quarta-feira, 27 de março de 2013

Cronologia da Semana Santa

(Quaisquer revisão fundamentada e correções serão benvindas. Referências no final da página.)

Durante a Semana Santa, trazemos novamente à memória a última semana de vida terrena de nosso Salvador, Jesus Cristo. Há certas dificuldades em se elaborar uma cronologia destes acontecimentos, devido a "divergências" entre os evangelistas, os quais colocam alguns fatos em um dia ou em outro, como é o caso da refeição em Betânia, colocada por Mateus na quarta-feira (Mt 26,6) e apresentada por João nas vésperas do domingo (Jo 12,1).

Mas estas aparentes contradições apenas reforçam a veracidade do testemunho evangélico, em vez de desacreditá-lo, mostrando que cada um dos dois evangelistas e apóstolos os apresentam conforme os viveram e deles se lembram ao narrá-los.

Domingo de Ramos (8 de Nisã)

Maria unge os pés
de Jesus
Vésperas do domingo (sábado após o pôr-do-sol):
Jantar na presença de Marta, Maria e Lázaro, onde Maria unge Jesus com nardo puríssimo (Jo 12,1-11). Mateus e Marcos apresentam esse fato na quarta-feira (Mt 26,6; Mc 14, 1) e dão alguns detalhes, como o nome do anfitrião (Simão, o leproso)

Domingo pela manhã
(Seguindo pela cronologia apresentada no Evangelho de João. O dia seguinte em Jo 12, 12, é provavelmente a manhã do dia 8 de Nisã, já que o dia judaico inicia-se no pôr-do-sol da véspera)

Entrada Messiânica de Jesus em
Jerusalém
(Mt, 21,1-11; Mc  11, 1-10; Lc 19,28-40; Jo 12,12-16)

Marcos encerra aqui a atividade messiânica de Jesus, após entrada deste no Templo para observá-lo (Mc 11, 10)

Lucas insere no contexto da entrada de Jesus em Jerusalém o lamento e o choro de Jesus sobre a cidade (Lc 19, 41-44)

Expulsão dos vendilhões do Templo (Mt 21, 12-17; Lc 19,45-48). Marcos coloca-o na segunda-feira; João insere essa passagem no contexto da primeira ida de Jesus a Jerusalém, três anos antes da Paixão (Jo 2, 13)

Ensino no Templo (Lc 19, 47-48)

João apresenta a seguir uma discussão sobre a glorificação e a identidade do Filho do Homem, sendo difícil precisar o dia em que a mesma acontece (Jo 12, 20-36)

À tarde, Jesus retorna para Betânia (Mt 12,17; Mc 11,11)

Segunda-feira Santa (9 de Nisã)
Os dias que precedem a ceia pascal são marcados por discursos e debates em Jerusalém. Mateus apresenta uma série destes, sem muita preocupação cronológica, mas é possível dividi-los em dias.

Lucas, igualmente, não delimita os dias, mas apresenta os discursos sem uma ordem cronológica determinada. Os dias de segunda a quarta-feira são apresentados como dias de ensino no Templo e vigília ao relento no monte das Oliveiras (Lc 21, 37). Dessa forma, Lucas não fala da estadia de Cristo em Betania, como o fazem os outros dois sinóticos.

Segunda-feira Santa: 9 de Nisã

Maldição da  figueira: Mt 21, 18-22, Mc 11, 12-14. Mateus diverge de Marcos, pois apresenta a figueira secando instantaneamente, enquanto Marcos mostra a maldição na segunda e a figueira seca no dia seguinte. Mas o significado é o mesmo: o povo judeu não produziu os frutos esperados.

Expulsão dos vendilhões do templo: Mc 11, 12-14. Apenas Marcos coloca este fato na segunda, enquanto Mateus e Lucas  o apresentam no próprio domingo. Com esse evento, Marcos marca o fim do dia.

Mateus apresenta então uma discussão e duas parábolas neste dia:
Discussão sobre a autoridade de Jesus: Mt 21, 23-27
Parábola dos dois filhos: Mt, 21, 28-32
Parábola dos vinhateiros homicidas: Mt 21, 33-45

O versículo 45 parece indicar o término da ação daquele dia, enquanto o primeiro versículo do capítulo 22 indica uma continuidade de alguma coisa interrompida (Jesus voltou a falar-lhes...).

Terça-feira Santa (10 de Nisã)
Para os judeus, o dia 10 de Nisã é o dia da escolha do cordeiro pascal (Ex 12, 3). É no contexto desse dia que se pode inserir a traição de Judas (Mt 26,14; Mc 14, 10-11; Lc 22, 3-6). Assim, é no décimo dia que os  chefes dos sacerdotes "escolhem" o seu cordeiro sem defeito, para o sacrifício pascal.

Terça-feira Santa (10 de Nisã)

A figueira seca (Mc 11, 20). Marcos insere a conclusão do episódio da figueira seca no dia seguinte aos acontecimentos de 9 de Nisã, mas com o mesmo simbolismo de Mateus.

Marcos insere aqui os discursos e discussões apresentados por Mateus no dia anterior:
Discussão sobre a autoridade de Jesus (Mc 11, 27-33)
Parábola dos vinhateiros homicidas (Mc 12, 1-12)

O dia em Mateus parece iniciar-se com o discurso sobre o banquete nupcial (Mt 22, 1-14; cf. Lc 14, 16-24). Depois, há a discussão sobre o tributo a César, inserido no mesmo contexto pelos outros sinóticos (Mt 22, 15-22; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26); a discussão com os saduceus sobre a ressurreição dos mortos (Mt 22, 23-33; Mc 12, 18-27; Lc 20, 27-40); a disputa sobre o maior mandamento, contra os fariseus, a qual é apresentada por Lucas em outro contexto histórico (Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-31); a pergunta de Jesus sobre a divindade do Cristo (Mt 22, 41-46; Mc 12, 35-37; Lc 20, 41-44), parte esta que pode considerar-se em Marcos como pertencente à quarta-feira.  Nesse contexto, pode se considerar encerrado o dia em Mateus.

Quarta-feira Santa (11 de Nisã)
Pode-se considerar que o dia inicia-se em Mateus com os discursos ao  povo. Jesus não se dirigirá aos fariseus e aos mestres da Lei antes da sua Paixão. Praticamente é este o último dia de ensinamento público de Cristo antes da Redenção, e é marcado por maldições e terríveis profecias.

Quarta-feira Santa (11de Nisã)

Marcos parece iniciar o dia com a auto-apresentação de Jesus como filho de Davi e como superior a este (Mc 12, 35-37), fato colocado por Mateus antes da interrupção que consideramos como dia (Mt 22, 46: "E a partir daquele dia...").

O dia é marcado por repreensões sobre a hipocrisisa e a falsidade dos escribas e fariseus (Mt 23, 1-12; Mc 12, 38-40; Lc 20, 45-47). Mateus apresenta as terríveis maldições de Jesus contra os fariseus e escribas, no total de sete (Mt 23, 13-36) e uma maldição sobre Jerusalém (Mt 23, 37-39).

Em vez de apresentarem as maldições de Cristo, Marcos e Lucas sobrepõem os fariseus ao exemplo de uma pobre viúva, capaz de comover o coração de Jesus, a qual "dá tudo que possuía para viver" (Mc 12, 41-44; Lc 21, 1-4).

Após estes fatos, Jesus sai do Templo e possivelmente de Jerusalém. Contemplando o Templo ornado, possivelmente a partir do Monte das Oliveiras, ele deveria parecer bastante esplêndido. Mas Cristo prediz a destruição deste lugar. Lucas ambienta este discurso dentro de Jerusalém (Lc 21, 5-7), e possivelmente nos átrios do próprio recinto sagrado. Mateus e Marcos, na saída de Cristo da cidade (Mt, 24, 1; Mc 13, 1).

Os evangelistas apresentam bastantes particularidades em seus relatos. Mateus concatena a queda de Jerusalém e a destruição do Templo com o final dos tempos e o retorno de Jesus (Mt 24, 1-31), intercalando as parábolas sobre a vigilância, a da figueira (Mt 24, 32-41), do ladrão (Mt 24, 42-44), do mordomo (Mt 24, 45-51), das dez virgens (Mt 25, 1-13), dos talentos (Mt 25, 14-30) e encerrando com a vinda gloriosa do Filho do Homem e o Juízo Final.

Marcos e Lucas são bem próximos em seus relatos, e apresentam a predição sobre a perseguição aos discípulos (Mc 13, 5-13, Lc 21, 8-19), a destruição de Jerusalém (Mc 13, 14-23, Lc 21, 20-24), a parusia de Cristo (Mc 13, 24-27, Lc 21, 25-28) e a parábola da figueira (Mc 1, 28-32; Lc 21, 29-33). Marcos apresenta a breve parábola do senhor que voltará à noite (Mc 21, 43-36), enquanto Lucas coloca uma exortação à vigilância (Lc 21, 34-36).

Mateus e Marcos encerram o dia com o jantar em Betânia, na casa de Simão, o leproso, e a unção de  Jesus (Mt 26, 6-13; Mc 14, 3-9). Lucas encerra o dia anunciando que Satanás entrara no coração de Judas e este combinara entregar Jesus (Lc 22, 1-5), mas tal relato encaixaria melhor no contexto do dia 10 de Nisã.

QUINTA-FEIRA SANTA

20H00: Jesus Despede-se de Maria, Sua Mãe, e prepara-se para a Santa Ceia.



Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. (Lc 22, 7-13)


21H00: Jesus lava os pés aos discípulos e institui o Santíssimo Sacramento.



Durante a ceia, - quando o demónio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo, sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. (Jo, 13, 2-5. 12-15)

22H00: Jesus faz as Suas últimas recomendações e vai ao horto rezar.



Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: A Minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo. (Mt 26, 36-38)

23H00: Jesus faz a oração no Horto.




Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. (Mt 26, 39)

* * *
SEXTA-FEIRA SANTA
(Horários aproximados estimados para referência. Há ainda debates sobre a datação da Ceia e horas da condenação e morte de Jesus. Ver artigo PR março/1959 aqui)

00 Horas: Jesus entra em agonia.



Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. (Lc 22, 43)
Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, (Lc 22, 44)

01h00: Jesus sua sangue.



E o seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. (Lc 22, 44)

02H00: Jesus é traído por Judas e é preso.



Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. Disse-lhe Jesus: Amigo, então, a que vieste? (Mt 26, 47-50)
Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão. Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas. (Lc 22, 52-53)

03H00: Jesus é conduzido a Anás.




Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.
Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei. A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates? (Jo 18, 13-23)

04H00: Jesus levado a Caifás.





Anás enviou o preso ao sumo sacerdote Caifás. (Jo 18, 24). Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. (Mt 26, 59). Levantaram-se, então, alguns e deram esse falso testemunho contra ele: Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens. Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos. O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembleia e perguntou a Jesus: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti? Mas Jesus se calava e nada respondia. (Mc 14, 57-61)

O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito? Jesus respondeu: Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu. O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. Para que desejamos ainda testemunhas?!, exclamou ele. Ouvistes a blasfémia!... (Mc 14, 64-64)

05H00: Jesus é negado por Pedro




Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote. Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré. Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou. (Mc 14, 66-68)

Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.

Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante duas vezes, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. (Mt 26, 71-75)

6H00: Jesus é levado ao conselho e declarado réu de morte.




Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho. Perguntaram-lhe: Diz-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis; e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus. Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou. Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca. (Lc 22, 66-71)

Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. (Mt 27, 3-10)

07H00: É conduzido a Pilatos e acusado.



Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súbditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei?
Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... (Jo 18, 33-38)

Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti.
Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei.

Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém.

Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que género de morte havia de morrer. (Mt 20,19).
Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma. (Lc 23, 4)


08H00: Jesus é reconduzido a Pilatos e é solto Barrabás.



Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar. (Lc 23, 13-16)

09 Horas: Jesus é flagelado preso à coluna.



Pilatos então mandou então flagelar Jesus (Jo 19,1) Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a corte. (Mc 15, 16) Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. (Is 53, 4-5)

10H00: Jesus é coroado de espinhos e mostrado ao povo.




Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça... diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. (Jo 19, 2-3) Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. (Mt 27, 28-30)

11H00: Jesus é condenado à morte e sobe ao Calvário.




Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César! (Jo 19, 14-15)


Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. (Mt 27, 24-26)


Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direcção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. (Jo 19, 17)

Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. (Lc 23, 26)


Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco? (Lc 23, 27-31)

12H00: Jesus é despojado das suas vestes e crucificado.



Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados. (Jo 19, 23-24)

Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. (Jo 19, 19-22)

13H00: Jesus entrega-nos a Sua Mãe Santíssima.




Encontravam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém. (Mc 15, 40-41)



Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo levou-a para a sua casa. (Jo 19, 26-27)

14H00: Jesus perdoa os seus algozes



E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34.)

15H00: JESUS MORRE NA CRUZ.



Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca. (Jo 19, 29) Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. (Jo 19, 30) Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23, 46).

16H00: O lado de Jesus é aberto pela lança.



Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o Sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (Jo 19, 31-34)

17H00: Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe.



Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem recto e justo. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os actos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. (Lc 23, 50-52)

Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo. (Mc 15, 44-45)

18H00: Jesus é sepultado e deixado no sepulcro





Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. (Jo 19, 38-40)

No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo. (Jo 19, 41-42)


As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galileia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. (Lc 23, 55-56)
Rolaram uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro.
Os judeus selaram a pedra e puseram soldados a guardar o sepulcro.

SÁBADO
(Nada acontece.)

DOMINGO
·  JESUS SAI DO TÚMULO
Na aurora do terceiro dia, Jesus ressuscitou dentre os mortos e saiu glorioso do túmulo.
De repente, sentiu-se um grande tremor de terra. Do céu desceu um anjo que rolou a pedra do túmulo para o lado e se sentou em cima dela. O seu rosto brilhava como um relâmpago e os seus vestidos eram brancos como a neve. À vista do anjo, os guardas foram tomados pelo medo e caíram como mortos.
·  JESUS APARECE ÀS SANTAS MULHERES (Marcos 15,47; Lucas 23.55)
Jesus aparece a Maria Madalena (Marcos 16,2-13; João 20,11-18)
Ao raiar do sol, algumas mulheres piedosas foram ao sepulcro para embalsamar o corpo de Jesus. Quando lá chegaram, viram a pedra que o fechava afastada para o lado. O anjo disse-lhes: "Procurais a Jesus de Nazaré que foi crucificado? Ressuscitou! Não está mais aqui! Ide dizer aos discípulos".
Quando regressavam, apareceu-lhes Jesus e disse: "Eu vos saúdo!". Cheias de alegria, prostraram-se para o adorar.
·  JESUS APARECE AOS DISCÍPULOS DE EMAÚS (Marcos 16.12-13; Lucas 24.13-35)

Nesse mesmo dia, dois discípulos seguiam para uma aldeia chamada Emaús e iam falando sobre os acontecimentos dos três últimos dias. Jesus aproximou-se deles, mas não o reconheceram. Perguntou Jesus: "Que conversas são essas e por que estais tão tristes?". E eles contaram-lhe. Então Jesus começou a instruí-los nestas palavras: "Não era preciso que o Cristo sofresse tais coisas para entrar na sua glória?". E explicou-lhes o que dele havia sido dito em todas as Escrituras.
Quando chegaram a Emaús, pareceu-lhes que Jesus ia para mais longe. Por isso disseram-lhe: "Ficai conosco porque já é tarde e o dia se encerra". Jesus entrou com eles na hospedaria e, estando com eles à mesa, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu. Então seus olhos se abriram e puderam reconhecê-lo. Mas Jesus desapareceu imediatamente.
Jesus aparece a dez discípulos (Marcos 16,14; Lucas 24.36-43; João 20,19-25)

 ·  JESUS APARECE AOS APÓSTOLOS NO CENÁCULO


Estando os apóstolos e os discípulos reunidos em Jerusalém, numa sala à portas fechadas, Jesus entrou de repente e disse-lhes: "A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou também eu vos envio". Depois destas palavras, soprou sobre eles, dizendo: "Recebam o Espírito Santo! Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos".
+++ A partir daqui, não se sabe com precisão as datas +++
·  JESUS DESIGNA PEDRO PARA CHEFE DA IGREJA

Um dia, Jesus manifestou-se a sete discípulos junto do lago de Genesaré. E disse a Pedro: "Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?". Pedro respondeu: "Sim, Senhor, vós sabeis que eu vos amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta os meus cordeiros".
Jesus perguntou pela segunda vez: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?". Pedro respondeu: "Sim, Senhor, vós sabeis que eu vos amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta os meus cordeiros". Perguntou ainda pela terceira vez: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?". Pedro ficou triste porque Jesus perguntara-lhe pela terceira vez: "Tu me amas?". E respondeu: "Senhor, vós sabeis tudo, bem sabes que eu te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas".
·  A ASCENSÃO DE JESUS

Quarenta dias depois da ressurreição, Jesus apareceu mais uma vez aos apóstolos no Cenáculo, em Jerusalém. E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e ensinai todas as nações. Batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Depois levou-os ao monte das Oliveiras e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, subiu ao céu. Os apóstolos estavam a vê-lo subir quando dois anjos vestidos de branco apareceram e lhes disseram: "Este Jesus tornará a descer do céu da mesma forma como o vistes subir". Os apóstolos voltaram para Jerusalém repletos de alegria.
·  O ESPÍRITO SANTO DESCE SOBRE OS DISCÍPULOS

Reunidos no Cenáculo, em Jerusalém, os discípulos de Jesus passaram nove dias inteiros em oração. O décimo dia era o Pentecostes dos judeus.
De repente, ouviu-se do céu um ruído semelhante ao de uma tempestade, que encheu toda a casa. Ao mesmo tempo, apareceram umas línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. E todos começaram a falar em línguas estrangeiras.
Ouvindo o ruído, muita gente acorreu até aquela casa. Pedro começou a falar: "Homens de Israel, ouvi! Este Jesus de Nazaré, que vós crucificastes, ressuscitou dos mortos. E eis que nos enviou o Espírito Santo".
Muitos dos judeus pediram então o batismo. Eram quase três mil.
·  A IGREJA ESPALHA-SE POR TODO O MUNDO
Depois do Pentecostes, os apóstolos pregaram o Evangelho, primeiro aos judeus, depois aos pagãos. Muitos acolheram a doutrina de Jesus e passaram a se chamar cristãos.
[A Igreja de Jesus Cristo foi se espalhando diariamente pelo mundo. É assim que a Igreja Católica existe há vinte séculos. Aumentará cada vez mais e não terminará nunca. Esta foi a promessa feita por Jesus Cristo, seu divino fundador, aos apóstolos: "Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos!".]


REFERÊNCIAS:


terça-feira, 26 de março de 2013

A desordem dos atos homossexuais

A desordem está nos atos de homossexualidade e a orientação deve partir desse pressuposto. Vejo que um grande problema está nos conceitos deturpados pelas ideologias de moda; um deles é o conceito de sexualidade.

Só há dois sexos: masculino e feminino, ninguém poderá negar. E a sexualidade é a maneira de viver esta condição natural.
A sexualidade depende da escolha livre do estado de vida. Quanto à sexualidade, só pode haver duas escolhas: o estado de solteiro ou de casado.

Acontece que o estado matrimonial envolve uma segunda pessoa e uma sociedade inteira, na medida que gera deveres. Então, não existe, para ninguém, um direito ao casamento. Há condições, há impedimentos.

A liberdade da pessoa para a sexualidade é que saiba reconhecer o estado de vida a que está preparada, para melhor servir à família, à comunidade, para se dedicar ao trabalho e ao próximo.

É escravidão se deixar guiar por instintos sexuais, por prazeres venérios. Isso é desordenado, é bestialidade, e vale para homo e heterossexuais.

Há um projeto mundial de destruição da família e dos valores perenes, e para esse fim perverso estão sendo usados os homossexuais, os movimentos feministas, as pessoas da saúde, os educadores e muitos incautos dentro da própria Igreja. Devemos estar preparados doutrinal e espiritualmente para não ceder a essas pressões diabólicas.

Recomendo a leitura das reflexões da Igreja sobre o tema:

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19861001_homosexual-persons_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19920724_homosexual-persons_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20030731_homosexual-unions_po.html

segunda-feira, 25 de março de 2013

Relações e Processões Divinas (Santíssima Trindade)

A essência é aquilo que faz coisa ser o que é.
A essência do homem é a humanidade (não é o corpo, o formato, a matéria; estes são "acidentes", podem estar presentes ou não).

A essência de Deus é Deus mesmo, ou a divindade. Essa essência (ou natureza) é eterna, una, imutável, etc. Não há nenhum tipo de distinção de essência em Deus: as três Pessoas tem a mesma essência: a divindade, idêntica.

A distinção que existe em Deus é nas Pessoas. Aqui porém, temos que apelar para a analogia e a linguagem insuficiente:
Aquela Pessoa que é o "princípio" da divindade, que "dá origem" as outras duas Pessoas, chamamos Pai.
O Pai, desde toda eternidade e para sempre, continuamente ama, contempla, visualiza a Si mesmo. Esta sua Imagem, que é Ele mesmo, não é outro Deus, mas o "si mesmo", o objeto do amor do Pai: é o Filho. A esse ato eterno chamamos "geração", por analogia ao ato humano da geração dos filhos, que é diferente de criação. O filho (e também o Filho eterno de Deus) não é criado, mas "sai" do Pai.
Não houve um momento em que o Filho não existia; Ele existe sempre, Ele é gerado, contemplado, na eternidade, continuamente, está sempre diante do Pai.

Desse amor mútuo entre o Pai (amante) e o Filho (amado) podemos distinguir um terceiro elemento, que é o próprio Amor. A relação entre o Pai e o Filho não pode ser outra coisa senão também natureza divina. Não é algo de fora que faz o Pai amar o Filho, mas é o próprio Deus que ama a si mesmo e é amado por si mesmo. A essa relação damos o nome de "procedência" e corresponde à Pessoa do Espírito Santo: Ele não é "gerado" como o Filho porque "sai" de ambos - procede da relação entre o Pai e o Filho.

É próprio do Pai gerar;
É próprio do Filho ser gerado;
É próprio do Espírito Santo proceder de ambos.

O processo (daí procedência, proceder, processão) de relação que dá "origem" ao Espírito Santo chama espiração, porque seu termo é o Espírito. Espiração (com s mesmo) é o termo usado para designar a procedência do Espírito Santo: Ele é espirado, exalado do Pai e do Filho, de ambos, não de um ou outro. No ato eterno de geração do Filho pelo Pai, da contemplação de ambos "sai" o Espírito Santo.

Atenção para o fato de que este é um processo em Deus eterno; não se dá no tempo, como se o Pai existisse sozinho, depois gerou o Filho e de ambos ocorre a espiração. Não, desde sempre, simultaneamente, eternamente, o Pai gera o Filho e de ambos procede o Espírito Santo.

A relação do Pai para com o Filho é a Paternidade;
A relação do Filho para com o Pai é a Filiação;
A relação do Pai e do Filho (porque a procedência é de ambos) para com o Espírito é a Espiração Ativa (porque o Pai e o Filho agem, espiram)
A relação do Espírito Santo para com o Pai e o Filho é a Espiração passiva (porque o Espírito sofre a ação, é espirado)

Temos, então, quatro relações em Deus.
Pai --> Filho
Filho --> Pai
Pai e Filho --> Espírito
Espírito --> Pai e Filho

(resumo de material do Curso de Iniciação Teológica: www.cursoscatolicos.com.br)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Cátedra de Pedro, dom de Cristo à sua Igreja


"Queridos irmãos e irmãs,
A Liturgia latina celebra hoje (22/02) a festa da Cátedra de São Pedro. Trata-se de uma tradição muito antiga, testemunhada em Roma desde o século IV, com a qual se dá graças a Deus pela missão
confiada ao Apóstolo Pedro e aos seus sucessores. Literalmente, a "cátedra" é a sede fixa do Bispo, posto na igreja matriz de uma Diocese, que por isso é chamada "catedral", e constitui o símbolo da autoridade do Bispo e, em particular, do seu "magistério", ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos Apóstolos, é chamado a conservar e a transmitir à Comunidade cristã.

Portanto, qual foi a "cátedra" de São Pedro? Escolhido por Cristo como "rocha" sobre a qual edificar a Igreja (cf.  Mt  16, 18), ele começou o seu ministério em Jerusalém, depois da Ascensão do Senhor
e do Pentecostes. A primeira "sede" da Igreja foi o Cenáculo, e provavelmente naquela sala onde também Maria, a Mãe de Jesus, rezou juntamente com os discípulos para que fosse reservado um lugar especial a Simão Pedro. Em seguida, a sé de Pedro tornou-se Antioquia, na Síria, hoje na Turquia, naquela época terceira metrópole do império romano. Depois Pedro dirigiu-se para Roma, centro do Império.


Testemunham-no os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo Santo Ireneu, Bispo de Lião, proveniente porém da Ásia Menor, que no seu tratado "Contra as heresias" descreve a Igreja de Roma como "a maior e a mais antiga, conhecida por todos; ...fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo"; e acrescenta: "Com esta Igreja, pela sua exímia superioridade, deve conciliar-se a Igreja universal, ou seja, os fiéis que estão em toda a parte” (III, 3, 2-3). Portanto, a cátedra do Bispo de Roma representa não apenas o seu serviço à comunidade romana, mas a sua missão de guia de todo o Povo de Deus. Celebrar a "Cátedra" de Pedro, como fa-zemos hoje, significa, portanto, atribuir-lhe um forte significado espiritual e reconhecer-lhe um sinal privilegiado do amor de Deus, Pastor bom e eterno, que quer reunir toda a sua Igreja e orientá-la no caminho da salvação.
Entre os numerosos testemunhos dos Padres, apraz-me evocar o de São Jerônimo: "Decidi consultar a
cátedra de Pedro, onde se encontra aquela fé que a boca de um Apóstolo exaltou; agora venho pedir um alimento para a minha alma ali, onde outrora recebi a veste de Cristo. Não busco outro primado,
a não ser o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com a tua bem-aventu-rança, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja" (Cartas I, 15, 1-2).

BENTO XVI. Audiência de 22 de fevereiro de 2006. (resumido) Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20060222_po.html

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Bento XVI anuncia renúncia ao ministério petrino

Tristes com a notícia, mas confiantes no Espírito Santo, Guia da Igreja:
da Rádio Vaticana

Bento XVI anuncia a decisão de deixar o cargo. Sede vacante a partir de 28 de fevereiro. Eleição do novo Papa em março



Eis as palavras com que Bento XVI anunciou a sua decisão:

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Multiplicação dos pães: milagre ou partilha?

Créditos imagem: http://ocatequista.com.br/?p=6358
Questão de um aluno do curso de Iniciação Teológica (www.cursoscatolicos.com.br):
"O milagre da multiplicação dos pães é muitas vezes citado por alguns Padres em suas homilias, como um ato simbólico, onde Jesus apenas orienta  o povo a partilharem e  se organizarem como comunidade. È correto interpretar os milagres de Cristo como simbolismo, ou esta prática é permitida somente em parábolas? "

Nossa resposta:

Os relatos dos milagres têm a função de confirmar a divindade de Cristo e sua missão, tanto que S. João chama de "sinais". Esvaziá-los de sentido real é acusar Jesus de charlatanismo, porque são os milagres que impressionaram o povo e as autoridades da época.

... vê-lo a Ele é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição... (DV 4)

Sem dúvida também têm um sentido metafórico, mas este foi querido e muitas vezes explicado nos próprios Evangelhos.
No caso específico da multiplicação dos pães, antecede e prefigura a Eucaristia, como explica o Catecismo (1335):
  Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da sua Eucaristia (167). O sinal da água transformada em vinho em Caná (168) já anuncia a «Hora» da glorificação de Jesus. E manifesta o cumprimento do banquete das núpcias no Reino do Pai, onde os fiéis beberão do vinho novo (169) tornado sangue de Cristo.
 O sentido literal do texto sagrado é o primeiro e mais importante. Entenda-se, porém:


É não apenas legítimo mas indispensável procurar definir o sentido preciso dos textos tais como foram produzidos por seus autores, sentido chamado de « literal ». Já são Tomás de Aquino afirmava sua importância fundamental ( S. Th., I, q.l, a. 10, ad. 1).
Não é o caso, nos Evangelhos, que se constituem de narrativas, tentar encontrar sentidos escondidos. Dizer que a multiplicação dos pães foi feita a partir do que cada um levava é dizer sem base nenhuma. Não há contexto para isso. Os textos dizem que os discípulos distribuiam (eles é que distribuiam), todos comiam "tanto quanto queriam", se saciaram, colheram doze cestos "com os pedaços dos cinco pães".
Esses detalhes são colocados no texto para fundamentar o milagre, não a partilha.

No texto de S. João, é mais interessante ainda que a multiplicação conta entre os sete sinais (milagres) e que é ele, o 4º sinal, que abre o capítulo 6, o discurso sobre a Eucaristia. Logo em seguida, é narrado o caminhar sobre as águas (5º sinal).
Temos então:
  • um sinal de poder sobre a matéria do pão
  • um sinal de poder sobre a matéria do próprio corpo
  • um discurso sobre o pão do céu, carregado de "Eu sou" (o nome de Deus)
O 6º sinal é a cura do cego de nascença: seus olhos foram abertos para que reconhecesse e confessasse o Filho de Deus, Luz do mundo. É cegueira espiritual não reconhecer o Cristo e seu poder.
O 7º sinal é a ressurreição de Lázaro.

Portanto, Aquele que tem poder sobre a matéria (pão), sobre seu próprio corpo, a ponto de ressuscitar dos mortos, pode transformar pão em seu Corpo ressuscitado.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Balanço: Silas Malafaia x Gabi



Com grande repercussão nas redes sociais, o programa “De frente com Gabi”, de Marília Gabriela, entrevistou o polêmico Silas Malafaia, conhecido por ser contra a PLC 122 (“lei da homofobia”) e recentemente por ter sido revelada a sua fortuna pessoal.
A entrevistadora chega a dar chilique ao discordar do entrevistado

Os comentários, porém, quase na totalidade, foram unilaterais, aprovação ou reprovação total de um ou outro (Silas ou Marília). Tentarei fazer um balanço mais detalhado e colher o melhor e o pior da entrevista.

A “conversa” começa com o assunto da fortuna, publicada pela revista Forbes como sendo o terceiro pastor mais rico do Brasil. Ele se aproveita do espaço para tentar explicar de onde vem, segundo ele, seus 4 milhões de reais (não 300 milhões da Forbes). Explica, mas não convence, porque mesmo 4 milhões é muito por ter origem, segundo ele, em “palestras”, venda de livros e DVD’s. Diz ainda que renunciou ao salário de pastor.
O problema começa a piorar depois que a entrevistadora se converte em debatedora e recusa a explicação, que questionava a veracidade dos números e a intenção da revista. Aí a debatedora cita, como era de se esperar, a teologia da prosperidade.
Malafaia tenta diferenciar a prosperidade que seria bíblica do “besteirol da teologia da prosperidade”. “Prosperidade não é só finanças”, tem a ver com bem-estar, segundo ele. Ora, mesmo assim essa teologia da prosperidade branda é falha, simplesmente porque Jesus ensina que o seu Reino não é desse mundo e que teríamos – sempre – muitas aflições. Nesse ponto, a agora debatedora tentou fazer um bom questionamento, mas a falta de conhecimento de ambos não deixa o assunto ficar claro, muito menos esclarecedor, tomando nada menos que 17 minutos.

O segundo bloco começa com o tema do homossexualismo, que a (já assumida) debatedora interrompe de segundo em segundo (inclusive “corrigindo” o termo para homossexualidade) tentando contrapor a explicação do entrevistado, que nesse ponto, por causa da sua oposição ao PLC 122 e sua formação de psicólogo, demonstra muito mais conhecimento que a jornalista papagaia pró “casamento” gay. Onde já se viu entrevistador julgar a resposta do entrevistado? “Você está exagerando, Silas!”, interrompe ela, mais de uma vez.

O debate debanda para o conceito de família. Vem “pérolas” dos dois lados. O pastor cita, acertadamente, que adultério e prostituição são pecados, logo depois diz que o divórcio seria “permitido pela Bíblia”! Marília, em seguida, questiona que conceito de família o pastor defende, já com um preconceito hilário, antes mesmo da resposta: “que conceito de família é esse que desde Jesus Cristo não foi revisto?” Uai, tinha que ser revisto?

Depois, Silas, psicólogo, dá mais uma aula sobre a possibilidade de reorientação de homossexuais. Neste ponto não houve intervenção, mas logo Marília vem com um caso hipotético absurdo: se uma mãe não tem condições de criar seu bebê e um “casal” homossexual quer adotá-lo. O pastor rapidamente aponta o absurdo da hipótese, pois não existem só homossexuais tentando adotar, ao que rapidamente ela tenta interromper com o conceito das “novas famílias”. O próprio Silas cita quando um jornalista perguntou como seria se ele tivesse um filho homossexual (“amaria cem por cento e reprovaria cem por cento”), ao que ela tem um ataque de condenação (“Seria um inferno na vida dele!”, gritando e meneando a cabeça), fazendo o que ela diz rejeitar: julgamento.
Terceiro bloco: política e religião, menos de um minuto, nada de mais. Depois, o pastor explica como são formados seus pastores de nível médio, seus salários (de 4 a 20 mil) e as perspectivas do “negócio”.

Marília pergunta sobre o Papa. “Respeito, mas não reconhecemos como sucessor de Cristo... Ele não deixou ninguém pra comandar...”.
Ah, tá... “apascenta os meus cordeiros... confirma os teus irmãos” dito a Pedro era piadinha de Jesus.
E Malafaia alfineta: “Só esqueceram de avisar eles [os católicos] que Pedro era casado”.
E o Quico, pastô? Onde estava a esposa de Pedro, seus filhos? Onde estava a esposa de Paulo, que recomendou o celibato, ou do próprio Jesus, que elogiou o celibato por causa do Reino dos Céus?

Último bloco, o bate-bola:
Divórcio: “sou contra” (contradiz o que disse antes)
Casamento: “a favor”
Morar junto: “contra, a não ser que sejam casados”. Aqui a debatedora quase replica, mas logo desiste (talvez pelo tempo).
Judaísmo: “antecessor do cristianismo”
Islamismo: “um radicalismo muito horroroso para o que a gente chama de religião”. Ela faz graça, insinuando que ele seria um radical. Toma tréplica à altura, mas logo corta com a próxima:
Parada gay: publicidade mentirosa (sobre os números falsos de participantes)
Silas por Silas: muito chato, fala alto, idealista, não abre mão da família.
Na despedida o pastor deseja uma bênção a ela e a todos, e ela solta: “Que o meu [Deus], que não sei se é o mesmo seu, te perdoe”. Ou seja, se coloca de novo como juíza dos pecados, coisa que tanto odeia.

Avaliação geral:
Condução da entrevista: Silas (grita muito) 0 x 0 Marília (transformou em debate)
Fortuna do pastor: Silas (amenizou, não explicou) 0 x 0 Marília (tentou defender a Forbes)
Teologia da prosperidade: Silas 0 x 1 Marília (tentou mostrar a contradição)
Homossexualidade: Silas 1 x 0 Marília (interrompia os sérios argumentos do pastor e retrucava as suas respostas)
Família: Silas (defende a família natural) 1 x 0 Marília (defende os “novos arranjos familiares”)
Perspectivas do “negócio”: Silas (assume, veladamente, o empreendedorismo) 0 x 1 Marília (toca na questão da formação dos pastores e dos seus rendimentos)
Igreja Católica: Silas (perdeu a chance de ficar calado) 0 x 1 Marília (boas perguntas)
Bate-bola: Silas (foi claro nas posições e argumentos) 1 x 0 Marília (ainda tentava julgar e rebater o entrevistado)

Resultado: 3 x 3.

Nos assuntos da defesa da família, contra o lobby gay, Silas Malafaia presta um grande serviço. Perdeu oportunidade de falar menos em outras questões e por defender o indefensável (teologia da prosperidade).
A entrevistadora, porém, esqueceu o seu papel e quis ser superior ao entrevistado, também perdendo a oportunidade de fazer uma melhor entrevista.

Repercussões:
http://portugues.christianpost.com/news/apos-de-frente-com-gabi-silas-malafaia-responde-ao-pseudodoutor-sobre-genes-homossexuais-14381/