sábado, 14 de março de 2009

Teólogos liberais e teólogos "do Magistério"

Tenho ouvido e visto ultimamente alguns pretensos sábios criticarem os teólogos fiéis ao Magistério da Igreja e ao Papa – este também muito ou mais criticado. Os adjetivos empregados e as ideologias de fundo são em geral os mesmos. Atribuem a tais teólogos os adjetivos de medievais, enlatados, quadrados, nos seus sentidos pejorativos, é claro. Ouvindo isso muitas vezes nos últimos dias, refleti sobre esses adjetivos num sentido positivo.
Ora, chamar algum intelectual, como um teólogo, por exemplo, de medieval, deveria soar como elogio. Basta um pouco de conhecimento histórico despreconceituado para se saber que o Medievo foi o auge da razão e, principalmente, da ciência teológica.
Mas foi o último adjetivo que me provocou maior reflexão, e é o que mais tenho ouvido. Na visão desses críticos “abertos”, “flexíveis”, “interdisciplinares”, “ecumênicos”, “livres” (assim é como muitos deles se autoqualificam), um teólogo “quadrado” é alguém pronto, que não reflete, com conhecimento reduzido, um mero repetidor de fórmulas.
Essa forma de pensar tem a ver com a existência ou não da verdade absoluta e a possibilidade ou não do seu conhecimento. Sem mais delongas, a verdade existe. Do contrário todo discurso seria impossível. Se a verdade existe, ela é absoluta, imutável. Do contrário não seria verdade.
A teologia é um caso à parte entre as ciências, por não ser descoberta ou construção humana. O objeto da teologia é Deus, que, como tal, não é totalmente acessível por exceder nossa capacidade de compreensão. Logo, não há teologia se não há revelação de Deus. O único que pode falar com total acerto sobre Deus é ele mesmo.
A Revelação total e definitiva de Deus se deu por Jesus Cristo. O Verbo Eterno, o Filho, se encarnou, entrou na história, deu-nos a conhecer o Pai e a Sua vontade. De modo que não havemos de esperar outra revelação pública até o fim dos tempos .
O que cabe à teologia, então, é atualizar e compreender cada vez melhor a única Verdade, revelada de uma vez por todas em e por Cristo. Toda essa Verdade foi confiada por Ele àqueles que escolheu, os Apóstolos, para que a propagasse. Os Apóstolos, por sua vez, confiaram também esse encargo a seus imediatos sucessores para que, unidos entre si e tendo por vínculo de unidade a Pedro, esse evangelho chegasse incólume a todos os povos de todos os tempos1.
A teologia que não tem por critério de autenticidade a fé apostólica não é verdadeira teologia. O teólogo cristão tem a base firme da Tradição e de seu produto: a Sagrada Escritura. E é regulado e subordinado ao Sagrado Magistério Apostólico, intérprete, por autoridade divina, da Tradição e da Bíblia2. O teólogo cristão não é, pois, “redondo” ou disforme, levado por qualquer vento de doutrina, mas está preso, livremente, à Igreja, “coluna e fundamento da verdade” (I Tm 3,14-15), construída sobre o alicerce dos Apóstolos.

*****

1 Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina, 4.
2“... e as portas do inferno não levarão vantagem sobre ela (a Igreja)” (Mt 16,18). “Eis que estou convosco (com os Apóstolos) todos os dias até o fim do mundo(Mt 28,20); “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito (defensor), para que fique eternamente convosco” (Jo 14,16); “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14,26). “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2Pe 1,20); “Nelas (nas cartas de Paulo) há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pe 3,16).

Blog Widget by LinkWithin
Postar um comentário