve para tudo.


 Original italiano: http://www.tempi.it/blog/perche-uno-studente-del-2013-dovrebbe-ancora-studiare-il-latino-la-risposta-e-che-il-latino-serve-a-tutto#.Ubn9cpwhUdh


Traduzido por Pe. Giovanni Battaglia. Agradecimento especial à aluna de Formação Católica Online,
Mª Tereza Venancio da Silva, que fez contato com o padre. Grifos nossos.
 

Estamos nas últimas semanas de inscrição para as escolas superiores (colegiais).

Outro dia uma mãe me perguntou qual a diferença existente entre um “Curso” com ou sem latim (uma opção sempre mais comum) . Os alunos das últimas séries são sempre mais desanimados, apavorados por esta matéria e preferem excluí-la, talvez pelo medo de um excesso de esforço.

Me pergunto: pra que serve o Latim ? Quem já estudou Latim não se arrepende.

Estudar Latim de qualquer jeito não serve. Estudar com interesse e seriedade serve para tudo.

Conhecer o Latim ajuda a dar valor a muitos lados da realidade. Quais?

Somente o estudo pode ajudar a entender isso, mas é preciso tempo e vontade.

As motivações: sempre foi dito que o estudo do Latim ajuda a desenvolver o raciocínio, a lógica, mas isto não satisfaz os adolescentes. Semana enigmística, filosófica, matemática podem obter o mesmo resultado. Porque estudar Latim em 2013?

Em primeiro lugar o Latim ajuda entender o presente como época filha de um passado. A nossa tradição ocidental tem suas raizes na cultura grega, na romana e cristã.

Raciocínio, filosofia, sabor da beleza, são heranças que nós recebemos dos gregos; o direito, o sentido da unidade do Estado recebemos dos Romanos, a história cristã introduziu depois uma nova concepção da pessoa, da civilização, da sociedade. Por isso estudar civilização, literatura e língua latina significa conhecer as próprias raízes, como conhecer melhor os próprios pais. Facilita entender o que temos em comum com os antigos e nos permite de pontualizar as mudanças.

Em segundo lugar, conhecimento do Latim ilumina a linguagem e as palavras. Linguagem e palavras contam a história de uma civilização, do desenvolvimento humano, da cultura de um povo. Exemplo: a palavra CULTURA; o verbo latim colo é o alicerce da palavra cultura e destaca a passagem do ser humano da condição nômade a sedentário. O verbo significa cultivar, morar, venerar. Um povo de vida sedentário aprende a cultivar a terra, a habita e venera a divindade do lugar. No termo cultura tem tudo isso… o alicerce, as raizes que levam a dar frutos e bons frutos.

Dá pra entender que a cultura não é somente conhecimento de componentes da realidade, mas vem de um passado e se abre ao presente e ao futuro. Cultura não é só matéria, mas também religiosidade.

Latinos pensavam o termo nomen ligado a homem ... a palavra como expressão da pessoa. Nomina consequencia rerum, o nome consequência da realidade das coisas.

Em terceiro lugar, dos Latinos, assim como dos Gregos, nos derivam a retórica, que ensina a escrever bem, a falar bem, a persuadir. Nas escolas precisariam acrescentar esta “nova matéria”, na verdade antiquíssima. “Saber falar bem” e “saber escrever bem” são duas atitudes transversais fundamentais, assim como “saber raciocinar” e “saber julgar”. Visto que retórica não se ensina, precisariam aprender do italiano, latim e Grego. Mas isto acontece?

Em quarto lugar a leitura das grandes obras da literatura latina de Virgílio, Horácio, Sêneca, Cícero facilita o encontro com os grandes do passado.

Acho que aprender uma disciplina (matéria) não é finalizada a uma competência. A nossa escola virou a escola das competências (saber fazer) desligada da cultura.

Somente a leitura de uma poesia é finalizada, aprender um estilo, figura retórica...

Esta é uma atitude violenta que corre o risco de desanimar as crianças da leitura, da poesia, … Quando se gosta de uma matéria, não se pode exigir que o aluno estude para conseguir objetivos específicos.

A coisa mais bela é que também o outro se apaixone pela mesma beleza que te fascina.

É este fascínio, esta paixão, este entusiasmo por alguma coisa passada, que é maior que nós, pode levar um rapaz a estudar Latim.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma mulher na origem do “Corpus Christi”



Este texto contém a catequese que o Papa Bento XVI dirigiu aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, na quarta-feira, 17 de novembro de 2010, para a audiência geral. Nesse mesmo dia, essa intervenção do Sumo Pontífice foi publicada pelo boletim diário de www.zenit.org.
***
Queridos irmãos e irmãs:
Também nesta manhã eu gostaria de vos apresentar uma figura feminina, pouco conhecida, à qual a Igreja, no entanto, deve um grande reconhecimento, não somente pela sua santidade de vida, mas também porque, com seu grande fervor, ela contribuiu para a instituição de uma das solenidades litúrgicas mais importantes do ano, a do Corpus Domini (em português, mais conhecida como Corpus Christi, N. da T.).
Estamos falando de Santa Juliana de Cornillon, conhecida também como Juliana de Liège. Possuímos alguns dados sobre sua vida, sobretudo por meio de uma biografia, escrita provavelmente por um contemporâneo seu, que recolhe vários testemunhos de pessoas que conheceram diretamente a santa.
Juliana nasceu entre 1191 e 1192, nas proximidades de Liège, na Bélgica. É importante sublinhar este lugar, porque naquela época a diocese de Liège era, por assim dizer, um verdadeiro "cenáculo eucarístico". Antes de Juliana, insignes teólogos haviam ilustrado lá o
valor supremo do sacramento da Eucaristia e, sempre em Liège, havia grupos femininos generosamente dedicados ao culto eucarístico e à comunhão fervente. Guiadas por sacerdotes exemplares, tais mulheres moravam juntas, dedicando-se à oração e às obras de caridade.
Órfã aos 5 anos de idade, Juliana, junto à sua irmã Inês, foi confiada aos cuidados das religiosas agostinianas do convento-leprosário de Mont-Cornillon. Foi educada sobretudo por uma freira cujo nome era Sabedoria e que acompanhou seu amadurecimento espiritual, até que a própria Juliana recebeu o hábito religioso e se converteu, também ela, em freira agostiniana. Adquiriu uma notável cultura, chegando até a ler as obras dos Padres da Igreja em latim, particularmente Santo Agostinho e São Bernardo. Além de uma inteligência vivaz, Juliana mostrava, desde o começo, uma propensão particular à contemplação; tinha um sentido profundo da presença de Cristo, que experimentava vivendo de maneira particularmente intensa o sacramento da Eucaristia e meditando com freqüência sobre as palavras de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20).
Aos 16 anos, teve uma primeira visão, que depois se repetiu muitas vezes em suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua em seu pleno esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor a fez compreender o significado do que lhe aparecera. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra; a linha opaca representava, no entanto, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz, isto é, uma festa na qual os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar sua fé, crescer na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.
Durante cerca de 20 anos, Juliana - que, enquanto isso, havia se tornado a priora do convento - conservou em segredo esta revelação, que havia enchido seu coração de alegria. Depois contou a duas ferventes adoradoras da Eucaristia: a Beata Eva, que levava uma vida eremítica, e Isabel, que a havia seguido ao mosteiro de Mont-Cornillon. As três mulheres estabeleceram uma espécie de "aliança espiritual", com o propósito de glorificar o Santíssimo Sacramento. Também quiseram envolver um sacerdote muito estimado, João de Lausana, cônego da igreja de São Martinho de Liège, pedindo-lhe que interpelasse teólogos e eclesiásticos sobre o que elas carregavam no coração. As respostas foram positivas e motivadoras.
O que aconteceu com Juliana de Cornillon se repete frequentemente na vida dos santos: para ter a confirmação de que uma inspiração vem de Deus, é necessário sempre submergir-se na oração, saber esperar com paciência, buscar a amizade e aproximar-se de outras almas boas e submeter tudo ao juízo dos pastores da Igreja. Foi precisamente o bispo de Liège, Roberto de Thourotte, quem, depois das dúvidas iniciais, acolheu a proposta de Juliana e das suas companheiras e instituiu, pela primeira vez, a solenidade do Corpus Domini em sua diocese. Mais tarde, outros bispos o imitaram, estabelecendo a mesma festa nos territórios confiados aos seus cuidados pastorais.
Contudo, Deus frequentemente pede aos santos que superem provas, para que sua fé cresça. Isso aconteceu com Juliana, que teve de sofrer a dura oposição de alguns membros do clero e do próprio superior do qual seu mosteiro dependia. Então, por vontade própria, Juliana deixou o convento de Mont-Cornillon com algumas companheiras e, durante 10 anos, entre 1248 e 1258, foi hóspede de vários mosteiros de religiosas cistercienses. Ela edificava todos com sua humildade, nunca tinha palavras de crítica ou de reprovação para seus adversários, senão que continuava difundindo com zelo o culto eucarístico. Faleceu em 1258, em Fosses-La-Ville, na Bélgica. Na cela em que jazia, expuseram o Santíssimo Sacramento e, segundo as palavras do seu biógrafo, Juliana morreu contemplando, com um último arrebato de amor, Jesus Eucaristia, a quem sempre havia amado, honrado e adorado.
Para a boa causa da festa do Corpus Domini, foi conquistado também Tiago Pantaléon de Troyes, que havia conhecido a santa durante seu ministério de arquidiácono em Liège. Foi precisamente ele quem, ao tornar-se papa com o nome de Urbano IV, em 1264, quis instituir a solenidade do Corpus Domini como festa de preceito para a Igreja universal, na quinta-feira depois de Pentecostes. Na bula de instituição, intitulada Transiturus de hoc mundo (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano também evoca com discrição as experiências místicas de Juliana, respaldando sua autenticidade, e escreve: "Ainda que a Eucaristia seja solenemente celebrada todos os dias, consideramos justo que, ao menos uma vez por ano, faça-se dela mais honrada e solene memória. As demais coisas, de fato, das quais fazemos memória, nós as apreendemos com o espírito e com a mente, mas não obtemos por isso sua presença real. No entanto, nesta comemoração sacramental de Cristo, ainda que sob outra forma, Jesus Cristo está presente conosco em sua própria substância. De fato, enquanto estava a ponto de ascender ao céu, disse: 'Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos' (Mt 28, 20)".
O próprio Pontífice quis dar exemplo, celebrando a solenidade do Corpus Domini em Orvieto, cidade em que então residia. Precisamente por ordem sua, na catedral da cidade se conservava - e se conserva ainda hoje - o célebre corporal com as marcas do milagre eucarístico ocorrido no ano anterior, em 1263, em Bolsena. Um sacerdote, enquanto consagrava o pão e o vinho, teve fortes dúvidas sobre a presença real do Corpo e do Sangue de Cristo no sacramento da Eucaristia. Milagrosamente, algumas gotas de sangue começaram a escorrer da Hóstia consagrada, confirmando, dessa forma, o que a nossa fé professa. Urbano IV pediu a um dos maiores teólogos da história, São Tomás de Aquino - que naquela época acompanhava o Papa e se encontrava em Orvieto - que compusesse os textos do ofício litúrgico desta grande festa. Tais textos, em uso ainda hoje na Igreja, são obras-primas nas quais se fundem teologia e poesia. São textos que fazem as cordas do coração vibrar, para expressar louvor e gratidão ao Santíssimo Sacramento, enquanto a inteligência, adentrando-se com estupor no mistério, reconhece na Eucaristia a presença viva e verdadeira de Jesus, do seu sacrifício de amor que nos reconcilia com o Pai e nos dá a salvação.
Ainda que, após a morte de Urbano IV, a celebração da festa do Corpus Domini tenha se limitado a algumas regiões da França, da Alemanha, da Hungria e da Itália Setentrional, o Papa João XXII, em 1317, restaurou-a para toda a Igreja. Desde então, a festa teve um desenvolvimento maravilhoso e ainda é muito especial para o povo cristão.
Eu gostaria de afirmar com alegria que hoje, na Igreja, há uma "primavera eucarística": quantas pessoas dedicam seu tempo a estar diante do Tabernáculo, silenciosas, para desfrutar de um diálogo de amor com Jesus! É consolador saber que muitos grupos de jovens redescobriram a beleza de rezar em adoração diante da Santíssima Eucaristia.
Rezo para que esta "primavera eucarística" se difunda cada vez mais em todas as paróquias, em particular na Bélgica, a pátria de Santa Juliana. O Venerável João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia, constatava que, "em muitos lugares, é dedicado amplo espaço à adoração do Santíssimo Sacramento, tornando-se fonte inesgotável de santidade. A devota participação dos fiéis na procissão eucarística da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo é uma graça do Senhor que anualmente enche de alegria quantos nela participam. E mais sinais positivos de fé e de amor eucarísticos se poderiam mencionar" (n. 10).
Recordando Santa Juliana de Cornillon, renovemos, também nós, a fé na presença real de Cristo na Eucaristia. Como nos ensina o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "Jesus Cristo está presente na Eucaristia dum modo único e incomparável. De fato, está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o seu Corpo e o seu Sangue, com a sua Alma e a sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 282).
Queridíssimos amigos, a fidelidade ao encontro com o Cristo Eucarístico na Santa Missa dominical é essencial para o caminho de fé, mas tentemos também visitar frequentemente o Senhor presente no Tabernáculo! Contemplando, em adoração, a Hóstia consagrada, encontramos o dom do amor de Deus, encontramos a Paixão e a Cruz de Jesus, assim como sua Ressurreição. Precisamente por meio do nosso olhar em adoração, o Senhor nos atrai a Si, dentro do seu mistério, para transformar-nos como transforma o pão e o vinho (cf. Bento XVI, homilia na solenidade do Corpus Domini, 15 de junho de 2006). Os santos sempre receberam força, consolo e alegria no encontro eucarístico. Com as palavras do hino eucarístico Adoro te devote, repitamos diante do Senhor, presente no Santíssimo Sacramento: "Fazei-me crer cada vez mais em vós, que em Vós eu tenha esperança, que eu vos ame!".
Obrigado.


         No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:
Queridos irmãos e irmãs:
Santa Juliana de Cornillon nasceu perto de Liège, na Bélgica, no último decênio do século doze. Tinha dezesseis anos, quando, numa visão, lhe apareceu a lua no máximo do seu esplendor mas cingida com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor fez-lhe compreender que a lua simbolizava a vida da Igreja sobre a terra, a faixa negra exprimia a ausência duma festa litúrgica na qual os cristãos pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a sua fé e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento. Por outras palavras, faltava a Festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, que hoje temos, instituída pelo Papa Urbano IV cinqüenta anos depois da referida visão e por influência dela; este Papa, durante o seu ministério de arquidiácono precisamente em Liège, tinha conhecido Santa Juliana e deixara-se conquistar para a boa causa da Festa do Corpo de Deus.
Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação cordial a todos vós, em especial aos grupos brasileiros de Curitiba e de Propriá. O céu cubra de graças os passos da vossa vida e os preserve do pecado, para que os vossos corações possam, domingo a domingo, hospedar Jesus Eucaristia no meio dos homens. Sobre vós, vossos familiares e comunidades eclesiais, desça a minha bênção.
Tradução: Aline Banchier.
©Libreria Editrice Vaticana

sexta-feira, 29 de março de 2013

Jesus está comprovadamente na História?

Os Evangelhos são considerados as melhores fontes históricas, reconhecidas por historiadores não religiosos. Os Evangelhos narram com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado...

Quem provou a autenticidade dos Evangelhos foram os racionalistas dos séculos XVII e XVIII.

Mas há também outros escritos da época, que citam Jesus:


Documentos de escritores romanos:
Tácito, historiador romano, escritor, orador, cônsul (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio histórico de Roma (64): “Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então Nero imaginou culpados e entregou às torturas esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm de Cristo, que, sob o reinado de Tibério foi condenado ao suplício por Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44)
Suetônio, historiador, ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (ano 41-54) afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que sob o impulso de Cristo, se haviam tornado causa freqüente de tumultos”. (Vita Claudiis XXV) (Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2)
Também Plínio, o Jovem, governador romano da Bitínia, escreveu ao imperador romano Trajano, em 112: “os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus” (Epístolas, I.X 96).
Documentos Judaicos
Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia: “Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré...”
Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu: “Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas,... Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a)
Este último foi colocado em suspeita de ter sido adulterado o texto, mas os outros permanecem irrefutáveis.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

São Clemente I: 3º sucessor de São Pedro

São Clemente I,também conhecido como Clemente Romano (em latim, Clemens Romanus), foi o quarto papa da Igreja Católica.

Há várias hipóteses sobre quem realmente foi Clemente Romano.
Segundo um romance siríaco, era viajante que perdeu as referências de sua família, encontrou São Pedro e posteriormente seus familiares, razão pela qual escreveu Recognitioes.
Segundo as Pseudo-clementinas, Clemente era membro da família imperial dos Flávios. Ou ainda era o próprio cônsul Tito Flávio Clemente, sobrinho do imperador Domiciano, executado em 95-96, por professar a fé cristã. E ainda, Clemente teria sido escravo da família Flávia. Liberto, converteu-se e se pôs a serviço da Igreja.
Outros o identificam com o colaborador de Paulo de Fl 4, 3. Orígenes, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo e Irineu de Lião testemunham que Clemente foi o Sucessor de Pedro em Roma. Eusébio é da opinião de que Clemente pode ter sido o autor da Carta aos Hebreus, pelo estilo parecido com a Carta de Clemente aos Coríntios e pelas citações nesta de Hb.
Julgou-se que Clemente era de origem judaica. Cita amplamente o AT e também os apócrifos judaicos apesar de não discutir o legalismo judaico.
“Embora o nome de Clemente não apareça em nenhum lugar da carta [aos Coríntios], há elementos suficientes que o indicam como autor”. “Eusébio narra duas testemunhas antigas de peso em favor desta autoria: a de Hegesipo” e o próprio bispo de Corinto, Dionísio.
“A carta de Clemente se compõe [...] da carta primitiva dirigida à comunidade de Corinto e de extratos de homilias provindas do mesmo autor, que logo cedo foram intercaladas”.
Motivo da carta: “A comunidade de Corinto parece ter vivido em constante conflito. [...] Clemente pretende, embora com algum atraso, escrever para apaziguar e restabelecer a ordem na comunidade. [...] O conflito consiste, substancialmente, numa revolta de alguns membros contra os presbíteros”, talvez por parte de alguns poucos jovens. “Clemente recomenda como remédio eficaz, a conversão e o exílio voluntário”.
“Esta carta foi redigida, provavelmente, pelos fins do reinado de Domiciano 981-96), ou o começo do reino de Nerva (96-98) [...] Acredita-se que ele se refira à segunda perseguição movida por Domiciano que terminou em 95 ou 96. [...] Atribui-se, ainda a Clemente, um grupo de 20 homilias, 10 livros de Reconitiones (Reconhecimentos), sob o nome, hoje, de Pseudo-clementinas”.
A Carta aos Coríntios “aborda considerações, admoestações morais com o objetivo de restabelecer a paz e a concórdia na comunidade de Corinto. [...] A segunda parte, caps. 37-61, insiste sobre a hierarquia eclesiástica e a necessidade da submissão às legítimas autoridades”.
A carta é importante como introdução à História da Igreja, “para a jurisdição eclesiástica, sucessão apostólica, hierarquização dos membros da comunidade”. Fala sobre a autoridade dos apóstolos, “revela fé na divindade de Cristo, na ressurreição dos mortos; fé nas três pessoas divinas, na mediação de Cristo” e na redenção pelo sangue.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trechos de "O Papa de Hitler"

Quem tem medo do livro sem ter lido, vão alguns trechos:

CORNWELL, John. O Papa de Hitler. A História Secreta de Pio XII. Rio de Janeiro: Imago, 2000.

“Em 11 de setembro [de 1943], Roma caiu sob ocupação alemã. [...] Pacelli descobriu-se arcando com a responsabilidade pela Igreja universal e (num sentido direto e imediato) os cidadãos de Roma, incluindo sua antiga comunidade de judeus.” O número de judeus era de cerca de sete mil. O principal rabino e o embaixador alemão na Santa Sé aconselhavam a emigração dos judeus, prevendo o banho de sangue, mas prevaleceu a opinião do presidente da comunidade judaica, de que deviam continuar suas vidas como antes. “O Vaticano também previra problemas para os judeus e aumentara suas atividades de caridade, em particular a ajuda para a emigração”.
O comandante das forças alemãs na Itália usou da ameaça de deportação para arrancar um resgate da comunidade judaica em ouro. Procurado, o Vaticano autorizou um empréstimo, mas não foi necessário.
Apesar do pagamento, iniciou-se um plano de deportação. Pacelli foi um dos primeiros informados. Haviam pressões para que o papa protestasse publicamente, o que não teria acontecido. Uma carta foi enviada ao comandante alemão em nome do bispo Hudal, prior da igreja alemã em Roma, e, juntamente com outra carta do embaixador alemão, foram enviadas a Berlin, alertando sobre os perigos de uma reação do Papa e da Cúria, porém chegaram tarde.
O trem com os deportados partiu em 18 de outubro. A cada etapa, o Vaticano era informado sobre as condições dos prisioneiros. Pacelli estava preocupado, assim como os alemães, com uma possível reação dos guerrilheiros italianos. Cinco dias depois, 1060 deportados morreram nas câmaras de gás e 196 ficaram detidos para trabalho escravo.
“Um número desconhecido de judeus de Roma escapou à prisão porque se esconderam em instituições religiosas “extraterritoriais” protegidas pela Santa Sé, inclusive na própria Cidade do Vaticano.” Discute-se, porém, se era real o risco de represália contra o Vaticano no caso de um protesto papal.
“O próprio Hitler fora obrigado a considerar o problema [de uma represália], por causa de seu plano para capturar Pacelli e levá-lo para a Alemanha.” O objetivo do plano era evitar influência política dos Aliados. O encarregado do plano apresentou argumentos contra, admitindo a autoridade da Igreja e o apoio discreto do clero, pelo que o plano foi abandonado.
“O silêncio de Pacelli, em outras palavras, não foi um ato de pusilanimidade ou medo dos alemães. Ele queria manter o status quo da ocupação nazista até o momento e que a cidade pudesse ser libertada pelos Aliados”.
“Apesar de tudo, houve judeus que concederam a Pacelli o benefício da dúvida – que continuam a fazê-lo até hoje”.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Linha do tempo - História de Israel


Roboão (filho de Salomão) rei em Judá. Templo saqueado por Sesac do Egito. Paga tributo. Rejeitado em Siquém, por não aliviar a servidão do povo. Escolhem Jeroboão à
Abiam
Asa. Contra idolatria. Aliado a BenAdad I de Damasco contra Baasa de Israel










Josafá. Aliado de Acab de Israel contra Assíria






Jorão. Casa-se com Atalia de Acab
Ocozias. Morto por Jeú, junto a Jorão de Israel
Atalia. Mata filhos de Ocozias (seus netos), exceto Joás (salvo pela tia Josaba, mulher de Joiada). Culto a Baal.
Joás. Atalia é morta por Joiada, sacerdote tutor de Joás




Amasias. Morto por Joás de Israel



Azarias (Ozias)




Joatão co-regente

Joatão regente






Profetas Isaías e Miquéias
Acaz. Práticas pagãs
Guerra siro-efraimita à Acaz envia como presente a Teglat-Falasar III o tesouro do templo. Judá vassalo da Assíria







Ezequias purificou o templo (a serpente de bronze). Reforma religiosa, culto e clero. Reforma política.








Busca apoio da Babilônia contra a Assíria
931




913
911


910 – 884

Ascensão assíria
885

880
873

870

853


852


848
841




835

814
798


796
782


767
753



750
742
740







736
734






732


726


Sargão II ocupado com rebeliões na Babilônia e Ásia Menor
724
722

721
Merodac-Baladã rei da Babilônia, se emancipa da Assíria
Jeroboão rei de Israel (ou Efraim ou Samaria)
Santuários em Dã e Betel (reativados)






Nadab, Baasa (assassino de Nadab, guerra contra Judá), Ela, Zambri (assassino de Ela). Zambri suicidou-se em sete dias ao ver Omri.
Omri fez aliança com Fenícia casando Acab com Jezabel de Tiro.
Funda Samaria, nova capital de Israel
Acab. Construções, culto a Baal. Profeta Elias.


Coalisão (Judá) contra Assíria (Salmanasar III)
Ocozias, sem herdeiros
Jorão, irmão de Ocozias. Eliseu profeta. Vencido por Moab. Junto a Ocozias de
Judá foram mortos por

Jeú. Revolta javista (Eliseu). Perde territórios para Hazael de Damasco e paga tributo a Salmanasar III




Joacaz filho de Jeú
Joás retoma cidades perdidas para Damasco e vence Amasias de Judá (saque de Jerusalém)

Jeroboão II. Amós e Oséias. Restabelece limites de Israel. Assíria diminui influência.

Zacarias (6 meses) assassinado por
Selum (1 mês) assassinado por
Manaém, que paga tributo a Teglat-Falasar III da Assíria na Babilônia.

Facéias filho de Manaém, morto por
Facéia








Acaz de Judá não se alia a Facéia, que, junto a Rason de Damasco cercam Jerusalém (guerra siro-efraimita). Teglat-Falasar III intervém, toma parte da Galiléia, recebe tributo de Acaz de Judá. Edomitas e filisteus aproveitam e emancipam de Judá.
Oséias vassalo assírio. Teglat-Falasar III toma Damasco e mata Rason e deporta população
Salmanasar V na Assíria, Oséias lhe nega tributo, tenta aliança com o fraco Egito






Cerco da Samaria (3 anos)
Sargon II toma a Samaria; deportação; instalação de estrangeiros. Sincretismo.



Senaquerib sitia Jerusalém e recebe tributo de Ezequias (tesouro do templo).

Manassés. Tributo à Assíria. Sincretismo




Amon. Tributo à Assíria. Sincretismo. Assassinado
Josias. Profetas Jeremias, Sofonias e Naum




Recuperado o Dt no templo. Paganismo banido.
Josias tenta impedir passagem de Necao e é morto em Meguido
Joacaz. Após 3 meses, deposto por Necao
Joaquim, irmão de Joacaz. Tributo ao Egito. Profeta Habacuc






Joaquim se rebela. Investida babilônica.
Joaquin/Jeconias. Depois de 3 meses se rende. São deportados o rei, a corte, os dignatários (entre eles Ezequiel) e os tesouros para a Babilônia (1ª deport.)
Nabucodonosor deixa no governo de Judá Sedecias (Matatias), tio de Joaquin.
Rebelião contra a Babilônia (contrariando Jeremias). Cerco de Jerusalém.
Queda de Jerusalém. Captura de Sedecias. Destruição da cidade (2ª deport., ficam os camponeses). Godolias governador, sede Masfa.
Godolias assassinado por nacionalista. Amigos de Godolias fogem para Egito levando Jeremias. Profetas Ezequiel, Abdias e 2º Isaías
3ª deportação





Edito de Ciro permite a volta dos judeus à Jerusalém e a reconstrução do altar.
Fundação do 2º templo



Reconstrução do templo sob governor Zorobabel e sacerdote Josias. Profetas Ageu, Zacarias e Abdias



Esdras em Jerusalém, isolou povos vizinhos
Neemias restaura muralhas e promove reformas. Profetas Malaquias, Joel, Jonas, livro de Tobias.










Ptolomeu instala judeus no Egito e Seleuco na Antioquia
Tradução dos LXX em Alexandria



Selêucidas conquistam Palestina (Antíoco III). Problemas entre judeus e dirigentes selêucidas. Conflitos dos sumos sacerdotes. Tesouro do templo começa a ser usado para saldar dívida dos gregos para com romanos.
Decreto de Antíoco IV proíbe culto judaico. Dedica o templo a Zeus Olímpico. Revolta de Matatias macabeu.
Judas Macabeu (martelo)
Templo retomado (festa da dedicação, hannukah, das luzes, da menorah). Livro de Daniel
Jônatas irmão de Judas
Jônatas sumo sacerdote. Expansão do território judaico.
Simão irmão de Judas. Sumo sacerdote (invenção dos hasmoneus). Hassidins (piedosos) = dividem-se em essênios contras os fariseus
Independência judaica
João Hircano filho de Simão. Antíoco VII sitia Jerusalém. Expansão do território judeu.
Saduceus (aristocracia sacerdotal) apóiam João Hircano.
Alexandre Janeu, irmão de João Hircano, casa-se com Alexandra Salomé esposa de Aristóbulo filho de João Hircano. Expansão de fronteiras.
Alexandra Salomé. Trégua. Seu filho João Hircano II sumo sacerdote.
Assume Hircano II, mas é despossado pelo irmão caçula:
Aristóbulo II, rei e sumo sacerdote, favorecido por Roma e por saduceus.
Hircano II cerca Jerusalém tentando retomar o poder. Se retira com a chegada de Pompeu (general romano) na região.



Pompeu conquista Jerusalém. Hircano sumo sacerdote.
704
Senaquerib na Assíria
701
Senaquerib devasta Babilônia
698
681
Asaradon expande a Assíria e reconstrói Babilônia; conquista Egito
642
640
625
Declínio assírio (queda da capital Nínive) por Nabopolassar da Babilônia

622
609
Necao II do Egito vem em ajuda à Assíria e é rechaçado por Nabopolassar
605
Nabucodonosor II vence Necao e controla império assírio. Em
600
é derrotado no Egito.
598


597

589
587

586


582
555
Ciro rei dos persas começa suas campanhas
539
Ciro conquista Babilônia
538

537
525
Cambises filho de Ciro conquista o Egito
515

490
Dario I vencido em Maratona pelos gregos
458
445
333
Império de Alexandre Magno
323
Alexandre morre na Babilônia e o império grego é dividido entre 4 diádocos: Ptolomeus (Lágidas) no Egito e Palestina, Selêucidas na Pérsia, Mesopotâmia
310
250
200
Início da ascensão de Roma. Antíoco III endividado
198


167

166
164

160
152
143

142
134
decadência dos selêucidas
128
103


76
67


65

64
Pompeu depõe o último selêucida Filipe II
63