segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A contracepção segundo a Humanae Vitae

CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE O PAPA PAULO VI
SOBRE A REGULAÇÃO DA NATALIDADE
I. ASPECTOS NOVOS DO PROBLEMA E COMPETÊNCIA DO MAGISTÉRIO
Visão nova do problema
2. rápido desenvolvimento demográfico. as condições de trabalho e de habitação.
maneira de considerar a pessoa da mulher e o seu lugar na sociedade.
domínio e organização racional das forças da natureza: ao corpo, à vida psíquica, à vida social e até mesmo às leis que regulam a transmissão da vida.
II. PRINCÍPIOS DOUTRINAIS 
Uma visão global do homem
7. qualquer problema que diga respeito à vida humana, deve ser considerado numa perspectiva que transcenda as vistas parciais - sejam elas de ordem biológica, psicológica, demográfica ou sociológica - à luz da visão integral do homem e da sua vocação, não só natural e terrena, mas também sobrenatural e eterna.
O amor conjugal
8. O amor conjugal exprime a sua verdadeira natureza e nobreza, quando se considera na sua fonte suprema, Deus que é Amor (6), "o Pai, do qual toda a paternidade nos céus e na terra toma o nome".(7)
AS CARACTERÍSTICAS DO AMOR CONJUGAL
9. É, antes de mais, um amor plenamente humano, quer dizer, ao mesmo tempo espiritual e sensível. Não é, portanto, um simples ímpeto do instinto ou do sentimento; mas é também, e principalmente, ato da vontade livre, destinado a manter-se e a crescer, mediante as alegrias e as dores da vida cotidiana.
É depois, um amor total, quer dizer, uma forma muito especial de amizade pessoal, em que os esposos generosamente compartilham todas as coisas, sem reservas indevidas e sem cálculos egoístas. Quem ama verdadeiramente o próprio consorte, não o ama somente por aquilo que dele recebe, mas por ele mesmo, por poder enriquecê-lo com o dom de si próprio.
É, ainda, amor fiel e exclusivo, até à morte. Assim o concebem, efetivamente, o esposo e a esposa no dia em que assumem, livremente e com plena consciência, o compromisso do vínculo matrimonial.
É, finalmente, amor fecundo que não se esgota na comunhão entre os cônjuges, mas que está destinado a continuar-se, suscitando novas vidas.
10. Sendo assim, o amor conjugal requer nos esposos uma consciência da sua missão de "paternidade responsável".
Em relação com os processos biológicos, paternidade responsável significa conhecimento e respeito pelas suas funções: leis biológicas que fazem parte da pessoa humana (9).
Em relação às tendências do instinto e das paixões, a paternidade responsável significa o necessário domínio que a razão e a vontade devem exercer sobre elas.
Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.
O exercício responsável da paternidade implica, portanto, que os cônjuges reconheçam plenamente os próprios deveres, para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.
Na missão de transmitir a vida, eles não são, portanto, livres para procederem a seu próprio bel-prazer, como se pudessem determinar, de maneira absolutamente autônoma, as vias honestas a seguir, mas devem, sim, conformar o seu agir com a intenção criadora de Deus, expressa na própria natureza do matrimônio e dos seus atos e manifestada pelo ensino constante da Igreja (10).
Respeitar a natureza e a finalidade do ato matrimonial
11. Estes atos, com os quais os esposos se unem em casta intimidade e através dos quais se transmite a vida humana, são, como recordou o recente Concílio, "honestos e dignos" (11); e não deixam de ser legítimos se, por causas independentes da vontade dos cônjuges, se prevê que vão ser infecundos, pois que permanecem destinados a exprimir e a consolidar a sua união. De fato, como o atesta a experiência, não se segue sempre uma nova vida a cada um dos atos conjugais. Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade, que já por si mesmos distanciam o suceder-se dos nascimentos. Mas, chamando a atenção dos homens para a observância das normas da lei natural, interpretada pela sua doutrina constante, a Igreja ensina que qualquer ato matrimonial deve permanecer aberto à transmissão da vida(12).
Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação
12. Esta doutrina, muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador.
Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.
Fidelidade ao desígnio divino
13. Em boa verdade, justamente se faz notar que um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge, sem consideração pelas suas condições e pelos seus desejos legítimos, não é um verdadeiro ato de amor e nega, por isso mesmo, uma exigência da reta ordem moral, nas relações entre os esposos. Assim, quem refletir bem, deverá reconhecer de igual modo que um ato de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana. Usar deste dom divino, destruindo o seu significado e a sua finalidade, ainda que só parcialmente, é estar em contradição com a natureza do homem, bem como com a da mulher e da sua relação mais íntima; e, por conseguinte, é estar em contradição com o plano de Deus e com a sua vontade. Pelo contrário, usufruir do dom do amor conjugal, respeitando as leis do processo generativo, significa reconhecer-se não árbitros das fontes da vida humana, mas tão somente administradores dos desígnios estabelecidos pelo Criador.
Vias ilícitas para a regulação dos nascimentos
14. o aborto querido diretamente e procurado, mesmo por razões terapêuticas (14).
a esterilização direta, quer perpétua quer temporária, tanto do homem como da mulher.(15)
É, ainda, de excluir toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação (16).
Não se podem invocar, como razões válidas, para a justificação dos atos conjugais tornados intencionalmente infecundos, o mal menor. Na verdade, se é lícito, algumas vezes, tolerar o mal menor para evitar um mal maior, ou para promover um bem superior (17), nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem (18); mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais.
Liceidade dos meios terapêuticos
15. A Igreja, por outro lado, não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente. (19)
Liceidade do recurso aos períodos infecundos
16. objeta-se hoje que é prerrogativa da inteligência humana dominar as energias proporcionadas pela natureza irracional e orientá-las para um fim conforme com o bem do homem. Ora, sendo assim, perguntam-se alguns, se atualmente não será talvez razoável em muitas circunstâncias recorrer à regulação artificial dos nascimentos, uma vez que, com isso, se obtém a harmonia e a tranqüilidade da família e melhores condições para a educação dos filhos já nascidos.
Se, portanto, existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade, sem ofender os princípios morais que acabamos de recordar (20).
A Igreja é coerente consigo própria, quando assim considera lícito o recurso aos períodos infecundos, ao mesmo tempo que condena sempre como ilícito o uso dos meios diretamente contrários à fecundação, mesmo que tal uso seja inspirado em razões que podem aparecer honestas e sérias. Na realidade, entre os dois casos existe uma diferença essencial: no primeiro, os cônjuges usufruem legitimamente de uma disposição natural; enquanto que no segundo, eles impedem o desenvolvimento dos processos naturais. É verdade que em ambos os casos os cônjuges estão de acordo na vontade positiva de evitar a prole, por razões plausíveis, procurando ter a segurança de que ela não virá; mas, é verdade também que, somente no primeiro caso eles sabem renunciar ao uso do matrimônio nos períodos fecundos, quando, por motivos justos, a procriação não é desejável, dele usando depois nos períodos agenésicos, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua.
Graves conseqüências dos métodos de regulação artificial da natalidade
17. Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens - os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto - precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância. É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.
Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal.
III. DIRETIVAS PASTORAIS
Domínio de si mesmo
21. Uma prática honesta da regulação da natalidade exige, acima de tudo, que os esposos adquiram sólidas convicções acerca dos valores da vida e da família e que tendam a alcançar um perfeito domínio de si mesmos. O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre, impõe, indubitavelmente, uma ascese, para que as manifestações afetivas da vida conjugal sejam conformes com a ordem reta e, em particular, concretiza-se essa ascese na observância da continência periódica. Mas, esta disciplina, própria da pureza dos esposos, longe de ser nociva ao amor conjugal, confere-lhe pelo contrário um valor humano bem mais elevado. Requer um esforço contínuo, mas, graças ao seu benéfico influxo, os cônjuges desenvolvem integralmente a sua personalidade, enriquecendo-se de valores espirituais: ela acarreta à vida familiar frutos de serenidade e de paz e facilita a solução de outros problemas; favorece as atenções dos cônjuges, um para com o outro, ajuda-os a extirpar o egoísmo, inimigo do verdadeiro amor e enraíza-os no seu sentido de responsabilidade no cumprimento de seus deveres.
Criar um ambiente favorável à castidade
22. Tudo aquilo que nos modernos meios de comunicação social leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, bem como todas as formas de pornografia ou de espetáculos licenciosos, devem suscitar a reação franca e unânime de todas as pessoas solícitas pelo progresso da civilização e pela defesa dos bens do espírito humano.
APELO AOS GOVERNANTES
23. Existe uma outra via, pela qual os Poderes públicos podem e devem contribuir para a solução do problema demográfico: é a via de uma política familiar providente, de uma sábia educação das populações, que respeite a lei moral e a liberdade dos cidadãos.
AOS HOMENS DE CIÊNCIA
24. a ciência médica consiga fornecer uma base suficientemente segura para a regulação dos nascimentos, fundada na observância dos ritmos naturais. (29)
AOS ESPOSOS CRISTÃOS
25. implorem com oração perseverante o auxílio divino; abeirem-se, sobretudo pela Santíssima Eucaristia, da Penitência.
APOSTOLADO NOS LARES
26. os cônjuges mesmos, comunicar a outros a sua experiência.
AOS MÉDICOS E AO PESSOAL SANITÁRIO
AOS SACERDOTES
28. A vossa primeira tarefa - especialmente para os que ensinam a teologia moral - é expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio. Sede, pois, os primeiros a dar exemplo, no exercício do vosso ministério, de leal acatamento, interno e externo, do Magistério da Igreja. Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no do dogma, todos se atenham ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem. Por isso, com toda a nossa alma, vos repetimos o apelo do grande Apóstolo São Paulo: "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos o mesmo e que entre vós não haja divisões, mas que estejais todos unidos, no mesmo espírito e no mesmo parecer".(40)
29. Não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo é forma de caridade eminente para com as almas. Mas, isso deve andar sempre acompanhado também de paciência e de bondade, de que o mesmo Senhor deu o exemplo, ao tratar com os homens. Tendo vindo para salvar e não para julgar,(41) Ele foi intransigente com o mal, mas misericordioso para com os homens.
AOS BISPOS
30. uma ação pastoral coordenada, em todos os campos da atividade humana, econômica, cultural e social.
Dada em Roma, junto de São Pedro, na Festa de São Tiago Apóstolo, 25 de julho do ano de 1968, sexto do nosso pontificado.
PAULUS PP. VI


DSI - 234 O juízo acerca do intervalo entre os nascimentos e o número dos filhos a procriar
compete somente aos esposos. Este é um seu direito inalienável, a ser exercitado diante
de Deus, considerando os deveres para consigo mesmos, para com os filhos já nascidos,
a família e a sociedade[528]. A intervenção dos poderes públicos, no âmbito das suas
competências, para a difusão de uma informação apropriada e a adoção de medidas
oportunas em campo demográfico, deve ser efetuada no respeito das pessoas e da
liberdade dos casais: ninguém os pode substituir nas suas opções[529]; tampouco o
podem fazer as várias organizações que atuam neste setor.
 [528]Cf. Concílio Vaticano II, Const. apost. Gaudium et spes, 50: AAS 58 (1966) 1070-
1072; Catecismo da Igreja Católica, 2368; Paulo VI, Carta encicl. Populorum
progressio, 37: AAS 59 (1967) 275-276.
[529]Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2372.


domingo, 18 de setembro de 2011

Catechesi Tradendae - resumo esquemático

Vaticano II – “O grande catecismo dos tempos modernos” – Paulo VI
O Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um « Diretório para a instrução catequética do povo ». (CD 44)
Diretório Geral da Catequese –                         Congr. Clero, Paulo VI -   18/03/71[1]
I Congresso Internacional de Catequese -                                                   25/09/71
Conselho Internacional da Catequese –             Paulo VI -                         1975
Ex. Ap. Evangelii Nuntiandi -                           Paulo VI -                         1976
IV Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos – Paulo VI -                         out/1977
(tema Catequese, sobretudo à crianças e jovens)

Catechesi Tradendae –                              João Paulo II –                  16/10/79
Consolidar os bons frutos do Sínodo, nos aspectos mais atuais e decisivos. Iniciado por João Paulo I.

Catequese: uma das tarefas primordiais da Igreja, segundo a ordem de Cristo de fazer discípulos de todas as nações e ensinar-lhes a observar tudo aquilo que lhes tinha mandado.

I. NÓS TEMOS UM ÚNICO MESTRE, JESUS CRISTO

 Pôr em comunhão com a Pessoa de Cristo
cristocentrismo de toda a catequese autêntica. a Pessoa de Jesus de Nazaré e «o Mistério de Cristo».
Transmitir a doutrina de Cristo
Os ensinamentos de Jesus Cristo, a Verdade que Ele comunica, ou, mais exactamente, a Verdade que Ele é.
O catequista não há-de procurar inculcar as suas opiniões e opções pessoais
Cristo que ensina
O único «Mestre»
Cristo ensina com toda a sua vida

II. UMA EXPERIÊNCIA TÃO ANTIGA COMO A IGREJA

A Missão dos Apóstolos
A catequese nos tempos apostólicos - O seu múnus de ensinar transmitem-no aos seus sucessores. Cartas, Evangelhos, ensinamento oral, reflectem uma estrutura catequética.
Os Padres da Igreja e a catequese - Bispos e Pastores, consideram como parte importante do seu ministério episcopal proferir instruções ou escrever tratados catequéticos.
A partir dos Concílios e da actividade missionária - O Concílio de Trento deu prioridade à catequese; «Catecismo Romano»
A catequese: direito e dever da Igreja -
Dever: originado numa ordem do Senhor
Direito: todos os baptizados, têm direito a receber da Igreja um ensino e uma formação; direito a procurar a verdade religiosa
Uma tarefa prioritária - consolidação da sua vida interna como comunidade de fiéis
Consagrar à catequese os seus melhores recursos de pessoal e de energias, sem se poupar a esforços
Responsabilidade comum e diferenciada - toda a Igreja se deve sentir e mostrar responsável.
Renovação contínua e equilibrada - renovação contínua, mesmo em certo alargamento do seu próprio conceito, nos seus métodos, na busca de uma linguagem adaptada e na técnica dos novos meios para a transmissão da mensagem.
repetição rotineira e improvisação inconsiderada são igualmente perigosas

III. A CATEQUESE NA ACTIVIDADE PASTORAL E MISSIONÁRIA DA IGREJA

A catequese: uma fase da evangelização - nunca pode ser dissociada do conjunto das actividades pastorais e missionárias da Igreja.
Catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã.
O primeiro anúncio do Evangelho para suscitar a fé; a apologética; a experiência da vida cristã; a celebração dos Sacramentos; a integração na comunidade eclesial; e o testemunho apostólico e missionário.
Catequese e primeiro anúncio do Evangelho - fazer amadurecer a fé inicial; conhecimento mais aprofundado e sistemático
Finalidade específica da catequese - desenvolver a inteligência do mistério de Cristo
Necessidade de uma catequese sistemática - que se concentre no essencial; ensino suficientemente completo; iniciação cristã integral, vida pessoal, familiar e social ou eclesial
Catequese e experiência vital - Ortopraxis e ortodoxia
Ninguém pode alcançar a verdade integral mediante uma simples experiência privada
Catequese e Sacramentos - É nos Sacramentos que Cristo Jesus age em plenitude na transformação dos homens. Toda a catequese leva necessariamente aos Sacramentos da fé
A autêntica prática dos Sacramentos tem um aspecto catequético
Catequese e comunidade eclesial - a comunidade eclesial, a todos os níveis, tem a responsabilidade de prover à formação dos próprios membros; acolher num meio ambiente em que possam viver o mais plenamente possível aquilo que aprenderam; dar testemunho da sua fé, transmiti-la aos filhos, dá-la a conhecer a outros
Necessidade da catequese no sentido lato, para a maturação e o vigor da fé

IV. TODA A BOA NOVA COLHIDA NA FONTE

O conteúdo da Mensagem - a Boa Nova da Salvação
A fonte - Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura
O Credo: expressão doutrinal privilegiada - síntese da fé da Igreja
Elementos a nunca transcurar - o que de Deus se pode conhecer;
O mistério do Verbo de Deus feito homem, a salvação pela Páscoa, sacramentos da sua presença permanente no meio de nós.
Se torne bem patente este sacramento da presença de Cristo que é o Mistério da Igreja
explicar que a história dos homens, já uma certa prefiguração do mundo que há-de vir
exigências morais e pessoais requeridas pelo Evangelho
Integridade do conteúdo - não mutilada, falsificada ou diminuída. Nenhum catequista autêntico poderia legitimamente fazer, a seu próprio arbítrio, uma selecção no depósito da fé
Servir-se de métodos pedagógicos adaptados
Dimensão ecuménica da catequese
A catequese terá, pois, uma dimensão ecuménica sempre que, sem deixar de ensinar que a plenitude das verdades reveladas e dos meios de salvação instituídos por Cristo que se mantém na Igreja, fizer tal ensino com sincero respeito em palavras e obras
Colaboração ecuménica no domínio da catequese
é por sua natureza limitada: nunca poderá significar uma «redução» a um mínimo comum
Problemas dos manuais que apresentam as diversas religiões
Uma apresentação objectiva dos factos históricos, das várias religiões e das diversas confissões cristãs, poderá contribuir até para melhor compreensão recíproca
esses manuais não poderão, evidentemente, ser considerados como obras catequéticas

V. TODOS PRECISAM DE SER CATEQUIZADOS

A importância das crianças e dos jovens
Na primeira infância - recebem dos pais e do meio ambiente familiar os primeiros elementos da catequese. Simples revelação do Pai celeste, bom e providente.
Início de um diálogo amoroso com esse Deus
Crianças - introduzir as crianças de modo orgânico na vida da Igreja, e a prepará-las para a celebração dos Sacramentos
Adolescentes - levar o adolescente a uma revisão da sua própria vida e ao diálogo
A apresentação de Jesus Cristo como modelo ideal capaz de provocar admiração e arrastar à imitação; resposta aos problemas fundamentais
Jovens - uma catequese que denuncie o egoísmo apelando para a generosidade,
o sentido cristão do trabalho, do bem comum, da justiça e da caridade, promoção da dignidade humana
Adaptação da catequese aos jovens - traduzir, com paciência e sabedoria, a mensagem de Jesus, sem a trair
Deficientes - têm direito, como quaisquer outros da sua idade, a conhecer o «mistério da fé»
Jovens religiosamente sem apoio
Adultos - a fé destes, portanto, tem de ser continuamente esclarecida, estimulada e renovada, a fim de impregnar as realidades temporais desse mundo por que eles são os responsáveis.
Quase catecúmenos - nascidos e educados em regiões ainda não cristianizadas; se afastaram de toda a prática religiosa; nunca foram educados na sua fé
Catequeses diversificadas e complementares

VI. ALGUMAS VIAS E MEIOS PARA A CATEQUESE

Meios de comunicação social - conjugar bem uma expressão estética de valor com uma rigorosa fidelidade ao Magistério
Múltiplos lugares, movimentos ou reuniões a valorizar - movimentos de grande alcance; peregrinações; missões tradicionais; círculos bíblicos; comunidades eclesiais de base; agrupamentos de jovens;
A homilia - pedagogia da fé tem a sua fonte e o seu complemento final na Eucaristia
Livros catequéticos - que sejam adaptados à vida concreta da geração a que são destinados
sejam a expressão de toda a mensagem de Cristo e da sua Igreja

VII. COMO DAR A CATEQUESE

Diversidade dos métodos
Ao serviço da Revelação e da conversão - a Revelação tal como a transmite o Magistério universal da Igreja, na sua forma solene ou ordinária.
Encarnação da mensagem nas culturas - por um lado, a Mensagem evangélica não é isolável pura e simplesmente da cultura em que primeiramente se inseriu;
por outro lado, a força do Evangelho por toda a parte é transformadora e regeneradora
Contribuição das devoções populares - sua base deva ser purificada, ou mesmo rectificada, sob muitos aspectos; se bem utilizados, poderiam perfeitamente servir para fazer progredir e aperfeiçoar o conhecimento do mistério de Cristo ou da sua mensagem
Memorização - O essencial é que os textos memorizados sejam também interiorizados, compreendidos pouco a pouco na sua profundidade

VIII. A ALEGRIA DA FÉ NUM MUNDO DIFÍCIL

Afirmar a identidade cristã
Num mundo indiferente
Com a pedagogia original da fé - trata-se de comunicar na sua integridade a Revelação de Deus
Linguagem adaptada ao serviço do Credo
Investigação e certeza da fé - a fé é firme fundamento daquilo que se espera e demonstração de realidades que não se vêem
Catequese e teologia - os teólogos e exegetas têm o dever de estar muito atentos para procederem de tal maneira que não se tomem como verdades certas aquelas coisas que ainda são questões de opinião ou de disputa entre peritos
não perturbarem o espírito das crianças e dos jovens, nesta fase da sua catequese, com teorias peregrinas, vãos problemas ou discussões estéreis

IX. A TAREFA DIZ RESPEITO A TODOS NÓS

Encorajamento a todos os responsáveis
Bispos
Sacerdotes
Religiosos e Religiosas
Catequistas leigos
Na paróquia - lugar privilegiado da catequese
Na família - testemunho de vida cristã muitas vezes silencioso
Na escola
Nas associações e movimentos
Institutos de formação

CONCLUSÃO

O Espírito Santo, Mestre interior - Ele ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que eu vos disse.
«Quando vier o Espírito da Verdade, ele guiar-vos-á por toda a verdade..., e anunciar-vos-á as coisas vindouras».
A Igreja, ao realizar a sua missão de catequizar deve estar bem consciente de agir como instrumento vivo e dócil do Espírito Santo.
A «renovação no Espírito», efectivamente, será autêntica e terá na Igreja verdadeira fecundidade, não tanto na medida em que ela suscitar carismas extraordinários, mas na medida em que levar o maior número de fiéis, pelos caminhos da vida de todos os dias, ao esforço humilde, paciente e perseverante de conhecerem cada vez melhor o mistério de Cristo e darem testemunho dele.
Maria, mãe e modelo do discípulo - Viu o seu Filho Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça»


[1] A nova redação do Diretório Geral para a Catequese (1997) teve que balancear duas exigências principais: de um lado, a contextualização da catequese na evangelização, postulada pelas Exortações Evangelii Nuntiandi e Catechesi Tradendae; por outro lado, a assunção dos conteúdos da fé propostos pelo Catecismo da Igreja Católica.

sábado, 17 de setembro de 2011

Limite da responsabilidade dos bispos sobre os presbíteros

Cf. Nota explicativa do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, de 12 de fevereiro de 2004, sobre os limites de responsabilidade canônica do bispo diocesano em relação aos presbíteros incardinados em sua diocese.

Entre o bispo diocesano e seus presbíteros existe uma comunhão no Sacramento da Ordem, pelo qual ambos participam do único sacerdócio de Cristo. Do ponto de vista jurídico, essa relação não pode ser reduzida à relação de subordinação hierárquica nem à relação de emprego.
A subordinação do presbítero ao bispo diocesano se limita ao âmbito do exercício do ministério próprio dos presbíteros. Estes gozam de legítima iniciativa e de uma justa autonomia. A obediência hierárquica assumida pelos presbíteros está vinculada com a diocese, não com a pessoa física do bispo.
O bispo tem o dever do cuidado e da vigilância sobre os presbíteros, somente no âmbitos dos deveres gerais do estado próprio e do ministério dos presbíteros. Cabe ainda ao bispo conferir um ofício ou ministério ao presbítero. O responsável direto por esse ofício, porém, é seu titular, não aquele que o conferiu.
O presbítero responde pessoalmente por seus atos, não podendo o bispo ser considerado responsável pela vida privada dos presbíteros. O bispo poderá eventualmente ser responsabilizado somente nas condições de negligência das normas canônicas e se não tomar as devidas providências quando do conhecimentos de atos irregulares.

"Preciosidades" de Lutero

Carta aos Príncipes da Saxônia sobre o Espírito Revoltoso

A carta é um alerta de Lutero aos príncipes contra as consequências de uma possível revolta iniciada em Allstedt. Considera-se servidor da palavra de Deus e seus opositores, do diabo. Este está em constante luta contra a palavra de Deus desde os primórdios: primeiro através dos judeus e gentios, depois pelos hereges e seitas e, por último, pelo papa, o “derradeiro e mais poderoso anticristo”.
O diabo fez seu ninho em Allstedt; lá que dizem (arrogantemente, segundo Lutero) ouvir o próprio Deus. Lutero, por sua vez, tem o espírito certo [modesto, não?], embora pobre pecador.
Lutero alerta e pede ao príncipe que se antecipe à rebelião e faça uso da “espada confiada”, se necessário. Concede que os deixe pregar livremente para que a palavra de Deus continue em luta.



Posicionamento do Dr. Martinho Lutero sobre o Livrinho Contra os Camponeses Assaltantes e Assassinos

Lutero havia aprovado e mandado a matança dos camponeses, por isso foi alvo de muitos comentários negativos. Em sua defesa, argumenta que o rebelde quer atacar e suprimir a autoridade e é dever dos súditos proteger seu cabeça para preservar a autoridade. Após admoestação e orientação, o rebelde insistente deve ser deixado na inclemência.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aceitar e transformar a vida

Reflexão para o 22º Domingo do Tempo Comum - Ano A


Mt 16,26: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?” (Veja também: 1ª leitura: Jr 20,7-9; Salmo 63; leitura: Rm 12,1-2; Evangelho: Mt 16,21-27).

 Aceitar e transformar a vida
 
Como os Apóstolos e primeiros discípulos de Jesus, os discípulos de todos os tempos percorrem uma caminhada de crescimento na fé, que não é automática. Há momentos em que as dificuldades e sofrimentos do dia a dia nos fazem perder de vista o alvo de nossa vida, qual o plano de Deus para o ser humano.
Na caminhada dos discípulos, que parte da conversão e passa pela instrução, chega um momento de maturidade na fé em que se pode professar com segurança a identidade real de Jesus: o Cristo, Messias, o Filho do Deus vivo. Pedro foi o primeiro a reconhecer isto, o que lhe rendeu a confiança e a delegação de poder por Jesus sobre a Igreja que ele funda. Restava ainda aos discípulos reconhecer como Jesus haveria de concluir sua missão.
Neste relato Jesus anuncia pela primeira seu sofrimento próximo e sua morte. Explica que assim era necessário. Tomado de sentimentos pelo Mestre, o Apóstolo não admite que Ele sofra e teme perdê-lo. Uma visão ainda muito estreita, que não vê mais que o bem estar passageiro, que não entende a inevitabilidade do sofrimento e da morte.
Com a ressurreição de Jesus, a compreensão fica mais fácil. Compreendemos que há algo mais esta vida frágil que conhecemos. Este é o sentido da renúncia da vida que Jesus fala: renunciar a esta vida, a este mundo, para ganhar a vida verdadeira, que não tem fim. Este é o culto espiritual, recomendado por São Paulo: oferecer a vida, transformada, uma nova maneira de pensar e julgar, tendo em vista não a recompensas, mas a vida verdadeira que alcançaremos, pela graça de Deus.


Márcio Carvalho da Silva

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os cantos da tradição

Bela iniciativa da revista 30dias:

Os cantos gregorianos mais simples que os fiéis são convidados a aprender e cantar segundo a intenção da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia

CD e Pdf área download
Os cantos gregorianos mais simples

"A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar."
Concílio Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrossanctum Concilium, n. 116

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Verdadeiro alento aos que se acham desolados com a Igreja

Apesar do estranho título, quero basear minha reflexão no artigo publicado no Correio do Brasil de 15/08/2011, online. Este quer dar a entender que a Igreja Católica está "num inverno rigoroso", isto é, sem verdadeiros fiéis com "políticas" que favorecem uma emigração na Igreja. Conclui que o cristianismo deve ser um "caminho espiritual" apesar da(s) Igreja(s).
O foco do ataque é o atual Papa Bento XVI. E não é para menos.

Há quem queira pensar um cristianismo sem a Igreja ou uma fé desinstitucionalizada. Bento XVI, comprometido com a verdade, vai na direção contrária.

A Igreja não é uma instituição humana burocrática que surgiu para tirar proveito da mensagem de Jesus. Ela é o instrumento deixado pelo próprio Cristo para perpetuar sua mensagem e levar a salvação aos homens de todos os tempos. Se as milhares de seitas cristãs, hoje existentes graças a negação da Igreja ocorrida no século XVI, fazem mau uso do termo Igreja e de toda a mensagem de Cristo, resta negar-lhes o título de Igreja. Isso não é ir contra o ecumenismo, como afirmou o artigo, mas é favorecer a verdade.
Jesus não veio "anunciar um sonho", mas tornar realidade o sonho do Pai: reconciliar o mundo consigo. O instrumento escolhido foi o próprio Filho, que deixa o seio da Trindade eterna para se fazer frágil, humano. Inaugurou assim o Reino de Deus, dos Céus, ao qual se adere aceitando esse presente do Pai e vivendo como Ele viveu. Não podendo obrigar a todos a essa salvação deixou a administração do precioso depósito da fé aos seus amigos especialmente preparados, os Apóstolos (= enviados).

Queiram ou não, o Papa é ouvido por milhões.
"E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18-19).  O desejo de Jesus de fundar a Igreja está documentado nos evangelhos e sua expansão, na história. A história também confirma até agora que esta Igreja não será vencida por nenhuma força humana ou sobre-humana.
O articulista objeta também que o movimento de Cristo é anterior aos evangelhos. De fato, a redação dos evangelhos está entre os anos 70 e 100. Os escritos paulinos são mais antigos, a partir de 50. Ora, tendo o Senhor morrido nos anos 30, tais escritos são mais que provas cabais da realidade institucional da Igreja, pois neles se encontram sua fundação e estruturação. A Igreja não é um movimento paralelo ao cristianismo, mas sua realidade. Acreditar que o verdadeiro cristianismo corre em separado da Igreja é desacreditar na mensagem de Jesus compilada nos evangelhos e transmitidas pela tradição da mesma Igreja. O autor até tenta citar os textos dos Atos dos Apóstolos pra dizer deste cristianismo marginal, mas cai assim em contradição, pois o Novo Testamento foi todo escrito e compilado pela Igreja Apostólica. Cristãos não são outros que os membros da Igreja de Cristo.
Se não houvesse Igreja Católica, não haveria Novo Testamento e nem cristãos. A Igreja é consequência e legado de Jesus.
O verdadeiro alento a quem se sente sozinho na Igreja ou fora dela, a quem se sente triste com a Igreja ou sem Ela, é que Jesus fundou a sua única Igreja e não a deixou desamparada. Quando incumbiu a Pedro de continuar sua obra, dotou a ele e à Igreja enquanto instituição da assistência divina. A Igreja é obra de Deus e não pode uma obra de Deus falhar. Só o Espírito de Deus faz perdurar uma obra que traz em si tantos homens pecadores.
De resto, o artigo se baseia em vários preconceitos contra o papa, arraigados na mente dos inimigos da Igreja, amigos das próprias vontades e convicções. Bento XVI não introduziu a Missa em latim, ela sempre existiu e nunca foi proibida; a reconciliação com os cismáticos é um dever de caridade que não abriu mão da verdade; ninguém fez mais pelo combate ao crime da pedofilia que Ratzinger; ninguém entende melhor a questão da AIDS que a Igreja.
Quem está interessado em "performances mediáticas"? A Igreja que defende a verdade mesmo contra a maioria ou um pretenso-iluminado-brasileiro-revoltado-que-quer-ensinar-o-papa-a-rezar?