domingo, 31 de março de 2013

Inabitação da Trindade: Deus em nós

In-habitação: é a morada de Deus dentro de nós.
É uma linguagem e uma realidade espiritual, não que possamos dizer que Deus está aqui, "sentado no meu pulmão, escorado no meu coração".
É uma ação atribuída ao Espírito Santo, mas sabemos que a ação de uma das Pessoas é ação dos Três.
Deixemos que a Igreja explique:

"A inabitação do Espírito Santo

78. Certamente não desconhecemos quão difícil de entender e de explicar é esta doutrina da nossa união com o divino Redentor, e especialmente da habitação do Espírito Santo nas almas, pelos véus do mistério que a recatam e tornam obscura à investigação da fraca inteligência humana. Mas sabemos também que da investigação bem feita e persistente e do conflito e concurso das várias opiniões, se a investigação for orientada pelo amor da verdade e pela devida submissão à Igreja, brotam faíscas e se acendem luzes com que, mesmo neste gênero de ciências sagradas, se pode obter verdadeiro progresso. Por isso não censuramos os que, por diversos caminhos, se esforçam por atingir e quanto possível declarar este tão sublime mistério da nossa admirável união com Cristo. Uma coisa, porém, devem todos ter por certa e indubitável, se não querem desviar-se da verdadeira doutrina e do reto magistério da Igreja: rejeitar toda a explicação desta mística união que pretenda elevar os fiéis tanto acima da ordem criada, que cheguem a invadir a divina, a ponto de se atribuir em sentido próprio um só que seja dos atributos de Deus. Retenham também firmemente aquele outro princípio certíssimo, que nestas matérias é comum à SS. Trindade tudo o que se refere e enquanto se refere a Deus como suprema causa eficiente.
79. Note-se também que se trata de um mistério recôndito, que neste exílio terrestre nunca se poderá completamente desvendar ou compreender nem explicar em linguagem humana. Diz-se que as Pessoas divinas habitam na criatura inteligente enquanto presentes nela de modo imperscrutável, dela são atingidas por via de conhecimento e amor, (53) de modo porém absolutamente íntimo e singular, que transcende a natureza humana. Para formarmos disto uma idéia ao menos aproximativa, não devemos descurar o caminho e método que o Concílio Vaticano tanto recomenda nestas matérias, para obter luz com que se possa vislumbrar alguma coisa dos divinos arcanos, isto é, a comparação dos mistérios entre si e com o bem supremo a que se dirigem. E é assim que Nosso sapientíssimo Predecessor de feliz memória Leão XIII, tratando desta nossa união com Cristo e da habitação do Espírito Paráclito em nós, muito oportunamente fixa os olhos na visão beatífica, que um dia no céu completará e consumará esta união mística. "Esta admirável união, diz ele, que com termo próprio se chama "inabitação", difere apenas daquela com que Deus no céu abraça e beatifica os bem-aventurados, só pela nossa condição (de viajores na terra)".(55) Naquela visão poderemos com os olhos do Espírito, elevados pelo lume da glória, contemplar de modo inefável o Pai, o Filho e o Divino Espírito, assistir de perto por toda a eternidade às processões das divinas Pessoas e gozar de uma bem-aventurança semelhantíssima àquela que faz bem-aventurada a santíssima e indivisível Trindade."
22. A incorporação em Cristo, realizada pelo Baptismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Podemos dizer não só que cada um de nós recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um de nós. Ele intensifica a sua amizade connosco: « Chamei-vos amigos » (Jo 15, 14). Mais ainda, nós vivemos por Ele: « O que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: « Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós » (Jo 15, 4).
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_20030417_eccl-de-euch_po.html

sábado, 30 de março de 2013

A consciência humana e divina de Jesus

É um campo em que cabem muitas opiniões, porque não é um tema essencial para a fé e a salvação das almas saber o modus operandi da mente de Jesus, porém temos que ter o cuidado de não afetar o essencial de sua mensagem.

Em resumo da questão, eu diria que Jesus tinha plena consciência de si e de sua missão, incluindo vários aspectos do futuro, em virtude daquilo que Ele "viu do Pai", da sua união hipostática. A consciência, porém, não precisa ser absoluta e imediata, mas progressiva e somente naquilo que era necessário.

O que a Igreja já formulou a respeito, são as quatro proposições seguintes. Estão no documento, em espanhol: A consciência que Jesus tinha de si mesmo e de sua missão. No texto completo há mais comentários.

1 - La vida de Jesús testifica la conciencia de su relación filial al Padre. Su comportamiento y sus palabras, que son las del «servidor» perfecto, implican una autoridad que supera la de los antiguos profetas y que corresponde sólo a Dios. Jesús tomaba esta autoridad incomparable de su relación singular a Dios, a quien él llama «mi Padre». Tenía conciencia de ser el Hijo único de Dios y, en este sentido, de ser, él mismo, Dios.

2 - Jesús conocía el fin de su misión: anunciar el Reino de Dios y hacerlo presente en su persona, sus actos y sus palabras, para que el mundo sea reconciliado con Dios y renovado. Ha aceptado libremente la voluntad del Padre: dar su vida para la salvación de todos los hombres; se sabía enviado por el Padre para servir y para dar su vida «por la muchedumbre» (Mc 14, 24).
3 -
Para realizar su misión salvífica, Jesús ha querido reunir a los hombres en orden al Reino y convocarlos en torno a sí. En orden a este designio, Jesús ha realizado actos concretos, cuya única interpretación posible, tomados en su conjunto, es la preparación de la Iglesia que será definitivamente constituida en los acontecimientos de Pascua y Pentecostés. Es, por tanto, necesario decir que Jesús ha querido fundar la Iglesia.
4 -
La conciencia que tiene Cristo de ser enviado por el Padre para la salvación del mundo y para la convocación de todos los hombres en el pueblo de Dios implica, misteriosamente, el amor de todos los hombres, de manera que todos podemos decir que «el Hijo de Dios me ha amado y se ha entregado por mí» (Gál 2, 20).

Também convido-os a ler o comentário da mesma Comissão Teológica Internacional na notificação sobre as obras de Jon Sobrino, da teologia da libertação, no item V. A auto-consciência de Jesus Cristo, n. 8.

Não é possível separar, sem perigo de cair nas velhas heresias citadas no nosso material, o que seria da natureza humana e o que seria da natureza divina em Jesus. A consciência de Jesus, segundo os documentos citados acima, é consequência de sua divindade:

"A consciência filial e messiânica de Jesus é a consequência directa da sua ontologia de Filho de Deus feito homem. "
"Jesus, o Filho de Deus feito carne, tem um conhecimento íntimo e imediato do seu Pai, uma “visão” que certamente vai para além da fé. A união hipostática e a sua missão de revelação e redenção requerem a visão do Pai e o conhecimento do seu plano de salvação. "
“Os seus olhos [os de Jesus] permanecem fixos no Pai. Precisamente pelo conhecimento e experiência que só Ele tem de Deus, mesmo neste momento de obscuridade Jesus vê claramente a gravidade do pecado e isso mesmo fá-l’O sofrer."
“Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar"
Jesus atribui à sua morte um significado em ordem à salvação; de modo especial Mc 10,45 (Mt 20,28): “o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e a dar a vida como resgate de muitos”; e as palavras da instituição da Eucaristia: “Este é o meu sangue da aliança, que será derramado por muitos”
Lembro-me também da sua agonia: "Pai, afasta de mim esse cálice", e antes ainda:
Mc 8,31-33 (cf. Mt 16,21-28), em algum lugar perto de Cesareia de Filipe, após a confissão de Pedro. “Então começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto e que depois de três dias ressuscitasse”
Mc 9,30-32: “O Filho do homem será entregue às mãos dos homens, e tirar-lhe-ão a vida; e depois de morto, ressurgirá ao terceiro dia. Mas eles não compreendiam estas palavras, e temiam interrogá-lo.”
Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze, e em caminho lhes disse: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará. (Mt 20,17-19).
Com o método histórico-crítico e, pior, ligado à teologia da libertação, essas e outras passagens foram destituídas de valor real, mas seriam reconstruções. A Notificação citada diz, simplesmente, sobre isso: "Os dados neo-testamentários são substituídos por uma hipotética reconstrução histórica, que é errada."
Se negarmos a consciência de Jesus do seu sofrimento, podemos negar o caráter de dom e de sacrifício de sua morte. Como disse antes, pode-se admitir um crescimento nessa consciência divina, mas nunca para depois do início de sua missão pública. Isso explica também o porque do seu escondimento e fuga daqueles que já no início queriam fazê-lo rei.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Jesus está comprovadamente na História?

Os Evangelhos são considerados as melhores fontes históricas, reconhecidas por historiadores não religiosos. Os Evangelhos narram com riqueza de detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a terra da Palestina no tempo de Jesus. Os evangelistas não poderiam ter inventado...

Quem provou a autenticidade dos Evangelhos foram os racionalistas dos séculos XVII e XVIII.

Mas há também outros escritos da época, que citam Jesus:


Documentos de escritores romanos:
Tácito, historiador romano, escritor, orador, cônsul (ano 97) e procônsul da Ásia romana (110-113), falando do incêndio histórico de Roma (64): “Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então Nero imaginou culpados e entregou às torturas esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Este nome vêm de Cristo, que, sob o reinado de Tibério foi condenado ao suplício por Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha sua origem, mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44)
Suetônio, historiador, ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (ano 41-54) afirma que este “expulsou de Roma os judeus, que sob o impulso de Cristo, se haviam tornado causa freqüente de tumultos”. (Vita Claudiis XXV) (Esta informação coincide com o relato dos Atos dos Apóstolos 18,2)
Também Plínio, o Jovem, governador romano da Bitínia, escreveu ao imperador romano Trajano, em 112: “os cristãos estavam habituados a se reunir em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus” (Epístolas, I.X 96).
Documentos Judaicos
Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia: “Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré...”
Flávio Josefo, historiador judeu (37-100), fariseu: “Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas,... Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a)
Este último foi colocado em suspeita de ter sido adulterado o texto, mas os outros permanecem irrefutáveis.

Casamentos mistos e sanação radical

O Código de Direito Canônico diz que “[...] entre batizados não pode haver contrato matrimonial válido que não seja por isso mesmo sacramento.” (c. 1055 § 2)
Isso significa que basta ser batizado para haver casamento cristão. Quando há uma parte católica e outra não-católica, porém batizada, se reconhece como casamento cristão. Há apenas que se pedir licença ao bispo para a realização deste casamento dito de "mista religião", que é concedida se a parte católica se comprometer em se manter na fé católica e fazer todo o possível para educar os filhos na mesma. A parte não-católica deve aceitar esse compromisso (isso é feito por escrito no documento de habilitação matrimonial).

Coisa semelhante acontece quando uma parte não é cristã, isto é, não é batizada. Agora, porém, trata-se de um impedimento, mas que pode ser retirado pelo bispo, se é feito o mesmo processo e os mesmos compromissos do caso acima. Chama-se impedimento de disparidade de culto, e pede-se ao bispo a dispensa do requisito do batismo.


Sobre a ausência do ministro da Igreja, trata-se também de um impedimento: não há matrimônio válido se não ocorre na forma canônica (numa igreja, na presença do ministro, com o ritual aprovado, etc, etc.), bem como é inválido um casamento misto que ocorre sem a autorização do bispo.

No entanto, por ato de amor da Igreja, é possível "remediar" tais situações através da "sanação radical" ou "na raiz", como está bastante claro no cânon 1161:

"§1. A sanação radical de um MATRIMÔNIO NULO é a sua CONVALIDAÇÃO, sem renovação do consentimento, CONCEDIDA PELA AUTORIDADE COMPETENTE, trazendo consigo a dispensa do impedimento, se o houver, e TAMBÉM DA FORMA CANÔNICA, se não tiver sido observada, como ainda a retroação dos efeitos canônicos do passado.
§2. A convalidação é feita desde o momento em que se concede a graça; mas a retroação se entende feita até o momento da celebração do matrimônio, a não ser que expressamente se determine outra coisa.
§3. NÃO SE CONCEDA A SANAÇÃO RADICAL SE NÃO FOR PROVÁVEL QUE AS PARTES QUEIRAM PERSEVERAR NA VIDA CONJUGAL".

quinta-feira, 28 de março de 2013

Alguns títulos da hierarquia católica

Partindo da base, o BATISMO, temos basicamento três estados de vida, modos de viver a vocação cristã:


  • o laicato - a vida consagrada - as ordens sagradas

Leigos são todos os batizados que não são religiosos ou ordenados (bispos, padres, diáconos). Têm como missão própria viver o projeto de Deus em todos os ambientes, com todas as obras, preces, vida familiar e trabalho cotidiano. Anunciam Deus ao mundo mediante o testemunho de vida e da palavra. Os fiéis leigos intervêm diretamente na vida política e social e colaborando com todos, como autênticas testemunhas do Evangelho e agentes de paz e de justiça.

Os religiosos, homens ou mulheres, são aqueles que decidem seguir Cristo com maior liberdade e imitá-lo mais de perto, consagrando, cada um a seu modo, a própria vida a Deus. Trabalham exclusivamente para levar a mensagem de Cristo, abrindo mão de possuir bens próprios, de constituir família e sendo obedientes à Igreja e aos superiores. Podem ser padres, irmãos ou irmãs, ou leigos consagrados (oblatos, ordens terceiras, novas comunidades); é, por isso, um estado peculiar "intermediário", que pode conter leigos ou ordenados.

A hierarquia da Igreja, propriamente dita, é formada pelas ordens sagradas.
Pertence à hieraquia da Igreja aquele que recebe o sacramento da ordem num dos três graus: diaconato, presbiterato ou episcopado.
  • o diácono serve a Igreja na caridade, na liturgia e na Palavra. Pode ser transitório (será ordenado presbítero posteriormente) ou permanente (casado ou celibatário). Suas funções específicas são servir diretamente ao bispo (mas também o presbítero) na liturgia, organizar o serviço da caridade, pregar, realizar os sacramentais (bênçãos diversas, exéquias), ministrar o batismo e assistir aos matrimônios.
  • o presbítero e o bispo exercem o sacerdócio em Cristo:
      • O bispo é sucessor direto de um dos Apóstolos. Têm como missão serem testemunhas do ensinamento de Cristo, ensinando, santificando e servindo o povo de Deus, como fizeram os Doze Apóstolos. Os bispos tornam-se responsáveis por uma parte dos fiéis, de uma região chamada diocese.
      • Os presbíteros (padres) são os colaboradores dos bispos. Acompanham mais de perto o povo, servindo-o com a oração, a pregação, as celebrações, principalmente a Santa Missa.
Os restantes títulos todos pertencem a uma das classes acima, representando sua função na Igreja ou algum título de honra. Entre eles se destacam:
  • O Papa. Dentre os Apóstolos, Jesus escolheu um para ser o líder: Pedro. Dentre os bispos do mundo inteiro, um é escolhido para ser o líder de toda a Igreja: o Papa, bispo de Roma, que é sucessor direto de Pedro. Sua missão é confirmar e unir todos os bispos e todo o povo numa só fé e num só ensinamento.
  • Os Cardeais são colaboradores diretos do Papa. É um cargo de nomeação que o Papa faz a qualquer ordenado, mas que normalmente, para melhor desempenho de sua função, antes ou depois da nomeação, é um bispo. O Cardeal pode exercer o seu ministério sacerdotal na sua diocese de origem, mas é também incorporado ao clero de Roma, recebendo, por isso, uma das paróquias romanas. Poderá ser cardeal diácono, cardeal presbítero ou cardeal bispo (são títulos para indicar sua posição no clero de Roma, não a sua ordem sacra).
  • O Arcebispo é um bispo de uma importante (arqui)diocese, superior de uma Província eclesiástica (grupo de dioceses).
  • O Monsenhor é um título honorífico concedido pelo bispo a alguns de seus padres. Pela sua importante função na diocese, recebem esse título, normalmente, os Vigários Gerais (auxiliam o bispo no governo da diocese) e Judiciais (tribunais eclesiásticos).

quarta-feira, 27 de março de 2013

A exceção de Mt para o divórcio e casos de nulidade do matrimônio

A exceção que Mateus nos apresenta é “exceto em caso de porneia” (παρεκτςλόγου πορνείας – Mt 5.32; μ π πορνεί  Mt 19.9). 

1. Há um consenso em dizer que a exceção dada por Mateus é o caso de união ilegítima, falsa, nula. O termo grego é porneia, que levou alguns tradutores a traduzir por fornicação ou adultério, mas é provável no seu "rascunho" aramaico Mateus tenha usado algum termo técnico, como zenut, desconhecido para o grego, para matrimônio nulo.
O termo é usado em Lv 18 para todos os tipos de uniões sexuais ilícitas, particularmente casos de consanguinidade. Não seria, portanto, um casamento válido, mas um concubinato. Essa interpretação é reforçada pelo caso da Igreja de Corinto (1Cor 5, o filho com a mulher do pai) em que o termo é usado.

2. Não há, em hipótese alguma, "anulação" de casamento religioso. Um casamento válido só é desfeito pela morte. É um erro de terminologia que pode levar a erro de conceitos.
Há, porém, o reconhecimento da nulidade de uma celebração matrimonial, que significa que o casamento não ocorreu, por um erro no momento do consentimento (nunca por um erro posterior), mesmo que tenha sido descoberto tempos depois de casados.

Há, segundo o Código de Direito Canônico da Igreja, dezenove motivos de nulidade (merecem um curso à parte, aqui somente a título de informação):


A. Falhas de consentimento (cânones 1057 e 1095-1102)
1. Falta de capacidade para consentir (cânon 1095)
2. Ignorância (cânon 1096)
3. Erro (cânones 1097-1099)
4. Simulação (cânon 1101)
5. Violência ou medo (cânon 1103)
6. Condição não cumprida (cânon 1102)

B. Impedimentos dirimentes (cânones 1083-1094)
7. Idade (cânon 1083)
8. Impotência (cânon 1084)
9. Vínculo (cânon 1085)
10. Disparidade de culto (cânon 1086,- cf cânones 1124s)
11.. Ordem Sacra (cânon 1087)
12. Profissão Religiosa Perpétua (cânon 1088)
13. Rapto (cânon 1089)
14. Crime (cânon 1090)
15. Consangüinidade (cânon 1091)
16. Afinidade (cânon 1092)
17. Honestidade pública (cânon 1093)
18. Parentesco legal por adoção (cânon 1094)

C. 19. Falta de forma canônica na celebração do matrimônio (cânones 1108-1123)

Somente um Tribunal Eclesiástico pode reconhecer a nulidade matrimonial. Isso é feito a partir de um processo que conta com investigação, testemunhas, depoimentos, defesa e juízes eclesiásticos.

Cronologia da Semana Santa

(Quaisquer revisão fundamentada e correções serão benvindas. Referências no final da página.)

Durante a Semana Santa, trazemos novamente à memória a última semana de vida terrena de nosso Salvador, Jesus Cristo. Há certas dificuldades em se elaborar uma cronologia destes acontecimentos, devido a "divergências" entre os evangelistas, os quais colocam alguns fatos em um dia ou em outro, como é o caso da refeição em Betânia, colocada por Mateus na quarta-feira (Mt 26,6) e apresentada por João nas vésperas do domingo (Jo 12,1).

Mas estas aparentes contradições apenas reforçam a veracidade do testemunho evangélico, em vez de desacreditá-lo, mostrando que cada um dos dois evangelistas e apóstolos os apresentam conforme os viveram e deles se lembram ao narrá-los.

Domingo de Ramos (8 de Nisã)

Maria unge os pés
de Jesus
Vésperas do domingo (sábado após o pôr-do-sol):
Jantar na presença de Marta, Maria e Lázaro, onde Maria unge Jesus com nardo puríssimo (Jo 12,1-11). Mateus e Marcos apresentam esse fato na quarta-feira (Mt 26,6; Mc 14, 1) e dão alguns detalhes, como o nome do anfitrião (Simão, o leproso)

Domingo pela manhã
(Seguindo pela cronologia apresentada no Evangelho de João. O dia seguinte em Jo 12, 12, é provavelmente a manhã do dia 8 de Nisã, já que o dia judaico inicia-se no pôr-do-sol da véspera)

Entrada Messiânica de Jesus em
Jerusalém
(Mt, 21,1-11; Mc  11, 1-10; Lc 19,28-40; Jo 12,12-16)

Marcos encerra aqui a atividade messiânica de Jesus, após entrada deste no Templo para observá-lo (Mc 11, 10)

Lucas insere no contexto da entrada de Jesus em Jerusalém o lamento e o choro de Jesus sobre a cidade (Lc 19, 41-44)

Expulsão dos vendilhões do Templo (Mt 21, 12-17; Lc 19,45-48). Marcos coloca-o na segunda-feira; João insere essa passagem no contexto da primeira ida de Jesus a Jerusalém, três anos antes da Paixão (Jo 2, 13)

Ensino no Templo (Lc 19, 47-48)

João apresenta a seguir uma discussão sobre a glorificação e a identidade do Filho do Homem, sendo difícil precisar o dia em que a mesma acontece (Jo 12, 20-36)

À tarde, Jesus retorna para Betânia (Mt 12,17; Mc 11,11)

Segunda-feira Santa (9 de Nisã)
Os dias que precedem a ceia pascal são marcados por discursos e debates em Jerusalém. Mateus apresenta uma série destes, sem muita preocupação cronológica, mas é possível dividi-los em dias.

Lucas, igualmente, não delimita os dias, mas apresenta os discursos sem uma ordem cronológica determinada. Os dias de segunda a quarta-feira são apresentados como dias de ensino no Templo e vigília ao relento no monte das Oliveiras (Lc 21, 37). Dessa forma, Lucas não fala da estadia de Cristo em Betania, como o fazem os outros dois sinóticos.

Segunda-feira Santa: 9 de Nisã

Maldição da  figueira: Mt 21, 18-22, Mc 11, 12-14. Mateus diverge de Marcos, pois apresenta a figueira secando instantaneamente, enquanto Marcos mostra a maldição na segunda e a figueira seca no dia seguinte. Mas o significado é o mesmo: o povo judeu não produziu os frutos esperados.

Expulsão dos vendilhões do templo: Mc 11, 12-14. Apenas Marcos coloca este fato na segunda, enquanto Mateus e Lucas  o apresentam no próprio domingo. Com esse evento, Marcos marca o fim do dia.

Mateus apresenta então uma discussão e duas parábolas neste dia:
Discussão sobre a autoridade de Jesus: Mt 21, 23-27
Parábola dos dois filhos: Mt, 21, 28-32
Parábola dos vinhateiros homicidas: Mt 21, 33-45

O versículo 45 parece indicar o término da ação daquele dia, enquanto o primeiro versículo do capítulo 22 indica uma continuidade de alguma coisa interrompida (Jesus voltou a falar-lhes...).

Terça-feira Santa (10 de Nisã)
Para os judeus, o dia 10 de Nisã é o dia da escolha do cordeiro pascal (Ex 12, 3). É no contexto desse dia que se pode inserir a traição de Judas (Mt 26,14; Mc 14, 10-11; Lc 22, 3-6). Assim, é no décimo dia que os  chefes dos sacerdotes "escolhem" o seu cordeiro sem defeito, para o sacrifício pascal.

Terça-feira Santa (10 de Nisã)

A figueira seca (Mc 11, 20). Marcos insere a conclusão do episódio da figueira seca no dia seguinte aos acontecimentos de 9 de Nisã, mas com o mesmo simbolismo de Mateus.

Marcos insere aqui os discursos e discussões apresentados por Mateus no dia anterior:
Discussão sobre a autoridade de Jesus (Mc 11, 27-33)
Parábola dos vinhateiros homicidas (Mc 12, 1-12)

O dia em Mateus parece iniciar-se com o discurso sobre o banquete nupcial (Mt 22, 1-14; cf. Lc 14, 16-24). Depois, há a discussão sobre o tributo a César, inserido no mesmo contexto pelos outros sinóticos (Mt 22, 15-22; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26); a discussão com os saduceus sobre a ressurreição dos mortos (Mt 22, 23-33; Mc 12, 18-27; Lc 20, 27-40); a disputa sobre o maior mandamento, contra os fariseus, a qual é apresentada por Lucas em outro contexto histórico (Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-31); a pergunta de Jesus sobre a divindade do Cristo (Mt 22, 41-46; Mc 12, 35-37; Lc 20, 41-44), parte esta que pode considerar-se em Marcos como pertencente à quarta-feira.  Nesse contexto, pode se considerar encerrado o dia em Mateus.

Quarta-feira Santa (11 de Nisã)
Pode-se considerar que o dia inicia-se em Mateus com os discursos ao  povo. Jesus não se dirigirá aos fariseus e aos mestres da Lei antes da sua Paixão. Praticamente é este o último dia de ensinamento público de Cristo antes da Redenção, e é marcado por maldições e terríveis profecias.

Quarta-feira Santa (11de Nisã)

Marcos parece iniciar o dia com a auto-apresentação de Jesus como filho de Davi e como superior a este (Mc 12, 35-37), fato colocado por Mateus antes da interrupção que consideramos como dia (Mt 22, 46: "E a partir daquele dia...").

O dia é marcado por repreensões sobre a hipocrisisa e a falsidade dos escribas e fariseus (Mt 23, 1-12; Mc 12, 38-40; Lc 20, 45-47). Mateus apresenta as terríveis maldições de Jesus contra os fariseus e escribas, no total de sete (Mt 23, 13-36) e uma maldição sobre Jerusalém (Mt 23, 37-39).

Em vez de apresentarem as maldições de Cristo, Marcos e Lucas sobrepõem os fariseus ao exemplo de uma pobre viúva, capaz de comover o coração de Jesus, a qual "dá tudo que possuía para viver" (Mc 12, 41-44; Lc 21, 1-4).

Após estes fatos, Jesus sai do Templo e possivelmente de Jerusalém. Contemplando o Templo ornado, possivelmente a partir do Monte das Oliveiras, ele deveria parecer bastante esplêndido. Mas Cristo prediz a destruição deste lugar. Lucas ambienta este discurso dentro de Jerusalém (Lc 21, 5-7), e possivelmente nos átrios do próprio recinto sagrado. Mateus e Marcos, na saída de Cristo da cidade (Mt, 24, 1; Mc 13, 1).

Os evangelistas apresentam bastantes particularidades em seus relatos. Mateus concatena a queda de Jerusalém e a destruição do Templo com o final dos tempos e o retorno de Jesus (Mt 24, 1-31), intercalando as parábolas sobre a vigilância, a da figueira (Mt 24, 32-41), do ladrão (Mt 24, 42-44), do mordomo (Mt 24, 45-51), das dez virgens (Mt 25, 1-13), dos talentos (Mt 25, 14-30) e encerrando com a vinda gloriosa do Filho do Homem e o Juízo Final.

Marcos e Lucas são bem próximos em seus relatos, e apresentam a predição sobre a perseguição aos discípulos (Mc 13, 5-13, Lc 21, 8-19), a destruição de Jerusalém (Mc 13, 14-23, Lc 21, 20-24), a parusia de Cristo (Mc 13, 24-27, Lc 21, 25-28) e a parábola da figueira (Mc 1, 28-32; Lc 21, 29-33). Marcos apresenta a breve parábola do senhor que voltará à noite (Mc 21, 43-36), enquanto Lucas coloca uma exortação à vigilância (Lc 21, 34-36).

Mateus e Marcos encerram o dia com o jantar em Betânia, na casa de Simão, o leproso, e a unção de  Jesus (Mt 26, 6-13; Mc 14, 3-9). Lucas encerra o dia anunciando que Satanás entrara no coração de Judas e este combinara entregar Jesus (Lc 22, 1-5), mas tal relato encaixaria melhor no contexto do dia 10 de Nisã.

QUINTA-FEIRA SANTA

20H00: Jesus Despede-se de Maria, Sua Mãe, e prepara-se para a Santa Ceia.



Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos? Ele respondeu: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem carregando uma bilha de água; segui-o até a casa em que ele entrar, e direis ao dono da casa: O Mestre pergunta-te: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará no andar superior uma grande sala mobiliada, e ali fazei os preparativos. Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. (Lc 22, 7-13)


21H00: Jesus lava os pés aos discípulos e institui o Santíssimo Sacramento.



Durante a ceia, - quando o demónio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo, sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela. Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós. (Jo, 13, 2-5. 12-15)

22H00: Jesus faz as Suas últimas recomendações e vai ao horto rezar.



Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: A Minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo. (Mt 26, 36-38)

23H00: Jesus faz a oração no Horto.




Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. (Mt 26, 39)

* * *
SEXTA-FEIRA SANTA
(Horários aproximados estimados para referência. Há ainda debates sobre a datação da Ceia e horas da condenação e morte de Jesus. Ver artigo PR março/1959 aqui)

00 Horas: Jesus entra em agonia.



Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo. (Lc 22, 43)
Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, (Lc 22, 44)

01h00: Jesus sua sangue.



E o seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. (Lc 22, 44)

02H00: Jesus é traído por Judas e é preso.



Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. Disse-lhe Jesus: Amigo, então, a que vieste? (Mt 26, 47-50)
Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão. Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas. (Lc 22, 52-53)

03H00: Jesus é conduzido a Anás.




Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.
Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.

O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei. A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates? (Jo 18, 13-23)

04H00: Jesus levado a Caifás.





Anás enviou o preso ao sumo sacerdote Caifás. (Jo 18, 24). Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. (Mt 26, 59). Levantaram-se, então, alguns e deram esse falso testemunho contra ele: Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens. Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos. O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembleia e perguntou a Jesus: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti? Mas Jesus se calava e nada respondia. (Mc 14, 57-61)

O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito? Jesus respondeu: Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu. O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. Para que desejamos ainda testemunhas?!, exclamou ele. Ouvistes a blasfémia!... (Mc 14, 64-64)

05H00: Jesus é negado por Pedro




Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote. Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré. Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou. (Mc 14, 66-68)

Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo.

Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante duas vezes, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. (Mt 26, 71-75)

6H00: Jesus é levado ao conselho e declarado réu de morte.




Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho. Perguntaram-lhe: Diz-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis; e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis. Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus. Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou. Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca. (Lc 22, 66-71)

Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. (Mt 27, 3-10)

07H00: É conduzido a Pilatos e acusado.



Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim? Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súbditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo. Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei?
Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... (Jo 18, 33-38)

Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem? Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti.
Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei.

Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém.

Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que género de morte havia de morrer. (Mt 20,19).
Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma. (Lc 23, 4)


08H00: Jesus é reconduzido a Pilatos e é solto Barrabás.



Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar. (Lc 23, 13-16)

09 Horas: Jesus é flagelado preso à coluna.



Pilatos então mandou então flagelar Jesus (Jo 19,1) Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a corte. (Mc 15, 16) Em verdade, ele tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas. (Is 53, 4-5)

10H00: Jesus é coroado de espinhos e mostrado ao povo.




Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça... diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. (Jo 19, 2-3) Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. (Mt 27, 28-30)

11H00: Jesus é condenado à morte e sobe ao Calvário.




Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César! (Jo 19, 14-15)


Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. (Mt 27, 24-26)


Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direcção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota. (Jo 19, 17)

Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus. (Lc 23, 26)


Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco? (Lc 23, 27-31)

12H00: Jesus é despojado das suas vestes e crucificado.



Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados. (Jo 19, 23-24)

Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus. Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. (Jo 19, 19-22)

13H00: Jesus entrega-nos a Sua Mãe Santíssima.




Encontravam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém. (Mc 15, 40-41)



Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo levou-a para a sua casa. (Jo 19, 26-27)

14H00: Jesus perdoa os seus algozes



E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lc 23,34.)

15H00: JESUS MORRE NA CRUZ.



Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca. (Jo 19, 29) Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. (Jo 19, 30) Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. (Lc 23, 46).

16H00: O lado de Jesus é aberto pela lança.



Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o Sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (Jo 19, 31-34)

17H00: Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe.



Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem recto e justo. Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os actos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. (Lc 23, 50-52)

Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido. Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo. (Mc 15, 44-45)

18H00: Jesus é sepultado e deixado no sepulcro





Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. (Jo 19, 38-40)

No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo. (Jo 19, 41-42)


As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galileia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o corpo de Jesus ali fora depositado. (Lc 23, 55-56)
Rolaram uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro.
Os judeus selaram a pedra e puseram soldados a guardar o sepulcro.

SÁBADO
(Nada acontece.)

DOMINGO
·  JESUS SAI DO TÚMULO
Na aurora do terceiro dia, Jesus ressuscitou dentre os mortos e saiu glorioso do túmulo.
De repente, sentiu-se um grande tremor de terra. Do céu desceu um anjo que rolou a pedra do túmulo para o lado e se sentou em cima dela. O seu rosto brilhava como um relâmpago e os seus vestidos eram brancos como a neve. À vista do anjo, os guardas foram tomados pelo medo e caíram como mortos.
·  JESUS APARECE ÀS SANTAS MULHERES (Marcos 15,47; Lucas 23.55)
Jesus aparece a Maria Madalena (Marcos 16,2-13; João 20,11-18)
Ao raiar do sol, algumas mulheres piedosas foram ao sepulcro para embalsamar o corpo de Jesus. Quando lá chegaram, viram a pedra que o fechava afastada para o lado. O anjo disse-lhes: "Procurais a Jesus de Nazaré que foi crucificado? Ressuscitou! Não está mais aqui! Ide dizer aos discípulos".
Quando regressavam, apareceu-lhes Jesus e disse: "Eu vos saúdo!". Cheias de alegria, prostraram-se para o adorar.
·  JESUS APARECE AOS DISCÍPULOS DE EMAÚS (Marcos 16.12-13; Lucas 24.13-35)

Nesse mesmo dia, dois discípulos seguiam para uma aldeia chamada Emaús e iam falando sobre os acontecimentos dos três últimos dias. Jesus aproximou-se deles, mas não o reconheceram. Perguntou Jesus: "Que conversas são essas e por que estais tão tristes?". E eles contaram-lhe. Então Jesus começou a instruí-los nestas palavras: "Não era preciso que o Cristo sofresse tais coisas para entrar na sua glória?". E explicou-lhes o que dele havia sido dito em todas as Escrituras.
Quando chegaram a Emaús, pareceu-lhes que Jesus ia para mais longe. Por isso disseram-lhe: "Ficai conosco porque já é tarde e o dia se encerra". Jesus entrou com eles na hospedaria e, estando com eles à mesa, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu. Então seus olhos se abriram e puderam reconhecê-lo. Mas Jesus desapareceu imediatamente.
Jesus aparece a dez discípulos (Marcos 16,14; Lucas 24.36-43; João 20,19-25)

 ·  JESUS APARECE AOS APÓSTOLOS NO CENÁCULO


Estando os apóstolos e os discípulos reunidos em Jerusalém, numa sala à portas fechadas, Jesus entrou de repente e disse-lhes: "A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou também eu vos envio". Depois destas palavras, soprou sobre eles, dizendo: "Recebam o Espírito Santo! Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos".
+++ A partir daqui, não se sabe com precisão as datas +++
·  JESUS DESIGNA PEDRO PARA CHEFE DA IGREJA

Um dia, Jesus manifestou-se a sete discípulos junto do lago de Genesaré. E disse a Pedro: "Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?". Pedro respondeu: "Sim, Senhor, vós sabeis que eu vos amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta os meus cordeiros".
Jesus perguntou pela segunda vez: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?". Pedro respondeu: "Sim, Senhor, vós sabeis que eu vos amo". Jesus disse-lhe: "Apascenta os meus cordeiros". Perguntou ainda pela terceira vez: "Simão, filho de Jonas, tu me amas?". Pedro ficou triste porque Jesus perguntara-lhe pela terceira vez: "Tu me amas?". E respondeu: "Senhor, vós sabeis tudo, bem sabes que eu te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas".
·  A ASCENSÃO DE JESUS

Quarenta dias depois da ressurreição, Jesus apareceu mais uma vez aos apóstolos no Cenáculo, em Jerusalém. E disse-lhes: "Ide pelo mundo inteiro e ensinai todas as nações. Batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Depois levou-os ao monte das Oliveiras e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, subiu ao céu. Os apóstolos estavam a vê-lo subir quando dois anjos vestidos de branco apareceram e lhes disseram: "Este Jesus tornará a descer do céu da mesma forma como o vistes subir". Os apóstolos voltaram para Jerusalém repletos de alegria.
·  O ESPÍRITO SANTO DESCE SOBRE OS DISCÍPULOS

Reunidos no Cenáculo, em Jerusalém, os discípulos de Jesus passaram nove dias inteiros em oração. O décimo dia era o Pentecostes dos judeus.
De repente, ouviu-se do céu um ruído semelhante ao de uma tempestade, que encheu toda a casa. Ao mesmo tempo, apareceram umas línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles. E todos começaram a falar em línguas estrangeiras.
Ouvindo o ruído, muita gente acorreu até aquela casa. Pedro começou a falar: "Homens de Israel, ouvi! Este Jesus de Nazaré, que vós crucificastes, ressuscitou dos mortos. E eis que nos enviou o Espírito Santo".
Muitos dos judeus pediram então o batismo. Eram quase três mil.
·  A IGREJA ESPALHA-SE POR TODO O MUNDO
Depois do Pentecostes, os apóstolos pregaram o Evangelho, primeiro aos judeus, depois aos pagãos. Muitos acolheram a doutrina de Jesus e passaram a se chamar cristãos.
[A Igreja de Jesus Cristo foi se espalhando diariamente pelo mundo. É assim que a Igreja Católica existe há vinte séculos. Aumentará cada vez mais e não terminará nunca. Esta foi a promessa feita por Jesus Cristo, seu divino fundador, aos apóstolos: "Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos!".]


REFERÊNCIAS: