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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Pensamentos: Acidente

Se ocorre um acidente automóvel e morre uma pessoa, poderíamos explicar este dizendo que o fulano entrou na curva a 90km/h; a força centrípeta, x; a resistência do pneu, y; do metal, z. Viria o médico explicando como o volante no tóxax cortou o coração e a circulação. Essas seriam explicações científicas.
Isso serve para o acidente dos outros.
O homem não se contenta em ter uma explicação do que ocorre. Ele quer ter o sentido do que ocorre, do porquê da existência.
(www.cursoscatolicos.com.br - facebook.com/cursoscatolicos)

***

Para refletir sobre os limites da ciências materiais contra a filosofia e a teologia. O ser humano é transcendente, espiritual, não pode ser explicado só do ponto de vista material.

"O ser humano é, indubitavelmente, um ser de transcendência. A palavra transcendência vem do latim "trans" (além de) e "ascendere" (subir), de modo que sua etimologia dá-nos a ideia de uma transgressão de limites, de um ultrapassar, enfim, de uma saída de uma posição dada, uma subida em direção a. Com efeito, à diferença dos brutos, o ser humano não se contenta com o que está dado, mas deseja sempr
e alcançar o que julga lhe faltar, e isso indefinidamente. Experimenta uma ausência, que o coloca em movimento à procura de plenitude, à procura do infinito. Bem ao contrário, os animais ditos irracionais não experimentam ruptura com o que está dado, já que o instinto encarrega-se de lhes garantir satisfação plena. Vivem plenamente aconchegados no mundo da natureza.

Qual seria a razão da ruptura do homem com o que está dado, com o mundo da natureza? Ao longo da história do pensamento humano, várias foram as doutrinas que se candidataram a responder a tão intrigante questão, desde aquelas que veem no homem um animal doentio por causa do afrouxamento dos instintos até aquelas que lhe reconhecem uma dignidade ímpar entre os seres, a dignidade do espírito. É a esta corrente, reconhecedora do espírito, que nos filiamos. Só o espírito é homólogo ao ser como tal em sua infinitude e absoluta universalidade.

Como quer que seja, é fato incontestável que o homem transgride o mundo natural, e, na medida dessa transgressão, constrói cultura, faz história. A religião, a arte, a filosofia, as ciências e as técnicas compõem o grande arco da história humana e, como tais, estão a testemunhar que o ser humano é capaz de transcender-se, de ultrapassar-se. Já constatava sabiamente Blaise Pascal que “o homem ultrapassa infinitamente o homem”.
"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ

Divulgado o texto da Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2012, que se celebra em 1º de janeiro. A íntegra da Mensagem aqui.

A Mensagem convida a um olhar de esperança para o futuro, "olhar o mundo na sua verdade sem se deixar abater pelas tribulações", conforme a esperança do povo que espera seu Senhor.

O Papa reconhece a particularidade da expectativa dos jovens, que podem, de fato, oferecer uma valiosa contribuição à sociedade. Para isso, é necessário que sejam educados para a justiça e a paz.

A educação é um processo que se alimenta do encontro de duas liberdades: a do adulto e a do jovem. Requer responsabilidade e disponibilidade, além do testemunho daquele que ensina.

Os educadores são, em primeiro lugar, os pais e a família. É um valor a se resgatar o respeito e a "solidariedade entre as gerações, o respeito pelas regras, o perdão e o acolhimento do outro".

Também é grande o papel das instituições com tarefas educativas: devem valorizar e respeitar a dignidade humana de cada pessoa, e cuidar para não contrastar com as consciências e os princípios religiosos. A responsabilidade do próprio jovem é grande, cabendo-lhe fazer bom uso da liberdade.

A formação integral da pessoa exige que não se descuide da dimensão moral e espiritual. Educar para a verdade é colocar a questão sobre o fim último, sobre quem é a pessoa humana e qual sua natureza. Deve-se redescobrir o homem como ser com sede do infinito, sede de verdade que dê sentido à vida.

A liberdade autêntica "não é a ausência de vínculos, nem o império do livre arbítrio; não é o absolutismo do eu." O homem é um ser de relação; precisa dos outros, sobretudo de Deus, autor de tudo e a Verdade última. O relativismo reinantena sociedade deve ser combatido para ser possível a educação. Sem a verdade, a pessoa poderá duvidar até da bondade da própria vida e das suas relações, tornando impossível a justiça e a paz.

Para exercer a liberdade, deve-se conhecer o bem e o mal, e a si próprio. A lei moral natural, uma lei que está no íntimo da consciência, tem caráter universal e exprime a dignidade de cada pessoa, com seus direitos e deveres fundamentais.

"É importante não separar das suas raízes transcendentes o conceito de justiça", para sobrebor a tendência de se recorrer aos critérios de utilidade. A justiça, então, não é uma convenção humana, mas origina-se na própria identidade do ser humano.

A paz, que em última análise vem de Deus, não é apenas dom a ser recebido, mas obra a ser construída. "A paz para todos nasce da justiça de cada um, e ninguém pode subtrair-se a este compromisso essencial de promover a justiça segundo as respectivas competências e responsabilidades", sendo o ponto central o responsável uso da liberdade.

Aos jovens, o Papa pede: "Não tenhais medo de vos empenhar, de enfrentar a fadiga e o sacrifício, de optar por caminhos que requerem fidelidade e constância, humildade e dedicação." Que os jovens sejam exemplos para os adultos de como viver intensamente os anseios de felicidade, verdade, beleza e amor verdadeiro. Neste caminho não estão sozinhos: "A Igreja confia em vós, acompanha-vos, encoraja-vos e deseja oferecer-vos o que tem de mais precioso: a possibilidade de levantar os olhos para Deus, de encontrar Jesus Cristo – Ele que é a justiça e a paz."

Tudo é relativo e cada um tem a “sua” verdade?

Todo discurso, sobre qualquer assunto, desmorona se não tem por base o problema da verdade. A possibilidade da verdade é a possibilidade de se afirmar ou negar qualquer coisa. 

Quem diz: “A verdade é relativa”, está se contradizendo, porque está fazendo uma afirmação. Qualquer afirmação só se sustenta se ela for verdadeira. 

O problema da verdade é de elevada importância principalmente para os jovens. Quando crianças, são totalmente dependentes da tradição, isto é, de tudo que lhes chega através de seus pais, formadores, do ambiente. Não têm capacidade intelectual para duvidar ou criticar o que não for absurdo absoluto. Quando já têm a possibilidade e um pouco de capacidade intelectual, já podem emitir alguns juízos, alguns falsos, outros verdadeiros. Certo é que a sede pela verdade acompanha quem tem vontade de viver, isto é, a princípio, todos os seres humanos. 

Na fase de transição entre a infância e a idade adulta (idade intelectual, mais que física, apesar da dependência do intelecto das estruturas físicas), o jovem percebe que muitas das suas crenças se mostraram falsas. É levado às vezes, por desejo de verdade, a combater os antigos erros. 

Acontece que nessa fase de “rebeldia” ou “revolução” intelectual, o jovem pode descartar, junto com as mentiras, algumas verdades, e em certos casos, a própria possibilidade da verdade. Neste último caso, temos um quadro de “relativismo”, que pode levar até a uma “depressão intelectual”, causada pela perda do sentido da própria existência, já que a existência é uma verdade. O relativismo é particularmente a doença da época contemporânea. 

Não nos cabe aqui discorrer sobre os diversos tipos de relativismo, sua gênese e desenvolvimento. Mas é preciso dizer, como já insinuamos, que a verdade existe e é possível e necessário conhecê-la. 

A verdade é a adequação de nossa mente às coisas. A existência da verdade como algo objetivo e universal, invariável e superior a qualquer opinião é uma certeza do senso comum necessária. Se é verdade que a verdade não existe, como querem os relativistas, então existe a verdade. Se, também, se admite que existem várias verdades, mesmo que umas contradigam as outras, isso nada mais é que falsidade, mera opinião, obstinação no erro. 

Só a partir do princípio fundamental e inegável da possibilidade da verdade é que poderemos obter a paz de espírito, tão desejada por todos. A instabilidade gerada pela negação da verdade é a razão para a negação do próprio homem, da moralidade, da bondade, da beleza, do bem. A busca pela verdade total é a própria felicidade, um caminho a percorrer, não um objetivo distante a que posso descuidar. 

Admitida a possibilidade da verdade, abre-se portas para a descoberta das "outras verdades" negadas ou roubadas, a saber, sobre Deus, sobre a existência, sobre o homem, sobre a religião, sobre a natureza, sobre a vida humana e a história.

sábado, 4 de junho de 2011

Papa aos jovens: buscar o sentido da vida

Por Márcio Carvalho

“A juventude é um tempo que o Senhor vos dá, para poderdes descobrir o significado da vida!”, diz o papa aos mais de 50 mil jovens na vigília de oração na Croácia, em 4 de junho de 2011.

Como Jesus indagou aos primeiros discípulos, também pergunta a cada um hoje: “Que procurais?” (Jo 1, 38). “É Ele que vos procura, ainda antes de O procurardes vós! Respeitando plenamente a vossa liberdade, aproxima-Se de cada um de vós e propõe-Se a Si mesmo como a resposta autêntica e decisiva para aquele anseio que habita no vosso ser, para o desejo de uma vida que valha a pena ser vivida.” Jesus faz compreender que a felicidade que todos procuram “se realiza na amizade com Ele, na comunhão com Ele, porque fomos criados e salvos por amor e, só no amor – um amor que quer e procura o bem do outro”.
A mensagem do Evangelho não é ilusória, mas leva em conta as dificuldades da vida. “Jesus não é um Mestre que ilude os seus discípulos: diz claramente que caminhar com Ele requer o compromisso e o sacrifício pessoal”, adverte o papa. Sucesso fácil, vida de fachada, confiança nos bens materiais, são seduções que obscurecem a única verdade para a qual Cristo quer nos conduzir.
Como Maria e todos os santos, o jovem não deve ter medo de entregar todo o seu ser ao projeto de Deus.

Discurso na íntegra: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/june/documents/hf_ben-xvi_spe_20110604_veglia-croazia_po.html

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Mensagem de Sua Santidade o Papa Bento XVI para a Quaresma de 2010

A justiça de Deus está manifestada mediante a fé em Jesus Cristo
Este ano, o Papa nos oferece uma reflexão sobre o tema da justiça. Por coincidência, o tema está muito ligado ao que propõe a Campanha da Fraternidade no Brasil. Vejamos os principais pontos. Mensagem na íntegra em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20091030_lent-2010_po.html.

A definição clássica de justiça, “dar a cada um o que é seu”, apresenta uma limitação: “Aquilo de que o homem mais precisa não lhe pode ser garantido por lei”. Para que homem viva em plenitude, ele precisa “daquele amor que só Deus lhe pode comunicar”. “São certamente úteis e necessários os bens materiais” mas, “mais do que o pão ele de fato precisa de Deus”.
De onde vem a injustiça? Responde o Papa com o texto de São Marcos: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. Porque é do interior do coração dos homens, que saem os maus pensamentos” (Mc 7,14ss). Existe em nós a tentação de colocar a origem do mal numa causa exterior. “Esta maneira de pensar - admoesta Jesus - é ingênua e míope”. Existe em cada homem “uma força de gravidade estranha que o leva a dobrar-se sobre si mesmo, a afirmar-se acima e contra os outros: é o egoísmo, consequência do pecado original.
Como pode o homem libertar-se deste impulso egoísta e abrir-se ao amor?
Justiça, na Bíblia, “significa, dum lado a aceitação plena da vontade do Deus de Israel; do outro, equidade em relação ao próximo (cfr Ex 29,12-17)[...]. Mas os dois significados estão ligados, porque o dar ao pobre, para o israelita nada mais é senão a retribuição que se deve a Deus, que teve piedade da miséria do seu povo. [...] Para entrar na justiça é portanto necessário sair daquela ilusão de auto-suficiência”.
A justiça de Deus, Cristo, é “a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros”. Em Cristo, “manifesta-se a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se”, porque nele o homem descobre que “precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo”. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, significa “sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência”.
A fé, então, “não é um fato natural, cômodo, óbvio: é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do “meu”[...].

sábado, 19 de dezembro de 2009

"Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação"

A Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2010, datada de 08 de dezembro de 2009 (em plena Conferência sobre Mudanças Climáticas em Copenhagen), traz como tema o problema ecológico: “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”.
O tema não é inédito nas Mensagens para o Dia da Paz, e muito menos no Magistério da Igreja. Bento XVI cita explicitamente João Paulo II, que em 1989 tratou na Mensagem do respeito devido à natureza, e Paulo VI, que em 1971, relembrando a Rerum Novarum de Leão XIII, chamava a atenção para o risco de destruição da natureza por parte do homem.
O Papa relembra, em toda esta Mensagem, os princípios evidenciados na sua última encíclica, Caritas in Veritate, pedindo uma profunda revisão no modelo de desenvolvimento atual. Chama a refletir sobre o sentido e os objetivos da economia e clama por uma profunda renovação cultural.
Retomando os textos do Gênese, observa-se a deturpação da tarefa de dominar, cultivar e guardar a terra como uma consequência do pecado que tornou o homem egoísta. A herança da criação pertence, por vontade de Deus, à humanidade inteira, inclusive às gerações futuras. Por isso a necessidade de uma “leal solidariedade entre as gerações”, assim como entre os indivíduos da mesma geração, independente da comunidade ou nação a que pertença.
A responsabilidade pela criação é de todos e de cada um individualmente. É indispensável a adoção de “novos estilos de vida” e é grande a “responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração”.
“Quando a “ecologia humana” é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental”, recorda o Papa este princípio da Caritas in Veritate. “Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos”.
Não se deve, porém, absolutizar a natureza, considerando-a mais importante que a pessoa. Ecocentrismo e biocentrismo são visões deturpadas e panteístas da dignidade dos seres vivos. “A Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado” e ao homem cabe “o papel de guardião e administrador responsável da criação”.

Leia a mensagem na íntegra.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Instrução Dignitas Personae. Sobre algumas questões de bioética

Resenha:

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução Dignitas Personae. Sobre algumas questões de bioética. Roma, 2008. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20081208_dignitas-personae_po.html.

Esta Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre algumas questões de bioética parte do princípio da dignidade de toda pessoa humana e de que desde a concepção é devida a dignidade própria de uma pessoa. É uma atualização da Instrução Donum Vitae, pelos seus vinte anos de publicação, que conserva intacto seu valor, mas se fez necessário abordar novas questões da tecnologia biomédica (n. 1).

A Igreja Católica propõe uma visão integral do homem, na sua totalidade corporal e espiritual, e, para tanto, recorre à razão e a fé em suas proposições e avaliações. Incentiva a investigação científica, vista como serviço ao bem integral da vida e da dignidade de cada ser humano, e espera que os avanços sejam colocados ao alcance de todos (n. 3).

Argumentando pela fé, a dignidade da pessoa advém do fato de que esta possui uma vocação eterna e é chamada a partilhar o amor trinitário do Deus vivo. A origem da vida humana tem o seu contexto autêntico no matrimônio e na família, onde é gerada através de um ato que exprime o amor recíproco entre o homem e a mulher e que é símbolo do amor divino (n. 6-8).

À luz destes princípios, passa-se à avaliação dos novos problemas.

Em matéria de procriação, as técnicas que se apresentam como uma ajuda ou como cura da infertilidade não devem ser recusadas pelo fato de serem artificiais. Devem ser avaliadas com referência à dignidade da pessoa humana, respeitando o direito à vida e à integridade física de cada ser humano, a unidade do matrimônio e os valores especificamente humanos da sexualidade. Desse modo, são de excluir todas as técnicas de fecundação que substituem o ato conjugal, a menos que se configure apenas como uma facilitação e um auxílio para que aquele atinja a sua finalidade natural (n. 12-13).

As fecundações in vitro são inaceitáveis quando comportam eliminação voluntária de embriões. Mesmo quando a eliminação não é diretamente querida não é admissível, pois há uma dissociação da procriação do contexto integralmente pessoal do ato conjugal entre homem e mulher (n. 14-16). Por este mesmo motivo, também é ilícita a Injeção Intra-Citoplasmática de Esperma (ICSI) (n. 17) e o congelamento de ovócitos (n. 20), pois têm em vista uma fecundação in vitro.

O congelamento de embriões pressupõe a fecundação in vitro e não leva em conta a dignidade de pessoa do embrião, tratado como mero material biológico. O fato de que existem milhares de embriões congelados é uma injustiça irreparável (n. 18-19).

A redução embrionária, o diagnóstico pré-implantatório e quaisquer formas de intercepção e contra-gestação são moralmente ilícitos, pois caracterizam eliminação de embriões (n. 21-23).

Quanto à terapia genética, as intervenções nas células somáticas com finalidade estritamente terapêutica são, em linha de princípio, moralmente lícitas, observado o princípio deontológico geral. No estado atual da investigação da terapia genética germinal, não é moralmente admissível agir de modo que os potenciais danos derivantes se propaguem à descendência (n. 26-27).

A clonagem humana é intrinsecamente ilícita, enquanto pretende dar origem a um novo ser humano sem relação com o ato conjugal e sem nenhuma ligação com a sexualidade. O fato de uma pessoa determinar as características genéticas de outra representa uma grave ofensa à dignidade desta última (n. 28-30).

Sobre o uso de células estaminais, vale o princípio de que sua extração não danifique gravemente o sujeito (n. 32).

A hibridação, mistura de elementos genéticos humanos e animais, é uma ofensa à dignidade do ser humano por alterar a identidade específica do homem, além dos riscos ainda desconhecidos (n. 33).

Os cadáveres de embriões ou fetos humanos “não podem ser objeto de mutilação ou autópsia se a sua morte não for assegurada e sem o consentimento dos pais” e que “não tenha havido nenhuma cumplicidade com o aborto voluntário e que seja evitado o perigo de escândalo” (n. 35).

Sem deixar de reconhecer os problemas nos diversos aspectos da vida humana (n. 36), a Instrução Dignitas Personae reconhece que, nas suas proibições, está respondendo a uma real necessidade de defesa da dignidade da pessoa, sendo a Igreja, mais uma vez, voz daqueles que não a tem, naqueles campos em que atualmente o homem pode fazer mau uso de sua capacidade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O anúncio da verdade

A Carta Encíclica Caritas in Veritate[1] do papa Bento XVI, publicada a 29 de junho de 2009, trata do desenvolvimento humano integral e coloca a verdade como indispensável à caridade, contra todo relativismo. O atual cenário de crise mundial e a necessidade de novas formas de relação teve muito peso na elaboração da carta. Pretendo, nesta resenha, de forma sintética e limitada, abordar o tema da verdade como essencial ao anúncio cristão.

“Defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de fato, « rejubila com a verdade » (1 Cor 13, 6)”[2]. O anúncio de Jesus Cristo, isto é, da Verdade (cf. Jo 14, 6), é caminho e força para o desenvolvimento humano integral.

Caridade (amor) sem verdade é carente de sentido e se torna sentimentalismo[3].

“No atual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral”[4].

Aqui se está afirmando a validade universal e a indispensabilidade dos “valores do cristianismo”, não necessariamente a pertença ao cristianismo. Como a verdade é um dos eixos principais da carta, de modo nenhum o papa poderia negar – e não o fez – o caráter de verdade do cristianismo e a universalidade salvífica de Jesus Cristo[5].

A CARIDADE, MANIFESTAÇÃO DA VERDADE

“A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na « economia » da caridade”[6]. Esta contribui para “acreditar a verdade, mostrando o seu poder de autenticação e persuasão na vida social concreta”[7]. A caridade é a prática da verdade.

Destinatários do amor (graça) de Deus (Trindade), “os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade”[8].

O mundo em crescente globalização e, ao mesmo tempo, tendente ao relativismo, corre o risco de que não faça corresponder a todos uma “ética das consciências e das inteligências”[9]. A caridade guiada pela verdade exige que haja “critérios orientadores da ação moral”[10], tais como são a justiça e o bem comum[11].

Na linha do Concílio Vaticano II e de Paulo VI na Populorum Progressio, Bento XVI reafirma que o serviço da caridade da Igreja “tende a promover o desenvolvimento integral do homem”, entendido quanto “à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões”, sem que se exclua “a perspectiva duma vida eterna”[12].

A caridade é meio de evangelização. “O testemunho da caridade de Cristo através de obras de justiça, paz e desenvolvimento faz parte da evangelização”[13].

CENTRALIDADE DO HOMEM PARA O VERDADEIRO DESENVOLVIMENTO

O progresso tem um aspecto transcendente que é o da vocação: “cada homem é chamado a desenvolver-se”[14]. O caráter de verdade da caridade impõe que cada ação vise “promover todos os homens e o homem todo”[15], segundo “o ideal cristão de uma única família dos povos, solidária na fraternidade comum”[16]:

O Evangelho é elemento fundamental do desenvolvimento, porque lá Cristo, com « a própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo » (Gaudium et Spes, 22). Instruída pelo seu Senhor, a Igreja perscruta os sinais dos tempos e interpreta-os, oferecendo ao mundo « o que possui como próprio: uma visão global do homem e da humanidade » (Populorum Progressio, 13)”.

A negação do caráter transcendente reduz o homem “à categoria de meio para o desenvolvimento”. Como argumento a favor da transcendência pode-se aduzir que “as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material”. São elas:

“Em primeiro lugar, na vontade, que muitas vezes descuida os deveres da solidariedade. Em segundo, no pensamento, que nem sempre sabe orientar convenientemente o querer; por isso, para a prossecução do desenvolvimento, servem « pensadores capazes de reflexão profunda, em busca de um humanismo novo, que permita ao homem moderno o encontro de si mesmo »”[17].

Servem de instrumentos ou meios (não como fins em si mesmos) para o desenvolvimento integral e o progresso do homem estruturas econômicas e instituições[18], o lucro sustentável orientado ao bem comum[19], os poderes públicos[20], o mercado[21], a empresa[22], a técnica[23].

“Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo quase geral entre crentes e não crentes”[24].

CONCLUSÃO

“O homem não é capaz de gerir sozinho o próprio progresso”[25] porque a verdade lhe é superior, é dom de Deus, assim como a caridade. A Igreja “tem uma missão ao serviço da verdade”[26] que é irrenunciável. “A verdade une os espíritos entre si e fá-los pensar em uníssono”[27], de modo que é preciso que haja uma busca comum da verdade.

É inerente ao cristão o anúncio inequívoco da verdade que é Cristo. Anúncio este feito com a caridade que tem sua fonte em Deus.



[1] BENTO XVI. Carta Encíclica Caritas in Veritate. Sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade. Roma, 2009. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html. Acesso em 03 de setembro de 2009.

[2] Ibid., 1.

[3] Ibid., 3.

[4] Ibid., 4.

[5] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Declaração Dominus Iesus. Sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. Roma, 2000. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000806_dominus-iesus_po.html. Acesso em 03 de setembro de 2009.

[6] BENTO XVI. op. cit., 2

[7] Ibid., 2.

[8] Ibid., 5.

[9] Ibid., 9.

[10] Ibid., 6.

[11] Ibid., 6-7.

[12] Ibid., 11.

[13] Ibid., 13.

[14] Ibid., 16.

[15] PAULO VI, Carta encíclica Populorum progressio, 15 apud BENTO XVI. Op.cit., 18.

[16] Ibid., 13.

[17] Ibid., 19, citando PAULO VI, Op. cit., 20.

[18] Ibid., 17.

[19] Ibid., 21.

[20] Ibid., 24.

[21] Ibid., 35-39.

[22] Ibid., 40-41.

[23] Ibid., 68-77.

[24] CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 12. apud BENTO XVI, Op. cit., 57.

[25] BENTO XVI, Op. cit., 78.

[26] Ibid., 9.

[27] Ibid., 54.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Humanae Vitae

Resumo esquemático:
CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE O PAPA PAULO VI
SOBRE A REGULAÇÃO DA NATALIDADE - 25 de julho de 1968

disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html


I. ASPECTOS NOVOS DO PROBLEMA (2-3)

· rápido desenvolvimento demográfico e, em consequência, as condições de trabalho e de habitação.

· maneira de considerar a pessoa da mulher e o seu lugar na sociedade.

· domínio e organização racional das forças da natureza: em relação ao corpo, à vida psíquica, à vida social e até mesmo às leis que regulam a transmissão da vida.

II. PRINCÍPIOS DOUTRINAIS (7-18)

Uma visão global do homem (7)

· física, psicológica, demográfica, sociológica, espiritual, terrena e sobrenatural.

O amor conjugal (8)

ð ordem natural e ordem revelada

ð fonte suprema, Deus que é Amor

As características do amor conjugal (9-10)

ð humano (não animal); ato da vontade livre

ð total (não egoísta)

ð fiel e exclusivo – até à morte; compromisso do vínculo matrimonial.

ð fecundo – gerar novas vidas

ð gera paternidade responsável

· "Paternidade responsável" significa:

ð Em relação com os processos biológicos: conhecimento e respeito pelas suas funções.

ð Em relação às tendências do instinto e das paixões: domínio exercido pela razão e vontade.

ð Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais:

1. deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa

2. decisão, por motivos graves, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.

· "Paternidade responsável" implica deveres: para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.

Respeitar a natureza e a finalidade do ato matrimonial (11)

ð A atos sexuais dos cônjuges são "honestos e dignos", mesmo quando infecundos.

ð Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade.

Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação (12)

Fidelidade ao desígnio divino (13)

ð um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge não é um verdadeiro ato de amor

ð um ato de amor recíproco, que prejudique um dos dois aspectos inseparáveis está em contradição com a natureza do homem e com o plano de Deus e com a sua vontade.

ð Respeitar as leis do processo generativo, significa reconhecer-se não árbitros das fontes da vida.

Vias ilícitas para a regulação dos nascimentos (14)

ð aborto

ð esterilização (perpétua ou temporária)

ð toda ação que impeça a procriação

· contracepção não se enquadra em mal menor, pois há uma terceira opção (evitar o ato sexual).

Liceidade dos meios terapêuticos (15)

ð Quando o objetivo não é a contracepção em si, mas o salvamento de vidas.

Liceidade do recurso aos períodos infecundos (16)

ð ter relações sexuais só nos períodos infecundos

· Diferença essencial:

1. no recurso aos períodos infecundos os cônjuges usufruem legitimamente de uma disposição natural, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua.

2. no recurso aos métodos contraceptivos eles impedem o desenvolvimento dos processos naturais e rejeitam um dos aspectos da relação conjugal.

Graves conseqüências dos métodos de regulação artificial da natalidade (17)

ð abre caminhos à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade;

ð perda de respeito pela mulher

ð intervenção das autoridades públicas no setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal

III. DIRETIVAS PASTORAIS (19-31)

Domínio de si mesmo (21)

ð convicção acerca dos valores da vida e da família

ð O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre (ascese)

ð esforço contínuo

· Benefícios:

ð desenvolvimento integral da personalidade

ð favorece as atenções dos cônjuges

ð extirpação do egoísmo

ð sentido de responsabilidade

Criar um ambiente favorável à castidade (22)

ð Reação contra tudo que leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, à pornografia

APELO AOS GOVERNANTES (23)

· política familiar providente

· educação das populações

AOS HOMENS DE CIÊNCIA (24)

· fornecer uma base suficientemente segura para a regulação dos nascimentos, fundada na observância dos ritmos naturais

AOS ESPOSOS CRISTÃOS (25)

· implorem com oração perseverante o auxílio divino; abeirem-se, sobretudo da Santíssima Eucaristia, da Penitência

APOSTOLADO NOS LARES (26)

· os cônjuges mesmos, comunicar a outros a sua experiência

AOS MÉDICOS E AO PESSOAL SANITÁRIO (27)

· promoverem soluções inspiradas na fé e na reta razão

AOS SACERDOTES (28)

· expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio

· não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo, com paciência e de bondade (29)

AOS BISPOS (30)

· uma ação pastoral coordenada, em todos os campos da atividade humana.

sábado, 11 de abril de 2009

O Messias tinha de sofrer e no terceiro dia ressuscitar

Aquele que ressuscitou é o mesmo que morreu na cruz. As mãos e os pés, a carne e os ossos são de uma pessoa viva. Ele come conosco e se dá a conhecer ao partir o pão. E devia ser assim, segundo “a Lei de Moisés, os profetas e os salmos”. O Messias, o Libertador, não poderia ser alguém que livrasse o povo de seus sofrimentos cotidianos, mas alguém que elevasse essa humanidade limitada a uma condição superior, à participação na vida divina, à ressurreição.

Pela Ressurreição, Jesus deu-nos prova de que a humanidade é elevada à medida que busca transformar seus inevitáveis sofrimentos em caminho para o Pai. Não considerando a vida no mundo como finalidade em si mesma, mas não se esquecendo que só passando por esta vida chegaremos à vida definitiva em Deus, que se fez homem, viveu, morreu e, por isso, ressuscitou.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Uma posição heterodoxa sobre as virtudes teologais e o Reino de Deus

COMBLIN, José. O caminho. Ensaio sobre o seguimento de Jesus. 2ª. Ed. São Paulo: Paulus, 2005. 227pp.


O autor pretende tratar do que é ser cristão. Baseia sua exposição nas três virtudes teologais, as quais dedica cada um dos três capítulos do livro respectivamente à esperança, à fé e ao amor.

Já no prólogo propõe a distinção que norteia todo seu livro: o caminho de Jesus é diferente de religião (p. 8). Esta, tendo em vista claramente e primeiramente a Igreja Católica, é empecilho para seguimento de Jesus.

O primeiro capítulo é sobre a esperança, por ser a virtude que norteia nossa época (p. 13). Após expor longamente sobre como não foi vivida a esperança em outras épocas, chega à conclusão que o atual conceito de progresso traz em si uma esperança (p. 18), não mais escatológica, mas para esse mundo (p. 20-23). Essa esperança aspira a uma nova forma de convivência humana, isto é, o Reino de Deus, uma “mudança total da sociedade” (p. 33).

O autor afirma que “a única tarefa que justifica a existência da igreja” é “refazer toda a educação do povo” (p. 45) colocando-a ao lado das outras organizações. “O lugar dos cristãos é no meio deste mundo, fazendo parte dos movimentos de libertação dos oprimidos”, afirma o autor, elencando e justificando alguns movimentos de revolta como “portadores de esperança” (p. 46).

No subtítulo “Esperança e realidade histórica” critica a Igreja Católica por suas “proposições universais”, “cristianismo invariável”, alegando ser o cristianismo um momento na história (p. 53). Diz que a história de Israel é a história de uma esperança, de uma promessa. Quando começaram a perder a esperança para este mundo, “começou a aparecer a idéia de ressurreição” (p. 56). No mesmo subtítulo cai em contradição ao afirmar que “enquanto estamos a caminho – não podemos esperar uma realização plena do Reino de Deus [...] O Reino de Deus nunca será uma estrutura instalada de modo definitivo na história” (p. 61).

No capítulo sobre a Fé, o autor dedica uma longa introdução a demonstrar que fé foi confundida com ortodoxia. No segundo subtítulo define a fé como “resposta ao anúncio da boa-nova” (p. 93). “A fé cristã situa-se nessa fé em si mesmo, na própria capacidade e na busca da liberdade e da vida” (p. 95). A fé em Jesus é seguir o seu caminho (p. 118) e encontrá-lo no pobre (p. 121), não no culto. “Crer no Espírito Santo é crer nessa força e na capacidade de lutar por um mundo diferente”, é crer em si mesmo (p. 122) em oposição à instituição Santa Sé, da qual, segundo o autor, somos obrigados “a relativizar muito o valor dos textos publicados” (p. 123).

Na introdução sobre o capítulo do Amor, o autor apresenta os aspectos da questão do amor a serem tratados nos dias atuais: o reconhecimento do outro e a compaixão que gera ação.

O amor é a experiência humana concreta do conhecimento de Deus (p. 141) e tem por objeto pessoas humanas (p. 142). O objeto próprio do amor é o pobre (p. 148). As opções para amar os pobres são a inculturação (p. 155) ou a sua inserção no mundo global (p. 156).

O livro, em suma, é em sua maior parte narração de erros do passado. Quer comover por sua linguagem fácil, mas não apresenta novidade significativa na compreensão das virtudes. Estas não são apresentadas pelo autor como teologais, mas são o esforço do homem a construir uma nova sociedade neste mundo.

domingo, 30 de março de 2008

O ser humano na Gaudium et Spes

A Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo tem como fundamento de reflexão o homem na sua unidade e integridade: corpo e alma, coração e consciência, inteligência e vontade (§3).
A atual fase da história é a de maior desenvolvimento e de mais rápidas transformações. Em meio a uma crise de crescimento, muitos se tornam incapazes de discernir valores verdadeiramente permanentes (§4).
O homem se experimenta limitado como criatura, porém com desejos ilimitados, chamado a uma vida superior. A Igreja acredita que a chave, o centro e o fim de toda história humana se encontram em Jesus Cristo e que há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre (§10).

O homem criado à imagem de Deus é na Sagrada Escritura sinal de sua dignidade. É capaz de conhecer e amar o seu Criador e é senhor de todas as criaturas terrenas. É também, por sua própria natureza, um ser social e inclinado para o mal (§12).
Sendo uno de corpo e alma, o homem sintetiza em si mesmo os elementos do mundo material, não podendo, pois, desprezar a vida corporal. Por sua interioridade, o homem é superior às coisas materiais e o transcende. Ao reconhecer em si uma alma espiritual e imortal, atinge a verdade profunda das coisas (§14). Essa natureza espiritual encontra sua perfeição na sabedoria, que atrai o espírito do homem à busca e amor da verdade e do bem (§15).
Na própria consciência humana encontra-se uma lei que está a chamar ao amor do bem e fuga do mal. Pela obediência e fidelidade à essa voz o homem está livre da arbitrariedade. É certo, porém, que a consciência pode errar por ignorância invencível ou se enfraquecer progressivamente com o hábito do pecado (§16). A dignidade do homem exige que se proceda segundo a consciência por livre adesão, não levado por cegos impulsos ou por coação externa. Essa liberdade não consiste na licença de fazer seja o que for, mas em buscar o que é bom (§17).

O temor da morte faz o homem pensar na sua condição transcendente. Todo o desenvolvimento técnico e científico esbarra no temor de que tudo se acabe para sempre com a morte. A fé cristã ensina que a morte corporal será vencida pela incorruptível vida divina que o Cristo ressuscitado nos obteve (§18).
Cristo revela o homem a si mesmo e é a sua plenitude. Homem perfeito, restitui a semelhança divina que fora deformada. Sofrendo por nós, não só nos deu um exemplo, mas resignificou a vida e a morte, dando-nos condições de cumprir nossa vocação divina (§22).

Como todos são chamados a um mesmo fim, os homens formam uma só família, sendo o amor de Deus e do próximo o primeiro e maior dos mandamentos. A pessoa humana deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais. Qualquer perturbação da ordem social nasce do egoísmo e do orgulho dos homens. A busca do bem comum implica em direitos e deveres a todo o gênero humano e que a ordem das coisas esteja subordinada à ordem das pessoas (§24-26).
Os homens não são todos iguais quanto à capacidade física e forças intelectuais e morais, mas prevalece uma igualdade essencial entre todos: dotados de alma racional e criados à imagem de Deus (§29). Cumpre primeiro a cada um tornar-se consciente da própria dignidade e responder à sua vocação para chegar ao sentido de responsabilidade e à vontade de tomar parte nos empreendimentos comuns (§31).
A imensa atividade humana e suas conquistas trazem consigo questões de sentido e valor. É certo que o objetivo imediato de tais ações é melhorar as condições de vida dos homens. Toda atividade procede do homem e a ele se ordena, realizando-se a si mesmo (§33-35).
Todas as coisas possuem consistência, verdade, bondade e leis próprias que devem ser respeitadas mas não podem ser opostas à fé, pois têm origem no mesmo Deus (§36).
Pela sua encarnação, Cristo recapitulou toda a história do mundo e, pela sua ressurreição, transformará todo o universo, levando-o à sua plenitude, apesar de não sabermos o tempo e o modo como isso se dará (§38-39).
Desse modo, a Igreja não se limita a comunicar a vida divina; ilumina todo o mundo trabalhando pela dignidade do homem, consolidando a sociedade e dando sentido profundo às atividades humanas. Ela porta as respostas às aspirações mais profundas do coração humano enquanto é presença de Cristo, princípio e fim de toda a criação (§41-45).

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Deus sabia que Adão iria pecar?

Sim. A onisciência de Deus é relacionada com sua eternidade. Sem começo nem fim, Deus abarca todo o tempo. Este só é percebido pelas criaturas que foram inseridas no tempo.

Por que criou?
Sendo Deus Bondade, só faz o que é bom. E o primeiro bem que um ser recebe é a existência. Se algo existe, é porque é bom. Assim, por exemplo, o mal em si não existe, mas é uma carência.

"Deus não permitiria o mal se não pudesse tirar dele bem maior", diria Santo Agostinho. De fato, do pecado do homem Deus criou a possibilidade da bem-aventurança eterna junto d'Ele.

Este texto é uma resposta ao fórum
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