quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Boletim mensal para formação litúrgica "Memento" Nov/2009 disponível

Disponível para download no formato PDF. Imprima em folha A4 frente e verso e dobre ao meio para obter o boletim.
Multiplique e distribua na sua comunidade!

Memento I-11. Nov/2009 - «Colocaram uma inscrição sobre a Sua Cabeça: "Este é o Rei"»; Os ministros inferiores; A participação do povo; A não-acepção das pessoas; Lendas litúrgicas; glossário: incenso; Qual o momento exato da consagração em que se deve estar de joelhos?; Por que só o sacerdote pode erguer as mãos na consagração e na doxologia?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A "Missa em latim" foi novamente permitida?

Primeiro, a língua latina nunca foi proibida, mas concedeu-se à língua vernácula (falada no lugar em que se celebra) lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições. Isso ocorreu com a reforma litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II, na década de 1960, dêsejando que se conservasse o latim, sinal da unidade e da universalidade da Igreja.
Segundo, é preciso diferenciar o rito novo e o rito tridentino.
O rito novo, promulgado por Paulo VI em 1969, tem como língua original o próprio latim - os missais nas línguas de cada país são apenas traduções aprovadas pela Santa Sé. Basta assistir as Missas papais para perceber que são celebradas todas em latim, e apenas as leituras, a homilia e as preces da comunidade são feitas em outros idiomas.
O rito tridentino, promulgado por São Pio V em 1570 e com missal atual de 1962, isto é, antes da reforma litúrgica, ainda é permitido. É o que comumente se diz “de costas para o povo” – expressão inadequada, pois a orientação é “de frente para Deus” e também o rito novo permite esta orientação.
Ambos os usos são permitidos, são oficialmente em latim, com partes traduzidas. Qualquer católico tem o direito de assistir à Missa Romana em qualquer forma e língua, pois o que se celebra é o mistério de Cristo, independente de nossa compreensão total dos ritos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Como e quando se fazem as genuflexões e inclinações?

A genuflexão, que se faz dobrando o joelho direito até ao solo, significa adoração; é por isso reservada ao Santíssimo Sacramento (ou à Cruz na Sexta-feira Santa).

Se o sacrário com o Santíssimo Sacramento estiver no presbitério (o mais comum), o sacerdote, o diácono e os outros ministros genuflectem, quando chegam ao altar, ou quando se afastam dele, não, porém, durante a própria celebração da Missa. Os ministros que levam a cruz ou as velas, em vez de genuflectirem fazem uma inclinação de cabeça.

A inclinação significa a reverência e a honra que se presta às próprias pessoas ou aos seus símbolos. As inclinações são de duas espécies: inclinação de cabeça e inclinação do corpo.

a) A inclinação de cabeça faz-se ao nomear as três Pessoas divinas conjuntamente, ao nome de Jesus, da Virgem Santa Maria e do Santo em cuja honra é celebrada a Missa.

b) A inclinação do corpo, ou inclinação profunda, faz-se: sempre ao altar; no Símbolo (Credo) às palavras E encarnou pelo Espírito Santo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A mediação de Maria

A mediação de Maria se dá pela intercessão, já testemunhada na sua história terrena como mediação materna. Elevada à glória de seu Filho, o primeiro ressuscitado, foi assimilada àquela comunhão dos santos que continuamente intercedem pela salvação de todos os homens, recorrendo à única mediação do Filho.
De fato, todos os que pertencem a Cristo são incorporados a Ele. Maria, com seu testemunho de serva, a primeira discípula, continua sua intercessão em favor da Igreja, da qual é membro supereminente por sua maternidade divina.
A obra de redenção do Filho é universal. Por Ele todos os homens são chamados à salvação, unicamente por Ele. A cooperação de Maria, sua intercessão, se reveste da mesma universalidade. Estando ela já assimilada a seu Filho, obtém-nos a graça de único Mediador. A mediação materna é subordinada, é em relação ao Filho, não em relação a si mesma.

sábado, 3 de outubro de 2009

Ano Sacerdotal, um "puxão de orelhas"

O papa Bento XVI, ao convocar um Ano Sacerdotal, quer chamar todos os sacerdotes a uma conversão interior e a uma revisão de seus ministérios. A Carta aos Sacerdotes e as reflexões feitas por ele e também por outros nos últimos meses bastam para percebemos tanto o "puxão de orelhas" em muitos sacerdotes, quanto o desejo de uma nova postura pessoal e eclesial.
A seguir, algumas citações livres, recolhidas de notícias da agência Zenit, que ilustram algumas das intenções do Ano Sacerdotal.

A eficácia deste ministério requer, portanto, que o sacerdote viva uma relação íntima com Deus, radicada em um amor profundo e em um conhecimento vivo das Sagradas Escrituras, "testemunho" escrito da Palavra divina.

Confessando-se é como se aprende a confessar. Dificilmente alguém pode ser confessor se não se confessa bem.
A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse uma coisa ordinária!
Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este sacramento.

Que a alegria seja o distintivo que se manifeste em toda a sua vida: quando pregam, quando celebram a Missa, quando trabalham no escritório e quando administram o sacramento da Reconciliação.
Muitas vezes os fiéis se aproximam com maior devoção e confiança quando nos veem serenos e alegres, quando transmitimos a paz que Cristo coloca em nossos corações.
O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia.

São os jovens desta nova geração que batem hoje à porta do Seminário e que necessitam encontrar formadores que sejam verdadeiros homens de Deus, sacerdotes totalmente dedicados à formação, que testemunhem o dom de si à Igreja, através do celibato e da vida austera, segundo o modelo do Cristo Bom Pastor. Assim esses jovens aprenderão a ser sensíveis ao encontro com o Senhor, na participação diária da Eucaristia, amando o silêncio e a oração, procurando, em primeiro lugar, a glória de Deus e a salvação das almas.
Os fiéis esperam somente uma coisa: que sejam especialistas na promoção do encontro do homem com Deus. Ao sacerdote não se pede para ser perito em economia, em construção ou em política. Dele espera-se que seja perito em vida espiritual.
Diante das tentações do relativismo ou do permissivismo, não é de fato necessário que o sacerdote conheça todas as atuais, mutáveis correntes de pensamento; o que os fiéis esperam dele é que seja testemunha da eterna sabedoria, contida na palavra revelada.
Cristo precisa de sacerdotes que sejam maduros, vigorosos, capazes de cultivar uma verdadeira paternidade espiritual. Para que isto aconteça, servem a honestidade consigo mesmos, a abertura ao diretor espiritual e a confiança na divina misericórdia.

O serviço pastoral “extraordinariamente fecundo” deste “anônimo pároco de uma longínqua aldeia do sul da França” é fruto de uma existência que foi “uma catequese viva”. Esta catequese “adquiria uma eficácia particularíssima quando as pessoas o viam celebrar a missa, deter-se em adoração diante do sacrário ou passar muitas horas no confessionário”.
Após o Concílio Vaticano II, “produziu-se aqui a impressão de que na missão dos sacerdotes, nesta nossa época, há algo mais urgente: alguns achavam que se deveria construir em primeiro lugar uma sociedade diferente”, ao invés de anunciar a Palavra e administrar os sacramentos.
“Rejeitai qualquer tentação de exibicionismo, carreirismo ou vaidade.
“Tendei para um estilo de vida caracterizado verdadeiramente pela caridade, castidade e humildade, à imitação de Cristo, o eterno Sumo Sacerdote, do qual vos deveis tornar imagem viva.
Os sacerdotes que não têm vocação para serem burocratas, só se tornam um deles quando são oprimidos e desmoralizados por uma diocese severa que possui “grandes iniciativas” e por alguns bispos que querem uma vida tranquila.

O sacerdote deve ser todo de Cristo e todo da Igreja, à qual é chamado a se dedicar com amor incondicional, como um marido fiel a sua esposa.
O sacerdote é um homem inteiro do Senhor, porque é o próprio Deus quem o chama e o constitui em seu serviço apostólico. E precisamente sendo inteiro do Senhor, é inteiro dos homens, para os homens.
Eu mesmo [Bento XVI] guardo ainda no coração a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio ato de levar o viático a um doente grave.
Logo que [João Maria Vianney] chegou, escolheu a igreja por sua habitação. Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá.
Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia.

"Senhor, dai-nos santos sacerdotes e dignos ministros"

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Instrução Dignitas Personae. Sobre algumas questões de bioética

Resenha:

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Instrução Dignitas Personae. Sobre algumas questões de bioética. Roma, 2008. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20081208_dignitas-personae_po.html.

Esta Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé sobre algumas questões de bioética parte do princípio da dignidade de toda pessoa humana e de que desde a concepção é devida a dignidade própria de uma pessoa. É uma atualização da Instrução Donum Vitae, pelos seus vinte anos de publicação, que conserva intacto seu valor, mas se fez necessário abordar novas questões da tecnologia biomédica (n. 1).

A Igreja Católica propõe uma visão integral do homem, na sua totalidade corporal e espiritual, e, para tanto, recorre à razão e a fé em suas proposições e avaliações. Incentiva a investigação científica, vista como serviço ao bem integral da vida e da dignidade de cada ser humano, e espera que os avanços sejam colocados ao alcance de todos (n. 3).

Argumentando pela fé, a dignidade da pessoa advém do fato de que esta possui uma vocação eterna e é chamada a partilhar o amor trinitário do Deus vivo. A origem da vida humana tem o seu contexto autêntico no matrimônio e na família, onde é gerada através de um ato que exprime o amor recíproco entre o homem e a mulher e que é símbolo do amor divino (n. 6-8).

À luz destes princípios, passa-se à avaliação dos novos problemas.

Em matéria de procriação, as técnicas que se apresentam como uma ajuda ou como cura da infertilidade não devem ser recusadas pelo fato de serem artificiais. Devem ser avaliadas com referência à dignidade da pessoa humana, respeitando o direito à vida e à integridade física de cada ser humano, a unidade do matrimônio e os valores especificamente humanos da sexualidade. Desse modo, são de excluir todas as técnicas de fecundação que substituem o ato conjugal, a menos que se configure apenas como uma facilitação e um auxílio para que aquele atinja a sua finalidade natural (n. 12-13).

As fecundações in vitro são inaceitáveis quando comportam eliminação voluntária de embriões. Mesmo quando a eliminação não é diretamente querida não é admissível, pois há uma dissociação da procriação do contexto integralmente pessoal do ato conjugal entre homem e mulher (n. 14-16). Por este mesmo motivo, também é ilícita a Injeção Intra-Citoplasmática de Esperma (ICSI) (n. 17) e o congelamento de ovócitos (n. 20), pois têm em vista uma fecundação in vitro.

O congelamento de embriões pressupõe a fecundação in vitro e não leva em conta a dignidade de pessoa do embrião, tratado como mero material biológico. O fato de que existem milhares de embriões congelados é uma injustiça irreparável (n. 18-19).

A redução embrionária, o diagnóstico pré-implantatório e quaisquer formas de intercepção e contra-gestação são moralmente ilícitos, pois caracterizam eliminação de embriões (n. 21-23).

Quanto à terapia genética, as intervenções nas células somáticas com finalidade estritamente terapêutica são, em linha de princípio, moralmente lícitas, observado o princípio deontológico geral. No estado atual da investigação da terapia genética germinal, não é moralmente admissível agir de modo que os potenciais danos derivantes se propaguem à descendência (n. 26-27).

A clonagem humana é intrinsecamente ilícita, enquanto pretende dar origem a um novo ser humano sem relação com o ato conjugal e sem nenhuma ligação com a sexualidade. O fato de uma pessoa determinar as características genéticas de outra representa uma grave ofensa à dignidade desta última (n. 28-30).

Sobre o uso de células estaminais, vale o princípio de que sua extração não danifique gravemente o sujeito (n. 32).

A hibridação, mistura de elementos genéticos humanos e animais, é uma ofensa à dignidade do ser humano por alterar a identidade específica do homem, além dos riscos ainda desconhecidos (n. 33).

Os cadáveres de embriões ou fetos humanos “não podem ser objeto de mutilação ou autópsia se a sua morte não for assegurada e sem o consentimento dos pais” e que “não tenha havido nenhuma cumplicidade com o aborto voluntário e que seja evitado o perigo de escândalo” (n. 35).

Sem deixar de reconhecer os problemas nos diversos aspectos da vida humana (n. 36), a Instrução Dignitas Personae reconhece que, nas suas proibições, está respondendo a uma real necessidade de defesa da dignidade da pessoa, sendo a Igreja, mais uma vez, voz daqueles que não a tem, naqueles campos em que atualmente o homem pode fazer mau uso de sua capacidade.