terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A águia, a galinha e a inveja

Breve apreciação do livro "A águia e a galinha", do herege Leonardo Boff, para quem rezo a Deus que tenha seu nome apagado das cátedras da história, pelo bem da humanidade.

Ainda que da metáfora que dá nome ao livro do ex-frei, e ainda marxista amargurado Leonardo Boff, pudesse ser retirado alguma boa mensagem, a obra toda reflete o pensamento do autor, o que de si desqualifica a propagação de sua mensagem.

De uma simples história, a princípio inocente, o doutrinador pseudo-cristão consegue destilar, como uma simplicidade que beira o insuportável, toda uma complexa visão revolucionária do mundo. A começar por exaltar o autor da história-metáfora. Para entender a admiração de Boff pelo autor, basta citar uma frase destacada no texto: "Sou socialista, sou marxista e sou cristão". Para ele que "mamou" na Igreja até quando pôde, não importa as condenações dos últimos dez papas contra o comunismo, o socialismo, o marxismo (http://www.apostoladoscr.com.br/2010/08/os-10-ultimos-papas-condenam-o.html). O papa do Concílio Vaticano II, Beato João XXIII, disse que “nenhum católico pode aprovar sequer o socialismo moderado”.

Mas como o barbudo não está "nem aí" para o que a Igreja diz, continuemos a resenha.

O discurso que ele faz é muito fácil; ao homem "excluído" falta uma dimensão águia, que tem que se desprender da "dominação". Típico da mentalidade revolucionária, não pensar no verdadeiro chão da história, mas num futuro hipotético, com grande desprezo pelas conquistas dos antepassados.

Algumas das personalidades-exemplo citadas ao longo do livro, são de causar náusea ao conhecedor mediano da história. Che Guevara um "mestre referencial"? Seria porque ele odiava negros, matava homossexuais e quem não fosse "da causa", ou porque queimava livros?

Da própria metáfora, ele não explica as limitações. Se esquece que a águia, a dimensão humana que, segundo ele, deve se libertar dos dominadores, passa a viver da rapina. Não encontra no seu céu ideal o sustento. Quem muito sobe e se desprende da necessária miséria ontológica humana, tem que roubar o seu sustento daquele lugar que passou a negar. Qualquer semelhança com a política brasileira atual não é mera coincidência, visto ter as mesmas bases ideológicas.

A mentalidade revolucionária, libertadora, e afins, tem sua semente na inveja e produz cada vez mais inveja. Um homem que cobiçava um bem de outrem, sem ter capacidade de tê-lo, passou a negá-lo. Assim, como não podia adquirir o objeto de sua cobiça, diz para si mesmo e para todos que aquilo lhe pertence de direito, mas aquele que o possui o oprime. Prega então a revolta. E a revolta tem por fim, pasme-se, inverter a situação: passar a ser dominador daqueles que, por direito, dominam.

Da metáfora poderia se tirar a lição espiritual que o homem tem o desejo do Infinito (com todas as letras: Deus, não a prosperidade material, a realização pessoal ou qualquer discurso politicamente correto). Mas até nesse ponto o excomungado não perde a oportunidade de professar heresia. Diz ele que a divindade é uma energia (claro, ele é materialista, e matéria é energia), que todos participamos da divindade, mergulhados nela, temos Deus dentro de nós, no sentido panteísta ou panenteísta (ele não se decide), não no sentido cristão da redenção em Cristo.

Boff prefere pregar a utopia, um mundo extremamente confortável de se pregar, mas impossível de se viver. Deus criou a desigualdade, sim, distribuiu os carismas de acordo com a capacidade de cada um, em vista do bem comum, não dos bens-em-comum. A sociedade igualitária pregada pelos revolucionários é uma nivelação da miséria, como se todos tivessem condições de ser tudo. A fé cristã prega, ao contrário, o serviço, o desprendimento, o Reino de Deus, que não é deste mundo.

"Quem quiser ganhar esta vida, vai perdê-la". E "foi pela inveja do diabo que entrou o pecado no mundo".

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