sábado, 24 de setembro de 2011

A Catequese católica

Foi chamado de catequese, o conjunto dos esforços da Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditar que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, mediante a fé, tenham a vida em Seu nome, para os educar e instruir quanto a esta vida e assim edificar o Corpo de Cristo.
Num primeiro momento da história do cristianismo – séculos I à V aproximadamente – catequese e comunidade caminhavam juntas. Era nas celebrações que se ia aprendendo, partilhando e vivenciando a fé (I Cor 11,17-29). E foi aí, nas aclamações litúrgicas e nas orações,  que se organizou o Credo ou “Símbolos da fé”. Mais tarde, criou-se o catecumenato, preparação pela Palavra, celebração e testemunho, com o objetivo de introduzir na vida cristã todos os convertidos, traduzindo em suas vidas a Mensagem de Cristo pela perseverança na fé e na caridade fraterna.
Na cristandade, período entre os séculos V e XVI, toda a sociedade podia ser considerada cristã. Neste tempo, o poder civil e religioso mantinham uma aliança e a catequese era realizada pela participação na vida social, profissional e artística, com influência da família, da pregação e das escolas.
Do século XVI, em diante, houve grande mudança pedagógica na catequese. Os motivos principais foram:
a-      preocupação com a clareza e a exatidão dos conceitos doutrinais;
b-      o surgimento, pela imprensa e escolas, dos catecismos (como os de Lutero, Pedro Canísio, Carlos Borromeu, Roberto Belarmino) para a “desconfusão doutrinal”;
c-      O iluminismo, incitando a resolver os problemas pela inteligência, sem a fé.
Assim, passou-se a valorizar a aprendizagem individual da catequese.

A catequese do século XX empenhou-se em dar sustento à conversão, à segurança e ao compromisso do cristão na comunidade, para a sua transformação segundo as orientações e os valores do Evangelho.

A Catequese a nível universal

O Concílio Vaticano II prescreveu a redação de um « Diretório para a instrução catequética do povo ». A Congregação para o Clero, dicastério responsável pela Catequese, apoiada por uma Comissão de especialistas e pelas Conferências Episcopais do mundo, elaboraram o Diretório Catequético Geral, revisto pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovado por Paulo VI em 1971. Foi reformulado em 1997.
O Diretório trata do Anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo, propondo um olhar ao mundo a partir da fé, sobre os direitos humanos, a cultura e as culturas, a situação religiosa e moral.
Quanto à fé dos cristãos, distingue algumas categorias:
Uma primeira configura-se de cristãos « não praticantes ». Redespertá-los para a fé é um verdadeiro desafio para a Igreja.
Há ainda as « pessoas simples », com uma « religiosidade popular » muito enraizada. « Conhecem mal os fundamentos dessa mesma fé ». Além disso, existem também numerosos cristãos, muito cultos, mas com uma formação religiosa recebida apenas na infância, e que necessitam reposicionar e amadurecer a sua fé.

O Diretório apresenta uma situação da catequese:
Aspectos positivos:
– O grande número de sacerdotes, religiosos e leigos que se consagram à catequese
– a consciência de que a catequese deve adquirir o estilo de formação integral e não simples ensinamento: deverá suscitar uma verdadeira conversão.
– a importância que vai adquirindo a catequese dos adultos.
Aspectos negativos:
– O conceito de catequese como escola da fé, como aprendizado de toda a vida cristã, que ainda não penetrou plenamente na consciência dos catequistas.
– o conceito conciliar de « Tradição » tem uma menor influência. De fato, em muitas catequeses, a referência à Sagrada Escritura é quase que exclusiva, sem que a reflexão e a vida bimilenar da Igreja.
– uma apresentação mais equilibrada do mistério de Cristo. Às vezes, se insiste somente na sua humanidade, sem fazer explícita referência à sua divindade; em outras ocasiões, menos freqüentes nos nossos dias, a sua divindade é tão acentuada, que não se percebe mais a realidade do mistério da Encarnação do Verbo.
– algumas lacunas doutrinais no que concerne à verdade sobre Deus e sobre o homem, sobre o pecado e a graça e sobre os Novíssimos; formação moral, história da Igreja e a Doutrina Social.
– ligação fraca da catequese com a liturgia.
– uma excessiva acentuação do valor do método e das técnicas, por parte de alguns.
– a dimensão missionária ad gentes mostra-se ainda fraca e inadequada.

A Catequese cumpre o mandato missionário de Jesus:
« Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura » (Mc 16,15)
« Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei » (Mt 28,19-20).
« Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra » (At 1,8).
A Catequese tem como conteúdo e base a fé trinitária: a Revelação do desígnio de Deus Pai; Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação; e a transmissão dessa Revelação por meio da Igreja, obra do Espírito Santo. A Igreja existe para evangelizar.
A catequese no processo da evangelização está a serviço da iniciação cristã, é distinta do primeiro anúncio do Evangelho,  promove e faz amadurecer esta conversão inicial.
A Catequese deve estar a serviço da educação permanente da fé, de várias formas:
– O estudo e o aprofundamento da Sagrada Escritura
– A leitura cristã dos eventos (ótica cristã)
– A catequese litúrgica
– O aprofundamento por meio de um ensino teológico

O Diretório toca no tema do ensino escolar da Religião e diz que para a escola católica o ensino religioso é indispensável e é o fundamento de sua existência. No contexto da escola pública e não confessional, terá uma característica mais ecumênica e de conhecimento inter-religioso comum e poderá ter um caráter mais cultural, orientado para o conhecimento das religiões. Se administrado por um professor sinceramente respeitoso, o ensino religioso escolar mantém uma dimensão de verdadeira « preparação evangélica ».

« Para a glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor » (Fl 2,11).
Finalidade da catequese: a comunhão com Jesus Cristo - Profissão de fé no único Deus: Pai, Filho e Espírito Santo - Sempre em referência à Igreja.

As tarefas fundamentais da catequese: Todas necessárias. O conhecimento da fé, a vida litúrgica, a formação moral, a oração, a pertença comunitária, o espírito missionário.

Fonte da catequese: A Palavra de Deus, contida na Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, compreendida sob a orientação do Magistério, celebrada na liturgia e aprofundada na pesquisa teológica.

Critérios para a apresentação da mensagem: Cristocentrismo, caráter eclesial da mensagem e a inculturação.

Métodos na catequese: A Igreja não possui um método próprio, nem um método único. Discerne os métodos do tempo, assume com liberdade de espírito « tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor » (Fl 4,8).
Merecem ser recordados os métodos de aproximação à Bíblia, do Símbolo e dos documentos, dos sinais litúrgicos e os meios de comunicação.

Os destinatários da catequese « O Reino diz respeito a todos » (Rm 15), toda criatura, « todas as nações » (Mt 28,19; Lc 24,47) « até os confins da terra » (At 1,8) e por todos os tempos, « até a consumação dos séculos » (Mt 28,20).

A adaptação ao destinatário. Deverão ser atentamente consideradas « diferenças de culturas, de idades, da vida espiritual, de situações sociais e eclesiais daqueles a quem a catequese é dirigida »
Destaque à Catequese dos adultos. Podem-se distinguir:
– adultos crentes, que desejam sinceramente aprofundá-la;
– adultos que não foram adequadamente catequizados ou se distanciaram da fé
– adultos não batizados, aos quais corresponde o verdadeiro e próprio catecumenato.
Para os adultos é importante a apresentação do Catecismo da Igreja Católica, esclarecimento de questões religiosas e morais e desenvolver os fundamentos racionais da fé.

Importância da catequese das crianças e dos adolescentes

Nesta idade, « ...nascem preciosas possibilidades para a edificação da Igreja e para a humanização da sociedade ».
Um dos principais problemas é quando o jovem conclui o processo da iniciação cristã e distancia-se totalmente da prática da fé.
Outras questões a serem afrontadas e resolvidas diz respeito à diferença de « linguagem » (mentalidade, sensibilidade, gostos, estilo, vocabulário...)

Catequese no contexto sócio-religioso

Em relação à religiosidade popular requer-se uma catequese que, seja capaz de ajudar a superar os riscos de desvio.
No contexto ecumênico e inter-religioso requer-se a exposição de toda a revelação que tem a Igreja Católica; explique-se as divisões que subsistem e os passos que devem ser feitos para superá-las. Manter a identidade católica, no respeito pela fé dos demais.

A formação bíblico-teológica do catequista

Abranger Antigo Testamento, vida de Jesus Cristo e história da Igreja, liturgia, vida moral e oração. Conhecimento das ciências humanas (psicológicas e pedagógicas).

A Catequese a nível nacional

Está estrutura sobre a herança do Concílio e em estreita ligação com os Documentos Pontifícios, em especial o Diretório Geral para a Catequese, inserida na realidade latino-americana. Um dos principais documentos vem a ser o nº 26 da CNBB, “Catequese Renovada”.
Enfoca a Catequese como educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé. Catequese inserida no conjunto pastoral, tendo em vista a opção pelos pobres e a participação das comunidades de base, em ações concretas do dia-a-dia do povo que sofre, luta e espera.
Retoma o tema da Revelação com centro em Jesus Cristo e sua transmissão pela Tradição, Escritura e Magistério.
Acrescenta, quanto aos métodos, que a interação pode se pautar sob o método do ver, julgar e agir.

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