quarta-feira, 23 de novembro de 2011

São Clemente I: 3º sucessor de São Pedro

São Clemente I,também conhecido como Clemente Romano (em latim, Clemens Romanus), foi o quarto papa da Igreja Católica.

Há várias hipóteses sobre quem realmente foi Clemente Romano.
Segundo um romance siríaco, era viajante que perdeu as referências de sua família, encontrou São Pedro e posteriormente seus familiares, razão pela qual escreveu Recognitioes.
Segundo as Pseudo-clementinas, Clemente era membro da família imperial dos Flávios. Ou ainda era o próprio cônsul Tito Flávio Clemente, sobrinho do imperador Domiciano, executado em 95-96, por professar a fé cristã. E ainda, Clemente teria sido escravo da família Flávia. Liberto, converteu-se e se pôs a serviço da Igreja.
Outros o identificam com o colaborador de Paulo de Fl 4, 3. Orígenes, Eusébio de Cesaréia, Jerônimo e Irineu de Lião testemunham que Clemente foi o Sucessor de Pedro em Roma. Eusébio é da opinião de que Clemente pode ter sido o autor da Carta aos Hebreus, pelo estilo parecido com a Carta de Clemente aos Coríntios e pelas citações nesta de Hb.
Julgou-se que Clemente era de origem judaica. Cita amplamente o AT e também os apócrifos judaicos apesar de não discutir o legalismo judaico.
“Embora o nome de Clemente não apareça em nenhum lugar da carta [aos Coríntios], há elementos suficientes que o indicam como autor”. “Eusébio narra duas testemunhas antigas de peso em favor desta autoria: a de Hegesipo” e o próprio bispo de Corinto, Dionísio.
“A carta de Clemente se compõe [...] da carta primitiva dirigida à comunidade de Corinto e de extratos de homilias provindas do mesmo autor, que logo cedo foram intercaladas”.
Motivo da carta: “A comunidade de Corinto parece ter vivido em constante conflito. [...] Clemente pretende, embora com algum atraso, escrever para apaziguar e restabelecer a ordem na comunidade. [...] O conflito consiste, substancialmente, numa revolta de alguns membros contra os presbíteros”, talvez por parte de alguns poucos jovens. “Clemente recomenda como remédio eficaz, a conversão e o exílio voluntário”.
“Esta carta foi redigida, provavelmente, pelos fins do reinado de Domiciano 981-96), ou o começo do reino de Nerva (96-98) [...] Acredita-se que ele se refira à segunda perseguição movida por Domiciano que terminou em 95 ou 96. [...] Atribui-se, ainda a Clemente, um grupo de 20 homilias, 10 livros de Reconitiones (Reconhecimentos), sob o nome, hoje, de Pseudo-clementinas”.
A Carta aos Coríntios “aborda considerações, admoestações morais com o objetivo de restabelecer a paz e a concórdia na comunidade de Corinto. [...] A segunda parte, caps. 37-61, insiste sobre a hierarquia eclesiástica e a necessidade da submissão às legítimas autoridades”.
A carta é importante como introdução à História da Igreja, “para a jurisdição eclesiástica, sucessão apostólica, hierarquização dos membros da comunidade”. Fala sobre a autoridade dos apóstolos, “revela fé na divindade de Cristo, na ressurreição dos mortos; fé nas três pessoas divinas, na mediação de Cristo” e na redenção pelo sangue.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Deus, fonte de toda autoridade

Reflexão para o 31º Domingo do Tempo Comum - Ano A


Mt 22,11-12: “O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado” (Veja também: 1ª leitura: Ml 1,14b-2,2b.8-10; Salmo 131; leitura: 1Ts 2,7b-9.13; Evangelho: Mt 23,1-12).

Deus, fonte de toda autoridade
O Evangelho de hoje é uma das palavras de Jesus consideradas de difícil interpretação a uma primeira vista. Parece que Jesus proíbe os títulos de autoridade, como pai e mestre, porque todos são irmãos.
O equívoco de interpretação se desfaz pelo próprio texto, onde Jesus começa apontando algo de positivo nos mestres da lei e fariseus daquele tempo: “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem.” (Mt 23,2s) Ora, toda autoridade legítima vem de Deus e é necessária à organização da vida social e eclesial.
Este Evangelho também lembra, bem como a primeira leitura, que o peso da responsabilidade é tão maior quanto for a autoridade e o conhecimento. Os sacerdotes e mestres daquele tempo tinham sido tomados pelo egoísmo e arrogância, instrumentalizando sua autoridade legítima para fins próprios. Suas vestes, ornadas com os mandamentos, se tornaram meios de chamar a atenção para si, alimentando a vaidade. As vestes litúrgicas católicas, ao contrário, significam que a pessoa se esconde para que Deus aja, que a beleza da liturgia aponta para a verdadeira Beleza, diferente deste mundo.
Jesus ensina àqueles que têm responsabilidade, por mínima que seja, a agir com humildade, não atraindo para si os possíveis frutos de suas ações. Somos todos criaturas, filhos de um mesmo Pai; todo o que ensina, o faz por dom do Espírito, único Mestre, de onde provém toda a sabedoria; todo o que é guia para outros, não pode atrair ninguém a si, mas apontar o verdadeiro caminho, como o Cristo, o Guia, aponta para o Pai.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Angelus / Regina Coeli para baixar

Para incentivar a prática desta evangélica devoção, disponibilizo os textos e arquivos de áudio das orações do Angelus/Regina Coeli.
Dica: grave no seu aparelho para despertar!

Angelus
O Angelus (e o Regina Coeli, no Tempo Pascal) é uma oração muito antiga que faz memória da Anunciação do Anjo Gabriel à Nossa Senhora. É costume rezá-lo às 6h, 12h e 18h. Quem não puder guardar este horário, pode rezá-lo ao levantar, na hora do almoço e ao deitar.

Baixe o áudio:
Cantado em latim / Rezado em latim (Bento XVI) / Rezado em português


V/ Angelus Dómini nuntiávit Mariæ
R/ Et concépit de Spíritu Sancto.
Ave Maria grátia plena Dóminus tecum, benedícta tu in muliéribus et benedictus fructus ventris tui, Jesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amém.
V/ Ecce ancílla Dómini
R/ Fiat mihi secúndum verbum tuum.
Ave Maria.
V/ Et Verbum caro factum est
R/ Et habitávit in nobis.
Ave Maria.
V/ Ora pro nobis, sancta Dei Génitrix
R/ Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.
Oremus.  Gratiam tuam, quæsumus Dómine, méntibus nostris infúnde: ut qui Angelo nuntiánte, Christi Filii tui incarnatioónem cognóvimus; per passiónem ejus et crucem, ad resurrectiónis glóriam perducámur. Per eúmdem Christum Dóminum nostrum. Amém.

Se recita o Glória, inclinando-se:
GLORIA PATRI, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

Em português
V/ O Anjo do Senhor anunciou a Maria,
R/ E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria.
V/ Eis a escrava do Senhor.
R/ Faça-se em mim segundo a Vossa palavra.
Ave Maria.
V/ E o Verbo se fez Carne,
R/ E habitou entre nós.
Ave Maria.
V/ Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R/ Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos.  Infundi, Senhor, em nossas almas a Vossa graça, para que nós, que conhecemos, pela Anunciação do Anjo, a Encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, cheguemos, por sua Paixão e morte na cruz, à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



Regina Caeli
O Regina Caeli substitui o Angelus durante o Tempo Pascal e recita-se, em público, sempre de pé.
 R/ Regína Cæli, lætáre, alleluia;
V/ Quia quem meruísti portáre, alleluia;
R/ Resurréxit, sicut dixit, alleluia;
V/ Ora pro nóbis Deum, alleluia.
V/ Gaude et lætáre, Virgo Maria, alleluia.
R/ Quia surréxit Dóminus vere, alleluia.
Oremus.  Deus, qui per resurrectiónem Filii tui Dómini nostri Jesu Christi mundum lætificáre dignátus es: præsta, quæsumus; ut, per ejus Genitrícem Vírginem Mariam, perpétuæ capiámus gáudia vitæ. Per eumdem Christum, Dóminum nostrum. Amém.

Em português
R/ Rainha do Céu, alegrai-Vos, aleluia.
V/ Porque aquele que merecestes trazer no seio, aleluia,
R/ Ressuscitou como disse, aleluia.
V/ Rogai por nós a Deus, aleluia.
R/ Exultai e alegrai-Vos, ó Virgem Maria, aleluia.
V/ Pois o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.
Oremos.  Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo pela Ressurreição do Vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, fazei, por intercessão da Virgem Maria, sua Mãe Santíssima, que sejamos admitidos nas alegrias da vida eterna. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



Oração pelos fiéis defuntos e bênção:
V. Pro fidelibus defunctis réquiem aeterna dona eis Domine
R. et lux perpetua luceat eis. 
V. Requiéscant in pace. R. Amen.

V. Sit nomen Domini benedictum. / R. Ex hoc nunc et usque in saeculum
V. Adjutorium nostrum in nomine Domini. / R. Qui fecit caelum et terram.
V. Benedicat vos omnipotens Deus, + Pater, + et Filius, + et Spiritus Sanctus. / R. Amen

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PROJETO MISSIONÁRIO PAROQUIAL



1.            OBJETIVO GERAL
Despertar em cada cristão o sentido de pertença à Igreja e a vivência sacramental

2.            OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·                    Valorizar a vivência sacramental
·                    Fortalecer o vínculo dos batizados com a comunidade paroquial
·                    Descobrir e formar lideranças cristãs

3.            ETAPAS
a.            Planejamento e  organização
Uma equipe organizadora planeja as etapas seguintes com o pároco. O tempo previsto para o projeto é de um ano intensivo, a terminar com a celebração da Páscoa. Prever pessoal apto e material para a fase de levantamento de dados e catequese. Prever tempo de divulgação e esclarecimento do projeto antes da fase de execução.
b.           Levantamento de dados
Consiste em pesquisa para levantamento de dados de todas as pessoas residentes na paróquia. Será feito por meio de questionário objetivo a ser entregue em cada residência, onde constará dados pessoais e de contato básicos de cada pessoa e sua situação sacramental, se católico (se recebeu o batismo, eucaristia, crisma, matrimônio). Deixar claro o tempo de resposta e o modo de recolhimento.
Com base nos dados recolhidos, planejar com os catequistas missionários o contato com as pessoas nas diferentes situações encontradas (pessoas não batizadas, que não receberam a Eucaristia, a Crisma, não são casadas na Igreja, etc.).
c.            Catequese
A partir do contato e, se possível, visitas, organizar grupos de catequese adaptadas às situações, aos públicos, aos horários disponíveis. Prever catequistas preparados e, se necessário, pedir ajuda de pessoal em outras paróquias. Esforçar para atender a todas as pessoas que demonstraram interesse e abertura, mesmo que individualmente.
Durante as catequeses, os missionários observem aqueles que demonstram interesse e participação na vida paroquial para futura formação de lideranças.
d.           Celebração sacramental
Após o período de catequese, planejar e organizar as celebrações sacramentais comunitárias, aproveitando o período quaresmal para preparação intensiva principalmente dos catecúmenos. Marcar as celebrações preferencialmente para o período pascal. Prever celebração comunitária do matrimônio para os que desejarem.
e.            Formação continuada de lideranças
Engajar os novos crismados nas atividades da Igreja e formar líderes e missionários.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

TEOLOGIA DA MISSÃO

A Igreja no mundo é missionária por natureza, pois tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o propósito de Deus Pai. O fim universal de salvação que Cristo deu à Igreja é toda a sua razão de ser, mesmo na sua constituição hierárquica, sua organização e atividade. A Igreja recebeu de Cristo a missão de anunciar o Reino de Deus e instaurá-lo entre todos os povos.
Para isso a Igreja contém em si um tríplice encargo, ofícios dos quais cada membro participa segundo seu estado de vida: o ofício de ensinar, santificar e governar, segundo os ministérios profético, sacerdotal e pastoral. São estas as três dimensões do serviço e da missão que derivam de Cristo.
A missão pertence e alcança a todos, de modo que há diversidade de ministérios mas unidade de missão.
A ordem missionária de Cristo exige que sua verdade esteja sempre presente e seja ensinada de modo vivo e inteiro. Em primeiro lugar, este dever de ensino cabe à hierarquia, visto serem dotados da autoridade de Cristo pelo sacramento da ordem. Requer-se que estes e todos os demais membros da Igreja sejam fiéis ao depósito da fé revelada, contido nas Escrituras e na Tradição.
O ofício de santificar é o primeiro em importância. O fim da missão da Igreja é que todos cheguem ao conhecimento de Deus e participem dos seus mistérios. Toda ação missionária deve ter por fim a “salvação das almas”. Também a este ofício cabe primeiramente o ministério ordenado, pois pelo Sacramento se tornam dispensadores da graça de Cristo através da Igreja.
Uma missão especial desempenham os leigos, que vivendo em meio aos assuntos temporais são chamados a viver o espírito evangélico, santificando o mundo a partir de dentro, através do testemunho, principalmente. Tem a tarefa de viver as virtudes cristãs em suas profissões, na família e nas relações sociais, e em particulares situações que só por meio deles os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Jesus Cristo.
Todos os batizados são responsáveis pela missão da Igreja e têm obrigação de difundir o Evangelho. A consciência das próprias responsabilidades pressupõe renovação interior constante e empenho na vivência e no anúncio do Reino de Deus.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O dever do sábio

(cf. TOMAS DE AQUINO. Suma contra los gentiles. Vol. I. Madri: BAC, 1952. p. 95-97.) 

Sábio é quem ordena diretamente as coisas e as governa bem, procurando o bem próprio de cada ser. Particularmente, é sábio aquele que se ocupa de uma ciência arquitetônica. Por excelência, é o que se ocupa do fim universal, que considera as causas mais altas.
O entendimento tem por fim último a verdade, que é o bem próprio do entendimento. Portanto o principal dever da sabedoria é o estudo da verdade e a filosofia é a ciência que busca a Verdade. Esta verdade última é divina, origem de toda outra e é dever do sábio buscar contemplá-la e rechaçar todo erro.
***
São Tomás ensina neste capítulo o dever daquele que quer ser sábio: procurar e amar a verdade. E demonstra que aquele que ama a verdade tem por obrigação detestar a mentira e combatê-la. Mais sábio é quem reconhece que a verdade divina é a fonte de toda verdade.