sexta-feira, 4 de março de 2011

«Sepultados com Ele no batismo, foi também com Ele que ressuscitastes»

Na Mensagem para a Quaresma de 2011, o Papa Bento XVI chama a atenção para a ligação entre este tempo e o batismo cristão, dom de Deus. O batismo de crianças evidencia que "ninguém merece a vida eterna com as próprias forças", a misericórdia de Deus "é comunicada gratuitamente ao homem". O batismo, ainda, "não é um rito do passado", mas transforma toda a existência do batizado, num percurso de conversão sincera apoiada pela graça.

O Papa percorre as leituras evangélicas deste período quaresmal evidenciando o caminho do cristão até a sua plenitude, a vida eterna.

No primeiro domingo, "o combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida".

"O Evangelho da Transfiguração do Senhor põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. [...] É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus", recorda o segundo domingo.

No terceiro domingo, "o pedido de Jesus à Samaritana: «Dá-Me de beber» (Jo 4, 7), exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da «água a jorrar para a vida eterna»", isto é, o Espírito Santo, o único capaz de "extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza!"

O Evangelho do quarto domingo, da cura do cego de nascença, "é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz». "

O quinto domingo, da ressurreição de Lázaro, dá-nos o sentido de nossa existência: "Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança."

O Papa lembra que este itinerário quaresmal-batismal "estimula-nos todos os dias a libertar o nosso coração das coisas materiais, de um vínculo egoísta com a «terra», que nos empobrece e nos impede de estar disponíveis e abertos a Deus e ao próximo".

A prática do jejum, da esmola e da oração deve estar orientada pelo amor a Cristo e ao próximo: ajudam a superar o egoísmo, pois "suportando as privações de algumas coisas – e não só do supérfluo – aprendemos a desviar o olhar do nosso «eu», para descobrir Alguém ao nosso lado e reconhecer Deus nos rostos de tantos irmãos nossos."

Por fim, a "oração permite-nos também adquirir uma nova concepção do tempo: de fato, sem a perspectiva da eternidade e da transcendência ele cadencia simplesmente os nossos passos rumo a um horizonte que não tem futuro." Só a vida eterna é verdadeira esperança que não desilude, e é para ela que caminhamos.


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