sábado, 4 de junho de 2011

O ecumenismo católico


No início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é bom lembrar o que vem a ser o Ecumenismo para os católicos, curto e objetivo modo.
Dizia Pe. Estêvão Bettencourt, OSB (com grifos meus): “O Diálogo Ecumênico é a troca de proposições entre católicos, protestantes e ortodoxos que visa a dissipar mal-entendidos, esclarecer dúvidas e abrir o caminho para a aproximação entre os cristãos. Embora Jesus só tenha fundado uma Igreja, que Ele confiou a Pedro e seus sucessores (cf. Mt 16,16-19; Lc 22,31s; Jo 21,15-17), existem hoje centenas de denominações cristãs, que se multiplicam sempre mais e podem deixar perplexo o católico despreparado para encará-las.”
Só há diálogo “ecumênico” entre cristãos. A fé cristã é a que professa o Deus Uno e Trino, sendo Jesus, a Segunda Pessoa, o Cristo, Deus e homem. Com outras religiões pode haver diálogo inter-religioso, nunca ecumênico.

Jesus Cristo fundou a sua Igreja, e confiou-a a Pedro e seus sucessores, como narram os evangelhos. Esta única Igreja tem quatro notas características:
Unidade: a Igreja é uma por sua fonte, a Trindade, e por seu fundador, Cristo. Contudo, apresenta diversidade pela variedade de pessoas e de dons de Deus. Asseguram a unidade: a profissão de fé, o culto divino, a sucessão apostólica. Fora da unidade católica, existem muitos elementos de santificação e verdade, que provém do mesmo Cristo.
Santidade: A Igreja, sendo Corpo de Cristo, é perfeitamente santa. Unida a Ele, é santificada e santificante. Nos seus membros, a santidade está por ser adquirida. Na Igreja, os cristãos encontram a plenitude dos meios de salvação.
Catolicidade: Significa também sua unidade e universalidade. A Igreja é enviada em missão a todos os homens. Pela virtude de Cristo, em cada igreja particular legítima, está presente a Igreja Universal.
Apostolicidade: A Igreja é construída sobre os Apóstolos; conserva e transmite seu ensinamento e mantém a sucessão apostólica. Os apóstolos são a continuação visível e a garantia da missão de Cristo até o fim dos tempos.
O objetivo do ecumenismo católico é “reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só e única Igreja de Cristo” (UR 24). “Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, que se encontra, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica.” (LG 8)
A oração em comum visa que os cristãos descubram, guiados pelo Espírito Santo, o caminho de volta à única Igreja querida por Jesus.

Papa aos jovens: buscar o sentido da vida

Por Márcio Carvalho

“A juventude é um tempo que o Senhor vos dá, para poderdes descobrir o significado da vida!”, diz o papa aos mais de 50 mil jovens na vigília de oração na Croácia, em 4 de junho de 2011.

Como Jesus indagou aos primeiros discípulos, também pergunta a cada um hoje: “Que procurais?” (Jo 1, 38). “É Ele que vos procura, ainda antes de O procurardes vós! Respeitando plenamente a vossa liberdade, aproxima-Se de cada um de vós e propõe-Se a Si mesmo como a resposta autêntica e decisiva para aquele anseio que habita no vosso ser, para o desejo de uma vida que valha a pena ser vivida.” Jesus faz compreender que a felicidade que todos procuram “se realiza na amizade com Ele, na comunhão com Ele, porque fomos criados e salvos por amor e, só no amor – um amor que quer e procura o bem do outro”.
A mensagem do Evangelho não é ilusória, mas leva em conta as dificuldades da vida. “Jesus não é um Mestre que ilude os seus discípulos: diz claramente que caminhar com Ele requer o compromisso e o sacrifício pessoal”, adverte o papa. Sucesso fácil, vida de fachada, confiança nos bens materiais, são seduções que obscurecem a única verdade para a qual Cristo quer nos conduzir.
Como Maria e todos os santos, o jovem não deve ter medo de entregar todo o seu ser ao projeto de Deus.

Discurso na íntegra: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/june/documents/hf_ben-xvi_spe_20110604_veglia-croazia_po.html

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Batizai e ensinai! Estarei convosco!

Reflexão para o Domingo da Ascensão do Senhor


Mt 28,20 : “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo". (Veja também: 1ª leitura: At 1,1-11; Salmo 46; leitura: Ef 1,17-23; Evangelho: Mt 28,16-20).

Batizai e ensinai! Estarei convosco!
Os textos bíblicos desta solenidade da Ascensão do Senhor narram e nos convidam a uma imensa alegria pela partida de Jesus Cristo. Como puderam ficar alegres os discípulos com a partida do Senhor?
Os discípulos entendem que a subida do Ressuscitado ao céu não é uma despedida, não significa uma ausência. Os céus não significam o local onde Jesus foi se refugiar, mas sim a presença divina. Deus sempre está presente; tudo abarca na sua eternidade, acima, além, sem os limites de espaço e de tempo. E é nesta forma de presença que Jesus, o Filho de Deus feito homem, foi assumido pelo Pai.
A alegria dos discípulos é a de entender que, uma vez “assentado à direita do Pai”, aquele com quem conviveram nunca mais estaria ausente. A nova forma de estar presente foi inaugurada: o homem pode entrar na eternidade de Deus. Definitivamente, quando ultrapassarmos os limites da vida biológica e formos assumidos pelo Pai, como Jesus o foi. Desde já, quando somos assumidos pela Trindade no nosso batismo e passamos a fazer parte de Cristo, da Igreja, da qual ele é a Cabeça e presença real até o fim do mundo.

Márcio Carvalho da Silva

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desabafo litúrgico

Recebi por email e encontrei o original em http://julianoribeiro.blogspot.com/
É muito bom quando essa atitude vem dos principais responsáveis pela liturgia. Isso prova que o novo movimento litúrgico está em curso e produzindo frutos.


"Juliano Ribeiro Almeida, presbítero diocesano
Sem querer ser um rubricista fanático ou um fundamentalista ultrapassado, aponto aqui umas impressões que tenho tido sobre abusos litúrgicos, alguns dos quais insistentemente corrigidos pela Santa Sé, que persistem por entre nossas comunidades:
1) o monte de "coisas" que acrescentam-se ao rito da Missa - os tradicionais "parabéns pra você", as homenagens exageradas e voluntaristas, os "avisos paroquiais" maiores que homilia, os "pitos" passados pelo padre;
2) as insistentes procissões que são inventadas a cada dia: a de entrada do lecionário, as entradas de bugingangas no canto de preparação das oferendas que ofuscam o pão e o vinho;
3) os cartazes pregados por todo canto como se a igreja fosse muro ou praça pública;
4) as mesinhas para tanta coisa (mesa para vela, mesa para imagem, para cruz, para livro litúrgico, para a bíblia etc) congestionando o espaço litúrgico;
5) os excessos de pano na igreja, espalhados sobre o altar, o ambão, a credência, as outras mesinhas e suportes; os babados, os laços, as cortinas, as rendas baratíssimas;
6) as toalhas imensas que escondem o altar ao invés de orná-lo, as toalhas cheias de pinturas chamativas ao invés de sóbrios símbolos eucarísticos;
7) as flores de plástico, os crucifixos feitos de materiais sem qualidade, as imagens de santos amarradas com terços e fitinhas;
8) as capinhas para leitores - os mesmos padres que vão tirando cada vez mais suas próprias (e necessárias) vestes litúrgicas (como amito, cíngulo, casula, capa etc) vão enchendo os leigos de mais vestes paralitúrgicas, cada vez maiores e mais coloridas;
9) a repetição de imagens pela mesma igreja: crucifixo na parede mais crucifixo no altar e mais cruz processional; 3, 4 imagens do padroeiro uma ao lado da outra; várias "nossas senhoras" uma ao lado da outra;
10) a "regra" que diz que é proibido colocar as velas sobre o altar - e que cria a necessidade de "suportes" para velas, verdadeiras estantes, quase outros altares só para colocar a vela
11) a insistência em colocar apenas uma pobre vela junto do altar, quando o Missal manda colocar 6 ou, se não for possível, ao menos 2;
12) a multiplicidade de cores de velas: vela vermelha, vela verde etc, sendo que vela de verdade é na cor natural da cera virgem;
13) as alfaias feitas de pano que simplesmente não enxugam nada, com pintura que endurecem o tecido;
14) a mania de o padre mudar as orações da missa, omitir ou acrescentar, a todo momento, inventar variações por conta própria, pedir para o povo dizer junto o que compete a ele dizer;
15) as homilias que falam de vários assuntos (pastorais, políticos, sociais, psicológicos etc) ao invés de explicar as leituras bíblicas e de amparar-se no catecismo da Igreja para a explicação do mistério celebrado;
16) a forma desrespeitosa de se lidar com os objetos litúrgicos (vasos sagrados, cruz, turíbulo etc); pior ainda é o descaso no transporte e distribuição da santa Eucaristia...;
17) a substituição dos vasos sagrados dignos, exigidos pela Igreja para a Missa, por meras "vasilhinhas", "tacinhas", "potes" (que levarão o Corpo de Deus!);
18) os sacrários feitos de qualquer jeito, sem decoro ou dignidade, que não inspiram respeito e que o povo "passa a mão" à vontade; também as lâmpadas de sacrário que têm em vista apenas o aspecto prático;
19) as entradas de tantas parafernálias na celebração do Matrimônio (damas disso, damas daquilo, que jogam pétalas, entram com bíblia, com imagem, com presentinhos etc...), os vários "padrinhos", que nem existem oficialmente (o que existem são testemunhas);
20) as músicas que fogem completamente do que é EXIGIDO pela Igreja para serem litúrgicas; a utilização de músicas tipicamente protestantes nas celebrações; as paródias (missas sertanejas etc); a utilização de músicas profanas dentro da liturgia... (isso sem falar da falta de formação técnica e pastoral dos músicos, da falta de ensaio e preparação etc);
21) a comunhão recebida pelo fiel com os dedos "em pinça"; a contrariedade do fiel em receber a comunhão na boca quando as circunstâncias exigem; o persistente erro litúrgico da comunhão sob duas espécies como é feita na diocese de Cachoeiro de Itapemirim (o próprio fiel fazendo a intição do Corpo no Sangue de Cristo)...
22) as músicas longuíssimas de "saudação da paz" e o costume de fazer uma verdadeira bagunça nesse rito (quebrando o clima de oração para cumprimentar dezenas de pessoas pela igreja), sendo que esse gesto deveria ser discreto e rápido, pela ênfase que se deve dar ao "Cordeiro de Deus" que vem em seguida;
23) o costume de o povo dizer, junto com o padre, os nomes das Pessoas trinitárias enquanto se faz o sinal da cruz, tanto no início como no fim das celebrações (o correto é o povo dizer somente o "amém" ao final);
24) o costume de o fiel estender a mão direita em direção ao pão no momento da consagração eucarística, gesto reservado aos sacerdotes concelebrantes (pior ainda é quando o fiel também pronuncia as palavras da consagração!);
... (Esse texto está ainda em construção... Envie suas sugestões de acréscimos para o meu email julianorial@gmail.com)"

A situação atual da liturgia e a reforma de Bento XVI

Dom Henrique Soares, bispo auxiliar de Aracaju, fala sobre a situação atual da liturgia e sobre a reforma litúrgica em curso por Bento XVI. Entrevista concedida no programa Escola da Fé, da TV Canção Nova, em 05 de maio de 2011. Vale a pena cada segundo!



Uma nova mentalidade litúrgica está surgindo, purificada dos abusos!

sábado, 14 de maio de 2011

Lançamento: livro Reflexões para o Ano Litúrgico. Anos A, B e C - PAPA JOAO PAULO II

Livro: Reflexões para o Ano Litúrgico
Anos A, B e C.


Beato João Paulo II, Papa


Uma coletânea de reflexões e homilias para os principais domingos e festas do ano litúrgico, divididas pelos ciclos A, B e C. Com estes textos do saudoso Papa Beato João Paulo II percorremos a Palavra de Deus através das profundas reflexões deste homem de oração.
Publicação autorizada pela Libreria Editrice Vaticana, © 2011.

14x21cm - 220 páginas






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sábado, 7 de maio de 2011

O Papa e a reforma litúrgica

Frases do discurso aos membros do Pontifício Instituto Litúrgico S. Anselmo:

“A Liturgia da Igreja vai além da própria ‘reforma conciliar’, cujo objetivo, de fato, não era principalmente o de mudar os ritos e gestos, mas sim renovar as mentalidades e colocar no centro da vida cristã e da pastoral a celebração do mistério pascal de Cristo”.

“Infelizmente, talvez, também pelos pastores e especialistas, a liturgia foi tomada mais como um objeto a reformar que como um sujeito capaz de renovar a vida cristã”

“Não raro, contrapõe-se, de maneira desajeitada, tradição e progresso. Na verdade, os dois conceitos estão integrados: tradição é uma realidade viva, que por isso inclui em si o princípio do desenvolvimento, do progresso"