sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trechos de "O Papa de Hitler"

Quem tem medo do livro sem ter lido, vão alguns trechos:

CORNWELL, John. O Papa de Hitler. A História Secreta de Pio XII. Rio de Janeiro: Imago, 2000.

“Em 11 de setembro [de 1943], Roma caiu sob ocupação alemã. [...] Pacelli descobriu-se arcando com a responsabilidade pela Igreja universal e (num sentido direto e imediato) os cidadãos de Roma, incluindo sua antiga comunidade de judeus.” O número de judeus era de cerca de sete mil. O principal rabino e o embaixador alemão na Santa Sé aconselhavam a emigração dos judeus, prevendo o banho de sangue, mas prevaleceu a opinião do presidente da comunidade judaica, de que deviam continuar suas vidas como antes. “O Vaticano também previra problemas para os judeus e aumentara suas atividades de caridade, em particular a ajuda para a emigração”.
O comandante das forças alemãs na Itália usou da ameaça de deportação para arrancar um resgate da comunidade judaica em ouro. Procurado, o Vaticano autorizou um empréstimo, mas não foi necessário.
Apesar do pagamento, iniciou-se um plano de deportação. Pacelli foi um dos primeiros informados. Haviam pressões para que o papa protestasse publicamente, o que não teria acontecido. Uma carta foi enviada ao comandante alemão em nome do bispo Hudal, prior da igreja alemã em Roma, e, juntamente com outra carta do embaixador alemão, foram enviadas a Berlin, alertando sobre os perigos de uma reação do Papa e da Cúria, porém chegaram tarde.
O trem com os deportados partiu em 18 de outubro. A cada etapa, o Vaticano era informado sobre as condições dos prisioneiros. Pacelli estava preocupado, assim como os alemães, com uma possível reação dos guerrilheiros italianos. Cinco dias depois, 1060 deportados morreram nas câmaras de gás e 196 ficaram detidos para trabalho escravo.
“Um número desconhecido de judeus de Roma escapou à prisão porque se esconderam em instituições religiosas “extraterritoriais” protegidas pela Santa Sé, inclusive na própria Cidade do Vaticano.” Discute-se, porém, se era real o risco de represália contra o Vaticano no caso de um protesto papal.
“O próprio Hitler fora obrigado a considerar o problema [de uma represália], por causa de seu plano para capturar Pacelli e levá-lo para a Alemanha.” O objetivo do plano era evitar influência política dos Aliados. O encarregado do plano apresentou argumentos contra, admitindo a autoridade da Igreja e o apoio discreto do clero, pelo que o plano foi abandonado.
“O silêncio de Pacelli, em outras palavras, não foi um ato de pusilanimidade ou medo dos alemães. Ele queria manter o status quo da ocupação nazista até o momento e que a cidade pudesse ser libertada pelos Aliados”.
“Apesar de tudo, houve judeus que concederam a Pacelli o benefício da dúvida – que continuam a fazê-lo até hoje”.

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