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sábado, 11 de abril de 2009

O Messias tinha de sofrer e no terceiro dia ressuscitar

Aquele que ressuscitou é o mesmo que morreu na cruz. As mãos e os pés, a carne e os ossos são de uma pessoa viva. Ele come conosco e se dá a conhecer ao partir o pão. E devia ser assim, segundo “a Lei de Moisés, os profetas e os salmos”. O Messias, o Libertador, não poderia ser alguém que livrasse o povo de seus sofrimentos cotidianos, mas alguém que elevasse essa humanidade limitada a uma condição superior, à participação na vida divina, à ressurreição.

Pela Ressurreição, Jesus deu-nos prova de que a humanidade é elevada à medida que busca transformar seus inevitáveis sofrimentos em caminho para o Pai. Não considerando a vida no mundo como finalidade em si mesma, mas não se esquecendo que só passando por esta vida chegaremos à vida definitiva em Deus, que se fez homem, viveu, morreu e, por isso, ressuscitou.

sábado, 18 de outubro de 2008

A Doutrina da justificação

Sobre a DECLARAÇÃO CONJUNTA SOBRE A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO ENTRE A IGREJA CATÓLICA E A FEDERAÇÃO LUTERANA MUNDIAL (31 de Outubro de 1999). Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/chrstuni/documents/rc_pc_chrstuni_doc_31101999_cath-luth-joint-declaration_po.html.

A Declaração conjunta católico-luterana é um resumo dos resultados dos diálogos sobre a justificação ocorridos ao longo do século XX. Representa o que há de comum na compreensão da justificação pela graça de Deus na fé em Cristo, baseado principalmente na Sagrada Escritura.

Já no Antigo Testamento aparece o tema do pecado e da desobediência e da justiça de Deus. O Novo Testamento trata da justificação como o dom da salvação, libertação, reconciliação e paz com Deus e vida nova em Cristo. A justificação é dom de Deus recebido mediante a fé e que se desenvolve mediante as obras.

A concordância católico-luterana abarca um consenso nas verdades básicas e em desdobramentos distintos.

É fé comum que a justificação é obra do Deus uno e trino e que o Filho, por sua encarnação, morte e ressurreição, é a nossa justiça. Somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, somos justificados e assim capacitados e chamados para as boas obras.

Fé comum

Desdobramento católico

Desdobramento luterano

O ser humano depende completamente da graça salvadora de Deus.

Por efeito da graça, o ser humano coopera no preparo e na aceitação da justificação.

O ser humano é incapaz de cooperar em sua salvação, porque como pecador ele resiste a Deus.

Deus perdoa, por graça, o pecado.

Ao crente é presenteada a renovação da pessoa interior pelo recebimento da graça.

A vida do pecador é renovada somente em união com Cristo e a justificação é livre de cooperação humana e independente da renovação de vida.

O pecador é justificado pela fé. Essa fé atua pelo amor.

O ser humano é justificado pela fé, através do batismo. Recebe de Cristo a fé, esperança e amor, que permanecem dependentes da graça.

Deus justifica o pecador somente na fé. A renovação da conduta de vida é distinta mas não separada da justificação.

A pessoa justificada permanece dependente da graça de Deus, chamada constantemente à conversão.

A graça apaga todo pecado, mas permanece a concupiscência, que não é um pecado mas inclinação. A pessoa pode se separar voluntariamente de Deus, necessitando do perdão pelo sacramento da reconciliação.

O cristão é ao mesmo tempo justo e pecador, mas após a justificação não está mais separada de Deus.

O ser humano é justificado na fé no evangelho independentemente de obras da lei.

A pessoa justificada é obrigada a observar os mandamentos de Deus.

A lei é exigência e acusação; põe a descoberto o pecado para que a pessoa se volte para a misericórdia de Deus em Cristo.

Os crentes podem confiar na misericórdia de Deus e ter a certeza da graça.

Não duvidar da misericórdia de Deus, mas se preocupar com a salvação, por causa das fraquezas e insuficiências.

Confiar somente em Cristo e ter a certeza de sua salvação.

As boas obras são frutos da justificação.

As boas obras contribuem para o crescimento na graça; a justiça é conservada e a comunhão com Cristo aprofundada. Essas obras terão recompensa no Céu.

A participação na justiça de Cristo sempre é perfeita, mas seu efeito pode crescer. A vida eterna é galardão imerecido.

Existe, pois, um consenso nas verdades básicas. As diferenças permanecem na terminologia, na articulação teológica e na ênfase da compreensão. Alguns dos desdobramentos são excludentes entre si, apesar de não serem contrários à verdade básica explicitada nesta declaração, que, no geral, não resolve as diferenças, mas acentua as semelhanças, por mínimas que sejam.

sábado, 29 de março de 2008

Ainda a Salvação

Continuação do texto anterior, em resposta ao debate:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=17464739&tid=2589958463143242627&na=4
"[ninguém provou] empiricamente a existência real desses lugares de gozo e de sofrimento eternos e jamais o farão".
Primeiro, o gozo ou sofrimento eternos não são lugares. As ciências empíricas só tratam daquilo que está a seu alcance imediato, superficial. Não podem, por exemplo, tratar do problema da VERDADE, pois esta não é material ou experimentável. A existência da Verdade ou de Deus pode ser "provada" pela Filosofia, pela Lógica.

O cientista também crê naquilo que foi legado por seus colegas sem precisar experimentar tudo novamente. Aliás, o ser humano em geral vive de crenças, desde sua primeira infância até a velhice.
Fé não é sinônimo de acreditar para o Cristianismo. Fé é resposta a uma proposta. O próprio Filho de Deus é a proposta: se encarnou para se revelar.
De fato, o homem pode, como já disse, reconhecer Deus através de sua própria inteligência mas a plenitude de seu mistério só nos é possível por Revelação.

O homem é verdadeiramente livre. Liberdade não é onipotência. Se existem dois caminhos devo optar livremente por um deles, não por um terceiro que não existe, esperando que este surja para satisfazer o meu capricho. Não é necessário "seguir Deus" para desfrutar de sua salvação. No meu texto anterior disse que a salvação é para todos. Salvação, a propósito, tem sua raiz em Saúde, aquilo que faz bem ao homem, aquilo para o qual existe, neste caso, a vida com Deus. Aquele que não conhece a Deus se salva seguindo a sua consciência, que, se não é doente ou maltratada, lhe ditará as normas da moralidade, fazendo o bem e evitando o mal.

"a soteriologia está muito mal explicada na bíblia. Veja só: Deus cria o homem perfeito, depois deixa (por negligência) o diabo (Seu inimigo) entrar no lugar sagrado do Éden para tentar o homem. Este cai em tentação por desobediência (como pode um ser criado perfeito falhar?) e é expulso do Paraíso. Daí então começa as aflições da humanidade que permanece até hoje. Mesmo o sacrifício de Cristo na cruz não foi suficiente para trazer de volta a paz perdida lá no Éden..."

"Deus cria o homem perfeito". Primeiro equívoco. Isto não está na bíblia e é uma coisa impossível. Perfeito é aquilo que é completo, não lhe falta nada, contém todas as perfeições. Ora, isso só cabe a Deus. Se Deus criasse outro ser perfeito estaria criando outro Deus, o que é contraditório. A definição de Deus exige que Ele seja Um.

A linguagem do Gêneses é mitológica e não pretende contar detalhes de um acontecimento. A mensagem a se tirar é, em resumo, que Deus é criador de todas as coisas; o homem é a plenitude da criação; o homem pecou; Deus não abandonou o homem; etc.
Outro equívoco: não há diabo no texto do Gêneses. "A serpente era o mais astuto de todos os animais"; há todo um dado cultural que deveria ser refletido nestes textos.

"Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada". (Mt 10,34) "Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus". (Cl 1,19s) - A paz conseguida por Cristo é ainda superior a que os primeiros pais perderam. Por sua encarnação, morte e, principalmente, Ressurreição, deu-nos a plenitude da vida, a vida em Deus, cada um segundo as suas capacidades, como dito. Deus se fez homem para que pudéssemos participar de sua divindade.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Quem será salvo?

A salvação que vem do Cristo é oferecida a todos. Esta consiste na vida eterna em Deus, anseio último do homem, mesmo daquele que nega a transcendência que lhe é inata.
A vida terrestre é como que prelúdio da vida divina: o modo com que cada um vive esta vida será plenificado em Deus. Todos serão saciados: aquele que espera pouco, pouco será dado; aquele que espera muito, muito será dado. Analogamente: um pequeno frasco e uma grande jarra; o primeiro será plenamente saciado com pouca água, o segundo com mais água. Ambos, porém, satisfeitos.
A salvação só não será dada àquele que a rejeitar. Deus fez o homem livre. E, sendo Onipotente, uma coisa que Ele não pode é se contradizer; no caso, contrariar a vontade de um homem que não quer a vida eterna em Deus. A essa possível aversão voluntária a Deus chamamos inferno.
A salvação é oferecida inclusive aos que não crêem no Cristo ou em Deus. A Oração Universal da celebração da Sexta-feira Santa inclui uma prece "por aqueles que não crêm no Cristo e caminham sob o vosso olhar com sinceridade de coração" para que possam chegar ao conhecimento da verdade. E também uma prece "pelos que não reconhecem a Deus", para que, buscando lealmente o que é reto, possam chegar ao Deus verdadeiro. "Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna". (Concílio Vaticano II. Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, 16, grifos meus)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Deus sabia que Adão iria pecar?

Sim. A onisciência de Deus é relacionada com sua eternidade. Sem começo nem fim, Deus abarca todo o tempo. Este só é percebido pelas criaturas que foram inseridas no tempo.

Por que criou?
Sendo Deus Bondade, só faz o que é bom. E o primeiro bem que um ser recebe é a existência. Se algo existe, é porque é bom. Assim, por exemplo, o mal em si não existe, mas é uma carência.

"Deus não permitiria o mal se não pudesse tirar dele bem maior", diria Santo Agostinho. De fato, do pecado do homem Deus criou a possibilidade da bem-aventurança eterna junto d'Ele.

Este texto é uma resposta ao fórum
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=17464739&tid=2580608755330575827&start=1