sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PROJETO MISSIONÁRIO PAROQUIAL



1.            OBJETIVO GERAL
Despertar em cada cristão o sentido de pertença à Igreja e a vivência sacramental

2.            OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·                    Valorizar a vivência sacramental
·                    Fortalecer o vínculo dos batizados com a comunidade paroquial
·                    Descobrir e formar lideranças cristãs

3.            ETAPAS
a.            Planejamento e  organização
Uma equipe organizadora planeja as etapas seguintes com o pároco. O tempo previsto para o projeto é de um ano intensivo, a terminar com a celebração da Páscoa. Prever pessoal apto e material para a fase de levantamento de dados e catequese. Prever tempo de divulgação e esclarecimento do projeto antes da fase de execução.
b.           Levantamento de dados
Consiste em pesquisa para levantamento de dados de todas as pessoas residentes na paróquia. Será feito por meio de questionário objetivo a ser entregue em cada residência, onde constará dados pessoais e de contato básicos de cada pessoa e sua situação sacramental, se católico (se recebeu o batismo, eucaristia, crisma, matrimônio). Deixar claro o tempo de resposta e o modo de recolhimento.
Com base nos dados recolhidos, planejar com os catequistas missionários o contato com as pessoas nas diferentes situações encontradas (pessoas não batizadas, que não receberam a Eucaristia, a Crisma, não são casadas na Igreja, etc.).
c.            Catequese
A partir do contato e, se possível, visitas, organizar grupos de catequese adaptadas às situações, aos públicos, aos horários disponíveis. Prever catequistas preparados e, se necessário, pedir ajuda de pessoal em outras paróquias. Esforçar para atender a todas as pessoas que demonstraram interesse e abertura, mesmo que individualmente.
Durante as catequeses, os missionários observem aqueles que demonstram interesse e participação na vida paroquial para futura formação de lideranças.
d.           Celebração sacramental
Após o período de catequese, planejar e organizar as celebrações sacramentais comunitárias, aproveitando o período quaresmal para preparação intensiva principalmente dos catecúmenos. Marcar as celebrações preferencialmente para o período pascal. Prever celebração comunitária do matrimônio para os que desejarem.
e.            Formação continuada de lideranças
Engajar os novos crismados nas atividades da Igreja e formar líderes e missionários.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

TEOLOGIA DA MISSÃO

A Igreja no mundo é missionária por natureza, pois tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o propósito de Deus Pai. O fim universal de salvação que Cristo deu à Igreja é toda a sua razão de ser, mesmo na sua constituição hierárquica, sua organização e atividade. A Igreja recebeu de Cristo a missão de anunciar o Reino de Deus e instaurá-lo entre todos os povos.
Para isso a Igreja contém em si um tríplice encargo, ofícios dos quais cada membro participa segundo seu estado de vida: o ofício de ensinar, santificar e governar, segundo os ministérios profético, sacerdotal e pastoral. São estas as três dimensões do serviço e da missão que derivam de Cristo.
A missão pertence e alcança a todos, de modo que há diversidade de ministérios mas unidade de missão.
A ordem missionária de Cristo exige que sua verdade esteja sempre presente e seja ensinada de modo vivo e inteiro. Em primeiro lugar, este dever de ensino cabe à hierarquia, visto serem dotados da autoridade de Cristo pelo sacramento da ordem. Requer-se que estes e todos os demais membros da Igreja sejam fiéis ao depósito da fé revelada, contido nas Escrituras e na Tradição.
O ofício de santificar é o primeiro em importância. O fim da missão da Igreja é que todos cheguem ao conhecimento de Deus e participem dos seus mistérios. Toda ação missionária deve ter por fim a “salvação das almas”. Também a este ofício cabe primeiramente o ministério ordenado, pois pelo Sacramento se tornam dispensadores da graça de Cristo através da Igreja.
Uma missão especial desempenham os leigos, que vivendo em meio aos assuntos temporais são chamados a viver o espírito evangélico, santificando o mundo a partir de dentro, através do testemunho, principalmente. Tem a tarefa de viver as virtudes cristãs em suas profissões, na família e nas relações sociais, e em particulares situações que só por meio deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Jesus Cristo.
Todos os batizados são responsáveis pela missão da Igreja e têm obrigação de difundir o Evangelho. A consciência das próprias responsabilidades pressupõe renovação interior constante e empenho na vivência e no anúncio do Reino de Deus.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O dever do sábio

(cf. TOMAS DE AQUINO. Suma contra los gentiles. Vol. I. Madri: BAC, 1952. p. 95-97.) 

Sábio é quem ordena diretamente as coisas e as governa bem, procurando o bem próprio de cada ser. Particularmente, é sábio aquele que se ocupa de uma ciência arquitetônica. Por excelência, é o que se ocupa do fim universal, que considera as causas mais altas.
O entendimento tem por fim último a verdade, que é o bem próprio do entendimento. Portanto o principal dever da sabedoria é o estudo da verdade e a filosofia é a ciência que busca a Verdade. Esta verdade última é divina, origem de toda outra e é dever do sábio buscar contemplá-la e rechaçar todo erro.
***
São Tomás ensina neste capítulo o dever daquele que quer ser sábio: procurar e amar a verdade. E demonstra que aquele que ama a verdade tem por obrigação detestar a mentira e combatê-la. Mais sábio é quem reconhece que a verdade divina é a fonte de toda verdade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Questões sobre sacramentos e princípios ecumênicos

Questões respondidas à luz do Diretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o Ecumenismo

1. O que dizer sobre a validade do batismo?
O batismo é válido se conferido com água e com uma fórmula que indica claramente que o batismo é feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e que o ministro pretenda fazer o que a Igreja faz quando batiza.

2. Que se entende por padrinho de batismo?
O padrinho de batismo é um responsável pela educação cristã da pessoa a ser batizada não somente como um amigo; deve ser representante da comunidade de fé em que é celebrado o batismo, como garantia da fé do candidato e do seu desejo de comunhão eclesial.

3. Poderia um cristão não-católico ser padrinho? Se não, qual a indicação do diretório?
Uma pessoa batizada que pertence a outra comunidade eclesial pode ser admitida como testemunha do batismo, não como padrinho, mas apenas em conjunto com um padrinho católico.

4. Poderia uma reunião ecumênica com a participação de católicos e cristãos não-católicos encerrar-se com a renovação das promessas batismais?
Os cristãos podem comemorar o batismo que os une, renovando o compromisso de proceder a uma vida plena cristã, que assumiram nas promessas de seu batismo, e comprometendo-se a cooperar com a graça do Espírito Santo, na tentativa de curar as divisões que existem entre os cristãos.

5. O que se entende por “casamento misto”?
Refere-se a qualquer casamento entre um católico e um cristão batizado que não esteja em plena comunhão com a Igreja Católica.

6. É conveniente a celebração de um casamento misto com a Eucaristia? Por quê?
Um casamento misto celebrado segundo a forma católica ordinariamente ocorre fora da liturgia eucarística, por causa de problemas referentes à Eucaristia e a presença de testemunhas e convidados não-católicos.

7. Como fica a participação de ministros católicos em celebrações matrimoniais numa Comunidade Eclesial (não-católica) e a de ministros não católicos em celebrações matrimoniais na Igreja Católica?
Com a prévia autorização do Ordinário local e, se for convidado a fazê-lo, um padre ou diácono pode assistir ou participar de alguma forma na celebração de casamentos mistos, em situações em que a dispensa de forma canônica foi concedida. Nestes casos, pode haver apenas uma cerimônia na qual o ministro testemunha os votos de casamento. A convite do celebrante, o sacerdote ou diácono pode oferecer outras orações, ler as Escrituras, dar uma breve exortação e abençoar o casal.
A pedido do casal, o Ordinário local pode permitir um ministro da parte de outra comunidade eclesial para participar da celebração do casamento na Igreja Católica, proceder a leitura das Escrituras, dar uma breve exortação e abençoar o casal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Pelágio x Agostinho em síntese

PELÁGIO nasceu na Bretanha (Irlanda) por volta de 354. Fez-se monge e vivia em Roma. Associou-se a Celéstio, outro monge, ex advogado, de vida ascética.

Ambos otimistas em relação à natureza humana e confiavam na força da vontade.

Conceberam a seguinte nova doutrina:
- não existiu pecado original, que teria deixado a natureza humana inclinada para o mal; por conseguinte
- o ser humano por si mesmo é capaz de se manter sem pecado e de praticar o bem;
- a graça de que fala S. Paulo seria apenas a lei ou o exemplo de Cristo ou, no máximo, uma iluminação do Espírito Santo a respeito dos mandamentos de Deus.
Relendo o Gênesis, Pelágio e Celéstio diziam:
- Adão teria morrido mesmo sem o pecado, i. é, não houve estado especial de graça posteriormente perdido por desobediência;
- O pecado de Adão prejudicou a ele só e não ao gênero humano;
- A queda de Adão não acarretou morte para todos os homens , como a ressurreição de Cristo não é causa de ressurreição dos homens;
- A Lei de Moisés leva à salvação tanto quanto o Evangelho;
- As crianças conseguem a vida eterna mesmo sem o Batismo;

Em suma,
- é uma doutrina como uma Moral filosófica, meramente racional;
- dispensava a intervenção de Deus na salvação do homem;
- o papel de Cristo reduzia-se ao exemplo e magistério.

S. Agostinho, que mereceu o título de “Doutor da Graça”, refutava:
- os primeiros pais foram elevados à filiação divina ou à justiça (santidade). Esse estado não era necessário à natureza, mas dom;
- perderam essa graça por soberba e desobediência. Consequentemente,
- só podem transmitir a natureza humana despojada da graça; assim
- toda criança nasce carente dos dons gratuitos que deviam herdar dos primeiros pais;
- todos precisam de especial auxílio ou graça de Deus para praticar o bem;
- essa graça é o fortalecimento da vontade para optar pela virtude; é imerecida e gratuita.

Celéstio e Pelágio, tendo ido a Cartago difundir suas doutrinas, foram condenados por um Sínodo daquela cidade em 411.
Enquanto S. Agostinho assim expunha, Pelágio na Palestina tentava ganhar adeptos. Isto lhe era mais fácil no Oriente pois viviam sob o pano de fundo do gnosticismo e do maniqueísmo. Foi declarado ortodoxo num sínodo de Dióspolis (415).
Em 416 os concílios regionais de Cartago e Milevo conderanam novamente Pelágio e Celéstio como hereges e obtiveram do Papa Inocêncio I a confirmação da sentença. Seu sucessor, Papa Zósimo, os justificou por admitirem a graça de Cristo. Com a insistência de S. Agostinho, em 418 Zósimo publicou encíclica intimando todos os bispos a condenar o pelagianismo, implicando seu fim.
Os poucos pelagianistas foram acolhidos no Oriente por Teodoro de Mopsuéstia e Nestório; por isso o Concílio de Éfeso (431) condenou o nestorianismo e renovou a condenação ao pelagianismo.

Perdurou ainda na Gália até o século VI o Semipelagianismo, que a admite a necessidade da graça, mas o primeiro passo para a salvação vem do homem só; a graça de Deus o levará adiante.

domingo, 25 de setembro de 2011

O pecado social segundo o Compêndio de Doutrina Social da Igreja

CAPÍTULO III
A PESSOA E OS SEUS DIREITOS - II. A PESSOA HUMANA «IMAGO DEI»
b) O drama do pecado
116 [...]A conseqüência do pecado, enquanto ato de separação de Deus, é precisamente a alienação, isto é, a ruptura do homem não só com Deus, como também consigo mesmo, com os demais homens e com o mundo circunstante: «a ruptura com Deus desemboca dramaticamente na divisão entre os irmãos. Na descrição do “primeiro pecado”, a ruptura com Javé espedaçou, ao mesmo tempo, o fio da amizade que unia a família humana; tanto assim que as páginas do Gênesis que se seguem nos mostram o homem e a mulher, como que a apontarem com o dedo acusador um contra o outro; depois o irmão que, hostil ao irmão, acaba por tirar-lhe a vida. Segundo a narração dos fatos de Babel, a conseqüência do pecado é a desagregação da família humana, que já começara com o primeiro pecado e agora chega ao extremo na sua forma social»225. Refletindo sobre o mistério do pecado não se pode deixar de considerar esta trágica concatenação de causa e de efeito.
117 O mistério do pecado se compõe de uma dúplice ferida, que o pecador abre no seu próprio flanco e na relação com o próximo. Por isso se pode falar de pecado pessoal e social: todo o pecado é pessoal sob um aspecto; sob um outro aspecto, todo o pecado é social, enquanto e porque tem também conseqüências sociais. O pecado, em sentido verdadeiro e próprio, é sempre um ato da pessoa, porque é um ato de liberdade de um homem, individualmente considerado, e não propriamente de um grupo ou de uma comunidade, mas a cada pecado se pode atribuir indiscutivelmente o caráter de pecado social, tendo em conta o fato de que «em virtude de uma solidariedade humana tão misteriosa e imperceptível quanto real e concreta, o pecado de cada um se repercute, de algum modo, sobre os outros»226. Não é todavia legítima e aceitável uma acepção do pecado social que, mais ou menos inconscientemente, leve a diluir e quase a eliminar a sua componente pessoal, para admitir somente as culpas e responsabilidades sociais. No fundo de cada situação de pecado encontra-se sempre a pessoa que peca.
118 Alguns pecados, ademais, constituem, pelo próprio objeto, uma agressão direta ao próximo. Tais pecados, em particular, se qualificam como pecados sociais. É igualmente social todo o pecado cometido contra a justiça, quer nas relações de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. É social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito à vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade física de alguém; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de adorá-l’O; todo o pecado contra a dignidade e a honra do próximo. Social é todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exigências, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidadãos. Enfim, é social aquele pecado que «diz respeito às relações entre as várias comunidades humanas. Estas relações nem sempre estão em sintonia com a desígnio de Deus, que quer no mundo justiça, liberdade e paz entre os indivíduos, os grupos, os povos»227.
119 As conseqüências do pecado alimentam as estruturas de pecado*, que se radicam no pecado pessoal e, portanto, estão sempre coligadas aos atos concretos das pessoas, que as introduzem, consolidam e tornam difíceis de remover. E assim se reforçam, se difundem e se tornam fontes de outros pecados, condicionando a conduta dos homens228. Trata-se de condicionamentos e obstáculos que duram muito mais do que as ações feitas no breve arco da vida de um indivíduo e que interferem também no processo de desenvolvimento dos povos, cujo retardo ou lentidão devem ser julgados também sob este aspecto229. As ações e as atitudes opostas à vontade de Deus e ao bem do próximo e as estruturas a que elas induzem parecem ser hoje sobretudo duas: «por outro lado, a sede do poder, com o objetivo de impor aos outros a própria vontade. A cada um destes comportamentos pode juntar-se, para os caracterizar melhor, a expressão: “a qualquer preço”»230.
c) Universalidade do pecado e universalidade da salvação
120 A doutrina do pecado original, que ensina a universalidade do pecado, tem uma importância fundamental: «Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós» (1 Jo 1, 8). Esta doutrina induz o homem a não permanecer na culpa e a não tomá-la com leviandade, buscando continuamente bodes expiatórios nos outros homens e justificações no ambiente, na hereditariedade, nas instituições, nas estruturas e nas relações. Trata-se de um ensinamento que desmascara tais engodos.
A doutrina da universalidade do pecado, todavia, não deve ser desligada da consciência da universalidade da salvação em Jesus Cristo. Se dela isolada, gera uma falsa angústia do pecado e uma consideração pessimista do mundo e da vida, que induz a desprezar as realizações culturais e civis dos homens.


225 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 15: AAS 77 (1985) 212-213.
226 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 214. O texto explica, ademais, que esta lei da descida, e esta comunhão no pecado, em razão da qual uma alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro, corresponde uma lei de elevação, o profundo e magnífico mistério da Comunhão dos Santos, graças à qual se pode dizer que cada alma que se eleva, eleva o mundo.
227 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 216.
* João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 36.37: AAS 80 (1988) 561-564; cf. João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et pænitentia, 16: AAS 77 (1985) 213-217.
228 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1869.
229 Cf. João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 36: AAS 89 (1988) 561-563.
230 João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 37: AAS 89 (1988) 563.

sábado, 24 de setembro de 2011

A Catequese católica

Foi chamado de catequese, o conjunto dos esforços da Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditar que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, mediante a fé, tenham a vida em Seu nome, para os educar e instruir quanto a esta vida e assim edificar o Corpo de Cristo.
Num primeiro momento da história do cristianismo – séculos I à V aproximadamente – catequese e comunidade caminhavam juntas. Era nas celebrações que se ia aprendendo, partilhando e vivenciando a fé (I Cor 11,17-29). E foi aí, nas aclamações litúrgicas e nas orações,  que se organizou o Credo ou “Símbolos da fé”. Mais tarde, criou-se o catecumenato, preparação pela Palavra, celebração e testemunho, com o objetivo de introduzir na vida cristã todos os convertidos, traduzindo em suas vidas a Mensagem de Cristo pela perseverança na fé e na caridade fraterna.
Na cristandade, período entre os séculos V e XVI, toda a sociedade podia ser considerada cristã. Neste tempo, o poder civil e religioso mantinham uma aliança e a catequese era realizada pela participação na vida social, profissional e artística, com influência da família, da pregação e das escolas.
Do século XVI, em diante, houve grande mudança pedagógica na catequese. Os motivos principais foram:
a-      preocupação com a clareza e a exatidão dos conceitos doutrinais;
b-      o surgimento, pela imprensa e escolas, dos catecismos (como os de Lutero, Pedro Canísio, Carlos Borromeu, Roberto Belarmino) para a “desconfusão doutrinal”;
c-      O iluminismo, incitando a resolver os problemas pela inteligência, sem a fé.
Assim, passou-se a valorizar a aprendizagem individual da catequese.

A catequese do século XX empenhou-se em dar sustento à conversão, à segurança e ao compromisso do cristão na comunidade, para a sua transformação segundo as orientações e os valores do Evangelho.

A Catequese a nível universal

O Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um « Diretório para a instrução catequética do povo ». A Congregação para o Clero, dicastério responsável pela Catequese, apoiada por uma Comissão de especialistas e pelas Conferências Episcopais do mundo, elaboraram o Diretório Catequético Geral, revisto pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovado por Paulo VI em 1971. Foi reformulado em 1997.
O Diretório trata do Anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo, propondo um olhar ao mundo a partir da fé, sobre os direitos humanos, a cultura e as culturas, a situação religiosa e moral.
Quanto à fé dos cristãos, distingue algumas categorias:
Uma primeira configura-se de cristãos « não praticantes ». Redespertá-los para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja.
Há ainda as « pessoas simples », com uma « religiosidade popular » muito enraizada. « Conhecem mal os fundamentos dessa mesma fé ». Além disso, existem também numerosos cristãos, muito cultos, mas com uma formação religiosa recebida apenas na infância, e que necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé.

O Diretório apresenta uma situação da catequese:
Aspectos positivos:
– O grande número de sacerdotes, religiosos e leigos que se consagram à catequese
– a consciência de que a catequese deve adquirir o estilo de formação integral e não simples ensinamento: deverá suscitar uma verdadeira conversão.
– a importância que vai adquirindo a catequese dos adultos.
Aspectos negativos:
– O conceito de catequese como escola da fé, como aprendizado de toda a vida cristã, que ainda não penetrou plenamente na consciência dos catequistas.
– o conceito conciliar de « Tradição » tem uma menor influência. De fato, em muitas catequeses, a referência à Sagrada Escritura é quase que exclusiva, sem que a reflexão e a vida bimilenar da Igreja.
– uma apresentação mais equilibrada do mistério de Cristo. Às vezes, se insiste somente na sua humanidade, sem fazer explícita referência à sua divindade; em outras ocasiões, menos freqüentes nos nossos dias, a sua divindade é tão acentuada, que não se percebe mais a realidade do mistério da Encarnação do Verbo.
– algumas lacunas doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e sobre o homem, sobre o pecado e a graça e sobre os Novíssimos; formação moral, história da Igreja e a Doutrina Social.
– ligação fraca da catequese com a liturgia.
– uma excessiva acentuação do valor do método e das técnicas, por parte de alguns.
– a dimensão missionária ad gentes mostra-se ainda fraca e inadequada.

A Catequese cumpre o mandato missionário de Jesus:
« Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura » (Mc 16,15)
« Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19-20).
« Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra » (At 1,8).
A Catequese tem como conteúdo e base a fé trinitária: a Revelação do desígnio de Deus Pai; Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação; e a transmissão dessa Revelação por meio da Igreja, obra do Espírito Santo. A Igreja existe para evangelizar.
A catequese no processo da evangelização está a serviço da iniciação cristã, é distinta do primeiro anúncio do Evangelho,  promove e faz amadurecer esta conversão inicial.
A Catequese deve estar a serviço da educação permanente da fé, de várias formas:
– O estudo e o aprofundamento da Sagrada Escritura
– A leitura cristã dos eventos (ótica cristã)
– A catequese litúrgica
– O aprofundamento por meio de um ensino teológico

O Diretório toca no tema do ensino escolar da Religião e diz que para a escola católica o ensino religioso é indispensável e é o fundamento de sua existência. No contexto da escola pública e não confessional, terá uma característica mais ecumênica e de conhecimento inter-religioso comum e poderá ter um caráter mais cultural, orientado para o conhecimento das religiões. Se administrado por um professor sinceramente respeitoso, o ensino religioso escolar mantém uma dimensão de verdadeira « preparação evangélica ».

« Para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor » (Fl 2,11).
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo - Profissão de fé no único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo - Sempre em referência à Igreja.

As tarefas fundamentais da catequese: Todas necessárias. O conhecimento da fé, a vida litúrgica, a formação moral, a oração, a pertença comunitária, o espírito missionário.

Fonte da catequese: A Palavra de Deus, contida na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, compreendida sob a orientação do Magistério, celebrada na liturgia e aprofundada na pesquisa teológica.

Critérios para a apresentação da mensagem: Cristocentrismo, caráter eclesial da mensagem e a inculturação.

Métodos na catequese: A Igreja não possui um método próprio, nem um método único. Discerne os métodos do tempo, assume com liberdade de espírito « tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor » (Fl 4,8).
Merecem ser recordados os métodos de aproximação à Bíblia, do Símbolo e dos documentos, dos sinais litúrgicos e os meios de comunicação.

Os destinatários da catequese « O Reino diz respeito a todos » (Rm 15), toda criatura, « todas as nações » (Mt 28,19; Lc 24,47) « até os confins da terra » (At 1,8) e por todos os tempos, « até a consumação dos séculos » (Mt 28,20).

A adaptação ao destinatário. Deverão ser atentamente consideradas « diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida »
Destaque à Catequese dos adultos. Podem-se distinguir:
– adultos crentes, que desejam sinceramente aprofundá-la;
– adultos que não foram adequadamente catequizados ou se distanciaram da fé
– adultos não batizados, aos quais corresponde o verdadeiro e próprio catecumenato.
Para os adultos é importante a apresentação do Catecismo da Igreja Católica, esclarecimento de questões religiosas e morais e desenvolver os fundamentos racionais da fé.

Importância da catequese das crianças e dos adolescentes

Nesta idade, « ...nascem preciosas possibilidades para a edificação da Igreja e para a humanização da sociedade ».
Um dos principais problemas é quando o jovem conclui o processo da iniciação cristã e distancia-se totalmente da prática da fé.
Outras questões a serem afrontadas e resolvidas diz respeito à diferença de « linguagem » (mentalidade, sensibilidade, gostos, estilo, vocabulário...)

Catequese no contexto sócio-religioso

Em relação à religiosidade popular requer-se uma catequese que, seja capaz de ajudar a superar os riscos de desvio.
No contexto ecumênico e inter-religioso requer-se a exposição de toda a revelação que tem a Igreja Católica; explique-se as divisões que subsistem e os passos que devem ser feitos para superá-las. Manter a identidade católica, no respeito pela fé dos demais.

A formação bíblico-teológica do catequista

Abranger Antigo Testamento, vida de Jesus Cristo e história da Igreja, liturgia, vida moral e oração. Conhecimento das ciências humanas (psicológicas e pedagógicas).

A Catequese a nível nacional

Está estrutura sobre a herança do Concílio e em estreita ligação com os Documentos Pontifícios, em especial o Diretório Geral para a Catequese, inserida na realidade latino-americana. Um dos principais documentos vem a ser o nº 26 da CNBB, “Catequese Renovada”.
Enfoca a Catequese como educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé. Catequese inserida no conjunto pastoral, tendo em vista a opção pelos pobres e a participação das comunidades de base, em ações concretas do dia-a-dia do povo que sofre, luta e espera.
Retoma o tema da Revelação com centro em Jesus Cristo e sua transmissão pela Tradição, Escritura e Magistério.
Acrescenta, quanto aos métodos, que a interação pode se pautar sob o método do ver, julgar e agir.