quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aceitar e transformar a vida

Reflexão para o 22º Domingo do Tempo Comum - Ano A


Mt 16,26: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?” (Veja também: 1ª leitura: Jr 20,7-9; Salmo 63; leitura: Rm 12,1-2; Evangelho: Mt 16,21-27).

 Aceitar e transformar a vida
 
Como os Apóstolos e primeiros discípulos de Jesus, os discípulos de todos os tempos percorrem uma caminhada de crescimento na fé, que não é automática. Há momentos em que as dificuldades e sofrimentos do dia a dia nos fazem perder de vista o alvo de nossa vida, qual o plano de Deus para o ser humano.
Na caminhada dos discípulos, que parte da conversão e passa pela instrução, chega um momento de maturidade na fé em que se pode professar com segurança a identidade real de Jesus: o Cristo, Messias, o Filho do Deus vivo. Pedro foi o primeiro a reconhecer isto, o que lhe rendeu a confiança e a delegação de poder por Jesus sobre a Igreja que ele funda. Restava ainda aos discípulos reconhecer como Jesus haveria de concluir sua missão.
Neste relato Jesus anuncia pela primeira seu sofrimento próximo e sua morte. Explica que assim era necessário. Tomado de sentimentos pelo Mestre, o Apóstolo não admite que Ele sofra e teme perdê-lo. Uma visão ainda muito estreita, que não vê mais que o bem estar passageiro, que não entende a inevitabilidade do sofrimento e da morte.
Com a ressurreição de Jesus, a compreensão fica mais fácil. Compreendemos que há algo mais esta vida frágil que conhecemos. Este é o sentido da renúncia da vida que Jesus fala: renunciar a esta vida, a este mundo, para ganhar a vida verdadeira, que não tem fim. Este é o culto espiritual, recomendado por São Paulo: oferecer a vida, transformada, uma nova maneira de pensar e julgar, tendo em vista não a recompensas, mas a vida verdadeira que alcançaremos, pela graça de Deus.


Márcio Carvalho da Silva

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os cantos da tradição

Bela iniciativa da revista 30dias:

Os cantos gregorianos mais simples que os fiéis são convidados a aprender e cantar segundo a intenção da Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia

CD e Pdf área download
Os cantos gregorianos mais simples

"A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar."
Concílio Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrossanctum Concilium, n. 116

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Verdadeiro alento aos que se acham desolados com a Igreja

Apesar do estranho título, quero basear minha reflexão no artigo publicado no Correio do Brasil de 15/08/2011, online. Este quer dar a entender que a Igreja Católica está "num inverno rigoroso", isto é, sem verdadeiros fiéis com "políticas" que favorecem uma emigração na Igreja. Conclui que o cristianismo deve ser um "caminho espiritual" apesar da(s) Igreja(s).
O foco do ataque é o atual Papa Bento XVI. E não é para menos.

Há quem queira pensar um cristianismo sem a Igreja ou uma fé desinstitucionalizada. Bento XVI, comprometido com a verdade, vai na direção contrária.

A Igreja não é uma instituição humana burocrática que surgiu para tirar proveito da mensagem de Jesus. Ela é o instrumento deixado pelo próprio Cristo para perpetuar sua mensagem e levar a salvação aos homens de todos os tempos. Se as milhares de seitas cristãs, hoje existentes graças a negação da Igreja ocorrida no século XVI, fazem mau uso do termo Igreja e de toda a mensagem de Cristo, resta negar-lhes o título de Igreja. Isso não é ir contra o ecumenismo, como afirmou o artigo, mas é favorecer a verdade.
Jesus não veio "anunciar um sonho", mas tornar realidade o sonho do Pai: reconciliar o mundo consigo. O instrumento escolhido foi o próprio Filho, que deixa o seio da Trindade eterna para se fazer frágil, humano. Inaugurou assim o Reino de Deus, dos Céus, ao qual se adere aceitando esse presente do Pai e vivendo como Ele viveu. Não podendo obrigar a todos a essa salvação deixou a administração do precioso depósito da fé aos seus amigos especialmente preparados, os Apóstolos (= enviados).

Queiram ou não, o Papa é ouvido por milhões.
"E eu te declaro: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18-19).  O desejo de Jesus de fundar a Igreja está documentado nos evangelhos e sua expansão, na história. A história também confirma até agora que esta Igreja não será vencida por nenhuma força humana ou sobre-humana.
O articulista objeta também que o movimento de Cristo é anterior aos evangelhos. De fato, a redação dos evangelhos está entre os anos 70 e 100. Os escritos paulinos são mais antigos, a partir de 50. Ora, tendo o Senhor morrido nos anos 30, tais escritos são mais que provas cabais da realidade institucional da Igreja, pois neles se encontram sua fundação e estruturação. A Igreja não é um movimento paralelo ao cristianismo, mas sua realidade. Acreditar que o verdadeiro cristianismo corre em separado da Igreja é desacreditar na mensagem de Jesus compilada nos evangelhos e transmitidas pela tradição da mesma Igreja. O autor até tenta citar os textos dos Atos dos Apóstolos pra dizer deste cristianismo marginal, mas cai assim em contradição, pois o Novo Testamento foi todo escrito e compilado pela Igreja Apostólica. Cristãos não são outros que os membros da Igreja de Cristo.
Se não houvesse Igreja Católica, não haveria Novo Testamento e nem cristãos. A Igreja é consequência e legado de Jesus.
O verdadeiro alento a quem se sente sozinho na Igreja ou fora dela, a quem se sente triste com a Igreja ou sem Ela, é que Jesus fundou a sua única Igreja e não a deixou desamparada. Quando incumbiu a Pedro de continuar sua obra, dotou a ele e à Igreja enquanto instituição da assistência divina. A Igreja é obra de Deus e não pode uma obra de Deus falhar. Só o Espírito de Deus faz perdurar uma obra que traz em si tantos homens pecadores.
De resto, o artigo se baseia em vários preconceitos contra o papa, arraigados na mente dos inimigos da Igreja, amigos das próprias vontades e convicções. Bento XVI não introduziu a Missa em latim, ela sempre existiu e nunca foi proibida; a reconciliação com os cismáticos é um dever de caridade que não abriu mão da verdade; ninguém fez mais pelo combate ao crime da pedofilia que Ratzinger; ninguém entende melhor a questão da AIDS que a Igreja.
Quem está interessado em "performances mediáticas"? A Igreja que defende a verdade mesmo contra a maioria ou um pretenso-iluminado-brasileiro-revoltado-que-quer-ensinar-o-papa-a-rezar?