segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2013



BEM-AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ

O homem é feito para a paz, destaca Papa em mensagem

Jéssica Marçal
Canção Nova Notícias


'Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor', escreve o Papa em mensagem sobre a paz
O mundo todo já pode conhecer a mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2013. O texto integral da mensagem foi divulgado nesta quarta-feira, 14, em coletiva de imprensa no Vaticano.

Acesse.: NA ÍNTEGRA  - Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz 2013
Com o tema “Bem-aventurados os obreiros da paz”, o Santo Padre lembra que a realidade atual, marcada pelos aspectos positivos e negativos da globalização, requer renovado empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de “todo homem e do homem todo”.

Embora a paz seja colocada em risco por várias formas de terrorismo, criminalidade internacional, fundamentalismo e fanatismos “que distorcem a verdadeira natureza da religião”, o Papa destacou que as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação da humanidade para a paz. “Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus”, ressaltou o Pontífice.
Bento XVI destacou ainda na mensagem que, segundo diz a bem-aventurança de Jesus, a paz é, ao mesmo tempo, dom messiânico e obra humana. “Na verdade, a paz pressupõe um humanismo aberto à transcendência; é fruto do dom recíproco, de um mútuo enriquecimento, graças ao dom que provém de Deus e nos permite viver com os outros e para os outros. A ética da paz é uma ética de comunhão e partilha”.
O Pontífice também voltou a colocar em questão a necessidade de se defender a vida humana, de forma que sem isso não se pode gerar felicidade nem a paz.  “Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros?”, questiona.

E a família também tem seu papel decisivo na busca pela paz. O Papa destacou que ela tem uma vocação natural para promover a vida e é um dos sujeitos sociais indispensáveis para uma cultura de paz.

“É preciso tutelar o direito dos pais e o seu papel primário na educação dos filhos, nomeadamente nos âmbitos moral e religioso. Na família, nascem e crescem os obreiros da paz, os futuros promotores duma cultura da vida e do amor”.

O Papa também destacou a necessidade de construir a paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia. Ele lembrou que o modelo que prevaleceu nas últimas décadas apostava na busca da maximização do lucro e do consumo, em perspectiva individualista e egoísta.

“Olhando de outra perspectiva, porém, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento econômico suportável, isto é, autenticamente humano, tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom”.

Em conclusão, o Santo Padre defendeu a necessidade de propor e promover uma pedagogia da paz, o que requer uma vida interior rica, referências morais claras e válidas, atitudes e estilos de vida adequados.

“Pensamentos, palavras e gestos de paz criam uma mentalidade e uma cultura da paz, uma atmosfera de respeito, honestidade e cordialidade. Por isso, é necessário ensinar os homens a amarem-se e educarem-se para a paz, a viverem mais de benevolência que de mera tolerância”.

domingo, 16 de dezembro de 2012

S. Tomás de Aquino e as 5 vias em quadrinhos


História em quadrinhos bem humorada sobre Tomás de Aquino que inclui as famosas cinco vias  para provar a existência de Deus, tirada da revista Action Philosophers 

Original em inglês extraído do site: http://sumateologica.wordpress.com/2012/05/30/tomas-em-quadrinhos/

Tradução livre: MÁRCIO CARVALHO (acaminhoteologia.blogspot.com)
(visualize melhor em tela cheia: clique no canto inferior direito do slide)

Resumo dos 6 Argumentos para a existência de Deus do Dr. Willian L. Craig



Apresento aqui os argumentos para a existência de Deus utilizados pelo Dr. Willian Lane Craig, teólogo, filósofo analítico e apologista evangélico estadunidense, conhecido por seu trabalho na Filosofia da Religião. (www.reasonablefaith.org)
Dr. Craig participou de vários debates com ateus e céticos e expõe, em geral, 6 argumentos a favor do teísmo. O presente resumo foi feito a partir do debate “Deus existe? Willian Lane Craig X Austin Dacey”:
Ao final do texto, alguns outros links de importantes debates.

Comentário crítico: Os argumentos do Dr. Craig e sua exposição são claros, válidos e convincentes, baseados na filosofia em diálogo com a ciência, principalmente a cosmologia. O sexto argumento, ele o declara, não é um argumento, mas poderia ser se apresentasse como senso religioso inato no homem, apoiado sobre dados sociológicos e antropológicos. Os argumentos filosóficos e cosmológicos poderiam ser mais aprofundados com os dados da filosofia tomista e as cinco vias. A origem protestante do Dr. Craig o impede de ir além nos testemunhos históricos da Tradição católica e no relato científico de milagres, importantes argumentos sempre atuais em favor da atuação direta de Deus na história.



Perguntados se Deus existe, temos que pensar em duas outras questões:
1.       Que boas razões existem para pensarmos que Deus existe?
2.       Que boas razões existem para pensarmos que Deus NÃO existe?
Dr. Craig expões seis linhas de evidências a favor da existência de Deus, deixando as razões para que Deus não exista para seu oponente no debate.

Razão 1: Deus é a melhor explicação para o porquê existe alguma coisa, além do nada.
Qualquer coisa que existe possui uma explicação para sua existência. E a explicação só pode ser de dois tipos: ou a causa está na sua própria natureza ou a causa é externa.
É óbvio que o Universo existe e existem explicações para sua existência, porque o Universo veio a existir no tempo, antes dele nada havia, segundo os cosmólogos. Logo, a causa do Universo é externa.
Então, a causa do Universo deve ser maior que o Universo, isto é, estar fora do espaço e do tempo, logo, imaterial e atemporal (pois não existia matéria e tempo antes do Universo).
Ora, só existem dois tipos de objetos que são assim: objetos abstratos, como números, ou uma mente inteligente.
Mas objetos abstratos não causam nada, portanto, se segue que a explicação do universo é uma causa pessoal, externa e transcendente.

Razão 2: A existência de Deus é inferida pela origem do universo.
Uma objeção pode surgir do primeiro argumento: o universo poderia existir de forma necessária, pela sua própria natureza. Mas este segundo argumento impede este escape: qualquer coisa que exista de forma necessária deve existir eternamente.
As ciências evidenciam que o Universo teve uma origem no tempo, no evento conhecido como Big Bang, do qual surgiu todo o espaço físico e o tempo. Não havia espaço, tempo e matéria pré-existente.
Mas a pergunta necessária é por que o Universo veio a existir. A menos que se queira crer que algo possa surgir do nada, temos por conclusão que
(1)    Qualquer coisa que comece a existir tem uma causa;
(2)    O Universo começou a existir;
(3)    Portanto, o Universo tem uma causa.
A causa do espaço e do tempo deve ser eterna, não espacial, imaterial e de um poder insondável. Além disso, deve ser um ser pessoal.
Porque deve haver um ser pessoal nessas condições? O único modo da causa ser eterna e o efeito ter início no tempo é se a causa for um agente pessoal, que livremente escolheu criar um efeito no tempo, sem nenhuma condição predeterminada.

Razão 3: O ajuste fino do universo aponta para um projetista inteligente.
As leis da natureza apresentam algumas constâncias, como a constante gravitacional. Estas não são determinadas pela natureza, mas foram elas que deram possibilidade de existência para o universo.
Ainda, existem certas quantidades arbitrárias colocadas como condições iniciais sobre as quais as leis da natureza operam, por exemplo, a quantidade de entropia ou o equilíbrio entre matéria e antimatéria.
Todas essas constantes e quantidades se encaixam extraordinariamente em uma faixa muito estreita de valores infinitesimais que permitem a existência de vida. Se esses valores e quantidades fossem infinitesimamente diferentes, nada existiria.
Existe somente três possibilidades de explicar este ajuste fino do universo:  necessidade física, acaso ou design (projeto).
Necessidade física não pode ser, pois vimos que os valores independem e são condições necessárias para as leis da natureza.
O Acaso, é matematicamente impossível. A probabilidade de que todas estas constantes e quantidade se encaixem é absurdamente pequena, e os acertos do acaso teriam que se repetir sequencialmente um número absurdo de vezes.
Portanto, o ajuste fino implica a existência de um Projetista inteligente.

Razão 4: É plausível que os valores morais objetivos sejam fundamentados em Deus.
Se Deus não existe, tampouco valores objetivos (válidos e obrigatórios por si, independente de pessoa ou aceitação).
Um certo evolucionismo moderno afirma que os valores morais são fruto de evolução tanto quanto órgãos e membros biológicos, portanto, uma moral objetiva é ilusória. Nietzsche, que proclamou a morte de Deus, entendeu que sem Deus não há sentido e valor objetivo para a vida.
A questão não é que devamos crer em Deus para reconhecer e viver valores morais. A questão é que na ausência de Deus como fonte da lei moral objetiva, não podemos reconhecer nenhuma moral, pois que seria fruto de evolução, portanto, mutável, não objetiva. Na visão ateísta, não há nada de absolutamente errado em estuprar alguém ou infringir qualquer sofrimento a um inocente. São meras convenções sociais evolucionárias.
Assim, (1) se Deus não existe, valores morais objetivos não existem. (2)E, mesmo que no fundo, todos sabem que valores objetivos existem. (3) Logo, Deus existe.

Razão 5: Os fatos históricos relacionados à vida, morte e ressurreição de Jesus.
Críticos do Novo Testamento chegaram a algum consenso de que o Jesus histórico veio à cena com um senso de autoridade divina. Ele levou uma vida austera de pregação e atos miraculosos.
Mas a confirmação suprema de suas afirmações foi sua ressurreição de dentre os mortos. Se Jesus ressuscitou, parece que temos um milagre divino em nossas mãos e, assim, uma evidência para a existência de Deus.
Existem três fatos históricos estabelecidos, reconhecidos pelos historiadores, que são evidências para  a ressurreição de Jesus:  (1) a tumba encontrada vazia no Domingo após a crucifixão; (2) a experiência de inúmeras aparições do ressuscitado; (3) os discípulos acreditaram na ressurreição num ambiente totalmente contrário a isso.
Tentativas de rejeitar esses fatos (se os discípulos roubassem o corpo; ou que Jesus não teria morrido de fato) são amplamente recusadas pelos críticos.
Portanto, (1) existem três fatos históricos confirmados a favor da ressurreição, (2) a hipótese “Deus ressuscitou Jesus de dentre os mortos” é a melhor explicação para estes fatos, (3) isto implicaria a existência de Deus, (4) portanto, Deus existe.

Razão 6: A experiência pessoal de Deus.
Este não é verdadeiramente um argumento, mas antes uma afirmação da sua existência simplesmente pela experiência pessoal imediata e evidente que dá sentido a vida.
Portanto, para acreditar que o ateísmo está correto, então o opositor terá primeiro que derrubar as seis razões apresentadas e em seu lugar apresentar razões porque o ateísmo é verdadeiro. A não ser que isto aconteça, nós podemos concluir que o teísmo é a cosmovisão mais plausível.

Respostas a algumas objeções:
Em geral se observa que os argumentos do ateísmo estão baseados na dúvida se Deus preenche ou não nossas expectativas. É uma pressuposição perigosa pensar que se nossas expectativas sobre Deus não forem satisfeitas, Deus não existe. O mais provável é que as expectativas estejam equivocadas.
Objeção 1: O sumiço de Deus
Não há razão para esperar mais evidências além das que Ele já deixou. Por que esperar mais evidências que um universo contingente, surgido do nada, o ajuste fino para a existência de vida inteligente, o conjunto de valores transcendentes, a ressurreição e as afirmações de Jesus, e a experiência imediata do próprio Deus?
O objetivo principal de Deus é atrair as pessoas para uma relação livre e amorosa com Ele, não apenas convencê-los de que Ele existe. Uma manifestação mais direta poderia ter o efeito contrária: forçar a relação não dá espaço para a liberdade e o amor.
Objeção 2: O sucesso das ciências naturais
Primeiro, é o teísmo que garante o sucesso das ciências naturais. O mundo é racional e opera segundo leis claras e observáveis, como vimos no argumento do design.
Segundo, Deus pode intervir periodicamente no processo natural que ele mesmo criou. Por exemplo, a ressurreição de Jesus. Toda a história de Israel foi pontuada com a autorrevelação de Deus na história.
Objeção 3: O dualismo mente-corpo ensinado pelo teísmo.
Correlações entre eventos cerebrais e mentais não provam que não existe um “eu”, alma ou mente imaterial que seja correlacionada com o cérebro. O materialismo reducionista diz que eu sou o mesmo que meu cérebro ou sistema nervoso. Porém, as propriedades mentais não são do mesmo tipo que propriedades físicas: “estados de espírito”, percepção moral e identidade pessoal, intenções, sabedoria, liberdade. Não saber como um agente imaterial interage com o material (o cérebro e o corpo) não é razão para negar a realidade da alma, muito menos que Deus existe.
Objeção 4: A evolução extravagante e ineficiente é incompatível com a existência de um Deus inteligente.
Em primeiro lugar, eficiência é importante apenas para uma pessoa que tenha tempo e recursos limitados. Dizer que a via que Ele escolheu é ineficiente é apenas afirmar que não correspondeu a nossas expectativas.
Segundo, o argumento supõe que a teoria macro-evolucionária é verdadeira, mas isso está longe de ser provado. Somente no exemplo do homo sapiens, existem pelo menos 10 passos tão improváveis que, antes que eles possam ter acontecido simplesmente pelo acaso, o sol e a Terra deixariam de existir.
Portanto, se a evolução aconteceu, isto seria literalmente um milagre, e portanto evidência para a existência de Deus.
Objeção 5: O sofrimento dos inocentes no mundo.
Deve-se distinguir “problema emocional do sofrimento” e “problema intelectual do sofrimento”. Dor e sofrimento são uma objeção emocional para reconhecer a existência de Deus, mas não intelectual.
Primeiro, não está claro que o sofrimento seja sem sentido. Apenas não estamos em condições de fazer esse tipo de julgamento. Ao sermos limitados por tempo e espaço, nós não temos condições de conhecer o fim da história e as razões dos acontecimentos. Isso não passa de ressentimento por não saber essa e tantas outras coisas.
Segundo, é logicamente impossível Deus nos dizer, de modo compreensível, a cada um, a razão de tudo. Ele nos diz de uma forma mais geral, de modo que podemos confiar nele e esperar o cumprimento de suas promessas para além desta vida.

Debate entre William Lane Craig e Jamal Badawi - LEGENDADO

Deus Existe? - Debate Craig & Atkins

Entrevista 'A Ressurreição' - William Lane Craig

Craig Versus Ehrman - O Debate da Ressurreição


 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vídeos: O senso moral como argumento para existência de Deus

Exposição sobre as grandes aspirações do ser humano, o senso moral e a responsabilidade.
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=Krjts-_v0ds
Parte 2: http://youtu.be/OggZC_achSU


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Frases da Patrística e dos santos sobre Nossa Senhora (em imagens)

Para usar, meditar e compartilhar!
31 frases selecionadas da Patrística e dos santos sobre Nossa Senhora, a Virgem Maria Santíssima, com belíssimas imagens.
































quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ano da fé em imagens e frases

Textos: Bento XVI, Porta Fidei e Homilia de abertura do Ano da Fé, em 11 de outubro de 2012.







quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como falar de Deus no mundo hoje

 Destaco:
"Como falar de Deus hoje? A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. A primeira condição para falar de Deus é também a escuta de quanto disse o próprio Deus. Deus falou conosco! Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus se interessa por nós, nos ama, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, se auto-comunicou até encarnar-se."
"Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro isso que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver."
"Aquele excepcional comunicador que foi o apóstolo Paulo nos oferece uma lição que vai direto ao centro da fé do problema “como falar de Deus” com grande simplicidade. [...] a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia que ele desenvolveu, não fala de ideais que encontrou em qualquer lugar ou inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com ele e falará conosco, fala de Cristo crucificado e ressuscitado. A segunda realidade é que Paulo não busca a si mesmo, não quer criar um time de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grande conhecimento, não busca a si próprio, mas São Paulo anuncia Cristo e quer ganhar as pessoas para o Deus verdadeiro e real."

Catequese do Papa - Como falar de Deus no mundo hoje - 28/11/2012

Boletim da Santa Sé
(Tradução: Jéssica Marçal – equipe CN Notícias)



CATEQUESE
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Caros irmãos e irmãs,

A pergunta central que hoje nos fazemos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho, para abrir estradas na sua verdade salvífica nos corações sempre fechado dos nossos contemporâneos e na mente deles tantas vezes distraídas por tantos estímulos da sociedade? O próprio Jesus, dizem-nos os Evangelistas, no anunciar do Reino de Deus se perguntou sobre isto: “A que podemos comparar o reino de Deus e com que parábola podemos descrevê-lo?” (Mc 4,30). Como falar de Deus hoje? A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. A primeira condição para falar de Deus é também a escuta de quanto disse o próprio Deus. Deus falou conosco! Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus se interessa por nós, nos ama, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, se auto-comunicou até encarnar-se. Então, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem também tempo para nós, ocupa-se de nós. Em Jesus de Nazaré nós encontramos a face de Deus, que desceu do seu Céu para imergir-se no mundo dos homens, no nosso mundo, e ensinar a “arte de viver”, o caminho da felicidade; para libertar-nos do pecado e tornar-nos filhos de Deus (cfr Ef 1,5; Rm 8,14). Jesus veio para salvar-nos e mostrar-nos a vida boa do Evangelho.

Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro isso que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver. Por isto, falar de Deus requer uma familiaridade com Jesus e o seu Evangelho, pressupõe uma nossa pessoal e real consciência de Deus e uma forte paixão pelo seu projeto de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus. O método de Deus é aquele da humildade – Deus se faz um de nós – é o método realizado na Encarnação na simples casa de Nazaré e na gruta de Belém, aquela da parábola do grão de mostarda. Não devemos temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que penetra na massa e lentamente a faz crescer (cfr Mt 13,33). No falar de Deus, na obra de evangelização, sob a orientação do Espírito Santo, é necessária uma recuperação da simplicidade, um retornar ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-Amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até a Cruz e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre a uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira. Aquele excepcional comunicador que foi o apóstolo Paulo nos oferece uma lição que vai direto ao centro da fé do problema “como falar de Deus” com grande simplicidade. Na Primeira Carta aos Coríntios escreve: “Quando cheguei no meio de vós, não me apresentei para anunciar o mistério de Deus com excelência da palavra ou de sabedoria. Decidi, na verdade, não dever saber coisa alguma no meio de vós senão Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (2,1-2). Então a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia que ele desenvolveu, não fala de ideais que encontrou em qualquer lugar ou inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com ele e falará conosco, fala de Cristo crucificado e ressuscitado. A segunda realidade é que Paulo não busca a si mesmo, não quer criar um time de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grande conhecimento, não busca a si próprio, mas São Paulo anuncia Cristo e quer ganhar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Paulo fala somente com o desejo de querer pregar aquilo que entrou na sua vida e que é a verdadeira vida, que o conquistou no caminho para Damasco. Então, falar de Deus quer dizer dar espaço Àquele que se faz conhecer, que nos revela a sua face de amor, quer dizer expropriar o próprio eu oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós a poder ganhar os outros para Deus, mas devemos conhecê-los pelo próprio Deus, para invocá-lo. O falar de Deus nasce também da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida da oração e segundo os Mandamentos.

Comunicar a fé, para São Paulo, não significa trazer a si mesmo, mas dizer abertamente e publicamente aquilo que viu e sentiu no encontro com Cristo, quanto experimentou na sua existência ora transformada pelo encontro: é trazer aquele Jesus que sente presente em si mesmo e tornou-se o verdadeiro sentido da sua vida, para fazer entender a todos que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada homem. O Apóstolo não se contenta de proclamar as palavras, mas envolve toda a própria existência na grande obra da fé. Para falar de Deus, é preciso dar-lhe espaço, na confiança de que é Ele que age na nossa fraqueza: dar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda de que quanto mais colocamos no centro Ele e não nós, mais a nossa comunicação será frutífera. E isto vale também para a comunidade cristã: esses são chamados a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamento, egoísmos, indiferença e vivendo na relação cotidiana o amor de Deus. Perguntemo-nos se são realmente assim as nossas comunidades. Devemos colocar-nos de modo a tornar-nos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós mesmos.

Neste ponto, devemos perguntar-nos como comunicava o próprio Jesus. Jesus na sua singularidade fala de seu Pai – Abbá – e do Reino de Deus, com o olhar repleto de compaixão pelos inconvenientes e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, direi, o essencial do anúncio de Jesus é que torna transparente o mundo e a nossa vida vale para Deus. Jesus mostra que no mundo e na criação aparece a face de Deus e nos mostra como nas histórias cotidianas da nossa vida Deus está presente. Seja nas parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com diversas sementes, ou na nossa vida, pensamos na parábola do filho pródigo, de Lázaro e em outras parábolas de Jesus. Dos Evangelhos vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que encontra, se emerge na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. E que realmente nesta história, secretamente, Deus está presente e se estamos atentos podemos encontrá-Lo. E os discípulos, que vivem com Jesus, as multidões que O encontram, veem a sua reação aos problemas mais absurdos, veem como fala, como se comporta; veem Nele a ação do Espírito Santo, a ação de Deus. Nele anúncio e vida se entrelaçam: Jesus age e ensina, partindo sempre de um íntimo relacionamento com Deus Pai. Este estilo torna-se um indício essencial para nós cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar com de Deus no hoje, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo, daquilo que dizemos com as palavras, que não são somente palavras, mas mostram a realidade, a verdadeira realidade. E nisso devemos estar atentos para entender os sinais dos tempos na nossa época, isto é, para identificar os potenciais, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, em particular o desejo de autenticidade, o anseio de transcendência, a sensibilidade para a salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta que oferece a fé em Deus. O Ano da Fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos caminhos em nível pessoal e comunitário, a fim de que em cada lugar a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.

Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus (cfr Cost. dogm. Lumen gentium, 11; Decr. Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental às suas vidas, no ser os primeiros catequistas e mestres da fé para seus filhos. E nesta tarefa é importante antes de tudo a vigilância, que significa saber entender as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso de fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica a respeito dos numerosos condicionamentos aos quais são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade em reconhecer as possíveis questões religiosas nas mentes dos filhos, às vezes evidentes, às vezes secretas. Depois, a alegria: a comunicação da fé deve sempre ter uma totalidade de alegria. É a alegria pascal, que não omite ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é mesmo este olhar novo, esta capacidade de ver com os próprios olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria profunda, é perceber a ação de Deus, reconhecer a presença do bem, que não faz barulho; e oferece orientações  preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente onde se aprende a estar junto, a conciliar os conflitos no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus.

Falar de Deus, então, quer dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não é o concorrente da nossa existência, mas sim é o seu verdadeiro assegurador, a garantia da grandeza da pessoa humana. Assim, retornamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e com a vida, isso que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor tão grande a ponto de encarnar-se, morrer e ressurgir para nós; aquele Deus que pede para segui-Lo e deixar-se transformar pelo seu imenso amor para renovar a nossa vida e as nossas relações; aquele Deus que nos doou a Igreja, para caminhar juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovar a inteira Cidade dos homens, a fim de que possa tornar-se Cidade de Deus.





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Livro (online): Sobre Deus. Mário Ferreira dos Santos

  • 1º capítulo - A experiência mística e a experiência natural
  • 2º capítulo: Idéia de Deus: teísmo, deísmo e ateísmo
  • 3º capítulo: Origens da idéia de Deus e razões gerais do ateísmo
  • 4º capítulo: Das provas da existência de Deus
  • 5º capítulo: O Universo: um Grande Pensamento1
  • 6º capítulo: Existência de Deus, segundo Balmes
  • 7º capítulo: Das provas "a posteriori"
  • 8º capítulo: Provas de Duns Scot
  • 9º capítulo: Argumentos contra a existência de Deus
  • 10º capítulo: Os atributos metafísicos de Deus para os teístas
  • 11º capítulo: Provas de São Boaventura sobre a existência de Deus
  • 12º capítulo: Discurso Final
  • 13º capítulo: - Análise dos atributos divinos
  • 14º capítulo - Os atributos divinos em geral
  • 15º capítulo - Os atributos de Deus
  • 16º capítulo - A Ciência de Deus
  • 17º capítulo: A exegese e a hermenêutica
  • 18º capítulo: Natureza de Deus
  • 19ºcapítulo: Da existência de Deus e da eternidade de Deus
  • 20ºcapítulo: - Da Unidade de Deus
  • 21ºcapítulo: Da Perfeição de Deus
  • 22º capítulo: Do Bem e da Bondade de Deus
  • 23º capítulo: Da Infinidade de Deus
  • 24º capítul:o Da Existência de Deus nas Coisas
 MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS - Sobre Deus

Sexo seguro

Sexo seguro: case-se e seja fiel ao seu cônjuge.
AIDS se previne com comportamento, não com instrumentos.

(facebook.com/cursoscatolicos)

Frases selecionadas (em imagens) de G. K. Chesterton

Chesterton foi um dos maiores intelectuais convertidos ao catolicismo na Inglaterra do século XX. Enfrentou com maestria todos os problemas filosóficos do seu tempo, deixando um grande legado em suas diversas obras.
 





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