Comentário ao artigo "Marcha da Maconha: legalização ou barbárie", publicada em 02/05/2008 às 19h04m (http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/05/02/marcha_da_maconha_legalizacao_ou_barbarie-427176164.asp) de Renato Cinco.
A falência da política de proibição de drogas é evidente, mas a política inversa não será solução definitiva, como bem reconhece o autor. Dizer que a legalização da maconha “fará desaparecer a principal fonte de financiamento do crime de rua e uma das principais fontes de corrupção das autoridades” é no mínimo inocente ignorância. É desconhecer que a maior movimentação financeira vem de drogas mais pesadas e que a legalização do comércio de um produto não significa que desaparecerão os meios ilegais de adquiri-lo.
Por trás do desejo de descriminização está a defesa de uma prática já realizada, não o desejo de um debate público. E ainda: passeatas não são nem de longe a melhor forma de discutir uma questão, principalmente se for polêmica. A passeata só mostra um lado da questão. Os debates sérios já acontecem há algum tempo e nunca foram proibidos.
Se juridicamente a defesa da descriminização não significa apologia ao ato defendido (no caso, quem defende a legalização da maconha não está necessariamente incentivando seu uso), não é assim para o espectador de uma tal passeata. Para uma criança ou adolescente mais vale uma bela passeata do que um debate fechado em meio político ou acadêmico. O direito à livre expressão não dá direito a defender qualquer coisa e de qualquer jeito.
domingo, 8 de junho de 2008
Marcha da Maconha: legalização ou barbárie

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