sexta-feira, 26 de março de 2010

Declarações sobre os casos de pedofilia

 Diante da onda de ataques contra a Igreja Católica e, particularmente, ao Papa Bento XVI, (vide notícias relacionadas no Google Notícias), na qual as notícias são lançadas superficialmente, deturpadas, copiadas, recopiadas, remascaradas e difundidas, falta um pouco de seriedade da imprensa.
Por que o levantamento de tantos casos passados, justamente agora, e a tentativa ferrenha de relacionar o Papa em todo e qualquer caso? Segundo algumas personalidades da Igreja, como os Cardeais Bertone, Saraiva Martins, Pe. Lombardi, Pe. Cantalamessa, tudo isso faz parte de uma intensa campanha contra a Igreja, que vem por ondas. Estamos agora no topo, com a tentativa de incriminar o Santo Padre.
Mas a verdade prevalecerá. E a Igreja sairá vitoriosa, conforme a promessa de seu Divino Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Veja as últimas declarações sobre os casos, muito mal (ou nunca) conhecidas pela imprensa sensacionalista:

"Declaração do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, SI, sobre o caso MURPHY

A seguir está o texto completo da declaração dada ao New York Times, em 24 de março de 2010: (original em inglês)

O trágico caso do padre Lawrence Murphy, um sacerdote da Arquidiocese de Milwaukee, envolveu vítimas particularmente vulneráveis, que sofreram terrivelmente com o que ele fez. Por abusar sexualmente de crianças que eram deficientes auditivos, o Padre Murphy violou a lei e, mais importante, a confiança sagrada que suas vítimas havia colocado nele.

Durante meados dos anos 1970, algumas das vítimas do Pe. Murphy relataram seu abuso às autoridades civis, que investigaram-no naquele momento; no entanto, segundo relatos da imprensa, a investigação foi abandonada. A Congregação para a Doutrina da Fé, não foi informado do assunto, até cerca de vinte anos depois.

Tem sido sugerido que existe uma relação entre a aplicação do Crimen sollicitationis [Instrução sobre crime de solicitação durante uma confissão sacramental] e a não notificação de maus-tratos às autoridades civis no caso em apreço. Na verdade, não existe essa relação. De fato, ao contrário de algumas afirmações que têm circulado na imprensa, nem Crimen, nem o Código de Direito Canônico nunca proibiram o relato de abuso às autoridades policiais.

Na década de 1990, depois de mais de duas décadas passadas que o abuso tinha sido relatado aos à diocese e à polícia, foi apresentado à Congregação para a Doutrina da Fé pela primeira vez a questão de como tratar o caso Murphy canonicamente. A Congregação foi informada do assunto, porque se trata de solicitação no confessionário, que constitui uma violação do sacramento da Penitência. É importante notar que a questão canônica apresentada à Congregação foi alheia a qualquer processo civil ou criminal potencial contra o Padre Murphy.

Em tais casos, o Código de Direito Canónico não prevê sanções automáticas, mas recomenda que seja feito um julgamento, não excluindo mesmo a maior pena eclesiástica de demissão do estado clerical (cf. cânone 1395, no. 2). À luz dos fatos de que o Padre Murphy era idoso e com a saúde muito ruim, e que vivia em reclusão e que as alegações de abuso tinham sido relatadas há mais de 20 anos, a Congregação para a Doutrina da Fé sugeriu que o arcebispo de Milwaukee, em consideração a resolução da situação, por exemplo, restringisse o ministério público de Pe. Murphy exigindo que ele assumisse a plena responsabilidade pela gravidade de seus atos. Pe. Murphy morreu cerca de quatro meses depois, sem mais incidentes."

Declaração do dia 26/03/2010 (em inglês e italiano):

"O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé , padre Federico Lombardi, quando perguntado por repórteres sobre um novo artigo no The New York Times em 26 de março, com referência ao período em que o cardeal Ratzinger foi arcebispo de Mônaco da Baviera, referiu-se ao comunicado divulgado esta manhã, da Arquidiocese do Mónaco, onde se lê: "O artigo no The New York Times não contém nenhuma informação nova para além do que a arquidiocese já informou sobre o conhecimento da situação do então padre H".

A Arquidiocese confirma sua posição de que o então arcebispo não sabia da decisão de restabelecer o padre H. à pastoral paroquial.

Recusa-se qualquer outra versão como mera especulação.

O então vigário-geral, Dom Gerhard Gruber, assumiu total responsabilidade por sua própria decisão errada de reassumir H.  à paróquia."

terça-feira, 16 de março de 2010

Mensagem do Papa aos jovens: enfrentar o Eterno

Mensagem na íntegra, clique aqui.

Na vigésima quinta edição da Jornada Mundial da Juventude, o tema remete ao primeiro ano (1985), quando o Venerável Papa João Paulo II escreveu a primeira carta destinada diretamente aos jovens: "Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?" (Marcos 10,17).
O trecho evangélico que serve de reflexão (Mc 10,17-22) é o diálogo entre um jovem rico e Jesus. Bento XVI destaca o movimento daquele jovem em procurar conversar com Jesus, chamado "Bom Mestre", e a atitude de Jesus que "olhou para ele e o amou" (Mc 10,21). O Papa exorta então, repetindo João Paulo II, a "desenvolver uma conversa com Cristo".
À  pergunta típica "O que devo fazer?", o Papa encoraja os jovens a enfrentar esse tipo de questão, escutar o desejo do próprio Deus e não ter medo da resposta. Como ao jovem do evangelho, Jesus também faz uma proposta a cada um hoje, "Vem, segue-me", que exige uma resposta sem cálculos e interesses, com confiança sem reservas em Deus. Aquele que não tem a coragem de seguir este apelo, vai embora triste, como o personagem do evangelho. Ao contrário, "Ele sabe como dar uma grande alegria para aqueles que respondem com coragem!"
"Mas o que é a "vida eterna", a que se refere o jovem rico?" Parece uma questão distante a muitos jovens de hoje. Mas a vida plena que todos buscam não se dá em horizontes limitados e passageiros; deve-se levar em conta a eternidade. "Deus nos criou para estar com Ele para sempre". Este horizonte "ajudará a dar sentido pleno a sua escolha e acrescentará qualidade a sua existência."
A citação dos mandamentos por Jesus vai contra ao pensamento que sugere uma liberdade irrestrita. "Os mandamentos não limitam a felicidade, mas ensinam como encontrá-la".
Frente aos desafios de hoje, como os já elencados na encíclica Caritas in Veritate - o uso dos recursos da terra e do respeito pela ecologia, a justa divisão dos bens e controle dos mecanismos financeiros, a solidariedade com os países pobres, como parte da família humana, a luta contra a fome no mundo, a promoção da dignidade do trabalho humano, o serviço à cultura da vida, a construção da paz entre os povos, o diálogo inter-religioso, o uso apropriado dos meios de comunicação - o Papa apela aos jovens: "Precisamos de vocês". "Não desanimem nem desistam de seus sonhos![...] se quiserem, o futuro está em suas mãos, porque os dons e as riquezas que Deus tem presos no coração de cada um de vocês, moldados pelo encontro com Cristo, pode trazer esperança real para o mundo!"

sexta-feira, 12 de março de 2010

Alegria pela vida nova

Reflexão para o 4º Domingo da Quaresma



Lc 15,20: “Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou”. (Veja também: 1ª leitura: Js 5,9a.10-12; Salmo 33; leitura: 2Cor 5,17-21; Evangelho: Lc 15,1-3.11-32).

Alegria pela vida nova

Já passamos da metade do itinerário quaresmal e já despontam no horizonte os sinais da Ressurreição. É um Domingo de Alegria em meio a um tempo de penitência. Como pode? A penitência tem por fim a alegria. Porque Deus quer o amor mais que os sacrifícios (Os 6,6), no sentido de que as ações devem ser motivadas por boas intenções.
Os israelitas, após seus quarenta anos de deserto, chegam, enfim, à Terra Prometida (1ª leitura). Lá, cessa o maná, do qual estavam fartos, e comem do pão sem fermento, figura da realidade nova onde os erros do passado já não são levados em conta, (2ª leitura) e figura do novo povo de Deus, a Igreja, em que o alimento é o próprio Cristo, feito alimento eterno.
O Evangelho do Domingo da Alegria é a parábola do pai misericordioso, ou do filho pródigo, ou dos dois filhos, conforme o aspecto que se queira ressaltar. No contexto do tempo litúrgico, um aspecto importante se faz notar: o filho mais jovem sai em busca da felicidade. Ele, com o pai e o irmão eram donos de uma próspera propriedade, mas parece que estava farto do cotidiano da família e do trabalho. Apesar de ter o suficiente (talvez até mais!) para a subsistência, tentou uma vida diferente, esbanjando os bens. Só caiu em si quando percebeu que seus bens se acabaram (como todos os bens se acabam) e que se tinha colocado abaixo dos porcos!
Quando a segurança material e os prazeres imediatos não mais escravizam o homem, este, liberto, descobre a misericórdia do Pai que nem sequer pergunta pelos erros passados, mas se alegra e convida a todos à sua alegria.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Contra a tese da ruptura histórica na Igreja de Cristo

Audiência do Papa Bento XVI em 10 de março de 2010, continuando a catequese sobre São Boaventura. 

"Nós sabemos como, depois do Concílio Vaticano II, alguns estavam convencidos de que tudo é novo, que há uma outra Igreja, que a Igreja pré-conciliar é finita e teríamos outra, totalmente diferente. Um utopismo anárquico e, graças a Deus, os sábios timoneiros da barca de Pedro - Papa Paulo VI, Papa João Paulo II - defenderam, por um lado, a novidade do Concílio e, ao mesmo tempo, a unicidade e continuidade da Igreja, que é sempre Igreja de pecadores e sempre um lugar de graça".
"Também hoje vale afirmar: 'Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt' ['As obras de Cristo não retrocedem, não são enfraquecidas, mas progridem'], ide avante. São Boaventura nos ensina, pelo exemplo, o discernimento necessário do realismo sóbrio e da abertura a novos carismas doados por Cristo, no Espírito Santo, à sua Igreja".
"A riqueza das palavras de Cristo é inesgotável, e também entre as novas gerações podem parecer novas luzes. A unicidade de Cristo também nos garante novidade e renovação em todos os períodos".

"1. [...] Deus é um só para toda a história e não pode ser dividido em três divindades; [contra a ideia que considera o Antigo Testamento como a era do Pai, seguida pelo tempo do Filho, o tempo da Igreja e ainda a se esperar pela terceira era, do Espírito Santo] [...]
2. Jesus Cristo é a última palavra de Deus - n'Ele, Deus disse tudo, dizendo e dando a si mesmo. [...] Portanto, não há um outro Evangelho superior, não há uma outra Igreja a se esperar. [...]
3. Isso não significa que a Igreja seja imóvel, fixa no passado, e não possa exercer novidade alguma"
  

10.000!

Demorou mas chegou. Às 06:50 do dia 10 de março de 2010 (!) chegamos a 10 mil visitas.
Obrigado aos leitores!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Campanha da Fraternidade empobrece a Quaresma

Tenho dito. Um tempo de preparação para a Páscoa, acima de tudo, ajudados pela penitência, a contemplação do Mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, a oração, a esmola, o jejum. Eis o que deveria ser a Quaresma.
A celebração do católico é a Santa Missa, a Eucaristia, "fonte e ápice de toda a vida cristã", memorial do Sacrifício Redentor. Ela não é palco para discussão de temas.
A inserção da Campanha da Fraternidade no período da Quaresma empobrece as liturgias. Há alguns anos não havia mais cantos quaresmais, mas apenas os "cantos da Campanha", que mudavam a cada ano, gerando desconfortos mil. Fato é que agora só há um hino, mas que continua sendo colocado no momento errado. Os cantos quaresmais e o silêncio dos instrumentos é substituído por animadas canções temáticas. O despojamento do espaço litúrgico dá lugar a cartazes e outras firulas.

Uma pesquisa realizada pelo blogueiro Jorge Ferraz confirma este meu sentimento. Foi pesquisado no texto-base da Campanha da Fraternidade 2010 vários termos e contado suas ocorrências. O resultado estatístico fala por si mesmo:


  • “Jesus”: 37 ocorrências (“Nosso Senhor”, uma única ocorrência, na oração da CFE).
  • “Católica” e “católicos”: 8 ocorrências.
  • “Conversão” (e derivados): 7 ocorrências.
  • “Oração”: 5 ocorrências (sendo duas vezes no título “oração da CFE 2010″, a do índice e a da página correspondente).
  • “Caridade”: 4 ocorrências.
  • “Esmola”: 3 ocorrências.
  • “Pecado” (e derivados): 2 ocorrências.
  • “Jejum”: 2 ocorrências (e recomendo que vejam quais são!!).
  • “Virgem Maria” (a pesquisa foi feita por “Maria”): 2 ocorrências (“Nossa Senhora”, nenhuma).
  • “Arrependimento” (e derivados): 2 ocorrências.
  • “Sacramento”: 2 ocorrências.
  • “Papa”: 2 ocorrências.
  • “Magistério”: 1 ocorrência.
  • “Penitência”: nenhuma ocorrência.
  • “Eucaristia”: nenhuma ocorrência.
  • “Missa”: nenhuma ocorrência.
  • “Sacerdote”: nenhuma ocorrência.
  • “Calvário”: nenhuma ocorrência.
  • “Cruz”: nenhuma ocorrência.
  • “Trindade”: nenhuma ocorrência.
  • “Santificação”: nenhuma ocorrência (“santificar” tem duas, no comentário sobre o Pai Nosso).
  • “Redenção” (e derivados): nenhuma ocorrência (“Redentor” aparece uma única vez, numa nota de rodapé, em referência – pasmem! – a um livro sobre Martin Luther King, chamado “O Redentor Negro”! Está à página 55).
  • “Confissão” (sacramento): nenhuma ocorrência (há duas referências a “confissão”, na expressão “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”, com as maiúsculas por conta da CNBB).
Em contrapartida:
  • “Economia (e derivados): 142 ocorrências.
  • “Solidariedade” (e derivados): 81 ocorrências.
  • “Pobre” (e derivados): 75 ocorrências.
  • “Direito(s)”: 74 ocorrências.
  • “Terra”: 64 ocorrências.
  • “Trabalho”: 56 ocorrências.
  • “Social” (e derivados): 54 ocorrências.
  • “Política” (e derivados): 39 ocorrências.
  • “Mercado” e “Mercadoria”: 30 ocorrências.
  • “Desenvolvimento”: 29 ocorrências.
  • “Povo”: 27 ocorrências.
  • “Miséria”: 12 ocorrências.
  • “Exploração” (e derivados): 11 ocorrências.