sábado, 23 de fevereiro de 2008

O inferno é um local físico?

Sexta, 8 de fevereiro de 2008, a Redação do Terra Notícias afirma que “O papa Bento XVI afirmou que o inferno é um local físico que existe e não está vazio, ao contrário do que seu antecessor, João Paulo II, dizia.” http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI2371866-EI312,00.html

O defeito da notícia é dizer o que não foi dito: “o inferno é um local físico”. No Encontro com o Clero de Roma, 07 de fevereiro de 2008, a que a notícia faz referência, Pe. Pietro Riggi, pergunta: “a 25 de Março de 2007 Vossa Santidade pronunciou um discurso improvisado, lamentando-se de como hoje se fala pouco dos Novíssimos. De facto, nos catecismos da CEI [Conferência Episcopal Italiana] usados para o ensino da nossa fé aos jovens de confissão, comunhão e crisma, parece-me que são omitidas algumas verdades de fé. Nunca se fala do inferno, do purgatório, uma só vez do paraíso, uma só vez do pecado, só do pecado original. Faltando estas partes essenciais do credo, não lhe parece que desaba o sistema lógico que leva a ver a redenção de Cristo?”

O Papa responde: “Com razão o senhor falou de temas fundamentais da fé, que infelizmente poucas vezes são mencionados na nossa pregação”. E o que mais se aproxima de uma definição de inferno: “Procurei dizer: talvez não sejam tantos os que se destruíram assim, que são incuráveis para sempre, que já não tem mais elemento algum sobre o qual se possa basear o amor de Deus, não têm mais em si mesmos um mínimo de capacidade de amar. Isto seria o inferno.”

Nada de “local físico” e nada de diferente de João Paulo II.

A 25 de março de 2007 foi dito na homilia durante a celebração eucarística presidida na paróquia romana de Santa Felicidade e Filhos Mártires (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2007/documents/hf_ben-xvi_hom_20070325_visita-parrocchia_po.html): “Jesus veio para nos dizer que nos quer a todos no Paraíso, e que o inferno, do qual se fala pouco nesta nossa época, existe e é eterno para quantos fecham o coração ao seu amor. Portanto, também neste episódio compreendemos que o nosso verdadeiro inimigo é o apego ao pecado, que pode levar-nos ao fracasso da nossa existência”. É a única citação de inferno na homilia.

João Paulo II já tratou mais especificamente do tema em Audiência de 28 de Julho de 1999, “O inferno como rejeição definitiva de Deus” (http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1999/documents/hf_jp-ii_aud_28071999_po.html) . Destaco as seguintes afirmações, que resumem a doutrina católica sobre o inferno, grifos meus:

“o homem, chamado a responder-Lhe na liberdade, pode infelizmente optar por rejeitar de maneira definitiva o Seu amor e o Seu perdão[...]É a situação em que definitivamente se coloca quem rejeita a misericórdia do Pai, também no último instante da sua vida.” §1

“Para descrever esta realidade, a Sagrada Escritura serve-se de uma linguagem simbólica §2

“O inferno está a indicar, mais do que um lugar, a situação em que se vai encontrar quem de maneira livre e definitiva se afasta de Deus, fonte de vida e de alegria. Assim resume os dados da fé sobre este tema o Catecismo da Igreja Católica: «Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus é a mesma coisa que morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra "Inferno"» (n. 1033).” §3

É de se lamentar que a imprensa use de meias-verdades ou deturpações com o simples intuito de conseguir audiência.

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