sábado, 9 de fevereiro de 2008

A confissão de Pedro

Resumo de
RATZINGER, Joseph. Duas balizas importantes no caminho de Jesus: a confissão de Pedro e a Transfiguração. In: _____. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007. p. 247-270.

Lugar que se deu a confissão: região da Cesaréia de Filipe (Mt e Mc). Pela tradição, uma parede de pedra sobre o Jordão. Ocorrereu a caminho de Jerusalém. Significa o começo do seguimento, o convite à decisão e onde a Igreja teve seu início. A decisão do seguimento é apoiada no conhecimento de Jesus, manifestado por Pedro ante a pergunta de Jesus (E vós, quem dizeis que eu sou?).
Em Lc, a pergunta é colocada num contexto de intimidade (9,18: Jesus orava em particular, cercado dos discípulos). O discípulo realmente conhece, não só tem uma “opinião” a respeito de Jesus como “os outros”, as multidões.
Sobre as opiniões acerca de quem Jesus é, opiniões que o enquadram como profeta, são aproximações não totalmente erradas. P. ex., Elias representa a reconstituição de Israel e Jeremias (Mt) a renovação da aliança em meio à decadência.
Também hoje se faz esse tipo de aproximação sobre a pessoa de Jesus como exemplo de humanidade ou de experiência de Deus.
O conhecimento dos discípulos, expresso na confissão de Pedro, é dito de formas diferentes pelos evangelistas: Mc: o Cristo; Lc: o Cristo de Deus; Mt: o Cristo, o Filho do Deus Vivo; Jo: o Santo de Deus. Para Grelot, é Mc quem reproduz o momento histórico corretamente.

A confissão em Mt seria pós-pascal, mais amadurecida teologicamente, e ligada à teoria de que Pedro teria recebido uma revelação do Ressuscitado, como Paulo. Poderia derivar uma outra teoria: Paulo teria a mesma função e missão que Pedro, destinando-se aos gentios, enquanto Pedro se destina aos judeus. Mas Paulo reconhece que necessita da comunhão com os antigos apóstolos, mostrando Pedro sempre em primeiro lugar, como coluna.

A opinião de que a confissão judaica de Pedro foi rejeitada por Jesus não está no texto. Jesus apenas proíbe uma divulgação pública desta confissão, que seria mal-interpretada.

As formas da confissão só se compreendem ligadas ao anúncio do mistério pascal, que é como que um explicação do real significado dos títulos. E inversamente: o anúncio do mistério pascal só é entendido se se esclarece que quem sofrerá é o Cristo, o filho de Deus...

Os títulos cristológicos da confissão são retomados no processo de condenação de Jesus. Em Mc, o sumo sacerdote pergunta: “És tu o Cristo, o Filho do Altíssimo?” (Filho do Altíssimo não aparece na confissão em Mc). Isto pressupõe: que a imagem de Jesus como Messias era conhecida, e que a relação entre Messias e Filho era bíblica.
Assim se esclarece o porquê da confissão em Mt, levando-se em conta seu público.
Em Lc, “o Cristo de Deus” aparece na boca de Simeão, na infância, e nos insultos dos chefes do povo, aos pés da cruz: “se és o Cristo de Deus, ajude-se a si mesmo”. Os três textos afirmam que o “ungido” pertence a Deus.
Outro texto de confissão em Lc é o episódio da “pesca milagrosa” que refere o espanto causado pela presença de Deus. Pedro cai aos pes de jesus e diz: “Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um homem pecador”. é o título de Deus do AT.
Também o episódio do caminhar sobre as águas (Mt) termina com a confissão dos discípulos. “Tu és o filho de Deus”.
A confissão de Pedro em Jo chama atenção para a diferença entre Jesus e o Messias esperado por alguns. No contexto do discurso eucarístico, que suscedeu a multiplicação dos pães, Jesus se recusa a tornar a sua missão em uma produção de bens materiais; pelo contário, explica sua oblação, provocando o afastamento de alguns. Pedro, em nome dos que não o abandonaram, confessa: “A quem iremos?... Nós acreditamos e sabemos: Tu és o Santo de Deus”.
Conclui-se que o que causou escândalo não foi um messianismo político, mas o “colocar-se no mesmo plano do Deus vivo”.
Os discípulos reconheceram que ele era muito mais que “um dos profetas”, mas era Deus mesmo. Expressavam isso pelos títulos: Cristo, o ungido, Filho de Deus, Senhor, culminando na expressão de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”.

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