terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Oração do liturgo

Ó Pai, cuja beleza infinita é sinalizada na Liturgia, que a arte de celebrar retamente garanta a participação plena, ativa e frutuosa de Vosso povo.

Leve-nos a reconhecer que pela liturgia, obra em favor do povo, tomamos parte na obra divina, que continua em Sua Igreja, com Ela e por Ela, a obra de nossa redenção.

A Liturgia seja a fonte donde haurimos forças e ápice para qual tende nossa vida e missão de Igreja. A Liturgia seja fonte pura e perene de “água viva” à qual todo sedento pode haurir gratuitamente o dom de Deus.

Participando desta forma plena, ativa e frutuosa dos sagrados mistérios, toda a existência cristã se torne “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, autêntico “culto espiritual”.

Tudo isto Vos pedimos por Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo, que convosco doa a Sagrada Liturgia. Amém.

Comentário à oração

Esta oração foi formulada com base nos principais documentos do Magistério da Igreja sobre o tema da liturgia, em especial a “Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia”, de 1963. Foi o primeiro documento promulgado do Concílio Vaticano II. Por esta Constituição ficou determinada a reforma litúrgica.

Na Sacrosanctum Concilium se explica o sentido e a importância da Liturgia na vida da Igreja, tema que trataremos adiante neste comentário.

Primeiramente, o termo liturgo: é todo aquele que desempenha um serviço na liturgia[1]. O termo liturgista é usado para designar aquele que é versado em liturgia.

“Ó Pai”: na Liturgia, toda oração é dirigida ao Pai, “princípio de toda divindade” (S. Agostinho). O próprio Filho, Jesus, assim o fazia, e isso foi justamente o motivo de sua Encarnação: revelar o Pai. A oração termina mencionando o Filho, que é o Mediador entre Deus[2] e os homens, e o Espírito Santo que é a união de Amor entre o Pai e o Filho.

“cuja beleza infinita é sinalizada na Liturgia”: “nela culmina toda a ação pela qual Deus, em Cristo, santifica o mundo, bem como todo o culto pelo qual os homens, por meio de Cristo, Filho de Deus, no Espírito Santo, prestam adoração ao Pai” (IGMR 16).

“que a arte de celebrar retamente garanta a participação plena, ativa e frutuosa”: “Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com retidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam[...]. Não só se observem, na ação litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, ativa e frutuosamente” (SC 11).

“liturgia, obra em favor do povo”: Esta é a definição de liturgia, uma obra pública pela qual Deus é quem age em favor do povo que acolhe.

“fonte donde haurimos forças e ápice para qual tende nossa vida e missão de Igreja”: “Na verdade, o trabalho apostólico ordena-se a conseguir que todos os que se tornaram filhos de Deus pela fé e pelo Batismo se reúnam em assembléia para louvar a Deus no meio da Igreja, participem no Sacrifício e comam a Ceia do Senhor” (SC 10).



[1] Cf. o artigo do Frei José Ariovaldo da Silva, OFM: “Liturgia” nos escritos do Apóstolo Paulo. Em: http://www.itf.org.br/index.php?pg=anopaliturgia

[2] “Deus” na liturgia e na bíblia se refere ao Pai. O Filho é igualmente Deus com o Pai e igualmente o Espírito Santo.