sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O anúncio da verdade

A Carta Encíclica Caritas in Veritate[1] do papa Bento XVI, publicada a 29 de junho de 2009, trata do desenvolvimento humano integral e coloca a verdade como indispensável à caridade, contra todo relativismo. O atual cenário de crise mundial e a necessidade de novas formas de relação teve muito peso na elaboração da carta. Pretendo, nesta resenha, de forma sintética e limitada, abordar o tema da verdade como essencial ao anúncio cristão.

“Defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de fato, « rejubila com a verdade » (1 Cor 13, 6)”[2]. O anúncio de Jesus Cristo, isto é, da Verdade (cf. Jo 14, 6), é caminho e força para o desenvolvimento humano integral.

Caridade (amor) sem verdade é carente de sentido e se torna sentimentalismo[3].

“No atual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral”[4].

Aqui se está afirmando a validade universal e a indispensabilidade dos “valores do cristianismo”, não necessariamente a pertença ao cristianismo. Como a verdade é um dos eixos principais da carta, de modo nenhum o papa poderia negar – e não o fez – o caráter de verdade do cristianismo e a universalidade salvífica de Jesus Cristo[5].

A CARIDADE, MANIFESTAÇÃO DA VERDADE

“A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na « economia » da caridade”[6]. Esta contribui para “acreditar a verdade, mostrando o seu poder de autenticação e persuasão na vida social concreta”[7]. A caridade é a prática da verdade.

Destinatários do amor (graça) de Deus (Trindade), “os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade”[8].

O mundo em crescente globalização e, ao mesmo tempo, tendente ao relativismo, corre o risco de que não faça corresponder a todos uma “ética das consciências e das inteligências”[9]. A caridade guiada pela verdade exige que haja “critérios orientadores da ação moral”[10], tais como são a justiça e o bem comum[11].

Na linha do Concílio Vaticano II e de Paulo VI na Populorum Progressio, Bento XVI reafirma que o serviço da caridade da Igreja “tende a promover o desenvolvimento integral do homem”, entendido quanto “à totalidade da pessoa em todas as suas dimensões”, sem que se exclua “a perspectiva duma vida eterna”[12].

A caridade é meio de evangelização. “O testemunho da caridade de Cristo através de obras de justiça, paz e desenvolvimento faz parte da evangelização”[13].

CENTRALIDADE DO HOMEM PARA O VERDADEIRO DESENVOLVIMENTO

O progresso tem um aspecto transcendente que é o da vocação: “cada homem é chamado a desenvolver-se”[14]. O caráter de verdade da caridade impõe que cada ação vise “promover todos os homens e o homem todo”[15], segundo “o ideal cristão de uma única família dos povos, solidária na fraternidade comum”[16]:

O Evangelho é elemento fundamental do desenvolvimento, porque lá Cristo, com « a própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo » (Gaudium et Spes, 22). Instruída pelo seu Senhor, a Igreja perscruta os sinais dos tempos e interpreta-os, oferecendo ao mundo « o que possui como próprio: uma visão global do homem e da humanidade » (Populorum Progressio, 13)”.

A negação do caráter transcendente reduz o homem “à categoria de meio para o desenvolvimento”. Como argumento a favor da transcendência pode-se aduzir que “as causas do subdesenvolvimento não são primariamente de ordem material”. São elas:

“Em primeiro lugar, na vontade, que muitas vezes descuida os deveres da solidariedade. Em segundo, no pensamento, que nem sempre sabe orientar convenientemente o querer; por isso, para a prossecução do desenvolvimento, servem « pensadores capazes de reflexão profunda, em busca de um humanismo novo, que permita ao homem moderno o encontro de si mesmo »”[17].

Servem de instrumentos ou meios (não como fins em si mesmos) para o desenvolvimento integral e o progresso do homem estruturas econômicas e instituições[18], o lucro sustentável orientado ao bem comum[19], os poderes públicos[20], o mercado[21], a empresa[22], a técnica[23].

“Tudo quanto existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo quase geral entre crentes e não crentes”[24].

CONCLUSÃO

“O homem não é capaz de gerir sozinho o próprio progresso”[25] porque a verdade lhe é superior, é dom de Deus, assim como a caridade. A Igreja “tem uma missão ao serviço da verdade”[26] que é irrenunciável. “A verdade une os espíritos entre si e fá-los pensar em uníssono”[27], de modo que é preciso que haja uma busca comum da verdade.

É inerente ao cristão o anúncio inequívoco da verdade que é Cristo. Anúncio este feito com a caridade que tem sua fonte em Deus.



[1] BENTO XVI. Carta Encíclica Caritas in Veritate. Sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade. Roma, 2009. Disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html. Acesso em 03 de setembro de 2009.

[2] Ibid., 1.

[3] Ibid., 3.

[4] Ibid., 4.

[5] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Declaração Dominus Iesus. Sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja. Roma, 2000. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000806_dominus-iesus_po.html. Acesso em 03 de setembro de 2009.

[6] BENTO XVI. op. cit., 2

[7] Ibid., 2.

[8] Ibid., 5.

[9] Ibid., 9.

[10] Ibid., 6.

[11] Ibid., 6-7.

[12] Ibid., 11.

[13] Ibid., 13.

[14] Ibid., 16.

[15] PAULO VI, Carta encíclica Populorum progressio, 15 apud BENTO XVI. Op.cit., 18.

[16] Ibid., 13.

[17] Ibid., 19, citando PAULO VI, Op. cit., 20.

[18] Ibid., 17.

[19] Ibid., 21.

[20] Ibid., 24.

[21] Ibid., 35-39.

[22] Ibid., 40-41.

[23] Ibid., 68-77.

[24] CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II, Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, 12. apud BENTO XVI, Op. cit., 57.

[25] BENTO XVI, Op. cit., 78.

[26] Ibid., 9.

[27] Ibid., 54.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Importa que não haja escândalos

"Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!" (Mc 9,42)

Ao longo destes domingos do Tempo Comum, estamos sendo formados como discípulos de Jesus. Tem grande importância no evangelho do 26° Domingo o “nome de Jesus”: o discípulo é aquela que honra este Nome, cumprindo o mandato missionário de anunciar e fazer discípulos de todas as nações.
A narrativa fala do ciúme dos discípulos diretos de Jesus para com outros grupos, que usavam o nome de Jesus. O verdadeiro discípulo não rejeita absolutamente nada daquilo que há de verdadeiro e santo noutras religiões. Considera com sincero respeito esses modos de agir e de viver, esses preceitos e doutrinas que, embora em muitos pontos estejam em discordância com aquilo que a Igreja de Cristo afirma e ensina, muitas vezes refletem um raio daquela Verdade que ilumina todos os homens, sem negar a verdade profunda, tanto a respeito de Deus como da salvação dos homens, que se manifesta a nós por revelação na pessoa de Cristo (cf. Declaração Dominus Iesus sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja).
“Dos mais diversos lugares e tradições, todos são chamados, em Cristo, a participar na unidade da família dos filhos de Deus [...]. Jesus abate os muros de divisão e realiza a unificação, de um modo original e supremo, por meio da participação no seu mistério” (JOÃO PAULO II, Carta Enc. Fides et ratio, n. 15).
Importa mesmo é que não haja escândalos, principalmente por parte daqueles que devem ser testemunhas do nome de Jesus, colocados à frente dos “pequeninos que creem” (Mc 9,42). Também os ricos, como trata a segunda leitura, têm que cuidar para que sua riqueza perecível não se torne motivo de escândalo. Porque a esses muito foi dado, muito será pedido.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O pão descido do céu que nos leva ao céu

Jo 6, 50: “Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer”.
Reflexão para o 19
º Domingo do Tempo Comum - Ano B

As autoridades dos judeus não reconheciam em Jesus o enviado de Deus porque não esperavam mais de Deus, confiavam somente na própria autoridade de mestres. Davam por concluída a revelação de Deus pela Escritura e esperavam somente um líder que pudesse reabilitar seu pleno poder material.

Deus, porém, é inesgotável. O Pai atrai constantemente a todos e ensina através de seu Espírito. A revelação plena se deu em Jesus Cristo, o Filho, mas temos a necessidade de que o Espírito Santo renove constantemente nossas forças e nosso entendimento, para que possamos experimentar de forma plena a encarnação de Deus – divinização do homem.

Como Elias recebeu pelo pão a força para o caminho até o Horeb (monte da revelação), o cristão tem na Eucaristia o vigor necessário para a peregrinação rumo a Deus. Parece pão perecível como o de Elias ou como o maná, mas é pão da vida eterna. Os sentidos nos dizem que é pão; a fé revelada nos diz que é o Cristo Ressuscitado! Os que comeram do maná morreram sem chegar à meta, a terra prometida. Os que comungam da Eucaristia experimentam a presença da vida eterna já.

A Eucaristia nos é sinal daquilo que é a vida do ressuscitado: não uma prolongação desta vida biológica, mas algo diferente. Nada do que é perecível permanece. Tudo é novo de tal modo que não podemos compreender senão na Eucaristia: sinal (sacramento)-participação do que experimentaremos no último dia.

sábado, 1 de agosto de 2009

A institucionalização da dissidência dos teólogos

Apresentado na Itália um novo livro que põe em causa o papel dos teólogos após a conclusão do Concílio Vaticano II

http://www.sectorcatolico.com/2009/07/presentado-en-italia-un-nuevo-libro-que.html

Citado por http://padreelilio.blogspot.com/2009/07/conturbados-tempos-pos-conciliares.html

23/07/09 O filósofo americano Ralph McInerny acaba de apresentar a versão italiana do seu novo livro O que correu mal no Vaticano II ( "What went wrong with Vatican II"), que aborda a situação da Igreja Católica após 44 anos a conclusão da última grande Concílio Ecuménico e o único que não teve caráter dogmático em seus 2000 anos de história.

Para o veterano professor da controversa Universidade de Notre Dame (Indiana, Estados Unidos), os principais problemas vividos pela Igreja Católica nos anos que nos separam do Concílio Vaticano II não teve seu ponto de partida no próprio Concílio, mas na publicação da encíclica Humanae Vitae, explica em seu blog o jornalista Diego Contreras, ex-correspondente em Roma.

A oposição que a encíclica encontrou, especialmente entre os teólogos, foi um fato sem precedentes na história da Igreja. O problema fundamental não era realmente a contracepção, mas a autoridade na Igreja e, portanto, a concepção da própria Igreja. A quem devemos obedecer, o Papa que disse uma coisa ou teólogos que afirmam o contrário?

Desde então, espalhou a ideia de que a missão profissional dos teólogos era a de avaliar e filtrar os ensinamentos do Magistério da Igreja, para ver se eles são aceitáveis ou não. A imprensa encontrou nos teólogos dissidentes do Magistério da Igreja aliados muito rentáveis: cada vez que o Vaticano falava, a mídia poderia ter a opinião contrária (e incentivar a polêmica). Os dissidentes apareciam como heróis envolvidos na luta contra a opressão.

Segundo McInerny, esta situação começou a mudar só depois de aparecer o livro-entrevista de Vittorio Messori com o Cardeal Ratzinger - Rapporto sulla Fede ("A fé em crise?", no Brasil) - em 1985. Até então, a dissidência já estava "institucionalizada" e muitos dos novos padres foram formados neste clima.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A função litúrgica do animador

A Instrução o chama de “comentador” (comentarista) no número 105b: “Incumbido de fazer aos fiéis, se for oportuno, breves explicações e admonições, a fim de os introduzir na celebração e os dispor a compreendê-la melhor". E adverte: "As admonições do comentador devem ser cuidadosamente preparadas e muito sóbrias. No desempenho da sua função, o comentador deve colocar-se em lugar adequado, à frente dos fiéis, mas não no ambão”.

Essa função é dispensável em grande parte das assembleias que já estão bastante familiarizadas com a Missa atual. Explicações, neste caso, tornam-se inoportunas.

A Instrução indica apenas as admonições que competem ao sacerdote: a admonição inicial, após o sinal da cruz e a saudação; antes da Oração dos fiéis e antes do Pai-nosso. A análise atenta mostra ainda mais: alguns "comentários" quebram o ritmo normal da Liturgia, por exemplo, no caso citado da admonição inicial, quando o comentarista faz seu "comentário" (às vezes mini-homilias) e logo em seguida o padre também faz esta admonição inicial, que lhe compete, repetindo e cansando os fiéis.

Os lugares costumeiros de se ouvir "comentários" são no início da celebração, antes da Liturgia da Palavra e antes da Liturgia Eucarística. Outros incham ainda mais a celebração colocando "comentários" antes de cada leitura e evangelho e antes da comunhão. Vejamos como são de fato estas passagens na Instrução Geral do Missal Romano (da admonição inicial já falamos acima):

- Antes da Liturgia da Palavra:"128. Terminada a oração coleta, todos se sentam. O sacerdote pode, com brevíssimas palavras, introduzir os fiéis na liturgia da palavra".

- Entre as leituras: Não há esta referência. "Pode então observar-se, se for oportuno, um breve espaço de silêncio, para que todos meditem brevemente no que ouviram". Antes do Evangelho também não há espaço: "131. Depois (da leitura) todos se levantam e canta-se o Aleluia".

- Antes das preces: "138. Terminado o Símbolo (Creio), o sacerdote, de pé junto da cadeira, de mãos juntas, convida os fiéis à oração universal com uma breve admonição".

- Antes da Liturgia Eucarística: Não há espaço. "139. Terminada a oração universal, todos se sentam, e começa o cântico do ofertório".

- Antes do Pai-nosso: "152. Terminada a Oração eucarística, o sacerdote, de mãos juntas, diz a admonição que antecede a oração dominical".

- Antes da Comunhão: Não há comentário, sequer espaço de silêncio. "159. Enquanto o sacerdote recebe o Sacramento, começa-se o canto da Comunhão".

Vemos assim que a função litúrgica do animador hoje estaria reduzida talvez a ler as intenções particulares antes da Missa e, quem sabe, dizer os avisos e convites após a Missa. Algumas grandes celebrações, principalmente campais, podem carecer de algumas intervençoes de um animador. Foi muito importante, sem dúvida, nos tempos imediatamente posteriores à reforma litúrgica da década de 60, em que o povo certamente estranharia uma nova forma de celebrar se não tivesse a ajuda de alguns comentários. Hoje, porém, os tempos são outros.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quando existem intenções de Missa, qual é o momento para as anunciar?

A palavra intenção é citada na Intenção Geral do Missal Romano apenas no sentido de intercessão (as intenções da Oração dos fiéis).

O mesmo acontece no Missal, onde não se fala de intenção de Missa ou de Missa por intenção de alguém. A única expressão que aí encontramos, dentro da Oração Eucarística I, na Comemoração dos defuntos, é a oração que começa pela palavra «Lembrai-Vos...», e a rubrica que se lhe segue: «... e ora uns momentos pelos defuntos que quer recordar».

Como a prática das intenções particulares é bastante difundida, o melhor é que se diga antes do início da Missa, por um ministro que não seja o presidente. Importante que se lembre de que não é o fato de uma intenção ser falada ao microfone que faz com que tenha maior eficácia.

A prática da leitura de intenções pode esconder, infelizmente, às vezes, algo repudiável: por parte de alguns fiéis, desejo de aparecer; por parte de alguns maus pastores, desejo de espórtulas.

Com efeito, a celebração da missa não é para rezar apenas por determinada pessoa, nem uma simples oração de súplica. A missa é a atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo; é louvor, ação de graças e súplica dirigidas ao Pai, pela Igreja e em nome da Igreja; é celebração por todos os membros da Igreja, vivos ou defuntos, e por todas as grandes necessidades do mundo, que são mais vastas do que as da assembleia ali reunida.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Humanae Vitae

Resumo esquemático:
CARTA ENCÍCLICA HUMANAE VITAE DE SUA SANTIDADE O PAPA PAULO VI
SOBRE A REGULAÇÃO DA NATALIDADE - 25 de julho de 1968

disponível em: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html


I. ASPECTOS NOVOS DO PROBLEMA (2-3)

· rápido desenvolvimento demográfico e, em consequência, as condições de trabalho e de habitação.

· maneira de considerar a pessoa da mulher e o seu lugar na sociedade.

· domínio e organização racional das forças da natureza: em relação ao corpo, à vida psíquica, à vida social e até mesmo às leis que regulam a transmissão da vida.

II. PRINCÍPIOS DOUTRINAIS (7-18)

Uma visão global do homem (7)

· física, psicológica, demográfica, sociológica, espiritual, terrena e sobrenatural.

O amor conjugal (8)

ð ordem natural e ordem revelada

ð fonte suprema, Deus que é Amor

As características do amor conjugal (9-10)

ð humano (não animal); ato da vontade livre

ð total (não egoísta)

ð fiel e exclusivo – até à morte; compromisso do vínculo matrimonial.

ð fecundo – gerar novas vidas

ð gera paternidade responsável

· "Paternidade responsável" significa:

ð Em relação com os processos biológicos: conhecimento e respeito pelas suas funções.

ð Em relação às tendências do instinto e das paixões: domínio exercido pela razão e vontade.

ð Em relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais:

1. deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa

2. decisão, por motivos graves, de evitar temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento.

· "Paternidade responsável" implica deveres: para com Deus, para consigo próprios, para com a família e para com a sociedade, numa justa hierarquia de valores.

Respeitar a natureza e a finalidade do ato matrimonial (11)

ð A atos sexuais dos cônjuges são "honestos e dignos", mesmo quando infecundos.

ð Deus dispôs com sabedoria leis e ritmos naturais de fecundidade.

Inseparáveis os dois aspectos: união e procriação (12)

Fidelidade ao desígnio divino (13)

ð um ato conjugal imposto ao próprio cônjuge não é um verdadeiro ato de amor

ð um ato de amor recíproco, que prejudique um dos dois aspectos inseparáveis está em contradição com a natureza do homem e com o plano de Deus e com a sua vontade.

ð Respeitar as leis do processo generativo, significa reconhecer-se não árbitros das fontes da vida.

Vias ilícitas para a regulação dos nascimentos (14)

ð aborto

ð esterilização (perpétua ou temporária)

ð toda ação que impeça a procriação

· contracepção não se enquadra em mal menor, pois há uma terceira opção (evitar o ato sexual).

Liceidade dos meios terapêuticos (15)

ð Quando o objetivo não é a contracepção em si, mas o salvamento de vidas.

Liceidade do recurso aos períodos infecundos (16)

ð ter relações sexuais só nos períodos infecundos

· Diferença essencial:

1. no recurso aos períodos infecundos os cônjuges usufruem legitimamente de uma disposição natural, como manifestação de afeto e como salvaguarda da fidelidade mútua.

2. no recurso aos métodos contraceptivos eles impedem o desenvolvimento dos processos naturais e rejeitam um dos aspectos da relação conjugal.

Graves conseqüências dos métodos de regulação artificial da natalidade (17)

ð abre caminhos à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade;

ð perda de respeito pela mulher

ð intervenção das autoridades públicas no setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal

III. DIRETIVAS PASTORAIS (19-31)

Domínio de si mesmo (21)

ð convicção acerca dos valores da vida e da família

ð O domínio do instinto, mediante a razão e a vontade livre (ascese)

ð esforço contínuo

· Benefícios:

ð desenvolvimento integral da personalidade

ð favorece as atenções dos cônjuges

ð extirpação do egoísmo

ð sentido de responsabilidade

Criar um ambiente favorável à castidade (22)

ð Reação contra tudo que leva à excitação dos sentidos, ao desregramento dos costumes, à pornografia

APELO AOS GOVERNANTES (23)

· política familiar providente

· educação das populações

AOS HOMENS DE CIÊNCIA (24)

· fornecer uma base suficientemente segura para a regulação dos nascimentos, fundada na observância dos ritmos naturais

AOS ESPOSOS CRISTÃOS (25)

· implorem com oração perseverante o auxílio divino; abeirem-se, sobretudo da Santíssima Eucaristia, da Penitência

APOSTOLADO NOS LARES (26)

· os cônjuges mesmos, comunicar a outros a sua experiência

AOS MÉDICOS E AO PESSOAL SANITÁRIO (27)

· promoverem soluções inspiradas na fé e na reta razão

AOS SACERDOTES (28)

· expor, sem ambigüidades, os ensinamentos da Igreja acerca do matrimônio

· não minimizar em nada a doutrina salutar de Cristo, com paciência e de bondade (29)

AOS BISPOS (30)

· uma ação pastoral coordenada, em todos os campos da atividade humana.

livro Reflexões para o Ano Litúrgico - Papa João Paulo II livros sobre Família e Matrimônio Curso de Iniciação Teológica via internet livro Doutrina Eucarística Curso de Mariologia via internet Martyria Cursos e Editora Curso de Latim via internet livro O Sacramento do Matrimônio - sinal da união entre Cristo e a Igreja Curso de História da Igreja via internet livreto do fiel - Missa romana na forma extraordinária - português/latim Curso via internet - Cultura Mariológica Curso online Catecismo da Igreja Católica em exame Curso de Iniciação Bíblica via internet livro A arte da pregação sagrada Curso via internet - Passos para uma reforma litúrgica local