Após a preparação do altar e a purificação (lavabo), o sacerdote vem ao meio do altar e, voltado para o povo, abrindo e juntando as mãos, convida-o à oração, dizendo: Orai, irmãos e irmãs, para que este nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso. O povo levanta-se e responde: Receba o Senhor, por tuas mãos, este sacrifício, para a glória do Seu Nome, para o nosso bem e de toda a Santa Igreja.
Repare o profundo significado: dialogamos com o sacerdote, desejando o Senhor receba (não é “Ó Senhor”) o sacrifício oferecido pelas mãos do sacerdote (“por tuas mãos”: as mãos do sacerdote). Só o sacerdote (padre ou bispo) pode oferecer este sacrifício, mas oferece por todo o povo “para o nosso bem e de toda a Santa Igreja”.
sábado, 13 de junho de 2009
“Orai irmãos e irmãs” e Oração sobre as oferendas
domingo, 31 de maio de 2009
O significado do sinal da Cruz
O Sinal da Cruz bem feito é riquíssimo em significado. Por Ele expressamos três verdades ou dogmas fundamentais da nossa fé: o Dogma da Santíssima Trindade, da Encarnação e da Morte de Jesus Cristo. Quando se diz: "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", você está proclamando o Mistério da Santíssima Trindade. Quando você leva à testa a mão direita aberta, dizendo: "Em nome do Pai" e desce com a mão na vertical e toca na altura do estômago continuando: "e do Filho", você está indicando o mistério da Encarnação: o Filho de Deus desceu ao seio da virgem Maria. Depois, levando a mão direita para o ombro esquerdo completando a cruz tocando o ombro direito, está se indicando a morte de Jesus na Cruz.
Na proclamação do Evangelho, aquele que proclama faz uma cruz com o polegar no livro dos evangelhos e três cruzes sobre si, na testa, na boca e no peito. A assembleia também faz as três cruzes sobre si. A cruz na testa lembra que o Evangelho deve ser entendido, estudado, conhecido; a cruz nos lábios lembra que o Evangelho deve ser proclamado, anunciado (missão de todo cristão); e a cruz no peito, à altura do coração, nos indica que o Evangelho, acima de tudo, deve ser vivido, pregado e testemunhado. A piedade popular também explica que a cruz na testa é para nos livrar dos maus pensamentos; na boca, para nos livrar das más palavras; e, no peito, para nos livrar das más ações.
sábado, 16 de maio de 2009
A palavra escrita e os livros na literatura profética
Alguns dos profetas empregaram a escrita. É possível que alguns outros profetas tenham redigido sua mensagem desde o início por escrito.
As razões para isso podem ser diversas. Gunneweg pensa que a vinculação de um profeta a um santuário faz com que ele tenha o interesse em conservar por escrito obras importantes. Millard afirma que a profecia sendo mensagem para o futuro só poderia ser verificada se fosse guardada por escrito. Hardmeier explica que a mensagem profética, quando rejeitada, gerava uma literatura de oposição, que servia de reflexão.
Zimmerli, o mais convincente, aponta vários motivos para a literatura profética: para que os ouvintes também possam ver e ler; para servir de testemunho e acusação, quando a desgraça acontecer; para sacudir o povo, como ataque ao presente.
1. Os livros proféticos
A Bíblia hebraica reúne três grandes profetas (Isaías, Jeremias e Ezequiel) e os Doze menores. A tradução dos Setenta altera a ordem dos Doze e os coloca antes de Isaías. Também introduz após Jeremias os livros de Baruc, Lamentações e a Carta de Jeremias (capítulo 6 de Baruc, em muitas edições atuais).
Daniel é considerado por algumas edições como profeta, enquanto que para os judeus ele está entre os “outros escritos” (Ketubîm). Na verdade, ele representa a literatura apocalíptica, filha da profecia.
2. A formação dos livros
No caso dos profetas, não é certo que um livro inteiro pertença a uma mesma pessoa. Mesmo Abdias, o menor escrito da Bíblia, apresenta acréscimos posteriores.
2.1. A palavra original do profeta
Pode ocorrer que entre a proclamação da mensagem e a sua redação transcorram vários anos. Por exemplo, em Jeremias capítulo 36, o profeta recebe a ordem de escrever tudo o que ouviu desde a vinte e dois anos antes. E no versículo 32 se lê que, num segundo rolo, se acrescentaram muitas palavras àquelas escritas no primeiro rolo, queimado por Joaquim.
É provável que, com a maioria dos profetas, a fala desse lugar a folhas soltas, posteriormente formando pequenas coleções. Também pode ter ocorrido um processo inverso: primeiro a escrita, depois a pregação.
2.2. A obra dos discípulos e seguidores
Pessoas com relação direta com o profeta ou mesmo bem distantes temporalmente atuaram redigindo textos biográficos, reelaborando ou criando novos oráculos. Temos como exemplo muitos relatos sobre o profeta em terceira pessoa, relatos anacrônicos, mudança de sentido no final do texto e acréscimo de palavras como simples esclarecimentos que orientam o leitor.
2.3. O agrupamento de coleções
Ocorre que nem sempre o critério para o agrupamento das coleções de oráculos foi o cronológico. Os redatores parecem ter preferido o agrupamento por temas e de acordo com os ouvintes e destinatários. Aparece assim o seguinte esquema, que não é absoluto:
- oráculos de condenação contra o próprio povo;
- oráculos de condenação contra países estrangeiros;
- oráculos de salvação para o próprio povo;
- parte narrativa.
2.4. Os acréscimos posteriores
Resumo de: SICRE DIAZ, José Luiz. Profetismo em Israel. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 173-181.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Celebrar, concelebrar, assistir ou participar da Missa?
Embora os documentos da Santa Igreja utilizem também o termo "participar", não é errado utilizar o termo "assistir".
O próprio Papa Pio XII, na encíclica Mediador Dei, de 1947, exorta os Bispos: "Procurai, sobretudo, obter, com o vosso diligentíssimo zelo, que todos os fiéis assistam ao sacrifício eucarístico e dele recebam os mais abundantes frutos de salvação." Também o Catecismo de São Pio X (n.391) fala em "assistir devotamente ao Santo Sacrifício da Missa."
O que este termo frisa é a verdade de fé de que é o sacerdote que oferece o Santo Sacrifício da Missa, e não o leigo.
Por outro lado, é evidente que o fiel precisa assistir a celebração de forma participativa (Sacrossanctum Concilium, n.14), unindo sua vida ao Mistério do Santo Sacrifício que se renova no altar.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Preparação de uma celebração
Mais do que conhecer cada passo e detalhe da celebração e distribuir funções e papéis, a preparação feita pelas equipes de liturgia tem por objetivo fazer com que todos os envolvidos penetrem no mistério celebrado.
É bom que haja várias equipes que se revezem. Mas tenha-se em mente que a liturgia não é posse de ninguém. Ela é dom de Deus. Em se tratando da Missa, é o próprio Cristo que atualiza seu sacrifício único.
Na reunião de preparação é bom que estejam presentes um representante da pastoral litúrgica paroquial, que garantirá a unidade paroquial e a unidade da liturgia católica; um representante de cada serviço a ser desempenhado (leitores, músicos, etc.); o presidente da celebração (no mínimo seja informado e consultado).
A reunião pode seguir os seguintes passos:
1. Oração: afinal é Deus quem age na liturgia, não a criatividade das pessoas.
2. Avaliação das celebrações passadas: com o objetivo de melhorar as futuras. Levar em conta se o que “apareceu” foi o mistério e se houve boa interação entre equipe, assembleia e presidência.
3. Situar no tempo litúrgico e na vida da comunidade: lembrando sempre que o centro de tudo é Cristo. Na liturgia, nos dirigimos ao Pai por meio Dele.
4. Experiência da Palavra: ler e aprofundar. Pode-se começar pelo Evangelho.
5. Idéias: o que pode ser feito à luz das reflexões feitas e respeitando-se as diretrizes da liturgia católica. Perguntar sempre se a sugestão favorece a celebração do mistério ou se é apenas gosto e vontade de uma pessoa ou equipe. Se coloque no lugar da assembleia.
6. Elaborar o roteiro e distribuir os ministérios: coloque tudo por escrito e seja minucioso. Lembre-se que não há ministérios maiores ou menores. Ninguém deve improvisar. Tenha-se em conta o local da celebração, os materiais, e todos saibam o que deve ser feito na hora certa.
Por fim, cheguem ao local da celebração com antecedência para orar e se concentrar. Tudo deve ser preparado antes que os fiéis cheguem. A sacristia, “pequeno sagrado”, é lugar de silêncio e pode servir para uma oração comum. Não é local de reunião, pois já foi feita!
sábado, 11 de abril de 2009
O Messias tinha de sofrer e no terceiro dia ressuscitar
Aquele que ressuscitou é o mesmo que morreu na cruz. As mãos e os pés, a carne e os ossos são de uma pessoa viva. Ele come conosco e se dá a conhecer ao partir o pão. E devia ser assim, segundo “a Lei de Moisés, os profetas e os salmos”. O Messias, o Libertador, não poderia ser alguém que livrasse o povo de seus sofrimentos cotidianos, mas alguém que elevasse essa humanidade limitada a uma condição superior, à participação na vida divina, à ressurreição.
Pela Ressurreição, Jesus deu-nos prova de que a humanidade é elevada à medida que busca transformar seus inevitáveis sofrimentos em caminho para o Pai. Não considerando a vida no mundo como finalidade em si mesma, mas não se esquecendo que só passando por esta vida chegaremos à vida definitiva em Deus, que se fez homem, viveu, morreu e, por isso, ressuscitou.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Eclesiologia na Carta aos Colossenses
A Igreja é o Corpo de Cristo, e este é Cabeça por ser o primeiro ressuscitado e o princípio de salvação.
Cl 1, 18 E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. 24 Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja;
A participação no mistério de Cristo se dá pelo batismo
Cl 2, 12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.
A Igreja é universal[1]
Cl 3, 11 Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.
A vinculação a esse Corpo é motivo de paz
Cl 3, 15 E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.
Os que pregam doutrinas estranhas estão fora da Igreja, da comunhão com a Cabeça
Cl 2, 18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, 19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.
Nesta Igreja, a verdadeira ascese consiste em evitar os vícios e a praticar as virtudes
evitar Cl 3, 5 Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra, a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; 8 Mas agora, despojai-vos também de tudo, da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.
fazer Cl 3, 12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;13 Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. 14 E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.
O verdadeiro culto consiste em fazer tudo em nome do Senhor Jesus, pela palavra, louvor e obras
Cl 3, 16 A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração. 17 E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
A oração seja universal, por todos e para todos
Cl 4, 3 Orando também juntamente (unânimes) por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;
A Igreja se manifesta nas relações domésticas e cotidianas
Cl 3, 23 E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, 24 Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis.
Cl 4, 15 Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa.
[1] As assembleias locais formam uma grande comunidade de culto. Não só como esperança de uma reunião futura, mas uma realidade já presente.