domingo, 19 de maio de 2013

Pentecostes: solene início da Igreja

Cinquenta dias depois da Páscoa, o Espírito Santo desceu sobre a comunidade dos discípulos "assíduos e concordes na oração" reunidos "com Maria, a mãe de Jesus" e com os doze Apóstolos (cf. At 1, 14; 2, 1). Portanto podemos dizer que a Igreja teve o seu solene início com a descida do Espírito Santo. Neste extraordinário acontecimento encontramos as notas fundamentais e qualificadoras da Igreja: a Igreja é una, como a comunidade de Pentecostes, que estava unida na oração e "concorde": "tinha um só coração e uma só alma" ( At 4, 32). A Igreja é santa, não pelos seus méritos, mas porque, animada pelo Espírito Santo, mantém o olhar fixo em Cristo, para se tornar conforme com Ele e com o seu amor. A Igreja é católica, porque o Evangelho se destina a todos os povos e por isso, já desde o início, o Espírito Santo faz com que ela fale todas as línguas. A Igreja é apostólica, porque edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, conserva fielmente o seu ensinamento através da cadeia ininterrupta da sucessão episcopal. 
Além disso, a Igreja é, por sua natureza, missionária, e a partir do dia de Pentecostes o Espírito Santo não cessa de a estimular pelos caminhos do mundo, até aos extremos confins da terra e até ao fim dos tempos. Esta realidade que podemos verificar em todas as épocas já está antecipada no Livro dos Atos, onde se descreve a passagem do Evangelho dos Hebreus para os pagãos, de Jerusalém para Roma. Roma está a indicar o mundo dos pagãos, e assim todos os povos que estão fora do antigo povo de Deus. De facto, os Atos concluem-se com a chegada do Evangelho a Roma. Então podemos dizer que Roma é o nome concreto da catolicidade e da missionariedade, expressa a fidelidade às origens, à Igreja de todos os tempos, a uma Igreja que fala todas as línguas e vai ao encontro de todas as culturas. 
Queridos irmãos e irmãs, o primeiro Pentecostes aconteceu quando Maria Santíssima estava presente no meio dos discípulos no Cenáculo de Jerusalém e rezava. Também hoje nos confiamos à sua materna intercessão, para que o Espírito Santo desça abundantemente sobre a Igreja do nosso tempo, encha os corações de todos os fiéis e acenda neles o fogo do seu amor. 

PAPA BENTO XVI. Regina Caeli. 27 de maio de 2007

*NB.: A Igreja não nasceu em Pentecostes, mas foi manifestada; Os Padres da Igreja são unânimes em dizer que a Igreja nasceu na Cruz, onde a obra de salvação foi consumada:

“Se Adão foi figura de Cristo, o sono de Adão foi também figura do sono de Cristo, dormindo na morte sobre a Cruz, para que, pela abertura do seu lado, se formasse a verdadeira mãe dos vivos, isto é a Igreja” (Tertuliano).

"A lança do soldado abriu o lado de Cristo e foi neste momento que, de seu lado aberto, Cristo construiu a Igreja, como outrora a primeira mãe, Eva, foi formada de Adão. Por isso, Paulo escreve: somos de sua carne e de seus ossos. Com isso quer referir-se ao lado ferido de Jesus. Como Deus tomou a costela do lado de Adão, e dela fez a mulher, assim Cristo nos dá água e sangue do lado ferido, e disso forma a Igreja. Lá, nas origens, temos o sono de Adão, aqui o sono da morte de Jesus” (São João Crisótomo).

“Adão dorme para que nasça Eva. Cristo morre para que nasça a Igreja. Enquanto Adão dorme, Eva se forma do seu lado. Quando Cristo acaba de morrer, seu lado é aberto por uma lança, para que dali corram os sacramentos para formar a Igreja”. 
"Adão jazia dormindo quando Eva foi feita, Cristo pendia morto na Cruz e aí nasceu a Igreja, que nos irá gerar e dar a verdadeira vida. (Santo Agostinho)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Formação Católica Online: Curso de Cultura Mariológica

Formação Católica Online: Curso de Cultura Mariológica: O « Curso de Cultura Mariológica I » (CCM) visa dar continuidade ao « Curso Básico de Mariologia » incentivando a cultura e constante f...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Manifesto Pelo Novo Movimento Litúrgico

A História da Sagrada Liturgia tem nos mostrado que, na imensa maioria das  vezes, são os Sumo Pontífices que iniciam os processos de adaptação e reforma ritual da  Igreja. Foi assim com a compilação que mandou fazer o papa Gregório Magno dos  textos até então usados, foi assim com os textos litúrgicos que foram levados e  difundidos ao Norte dos Alpes pelos francos, também o foi assim quando o Concílio de  Trento quis que os ritos de menos de duzentos anos de uso comprovado fossem postos de lados ou quando o Rito Romano consolidou-se, cristalizou-se, com o Missale  Romanum promulgado por São Pio V.
Também vieram dos pontífices, por exemplo, a ideia que o Cardeal Quignonez colocou em ordem: resumir o Breviário Romano e adaptá-lo para um uso mais ligeiro  dos sacerdotes. Uma ideia que, felizmente, foi abandonada assim que se percebeu o  tamanho do problema que se havia criado, simplificando o rito litúrgico para se adaptar  a realidade da Idade Moderna.

No século XIX há um movimento que, de certa forma, atinge a Igreja, mas que  não vem dela, chamado Positivismo. De maneira geral, é por causa dele que,  atualmente, temos as Ciências em formas tão variadas, mas também de forma bastante estanques, quase como que compartimentadas e, infelizmente, algumas vezes sem que  uma interaja com a outra. É do século XIX, nas Ciências Humanas principalmente, que  nasce o desejo pela redescoberta e catalogação de fontes históricas, especialmente  documentos régios e burocráticos, que não apenas acrescentassem pontos novos à  História e ao pesquisador, mas que também acabassem por legitimar o ambiente social  da época. Vastas bibliotecas de manuscritos foram catalogadas e expostas à luz do dia  depois de centenas (alguns, milhares) de anos. Foram lidos e datilografados, depois  publicados em vastas bibliotecas de fontes ainda hoje existentes e de extrema  importância para qualquer pesquisador sério. A Ciência Histórica conseguiu, talvez  mais que em qualquer momento antes ou depois em sua trajetória, atingir uma crescente  onda de novas produções e de novas interpretações graças a esses documentos.

Também a Igreja não passaria imune por essa fase histórica, ainda que sofrendo  indiretamente seus efeitos. A começar que o século XIX, ainda que tenha sido um  século de grandes papas, um Concílio Ecumênico, uma definição dogmática e várias  aparições famosas e importantes de Nossa Santa Mãe, também foi o século que  começou mergulhado nas sombras do Iluminismo de Napoleão, de um crescente  Racionalismo antirreligioso, de uma arte que passa a valorizar a sensualidade, de  anticlericalismo destacado e apoiado por vastos estados e, por fim, com a unificação da  Itália e o papa que se faz prisioneiro do Vaticano. A Igreja ainda não saíra de todo de uma crise no século XVIII. O galicanismo  permeava grande parte das igrejas francesas, com padres e bispos apoiando doutrinas  contrárias ao que pedia Roma, inclusive o conciliarismo e teses ligadas a independência da Igreja católica francesa de Roma. Para piorar, a época foi de certa confusão doutrinal  e moral, pois muitos padres “galicanos” afastavam os fiéis da Santíssima Eucaristia,  julgando que a maioria deles era, simplesmente, de segunda classe e que, com toda  certeza, o ato de receber Nosso Senhor Eucarístico seria um sacrilégio. Um dos padres  da época chegou a proclamar: “Orgulho-me em dizer que este domingo não houve  nenhuma Comunhão sacrílega em minha igreja, porque nenhum dos fiéis comungou”.

Eram momento difíceis para a Igreja que precisava lidar com a Revolução burguesa, os  ideias liberais e com crises internas. Porém, mesmo nos momentos mais escuros, nasce  a luz. Foi na França que o remédio para o próprio Galicanismo nasceu. E veio de um  mosteiro e de um monge. Era dom Gueranger, no século XIX, que é conhecido, antes de  qualquer coisa, como o incentivador e renovador do canto gregoriano em sua abadia,  São Pedro de Solesmes. Porém, para além do incentivo ao santo gregoriano, o abade  trabalho em grande programa de explicação, difusão e incentivo do calendário romano  (e que tornou-se seu famoso “O ano litúrgico”), com uma forma de se voltar França à  Roma. Como? Levando o povo de volta à própria Liturgia romana e dando a esta seu  devido lugar na vida dos fiéis.

Os historiadores da Liturgia têm o costume de colocar Dom Prosper Gueranger  como o iniciador do “Movimento Litúrgico”. Esse Movimento, não muito depois de  Dom Prosper, também se aproximou das fontes principais da própria liturgia que,  devagar, iam sendo publicadas. Era de entendimento geral que a Liturgia não deveria,  simplesmente, ser um mundo arcano e afastado das realidades dos fiéis. Os fiéis deveriam ser conduzidos à Liturgia e levados a um profundo conhecimento e amor por  ela. A religião não deveria ser apenas uma sequência de preceitos, mas de um amor  grande pelo Senhor e centralizar a vida dos fiéis na Santíssima Eucaristia, Nosso Senhor  Jesus Cristo presente no pão e no vinho em Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Durante todo a segunda metade século XIX e a primeira do século XX houve um  movimento gradativo, mas bastante forte, para tornar a Liturgia central na vida dos fiéis.  Apareceram os primeiros missais para aproximar os leigos do ritual, livros sobre a  vivência dos diversos tempos do ano litúrgico, além de dezenas de eventos dentro do  âmbito acadêmico voltado ao estudo da Liturgia. Parecia ser uma primavera litúrgica na  Igreja, trazendo o Cristo para o centro dos olhares e atenções dos fiéis. Porém, nem tudo foram luzes no “Movimento Litúrgico”. Foi depois da II  Guerra Mundial que algo mudou dentro dele. Os clamores por “simplificações” e  “adaptações ao espírito do homem moderno” começaram a ser ouvidos mais altos.
Surgiram teorias sérias que diziam que a liturgia estava degradada e, consequentemente,  precisava ser refeita. E o “Movimento Litúrgico”, ainda que ganhando cada vez mais  força, perdeu seu rumo original. Se a questão original era melhor formar o homem à  Liturgia, a partir desta segunda fase dele há uma mudança de rumo e clama-se para que  a Liturgia se adapte ao homem.

O Concílio Vaticano II, talvez o mais importante evento da Igreja do século XX,  dá centralidade à Santa Missa, à Liturgia, respondendo aos apelos dos peritos do  “Movimento Litúrgico”, inclusive muitos deles estando presentes no próprio evento. E é  dele que sai a Liturgia Reformada pelo papa Paulo VI que chamaremos aqui de “Novus  Ordo”.  O período que segue o Concílio, ainda que se esperasse um período de nova  primavera para a Igreja, liturgicamente foi de quase total e completo caos, sendo também um período complicado, não apenas fora, mas dentro da Igreja. A mídia cria  um Concílio que não é o mesmo Concílio da Igreja. O Concílio da mídia é aquele que  interpretou os documentos eclesiais como bem lhe aprouve, querendo adaptar a Igreja  ao homem moderno e não a linguagem da doutrina de sempre para a sociedade atual.

Explodiu a experimentação dentro da Liturgia, porque o homem moderno é dado a  novidades. O que era anterior ao Concílio, muitas vezes, foi considerado menor, errado  ou estragado, doutrina que, infelizmente, ainda hoje é ouvida por muitas pessoas e  pregada por tantas outras. Muitos homens da Igreja apaixonaram-se pela novidade. O  Missal promulgado pelo papa Paulo VI tantas vezes foi esquecido, tornando-se apenas o  lugar para as orações próprias do dia, todo o resto da Santa Missa, muitas vezes, foi  diminuído ou esquecido. Pululou o invencionismo. Pululou o relativismo. A Igreja sempre manteve a vigilância sobre a Santa Liturgia, mas poucas vezes foi ouvida.  Porém, algo novo aconteceu após o Concílio. Também os leigos entraram na luta pela Santa Liturgia. Frente ao complicado espetáculo que, algumas vezes, se delineava  em certas igrejas, foram também os leigos que pediram fidelidade às normas litúrgicas.  Surgiram, assim, movimentos devotados à correta celebração da Santa Liturgia vindo de  sacerdotes e de leigos. Com o beato papa João Paulo II vimos grandes documentos sobre a Eucaristia e  instruções de como bem celebrar a missa, mas, talvez, o ápice deste movimento foi o pontificado do papa Bento XVI, já no começo do século XXI. O papa Bento XVI não  foi um legislador sobre a Liturgia, nem um legislador sobre nenhuma outra matéria  dentro da Igreja. Legislou sobre a Liturgia, sim, porém uma única vez. Basta nos  voltarmos ao Motu Proprio “Summorum Pontificum” que delineia as normas para o uso  do Missale Romanum do beato papa João XXIII e que chamaremos de “Usus  Antiquior”. Mas, com toda certeza, a imagem do santo padre estará, sempre, associada à  Santa Liturgia. Não apenas por ter sido sempre um grande apaixonado pela Santa  Liturgia, devotando muitas páginas sobre o assunto, como o seu já clássico livro  “Introdução ao Espírito da Liturgia”, mas também porque ele deu-nos o exemplo, com  celebrações solenes e dignas. Também foi ele a dizer que não devemos interpretar o  Concílio de forma errônea e, igualmente, apontar-nos que precisamos de um novo  movimento litúrgico. Porém, este novo Movimento Litúrgico não deve sair de seu  âmbito, assomando a si as ferramentas para julgar e mudar a Liturgia. Isso é  experimentalismo e nem mesmo a Igreja tem feito isso com a Liturgia. O novo  Movimento Litúrgico, antes de mais nada, deve ser a ferramenta de transformação do  homem para bem viver a Santa Liturgia, muitas vezes tirando o próprio homem do centro da celebração e colocando nela Jesus, o Verbo de Deus. Além disso, deve ser base desse novo Movimento Litúrgico a fidelidade às normas e às especificações do  Magistério, cuidando para que os desvios litúrgicos não sejam mais realizados.

O amor pela Santa Liturgia do santo padre Bento XVI contagiou muitas pessoas. Aqui é importante pensarmos que precisamos salvar a liturgia para salvar o mundo. A  Liturgia não é uma sequência de normas dispostas a esmo, como também não é um  mundo sem norma alguma. A Liturgia é o espaço privilegiado de encontro com o  Senhor que vem, do Emanuel Deus Conosco, que se faz presente no meio dos seus. É na  Liturgia que o Esposo vem visitar a Esposa em um encontro íntimo, tão íntimo que nas  antigas igrejas se poderia separar a nave do presbitério no momento da Consagração por uma cortina, fazendo com que os fiéis não vissem o Esposo apresentando-se a esposa.  Salvar a Liturgia dos excessos, dos experimentalismos, dos gostos pessoais, é colocá-la  em seu lugar de direito: como centro da vida dos fiéis, é respeitar suas normas e promover a restituição de sentido do sagrado do mundo. Porém, já nos deveria ser claro que o papa Bento XVI não seria papa para  sempre e que aquele que o sucedesse no Trono de Pedro poderia ter outras obrigações e  planos que não a continuação das propostas litúrgicas de Bento XVI. Isso não leva os papas a serem melhores sou piores, mas nos leva a agradecer aos Céus por termos pessoas diferentes em tempos diferentes e que governam a Igreja segundo as suas necessidades. Assim, chegou a hora de o Movimento Litúrgico que vimos delineando-se no pontificado do papa Bento XVI deixar a internet que, até agora, tem sido também seu  campo privilegiado. Sim, há muita gente que trabalha arduamente para que haja o  desenvolvimento e aplicação das normas na Liturgia e de sua correta celebração, porém, um grande celeiro de conhecedores da Liturgia está no meio virtual. Chegou a hora de deixarmos os teclados de lado e arregaçarmos as mangas, usando, sim, do meio virtual para evangelizar e discutir, mas também precisamos de mãos para trabalhar. Cada uma de nossas igrejas, por menores que sejam, contam agora com nossas mãos. O pouco que temos, bem aplicado, tornar-se-á muito.

Neste espírito, abaixo, sugerimos algumas das possíveis linhas de ação a serem seguidas pelo Novo Movimento Litúrgico. São de fáceis aplicações e, igualmente,  pensadas para serem bastante práticas. 
 
1. Os beneditinos, assim também a Milícia de Santa Maria, não desenvolvem votos de pobreza ou de obediência ao santo padre, mas são obrigados ao voto de “Conversão dos costumes” (conversatio morum) ao entrarem nos mosteiros (ou assumirem a Associação como parte de suas vidas). Trabalhar em prol da Liturgia é muito mais do que criticar a posição das mãos deste sacerdote ou dizer que tais objetos são mais dignos que outros para a Santa Missa. A conversão dos costumes é a base de todo apostolado. Ninguém que queira seguir adiante com o menor apostolado católico  deve se esquecer que a ação, sem a oração, é e será sempre infrutífera, ou pelo menos  efêmera. Se quisermos lutar pela Santa Liturgia, devemos procurar todos os meios possíveis para nossa santificação: buscarmos um bom diretor de consciências, rezar o santo rosário, participar dignamente dos Santos Mistérios, ter uma vida de oração e buscar sempre o Sacramento da Reconciliação. Porém, devemos nos entregar ao Senhor totalmente, esperando que Ele faça de nós seus instrumentos. Sem a conversão de  nossos costumes, o sincero desejo de sermos verdadeiramente santos como o Pai é santo, podemos cair não apenas nas ações vazias, mas em fazer ações que seriam boas tornarem-se más pela nossa soberba. Sem dobrar os joelhos em fervorosa oração, o  Novo Movimento Litúrgico tenderá a falhar desde seu início e a conduzir aqueles que dele tomarem parte a um fim bastante ruim.

2. Não se ama o que não se conhece e, infelizmente, atualmente as pessoas tendem a serem mais espertas que outras. Infelizmente, certos grupos tomam o lugar onde o discurso é feito e discursam qualquer coisa que não o correto, passando-o pelo correto. Devemos retomar o lugar do discurso sobre a Liturgia, ensinando e repetindo o que ensina a Igreja. Assim, a próxima ação é promover o estudo da liturgia, em sua forma mais geral. Não apenas as normas, mas seu sentido, sua teologia e sua espiritualidade. Os mitos devem ser desfeitos e a clareza da Igreja deve brilhar. O material ruim deve dar lugar ao bom material de estudo litúrgico. Opiniões pessoais devem estar em seus devidos lugares e não parecer que estas são as ações em si. A promoção pode ser feita de várias maneiras, a começar pela própria internet, mas também em reuniões em grupos de amigos e paroquianos.

3. Igualmente, caberá a todos nós promover e incentivar o canto sacro. Por definição, o canto sacro católico é o gregoriano, porém a Igreja nunca desprezou outros estilos musicais. Devemos retornar as nossas fontes identitárias em relação à música. O canto gregoriano é simples, ainda que melodioso; austero, ainda que espiritual; leve, ainda que profundo. É tempo de retomarmos nossas fontes e de nos despirmos dos preconceitos contra as formas cantuais tradicionais da Igreja. A volta do gregoriano, e da polifonia sacra, será uma forma de se recoroar o órgão como rei dos instrumentos musicais e das nossas celebrações litúrgicas. Igualmente, a busca por uma melhora constante no canto sacro, levará a criação de novas peças melhores que as atuais (e livres de, por um lado, canto de militância e, por outro, do canto sentimental extremado que gera individualismo).

4. Também, nos caberá promover o Novus Ordo bem celebrado, sem invenções, dentro do espirito característico do Rito Romano que é conhecido pela sua sobriedade. Devemos nos esforçar para que a forma comum de nossas celebrações seja primada não apenas pela sobriedade, mas por grande reverência dos fiéis. Todos aqueles que tomam parte em sua celebração devem primar pelo zelo litúrgico e amor a Nosso Senhor Sacramentado como, igualmente, os sacerdotes devem primar pela sua ars celebrandi. Que os paramentos e objetos sejam dignos, ajudando a elevar os corações  dos fieis ao alto, porém, que eles não sejam a parede ou a muleta onde escora-se a celebração. A Santa Missa bem celebrada pode, ou não, ter bons paramentos, mas terá devoção, boa homilia, zelo litúrgico, acolhida... Ainda que paramentos belos realcem o valor sagrado da Eucaristia, não poucas vezes eles podem transformar-se em uma muleta que leva os olhos ao espetáculo, mas mantem os corações vazios.

5. Igualmente, devemos promover, dando a conhecer e ajudando a desmistificar, o Usus Antiquior. Não devemos opor o anterior ao posterior do Concílio. Da mesma forma, devemos dar a conhecer o Uso Antigo do Rito Romano que foi instrumento de santificação de milhões de fiéis antes do nosso Novus Ordo. Nosso apostolado pode ocorrer de dezenas de formas, na internet com a divulgação de fotos, vídeos e textos. Igualmente, devemos dar a conhecer esta forma litúrgica aos sacerdotes e grupos de fiéisfora da internet. Não de forma abrupta e desrespeitosa, mas com amor e caridade. Os mitos que se desenvolveram em torno do Uso Antigo devem ser desfeitos com calma e caridade. Os grupos de fiéis que, por graça e benção de Deus, já celebramno devem empenhar-se na solenização do mesmo, que as Santas Missas na Forma Extraordinária do Rito Romano resplandeçam pela beleza, sobriedade e profundidade espiritual, tudo favorecendo para elevar o nosso coração ao Senhor.

6. Sabemos que enfrentaremos oposição, como também sabemos que, infelizmente, a situação da Forma Ordinária do Rito Romano em muitas igrejas pelo Brasil e o mundo não é boa, pois abundam a “criatividade” e certo subjetivismo. Então, aqueles que têm os documentos devem chegar e revolucionar o lugar? Ainda que pareça certo, isso é pastoralmente incorreto. A ideia aqui é transbordar o mal com excesso de bem, ou seja, muitos erros que parecem entranhados na comunidade, apenas são considerados certos porque foram ensinados como tal. As pessoas não cometeram erros por hipocrisia, mas pensam que fazem o certo porque foram ensinadas assim. Cabe-nos, com amor, paciência e formação, transbordar esse mal e esse erro em bem e que, antes de tudo, possamos fazer, em proporção, o bem muito mais que a quantidade de mal. Por fim, ficamos com a doutrina da Igreja que diz que dar bom conselho e corrigir o errado, dentro da caridade, são partes dos atos corporais de misericórdia.

7. Por fim, cabe lembrar que a base de todo movimento é a organização. Assim, deve-se organizar-se grupos coesos e com práticas de piedade. Os grupos ajudam a desenvolver a ideia de coesão, pode-se haver líderes e, por exemplo, vários grupos podem juntar-se em organizações maiores e, quiçá, organizarem até eventos de estudo e demonstração. A coesão e a relativa organização são necessárias para que o próprio Novo Movimento possa ser ouvido. Deve-se evitar que os grupos desenvolvam rivalidades, mas que haja um interessante e profícuo convívio fraterno entre eles. Por fim, que os membros de cada grupo lembrem-se que, antes de estudiosos ou acadêmicos, são católicos e como católicos devem se preocupar com suas almas, assim, grupos que não rezam e não entregam seus trabalhos para a maior glória de Deus devem reformar-se. Se cada membro do grupo rezar e o grupo, como unidade, rezar, com toda certeza o trabalho será santificado e irá encontrar um bom caminho.

8. Porém, como leigos, devemos lembrar sempre que, por mais sábios, acadêmicos ou estudiosos que somos, fazemos parte da Igreja discente. Não ensinamos, mas nos resumimos a repetir o que diz a Igreja. São apenas os bispos, pela sua dignidade, que podem ensinar. Assim, devemos buscar apoio eclesiástico, não apenas entre os bispos, mas também entre os sacerdotes, diáconos e religiosos e religiosas. Quanto mais apoios eclesiásticos o Novo Movimento Litúrgico conseguir, mais facilmente ele conseguirá penetrar na Igreja, retirando o que for danoso e, com caridade, consertá-lo, difundindo a todos a Santa Liturgia bem celebrada.

9. Ao contrário de certos expoentes do primeiro Movimento Litúrgico, não devemos nos entender apenas como sábios, mas como católicos que precisam da Igreja para a Salvação. Assim, é nosso dever, sempre e em todo momento, ser fiel ao Magistério da Igreja. Devemos conhecer e pregar a Sã Doutrina e, igualmente, acatar com amor os possíveis documentos que venham a juntar-se ao campo litúrgico. Não devemos, nunca, sermos rebeldes à Igreja, mas deixarmos nossa soberba e orgulhos de lado e sermos fiéis servos e filhos da Igreja.

10. Por fim, entendendo que o grande idealizador e incentivador do Novo Movimento Litúrgico foi o papa Bento XVI, o último passo, será sempre recordar e estudar o legado do papa Bento XVI. Dessa forma, teremos sempre em nossos corações o que este grande papa fez pela Santa Igreja em seus muitos anos de serviço e ministério, também ajudando a difundirmos a boa teologia realizada por ele.São medidas simples e que não são pensadas como um plano de ação fechado em si mesmo ou sem falhas. Linhas de ação delineiam planos e, se bem realizados, esses planos nos levam a metas cumpridas. Não pensem que escrevi sem pensar ou querendo colocar o jugo sobre os ombros alheios, reconheço que devo ser o primeiro a colocar essas atitudes em ação e, igualmente, começar com a minha conversatio morumpessoal. Mas, são pequenos passos dentro do tempo de Deus, que farão o novo Movimento Litúrgico caminhar segundo a vontade dEle.

Assim, nesta Páscoa do ano do Senhor de 2013, entrego esses planos nas Doces Mãos marcadas com as chagas de Nosso Senhor pelas Mãos de nossa Santíssima Mãe e Suserana, a Bem-aventura Sempre Virgem Maria. Que Ela, como mulher Eucarística, possa acompanhar a Igreja do Senhor e interceder por todos aqueles que buscam a sacralização da Santa Liturgia, porque é nela que o Filho se nos torna presente, deixando o homem de lado e ensinando que, na Santa Liturgia, devemos ser não como Lúcifer que quis ser como Deus, mas como Santa Maria e são João Batista que disse (Ioh 3,30): "Illum oportet crescere, me autem minui", a mim importa diminuir para o Cristo aparecer.
São Paulo, 31 de março de 2013
Solenidade da Páscoa do Senhor
Michel Pagiossi Silva
Freire d´Armas da
Militia Sanctae Mariae

terça-feira, 2 de abril de 2013

Formação Católica Online: Curso de Iniciação Teológica - 6ª turma!

Formação Católica Online: Curso de Iniciação Teológica - 6ª turma!: O Curso de Iniciação Teológica pretende dar uma visão geral dos tratados da Teologia, fornecendo ao aluno subsídios para posterior aprofu...

domingo, 31 de março de 2013

Inabitação da Trindade: Deus em nós

In-habitação: é a morada de Deus dentro de nós.
É uma linguagem e uma realidade espiritual, não que possamos dizer que Deus está aqui, "sentado no meu pulmão, escorado no meu coração".
É uma ação atribuída ao Espírito Santo, mas sabemos que a ação de uma das Pessoas é ação dos Três.
Deixemos que a Igreja explique:

"A inabitação do Espírito Santo

78. Certamente não desconhecemos quão difícil de entender e de explicar é esta doutrina da nossa união com o divino Redentor, e especialmente da habitação do Espírito Santo nas almas, pelos véus do mistério que a recatam e tornam obscura à investigação da fraca inteligência humana. Mas sabemos também que da investigação bem feita e persistente e do conflito e concurso das várias opiniões, se a investigação for orientada pelo amor da verdade e pela devida submissão à Igreja, brotam faíscas e se acendem luzes com que, mesmo neste gênero de ciências sagradas, se pode obter verdadeiro progresso. Por isso não censuramos os que, por diversos caminhos, se esforçam por atingir e quanto possível declarar este tão sublime mistério da nossa admirável união com Cristo. Uma coisa, porém, devem todos ter por certa e indubitável, se não querem desviar-se da verdadeira doutrina e do reto magistério da Igreja: rejeitar toda a explicação desta mística união que pretenda elevar os fiéis tanto acima da ordem criada, que cheguem a invadir a divina, a ponto de se atribuir em sentido próprio um só que seja dos atributos de Deus. Retenham também firmemente aquele outro princípio certíssimo, que nestas matérias é comum à SS. Trindade tudo o que se refere e enquanto se refere a Deus como suprema causa eficiente.
79. Note-se também que se trata de um mistério recôndito, que neste exílio terrestre nunca se poderá completamente desvendar ou compreender nem explicar em linguagem humana. Diz-se que as Pessoas divinas habitam na criatura inteligente enquanto presentes nela de modo imperscrutável, dela são atingidas por via de conhecimento e amor, (53) de modo porém absolutamente íntimo e singular, que transcende a natureza humana. Para formarmos disto uma idéia ao menos aproximativa, não devemos descurar o caminho e método que o Concílio Vaticano tanto recomenda nestas matérias, para obter luz com que se possa vislumbrar alguma coisa dos divinos arcanos, isto é, a comparação dos mistérios entre si e com o bem supremo a que se dirigem. E é assim que Nosso sapientíssimo Predecessor de feliz memória Leão XIII, tratando desta nossa união com Cristo e da habitação do Espírito Paráclito em nós, muito oportunamente fixa os olhos na visão beatífica, que um dia no céu completará e consumará esta união mística. "Esta admirável união, diz ele, que com termo próprio se chama "inabitação", difere apenas daquela com que Deus no céu abraça e beatifica os bem-aventurados, só pela nossa condição (de viajores na terra)".(55) Naquela visão poderemos com os olhos do Espírito, elevados pelo lume da glória, contemplar de modo inefável o Pai, o Filho e o Divino Espírito, assistir de perto por toda a eternidade às processões das divinas Pessoas e gozar de uma bem-aventurança semelhantíssima àquela que faz bem-aventurada a santíssima e indivisível Trindade."
22. A incorporação em Cristo, realizada pelo Baptismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade connosco: « Chamei-vos amigos » (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: « O que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: « Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós » (Jo 15, 4).
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_20030417_eccl-de-euch_po.html

sábado, 30 de março de 2013

A consciência humana e divina de Jesus

É um campo em que cabem muitas opiniões, porque não é um tema essencial para a fé e a salvação das almas saber o modus operandi da mente de Jesus, porém temos que ter o cuidado de não afetar o essencial de sua mensagem.

Em resumo da questão, eu diria que Jesus tinha plena consciência de si e de sua missão, incluindo vários aspectos do futuro, em virtude daquilo que Ele "viu do Pai", da sua união hipostática. A consciência, porém, não precisa ser absoluta e imediata, mas progressiva e somente naquilo que era necessário.

O que a Igreja já formulou a respeito, são as quatro proposições seguintes. Estão no documento, em espanhol: A consciência que Jesus tinha de si mesmo e de sua missão. No texto completo há mais comentários.

1 - La vida de Jesús testifica la conciencia de su relación filial al Padre. Su comportamiento y sus palabras, que son las del «servidor» perfecto, implican una autoridad que supera la de los antiguos profetas y que corresponde sólo a Dios. Jesús tomaba esta autoridad incomparable de su relación singular a Dios, a quien él llama «mi Padre». Tenía conciencia de ser el Hijo único de Dios y, en este sentido, de ser, él mismo, Dios.

2 - Jesús conocía el fin de su misión: anunciar el Reino de Dios y hacerlo presente en su persona, sus actos y sus palabras, para que el mundo sea reconciliado con Dios y renovado. Ha aceptado libremente la voluntad del Padre: dar su vida para la salvación de todos los hombres; se sabía enviado por el Padre para servir y para dar su vida «por la muchedumbre» (Mc 14, 24).
3 -
Para realizar su misión salvífica, Jesús ha querido reunir a los hombres en orden al Reino y convocarlos en torno a sí. En orden a este designio, Jesús ha realizado actos concretos, cuya única interpretación posible, tomados en su conjunto, es la preparación de la Iglesia que será definitivamente constituida en los acontecimientos de Pascua y Pentecostés. Es, por tanto, necesario decir que Jesús ha querido fundar la Iglesia.
4 -
La conciencia que tiene Cristo de ser enviado por el Padre para la salvación del mundo y para la convocación de todos los hombres en el pueblo de Dios implica, misteriosamente, el amor de todos los hombres, de manera que todos podemos decir que «el Hijo de Dios me ha amado y se ha entregado por mí» (Gál 2, 20).

Também convido-os a ler o comentário da mesma Comissão Teológica Internacional na notificação sobre as obras de Jon Sobrino, da teologia da libertação, no item V. A auto-consciência de Jesus Cristo, n. 8.

Não é possível separar, sem perigo de cair nas velhas heresias citadas no nosso material, o que seria da natureza humana e o que seria da natureza divina em Jesus. A consciência de Jesus, segundo os documentos citados acima, é consequência de sua divindade:

"A consciência filial e messiânica de Jesus é a consequência directa da sua ontologia de Filho de Deus feito homem. "
"Jesus, o Filho de Deus feito carne, tem um conhecimento íntimo e imediato do seu Pai, uma “visão” que certamente vai para além da fé. A união hipostática e a sua missão de revelação e redenção requerem a visão do Pai e o conhecimento do seu plano de salvação. "
“Os seus olhos [os de Jesus] permanecem fixos no Pai. Precisamente pelo conhecimento e experiência que só Ele tem de Deus, mesmo neste momento de obscuridade Jesus vê claramente a gravidade do pecado e isso mesmo fá-l’O sofrer."
“Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar"
Jesus atribui à sua morte um significado em ordem à salvação; de modo especial Mc 10,45 (Mt 20,28): “o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e a dar a vida como resgate de muitos”; e as palavras da instituição da Eucaristia: “Este é o meu sangue da aliança, que será derramado por muitos”
Lembro-me também da sua agonia: "Pai, afasta de mim esse cálice", e antes ainda:
Mc 8,31-33 (cf. Mt 16,21-28), em algum lugar perto de Cesareia de Filipe, após a confissão de Pedro. “Então começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto e que depois de três dias ressuscitasse”
Mc 9,30-32: “O Filho do homem será entregue às mãos dos homens, e tirar-lhe-ão a vida; e depois de morto, ressurgirá ao terceiro dia. Mas eles não compreendiam estas palavras, e temiam interrogá-lo.”
Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze, e em caminho lhes disse: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará. (Mt 20,17-19).
Com o método histórico-crítico e, pior, ligado à teologia da libertação, essas e outras passagens foram destituídas de valor real, mas seriam reconstruções. A Notificação citada diz, simplesmente, sobre isso: "Os dados neo-testamentários são substituídos por uma hipotética reconstrução histórica, que é errada."
Se negarmos a consciência de Jesus do seu sofrimento, podemos negar o caráter de dom e de sacrifício de sua morte. Como disse antes, pode-se admitir um crescimento nessa consciência divina, mas nunca para depois do início de sua missão pública. Isso explica também o porque do seu escondimento e fuga daqueles que já no início queriam fazê-lo rei.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Jesus está comprovadamente na História?

Os Evangelhos são considerados as melhores fontes históricas, reconhecidas por historiadores não religiosos. Os Evangelhos narram com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado...

Quem provou a autenticidade dos Evangelhos foram os racionalistas dos séculos XVII e XVIII.

Mas há também outros escritos da época, que citam Jesus:


Documentos de escritores romanos:
Tácito, historiador romano, escritor, orador, cônsul (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio histórico de Roma (64): “Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então Nero imaginou culpados e entregou às torturas esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm de Cristo, que, sob o reinado de Tibério foi condenado ao suplício por Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44)
Suetônio, historiador, ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (ano 41-54) afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que sob o impulso de Cristo, se haviam tornado causa freqüente de tumultos”. (Vita Claudiis XXV) (Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2)
Também Plínio, o Jovem, governador romano da Bitínia, escreveu ao imperador romano Trajano, em 112: “os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus” (Epístolas, I.X 96).
Documentos Judaicos
Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia: “Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré...”
Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu: “Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas,... Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a)
Este último foi colocado em suspeita de ter sido adulterado o texto, mas os outros permanecem irrefutáveis.