sexta-feira, 30 de julho de 2010

Busque as coisas do alto

Reflexão para o 18º Domingo do Tempo Comum

Lc 12,20-21: "Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. E as coisas, que ajuntaste, de quem serão? Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus." (Veja também: 1ª leitura: Ecl 1,2;2,21-23; Salmo 89; 2ª leitura: Cl 3,1-5.9-11; Evangelho: Lc 12,13-21).

Busque as coisas do alto

Que resta ao homem de todo o seu labor? - pergunta o Eclesiastes. Nada! Tudo é vaidade, responde, até mesmo o descanso é uma ilusão. Esse pessimismo em relação às coisas terrenas é transformado por Cristo em esperança de uma vida futura ótima e definitiva.
Esperança para nós, que ainda vivemos neste mundo de vaidades, em que tudo é passageiro, portanto, ilusório. Porque o Cristo já vive a nova vida, a Ressurreição, da qual participamos já pelo batismo e pela Eucaristia, que nos restaura constantemente, até atingirmos o conhecimento perfeito (2ª leitura).
A vida plena desejada por Deus só pode ser a vida definitiva que Cristo nos garantiu por sua morte e ressurreição. Jesus não veio para satisfazer aos interesses terrenos. "Meu amigo, quem me constituiu juiz ou árbitro entre vós?", respondeu ao que estava preocupado com uma divisão de herança. "Buscai as coisas do alto", recomenda São Paulo.
Os evangelhos dos últimos domingos nos conduzem à conclusão que só Deus é a felicidade. "Que devo fazer para conseguir a vida eterna?": Ame a Deus e ao próximo (parábola do bom samaritano); "Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas"; Jesus ensina a rezar e a pedir o necessário, e o Pai "dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!". Hoje e adiante, Jesus ensina a desprezar a riqueza material.O cristão é aquele que vive em meio ao mundo que passa buscando a vida eterna, que não passa. Ele conta os seus dias com sabedoria (cf. Salmo) na esperança da vinda d'Aquele que pode dar a verdadeira alegria.

Márcio Carvalho da Silva

terça-feira, 27 de julho de 2010

Boletim mensal para formação litúrgica "Memento" Ago/2010 disponível

Disponível para download no formato PDF. Imprima em folha A4 frente e verso e dobre ao meio para obter o boletim.
Multiplique e distribua na sua comunidade!



Memento II- 20. Ago/2010 - A Mulher que vence o Dragão; O Ano Litúrgico; Lendas litúrgicas 15; glossário: memorial, hosana; O lugar do crucifixo em relação ao altar; A missa é muito mais que uma reunião fraterna.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Boletim mensal para formação litúrgica "Memento" Jul/2010 disponível

Disponível para download no formato PDF. Imprima em folha A4 frente e verso e dobre ao meio para obter o boletim.
Multiplique e distribua na sua comunidade!



Memento II- 19. Jul/2010 - Aos bispos do Brasil; O ofício divino; Lendas litúrgicas; glossário: lavabo; Criatividade nas Celebrações litúrgicas?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Crucifixo no centro do altar

"Mover a cruz do altar para a lateral para dar ao povo uma visão do padre sem interferência é algo que eu classifico como um dos grandes absurdos das últimas décadas. A cruz atrapalha a missa? O padre é mais importante que o Senhor? Esse erro deve ser corrigido o quanto antes, e pode ser feito sem necessidade de reformas. O Senhor é o ponto de referência."

Cardeal Ratzinger. Introdução ao espírito da liturgia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Missa bem celebrada é a melhor catequese eucarística, assegura Papa

http://www.zenit.org/article-25257?l=portuguese

Missa bem celebrada é a melhor catequese eucarística, assegura Papa


Em seu discurso ao congresso da diocese de Roma

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 18 de junho de 2010 (ZENIT.org).- “A melhor catequese sobre a Eucaristia é a própria Eucaristia bem celebrada”, assegura Bento XVI, ao exortar toda a Igreja a celebrá-la com toda a dignidade.
O Pontífice deu esta indicação central aos participantes do congresso da diocese de Roma, que começou no dia 15 de junho, na Basílica de São João de Latrão, catedral do bispo da Cidade Eterna.
“A Santa Missa, celebrada com respeito pelas normas litúrgicas e com um uso adequado da riqueza dos sinais e gestos, favorece e promove o crescimento da fé eucarística”, garantiu o Papa.
“Na celebração eucarística, não inventamos algo, e sim entramos em uma realidade que nos precede; mais ainda, ela abarca o céu e a terra e, portanto, também o passado, o futuro e o presente.”
“Esta abertura universal, este encontro com todos os filhos e filhas de Deus, é a grandeza da Eucaristia: saímos ao encontro da realidade de Deus presente no corpo e no sangue do Ressuscitado entre nós.”
Portanto, “as prescrições litúrgicas ditadas pela Igreja não são algo exterior, mas expressam concretamente esta realidade da revelação do corpo e sangue de Cristo e, desta forma, a oração revela a fé”.
Segundo o Bispo de Roma, “é necessário que, na liturgia, apareça de forma clara a dimensão transcendente, a dimensão do mistério do encontro com o Divino, que ilumina e eleva também a dimensão ‘horizontal’, isto é, o laço de comunhão e de solidariedade que se dá entre os que pertencem à Igreja”.
De fato, “quando prevalece esta última, não se compreende plenamente a beleza, a profundidade e a importância do mistério celebrado”.
O Papa deu este conselho aos fiéis de Roma, em particular aos seus sacerdotes: “Celebrai os divinos mistérios com uma participação interior intensa, para que os homens e mulheres da nossa cidade possam santificar-se, entrar em contato com Deus, verdade absoluta e amor eterno”.
E exortou os católicos de Roma a “prestar mais atenção, entre outras coisas com grupos litúrgicos, à preparação e celebração da Eucaristia, para que os que participam possam encontrar o Senhor. Cristo Ressuscitado se faz presente em nosso hoje e nos reúne ao seu redor”.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O misterioso matrimônio cristão

“É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a Igreja” (Ef 5,32). Mas também é grande o mistério do matrimônio cristão. Afinal, era sobre isso que Paulo falava: “Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher, e serão ambos uma só carne” (Ef 5,31, citando Gn 2,24).
Na Igreja, entre batizados, o matrimônio é um sacramento. E como todo sacramento, sinaliza e torna atual uma realidade transcendente, divina. No batismo, pela água, é significada e realizada a inserção da pessoa em Cristo, em sua morte e ressurreição, através de seu Corpo visível que é a Igreja. No matrimônio, pelo consentimento mútuo de amor dos esposos e sua promessa de fidelidade, é significada e realizada a união amorosa entre Cristo e a Igreja.
De fato: Deus amou o mundo antes mesmo de o criar; por isso criou, para comunicar seu amor. E comunicou definitivamente se fazendo homem, em Jesus Cristo, e amando até o fim, isto é, até a morte (cf. Ef 5,2; Fl 2,8). Este é o modelo de amor proposto ao homem: “Amai-vos uns aos outros, como eu [Jesus] vos amei” (Jo 13,34; 15,12). Amor até o fim, incondicional, que não busca benefícios para si, mas coloca o outro acima da própria vida.
Exigência utópica? Nem tanto. Não é tão raro encontrar esse tipo de amor na família, mesmo que em algumas circunstâncias apenas, porque o ser humano falha sempre. O matrimônio, instituição fundante da família, é o lugar da melhor vivência do amor ao próximo, lugar da partilha e da doação, onde só se ganha sendo os dois “uma só carne”, uma só vida. Morre o interesse individual (não o indivíduo) para dar lugar ao casal, a nova vida a dois. Quando um quer ganhar sozinho, os dois perdem. Quando um perde em vista do bem comum do casal, os dois ganham. Doam um ao outro tudo que têm e que são, psicológica, espiritual e fisicamente.
E o amor não se esgota no círculo fechado dos dois. Um amor total, como o de Deus, tende a transbordar. Busca o infinito. O próprio Deus, que é Amor, é Três, e ainda criou tudo o que existe para transbordar seu amor. No matrimônio, sinal desse amor, homem e mulher estão abertos a outras vidas, gerando-as inclusive. São, ainda mais, sinal do amor criador de Deus, coparticipantes do dom da criação. Os filhos são como que a coroa do matrimônio e ainda preventivo de um possível egoísmo a dois. O filho fruto do amor dos pais se torna o novo centro para o qual converge aquele amor-doação. Longe de diminuir o amor do casal, a paternidade responsável reforça aquele vínculo afetivo-espiritual que agora une três, fazendo da família um sinal da Trindade eterna. É como Cristo que ama a Igreja, pela qual se entregou, e a Igreja que gera e educa filhos para Deus: a missão da Igreja é a missão da família.
A falta desta consciência dos bens do matrimônio e de suas exigências é um dos motivos pelos quais os casamentos e a própria instituição familiar passa por dificuldades. Se esta formação é precária mesmo dentro da Igreja, onde o casamento não é mera formalidade mas sacramento, a tarefa dos casais de serem sinal do amor de Deus pelos homens torna-se ainda mais urgente. Para o bem da humanidade.

sábado, 12 de junho de 2010

Autoridade e hierarquia são serviço

Recordou o Papa na audiência geral de 26 de maio de 2010 (grifos meus):

"O que é realmente, para nós cristãos, a autoridade? As experiências culturais, políticas e históricas do passado recente, sobretudo as ditaduras na Europa do Leste e do Oeste no século XX, tornaram o homem contemporâneo suspeitoso em relação a este conceito. [...] Mas precisamente o olhar sobre os regimes que, no século passado, semearam terror e morte, recorda com vigor que a autoridade, em qualquer âmbito, quando é exercida sem uma referência ao Transcendente, se prescindir da Autoridade suprema, que é Deus, acaba inevitavelmente por se voltar contra o homem. É importante então reconhecer que a autoridade humana nunca é um fim, mas sempre e só um meio e que, necessariamente e em cada época, o fim é sempre a pessoa, criada por Deus com a própria intangível dignidade e chamada a realizar-se com o próprio Criador, no caminho terreno da existência e na vida eterna; é uma autoridade exercida na responsabilidade diante de Deus, do Criador. Uma autoridade tão intensa, que tenha como única finalidade servir o verdadeiro bem das pessoas e ser transparência do único Bem Supremo que é Deus, não só é alheia aos homens, mas, ao contrário, é uma preciosa ajuda no caminho para a plena realização em Cristo, rumo à salvação.
A Igreja está chamada e compromete-se a exercer este tipo de autoridade que é serviço, e exerce-a não em seu nome, mas no de Jesus Cristo, que do Pai recebeu todo o poder no Céu e na terra (cf. Mt 28, 18). De facto, através dos Pastores da Igreja Cristo apascenta a sua grei: é Ele quem a guia, protege e corrige, porque a ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, e os sacerdotes, seus mais preciosos colaboradores, participassem nesta sua missão de se ocupar do Povo de Deus, de ser educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã ou, como diz o Concílio, cuidassem "para que cada fiel seja levado, no Espírito Santo, a cultivar a própria vocação segundo o Evangelho, a uma caridade sincera e activa e à liberdade com que Cristo nos libertou" (Presbyterorum ordinis, 6). Portanto, cada Pastor é o meio através do qual o próprio Cristo ama os homens: é mediante o nosso ministério queridos sacerdotes é através de nós que o Senhor alcança as almas, as instrui, guarda e guia."

"Se esta tarefa pastoral se funda no Sacramento, contudo a sua eficácia não é independente da existência pessoal do presbítero. Para ser Pastor segundo o coração de Deus (cf. Jr 3, 15) é preciso um radicamento profundo na amizade viva com Cristo, não só da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma consciência clara da identidade recebida na Ordenação sacerdotal, uma disponibilidade incondicionada a conduzir o rebanho confiado aonde o Senhor quer e não na direcção que, aparentemente, parece mais conveniente ou mais fácil."

"Nos últimos decénios, utilizou-se muitas vezes o adjectivo "pastoral" quase em oposição ao conceito de "hierárquico", assim como, na mesma contraposição, foi interpretada também a ideia de "comunhão". Talvez seja este o ponto sobre o qual pode ser útil uma breve observação sobre a palavra "hierarquia", que é a designação tradicional da estrutura de autoridade sacramental na Igreja, ordenada segundo os três níveis do Sacramento da Ordem: episcopado, presbiterado, diaconado. Prevalece na opinião pública, para esta realidade "hierárquica", os elementos de subordinação e jurídico; por isso para muitos a ideia de hierarquia parece estar em contraste com a flexibilidade e com a vitalidade do sentido pastoral e também ser contrária à humildade do Evangelho. Mas este é um sentido da hierarquia compreendido mal, historicamente também causado por abusos de autoridade e por carreirismo, que são precisamente abusos e não derivam do ser próprio da realidade "hierárquica". A opinião comum é que "hierarquia" é sempre algo relacionado com o domínio e assim não correspondente ao verdadeiro sentido da Igreja, da unidade no amor de Cristo. Mas, como eu disse, esta é uma interpretação errada, que tem origem em abusos da história, mas não corresponde ao verdadeiro significado daquilo que é a hierarquia. Comecemos com a palavra. Geralmente, diz-se que o significado da palavra hierarquia seria "domínio sagrado", mas o verdadeiro significado não é este, é "origem sagrada", ou seja: esta autoridade não provém do próprio homem, mas tem origem no sagrado, no Sacramento; submete portanto a pessoa à vocação, ao mistério de Cristo; faz do indivíduo um servo de Cristo e só como servo de Cristo ele pode governar, guiar para Cristo e com Cristo. Por isso quem entra na Ordem sagrada do Sacramento, a "hierarquia", não é um autocrata, mas entra num vínculo novo de obediência a Cristo: está ligado a Ele em comunhão com os outros membros da Ordem sagrada, do Sacerdócio. E também o Papa ponto de referência de todos os outros Pastores e da comunhão da Igreja não pode fazer o que quiser; ao contrário, o Papa é guardião da obediência a Cristo, à sua palavra resumida na "regula fidei", no Credo da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e à sua Igreja. Hierarquia implica por conseguinte um tríplice vínculo: antes de tudo com Cristo e com a ordem dada pelo Senhor à sua Igreja; depois o vínculo com os outros Pastores na única comunhão da Igreja; e, por fim, o vínculo com os fiéis confiados a cada um, na ordem da Igreja."

"O modo de governar de Jesus não é o do domínio, mas é o serviço humilde e amoroso do Lava-pés, e a realeza de Cristo sobre o universo não é um triunfo terreno, mas encontra o seu ápice no madeiro da Cruz, que se torna juízo para o mundo e ponto de referência para a prática da autoridade, que seja verdadeira expressão da caridade pastoral."

texto na íntegra aqui.